A queda
"Olha pra mim." E foi assim que tudo começou. Deu-se início a maior confusão. A maior de todas as orquestras tocava no meu coração. Eu não ousaria abrir a minha boca e permitir que as borboletas voassem para longe. Eu as queria ali perto, bem perto, dentro de mim para lembrar dela. Eu a encarei por exatos cinco minutos sem dizer uma única palavra. Eu não estragaria aquele momento dessa maneira. De maneira alguma. Eu apenas a admirei. O som alto de sua respiração se misturando à minha. A linha firme de sua mandíbula fazendo contraste ao seu rosto com o semblante sério que tanto me intimidava. Ela era a maior das obras de artes. A melhor que eu já vira. Eu contemplava aquele momento com todas as minhas forças e se fosse o meu último minuto na terra, eu morreria feliz. E então ela me beijou. Tudo que antes fora escuro como breu se transformou na maior e mais bonita festa das cores. "Diga que não vai embora", ela sussurrou. Eu não ousaria ir. Como poderia? E então eu me apaixonei.














