Teresa Penhalow possui vinte e sete anos e Ă© uma Dançarina. Reside no reino Magni. EstĂĄ indisponĂvel para aplicaçÔes por ser uma OC.Â
Yo-ho a pirate's life for me
Dever impostos para a coroa era algo comum para os fazendeiros menos favorecidos de Vidar, muitos deles nĂŁo tinham dinheiro suficiente para manter a alimentação, vestimentas e bem estar de sua prĂłpria famĂlia e ainda tinham como obrigação manter tais da famĂlia real. Essa regra se sobrepunha sobre Adeline e Jonathan Penhalow, que viviam razoavelmente bem cultivando e tratando do gado em suas terras limitadas longe da capital. Logo apĂłs alguns anos de casados, as terras ganharam nova vida com a correria de um lado para o outro de um garotinho forte que fazia questĂŁo em auxiliar o pai em seus trabalhos. Apesar de uma criança trazer mais responsabilidades e, por consequĂȘncia, mais gastos, o casal Penhalow estavam mais do que satisfeito, sobretudo felizes, com a vinda do desejado filho homem para a construção da famĂlia.
Em alguns anos com os gastos estabelecidos, Adeline e Jonathan nĂŁo poderiam esperar por mais uma surpresa da Corte real, os impostos haviam se multiplicado e os valores cresciam exorbitantemente, e para completar, Teresa chegara na hora errada. Adeline descobrira que estava grĂĄvida novamente quando o exĂ©rcito visitara pela primeira vez sua casa, a fim de verificar a regularidade dos pagamentos. As contas sĂł faziam aumentar, assim como sua barriga. Mensalmente os guardas averiguavam os fazendeiros e os proprietĂĄrios de terras mais poderosos que nĂŁo fizessem parte da corte. Os anos se passaram e Adeline finalmente dera a luz a delicada garotinha de olhos castanhos e cabelos da mesma cor, lembrando vagamente a sua progenitora, as feiçÔes angelicais e expressivas. O choro da criança recĂ©m-nascida nĂŁo trouxera mais paz para a famĂlia que durante meses vivia com preocupaçÔes e aperreios na cabeça. A plantação era de Ă©poca, e a escassez de compras do leite do seu gado dava ainda menos oportunidade de lucros para Jonathan que fazia o que podia para manter sua fazenda de pĂ©, mas uma hora as coisas pioraram de vez, suas dĂvidas cresciam cada vez mais e os lucros da fazenda nĂŁo supria mais do que somente as necessidades bĂĄsicas dos dois filhos.
Durante anos viveram assim atĂ© a coroa nĂŁo tolerar mais tais elevados dĂ©bitos, e para cobrir o dĂ©ficit a fazenda seria confiscada. O desespero percorreu os olhos de Adeline com a notĂcia, nĂŁo poderiam fazer absolutamente nada se nĂŁo obtivessem o dinheiro para cobrir as dĂvidas que se desenvolveram ao longo dos anos. A famĂlia nĂŁo era mais tolerada pelos guardas, e o dia infelizmente havia chegado. A fazenda fora invadida por diversos guardas do exĂ©rcito de Vidar, confiscando tudo o que fosse de valor. Os animais corriam de um lado para o outro, assustados e sem entender a situação que se passava em seu lar. Enquanto Jonathan tentava, frustradamente, resolver a situação, pedindo mais tolerĂąncia e tempo para que conseguisse arranjar o dinheiro, Adeline gritava apavorada com homens que afastavam suas crianças de si.
