( urxel )
Não foi preciso uma resposta para que a pequena vampira se aproximasse de si. Uriel admitia que a sensação de ter seu sangue sendo drenado não era nada boa. Parecia que iria desmaiar a qualquer momento, a força da qual a menina fazia para sugar o liquido escarlate era tremenda, assim como deveria ser sua fome. Por esse motivo ele não se importava com aquilo, ele sabia que era um motivo bom. “Você vai acabar morrendo por agir de maneira tão estupida.” Em questões de segundos após fechar seus olhos, a escuridão foi preenchida por o universo que criou dentro de si, o rosto de Paimon o olhava com uma leve careta. O bruxo apenas sorriu e deu de ombros inciando uma tranquila caminhada pela estrada de tijolos. “Sei que esta se sentindo bem por ajuda-la. Mas essa criatura não vai conseguir parar de drenar o seu sangue e se ela conseguir você estará muito fraco para caminhar, falar ou agir.” Ele olhou para o demônio e sorriu terno, não eram necessárias palavras, apenas aquele sorriso já mostrava a decisão. De forma alguma ele se afastaria da pequenina. Ao se aproximar de uma especie de prédio a materialização do que seria o estado espiritual do bruxo suspirou pesado e andou em direção a entrada do mesmo, mas logo fio impedido por outros nove demônios. Todos estavam ali e ele não deixou de sorrir em felicidade por ver todos seus familiares juntos novamente. “Você sabe que não pode entrar aqui, não esta preparado. Ainda não.” Baalzebuth ditou firme. “Entenda Uri, é para seu próprio bem, por favor… Retorne a sua realidade.” Zepar se colocou a frente com um olhar carinhoso, a criatura de menos de um metro era extremamente fofa, o bruxo não conseguiria ir contra aqueles olhos. “Apesar de ser um fruto seu, com as memorias celadas esse lugar não lhe é seguro, por favor… Apenas vá. Estaremos aqui caso precise, basta nos chamar.” E quando fechou os olhos novamente sentiu seu corpo tremer por conta do frio, sua pele estava pálida e se sentia tão fraco a ponto de achar que iria desmaiar. A garotinha ainda estava com as presas em seu pescoço, mas nada fez para afasta-la. Apenas esperou de forma paciente, até que a mesma se sentisse satisfeita.
O sangue vermelho começava a escorrer pela boca de Eleanor conforme ela sugava cada vez mais. Sangue quente e vermelho contrastava com a pele branca e deixava a camisa azul do rapaz num tom mais escuro. A pequena mão esquerda da vampira tateava o lado oposto do pescoço do bruxo, servindo de apoio para a cabeça do mais alto. Céus, tinha algo de diferente no sangue dele. Nem mesmo o sangue do humano mais puro era tão bom quanto aquele. Não, o sangue dele... Tinha magia. E algo tão saboroso e viciante que ela não sabia descrever. Não sabia o que pensar, apenas sabia que queria mais e mais e mais. A cor aos poucos voltava ao rosto e a própria vitalidade era restaurada. Ela poderia continuar ali até drenar a ultima gota de sangue, mas não o faria. Não quando ele a ajudara, quando estava ali, de joelhos diante dela e se deixando ser violado daquela forma.O corpo do rapaz vacilou e, se não fosse a força sobre-humana da pequena, teriam caído. Ela o sustentou, passando os pequenos braços por baixo dos dele como apoio. E então, afastou a cabeça do pescoço alheio, a boca manchada de sangue fresco - o cheiro da ferida aberta a chamava - sussurrava seu nome por mais. Delicadamente, Eleanor se sentou sobre os pés e o apoiou. Tomara demais dele. --- Você precisa descansar. --- A voz, antes rouca e baixa, agora tinha aquela vida que lhe faltara antes. Graças à ele. Com suavidade, ela o deitou, temendo que desmaiasse ali mesmo; apoiou a cabeça do rapaz sobre o próprio colo e, com a voz baixa e melodiosa, sussurrou uma cantiga antiga e suave, mãos pequenas traçando um caminho entre os fios escuros da cabeça do bruxo.