Teresa via seu irmĂŁo tentando proteger sua mĂŁe, a fim de certifica-la de que tudo iria ficar bem, mas nĂŁo iria, era evidente. A pequena garotinha era invisĂvel aos olhos dos maiores que voltavam seu foco para as pequenas riquezas que a famĂlia Penhalow possuĂa, e Teresa ficara estupefaça olhando pela porta entre aberta, atĂ© que um dos guardas prestara atenção nela, e a garota correu para dentro do quarto, fechando a porta em seguida. O grito fino era abafado dentre a confusĂŁo que seguia no cĂŽmodo central, e o guarda jĂĄ adentrara seu quarto a observando com veemĂȘncia. A resistĂȘncia de seus pais era grande, tentando de todas as maneiras protegerem a famĂlia, mas o ato jĂĄ irritara os guardas. Teresa fora levada nos braços e em prantos para fora do quarto, quando a primeira espada cortara a garganta de seu pai, que sangrava no chĂŁo escuro do cĂŽmodo. A garota parara de choramingar ao vĂȘ-lo morto, jogado no chĂŁo como se fosse um saco de batatas podres, era nova demais para entender algumas coisas, mas aquilo ela entendia, entendia que por brutalidade dos guardas tinha um pai morto, e do jeito que as coisas andavam, ela e toda a sua famĂlia estariam mortos em pouco tempo. Teresa mordera a orelha do guarda que a segurava, e ele berrou com a dor, soltando-a; quando conseguiu finalmente correr, a garota fora agarrada novamente, podia ver seus olhos encontrando com os do irmĂŁo mais velho que estava sendo arrastado por outro guarda a sua frente. Sua mĂŁe jĂĄ nĂŁo estava mais em seu campo de visĂŁo, e o desespero percorria sua mente, atĂ© que o seu corpo estava fraco demais para responder aos comandos do cĂ©rebro. Sentia mĂŁos tocando-lhe o corpo, atĂ© sua visĂŁo escurecer e tudo parecer um borrĂŁo longĂnquo.
Ao acordar, Teresa nĂŁo estava mais em sua casa, estava onde julgou ser o fundo de uma casa de ferragens. Podia ver um forno ao longe, vassouras de arame e armas jĂĄ prontas, alĂ©m de feno, muito feno. NĂŁo sabia como havia chegado ali, mas fazia um demasiado esforço para nĂŁo cair com a dor na cabeça perturbante, e quando estava quase alcançando a janela e explorando o local, o homem a qual havia lhe tirado de sua casa entrara no cĂŽmodo. Estava conversando algo inaudĂvel para ela, e parou abruptamente quando a viu tentando fugir. Por algum motivo, aquele guarda nĂŁo queria perder a garota, mas Teresa nĂŁo entendia, ele sĂł teria prejuĂzos com ela, por que nĂŁo deixa-la se virar no meio do reino, ou atĂ© leva-la para morrer? Bem, os olhos claros do homem deixava evidente que ele a olhava de uma maneira peculiar. De algum jeito, Teresa correu atĂ© a janela, tentando escala-la para fugir, mas suas pernas foram agarradas por braços fortes e uma força bruta que começara a lhe machucar.
A tentativa de detĂȘ-la era em vĂŁo, por mais que o homem a machucasse Teresa resistia a seus grandes braços que a prendiam fortemente, atĂ© que ele a soltou, subitamente, e a garota se surpreendeu. Mas o que iria fazer em seguida fora ainda pior do que seus membros superiores a prendendo havia pegado um ferro com uma marca abstrata em sua extremidade, visivelmente quente, e Teresa podia escutar suas Ășltimas palavras antes dela desmaiar com a dor do ferro quente queimando sua pele alva âisso Ă© para vocĂȘ aprender a ser uma boa garotaâ.
Quando acordou, a morena jĂĄ estava no porĂŁo de um navio de carga, e quando chegou a seu destino, conheceu o novo reino como Magni. Havia escutado vĂĄrias vezes histĂłrias sobre o reino de frente para o seu, mas nunca havia visitado-o. O lugar que conheceu apĂłs colocar os pĂ©s em Magni nĂŁo fora um lugar na qual Teresa julgara agradĂĄvel. Visitara o bordel na costa do reino, que acolhia todos os viajantes, piratas e todos que quisessem uma diversĂŁo apĂłs muito tempo de viagem pelo mar. Teresa enojava o lugar, assim como o homem que a levara para la, podia vĂȘ-lo conversar com quem ela avaliou ser a dona do local, e depois foi embora. Durante anos tentava fugir, conhecer o local onde estava ou se adaptar, mas cada vez que ela tentava mais repugnava a vida na qual o guarda de nome desconhecido havia lhe dado. Os anos se passaram e o corpo de menina havia se moldando em um de mulher, uma silhueta extremamente definida e encantadora. Todos os meses o guarda visitava aquele bordel para observa-la de longe, nunca havia tentado nada com a morena, mas depois de amadurecer e crescer, ela sabia com quais olhos ele a olhava. Teresa entĂŁo resolveu desistir de resistir, a dona do bordel fora cordial com ela, nĂŁo a colocara para ser uma prostituta, e sim uma dançarina, notara o domĂnio que a moça possuĂa pelo bailado e com isso atraia ainda mais clientes para seu bordel. EntĂŁo Teresa virara a atração principal da noite no bordel, em troca de comida e moradia, ela dançava para os clientes que se encantavam cada vez mais ao vĂȘ-la, alĂ©m de o frequentarem com mais constĂąncia.Â
You better choose a side, war is coming.
Teresa viveu parte de sua infĂąncia em um local relativamente pobre, sabia o valor de um trabalho fatigante, assim como a honrar as pequenas coisas que podia vir a possuir, nĂŁo precisava de riquezas materiais para receber todo o afeto que somente uma famĂlia de verdade poderia dar. Era a mais nova e por isso sempre fora bastante mimada pelo pai, que insistia sempre em afirmar a semelhança que tinha com a mĂŁe. A relação que mantinha com o irmĂŁo fora sempre a melhor que poderia manter com qualquer pessoa, ele era seu melhor amigo e confidente, mesmo que seus segredos soassem como bobagens aos ouvidos alheios, e o que era instinto na relação de ambos era ciĂșmes, alĂ©m da superproteção de Noah para com a irmĂŁ mais nova. ApĂłs ser afastada da famĂlia, Teresa precisou amadurecer mais rĂĄpido, saber se defender sozinha e aprender as malĂcias das pessoas e do local em que vivia. Sempre fora bastante fechada, desde criança, e o afastamento da famĂlia extinguia todos os sentimentos bons que poderia algum dia sentir novamente, no fundo a morena ainda tinha esperanças de ao menos encontra-los, mas sabia que o sentimento era inĂștil e carente, tinha que fazer de tudo para continuar vivendo do jeito que conseguia. Uma das coisas que a fez fortalecer-se foi a cicatriz que levava para o resto de sua vida nas costas, o guarda que lhe queimara com o ferro deixara uma marca abstrata e relativamente grande que se estendia das costas atĂ© o inicio da cintura. Talvez fosse um motivo para ter vergonha de seu corpo, mas Teresa via aquilo como uma prova de que fora forte o suficiente para aguentar a dor, entĂŁo poderia ser forte para qualquer outra que poderia vir a sentir, mas engana-se quem pensa que ela deixarĂĄ passar despercebido o que sofreu na infĂąncia pelo guarda do exĂ©rcito de Vidar, jurava a si mesma que quando estivesse pronta iria atrĂĄs do homem â e nĂŁo seria muito difĂcil acha-lo visto que este a visitara no bordel sempre que podia â e o faria pagar por tudo o que lhe fez sofrer. Era uma sede de vingança que crescia mais a cada dia, nutrida pelos dias trabalhando no bordel. Ao passar dos anos, Teresa foi moldada por uma personalidade fria e rĂgida, possuĂa uma facilidade para tratar indelicadamente pessoas que nĂŁo conhecem, e nĂŁo se importa nem um pouco com o ato. A dona do bordel de Magni lhe dera uma grande oportunidade de correr atrĂĄs do que queria, nĂŁo era como as outras meretrizes do bordel, e sim, uma grande dançarina que nĂŁo precisava se deixar desflorar para ganhar o dinheiro necessĂĄrio para sobreviver. A reclusĂŁo de Teresa depositou certo mistĂ©rio em sua pessoa, alĂ©m das pontadas como adagas afiadas nas palavras que cuspia em homens que tentavam mais do que observa-la em sua dança noturna no bordel. Por mais que suas feiçÔes angelicais e delicadas aparentassem a ingenuidade de garotas inexperientes, as poucas pessoas que a conheciam podiam afirmar veementemente que ela nĂŁo poderia ser mais contraditĂłria. Depois de tudo o que lhe aconteceu, Teresa guarda a Ășnica coisa que lhe restara da famĂlia: uma pulseira de prata pura adornada com arabescos e pequenas pedras de cristal legĂtimo em suas extremidades. Apesar de ser uma pulseira, Teresa usa-a como tornozeleira, para ofuscar a joia preciosa e a evidĂȘncia de furtos, pois Ă© uma peça Ășnica que ganhara da mĂŁe â passado de geração em geração da famĂlia â e a Ășnica coisa que tem para lembrar-se dela materialmente.Â