I know If I'm haunting you, you must be haunting me.
O sol começava a desaparecer na linha do horizonte, já se era possível ver as primeiras estrelas tomarem seus lugares na imensidão azul escura do céu. Os pensamentos iam lhe consumindo por inteiro, Elliot já estava sentindo seus ombros tensos conforme remoía dentro de si tudo que vinha negando a si mesmo e para todos aqueles com que convivia dia-a-dia. No fundo, saberia dizer o quão impossível era tentar reprimir os sentimentos por Anne. Ou melhor, sua Anne. Estava sendo praticamente impossível conviver com isso dentro de si, sentia que poderia explodir a qualquer momento. Era evidente o quanto a presença da menina o afetava, mas o professor sabia que não deveria manter sentimentos por uma aluna que, além de tudo, era apenas uma adolescente. No mesmo instante que seus pensamentos iam se encaixando, Elliot sentiu seu peito latejar em uma dor insuportável, era doloroso saber que, novamente, seus sentimentos estavam falando mais alto e as auras pareciam conspirar contra ele. Principalmente, pensar que se não demonstrasse o que sentia e a deixasse, ela seria de outro alguém e ele não queria isso, apenas o pensamento de vê-la nos braços de outro garoto já o deixava machucado.
Elliot inclinou a cabeça pra trás e encostou no tronco da árvore. As pernas balançavam num ritmo constante roçando os pés na água. Sentiu o pensamento devanear e recuar no tempo, até poucos dias atrás onde toda sua vida começou a complicar-se. Fora antes da meia noite, naquele mesmo dia, Roxanne e ele haviam ficado até mais tarde em sua sala, tirando as dúvidas da menina e, no linguajar dela, jogando conversa fora. Após aquele dia, soube que não havia mais como volta atrás, o cheiro da garota havia sido inalado por ele e ficara em seus pulmões pelo resto da noite, afetando todos seus sentidos. Depois daquele dia, as coisas tornaram-se mais difíceis e era necessário muito esforço de sua parte, tendo sempre que manter pensamentos racionais e se lembrar das consequências que teria caso se envolvesse com ela. Elliot se controlava ao lado da bruxa, se controlava e muito. "Momentos... Nossa vida é um conjunto de momentos. Desapegue-se, Elliot." Rebobinava esta frase em sua mente como um mantra para se acalmar, até mesmo se conformar com sua realidade, não devia se permitir criar ilusões de algo com a jovem, no fundo sabia que era impossível.
Respirou fundo, inalando o cheiro da grama recém molhada. Ele gostava como o cheiro era bom e desnorteante em proporções iguais, da mesma forma que sua ex gostava. O pensamento o fez sentir-se impotente, sua cabeça parecia girar em 360º graus, não poderia e nem sequer sabia se deveria tentar se esquecer dela, embora soubesse que não havia maneiras de fazer tal coisa. Elliot estava prestes a ser pai, teria um futuro incrível ao lado da mulher e poderia ter a vida que sempre almejara, mas o privaram disso sem dó nem piedade, destroçando cada vestígio de sonho que ele planejara ao lado de Sophie. Seus olhos marejaram e no mesmo instante, forçou engolir o choro e se colocar em seu lugar, ou melhor, manter a máscara para não deixar evidente suas cicatrizes. Era estranho, antes de suas órbitas repararem em Roxanne, Elliot se sentia vazio, por dentro já nada mais parecia restar, não conseguia mais sentir praticamente nada, era um vazio que parecia que nunca seria preenchido, mas com gestos simples e em pouco tempo ela se tornou algo maior do que ele esperava.
A brisa bagunçou suas madeixas e o ar gélido ricocheteou com sua face fazendo-o encolher-se em suas vestes, ele erguera o olhar e fitou as estrelas interligando os pontos, como fazia há alguns anos atrás ao lado de Melody, aquilo parecia acalmar o professor de uma forma incomum. Ele gostava do incomum. Mais tarde, naquela mesma noite, Elliot se redirecionou para seu dormitório a fim de seu maldito sono chegar, mas nem mesmo Merlin ou Morgana poderiam ajudá-lo com sua insonia. Procurou dentro de suas vestes sua varinha, sacando-a assim que a achou. "Accio Livro" Ao que proferido por completo, o feitiço surtiu o efeito e logo o livro que ganhara de sua mãe, aparecera. "Alguém devia organizar este quarto." Pensou consigo mesmo, olhando ao redor e reparando na bagunça que livros velhos, algumas roupas, pergaminhos entre alguns outros pertences poderiam fazer. Ele abriu o livro e, como toda vez que fazia isto, as páginas começaram a mostrar-lhe imagens. As mesmas imagens sem nexo ou coerência, ou o Tonks que não havia enxergado com clareza suficiente para perceber a mensagem que o tal livro queria lhe passar.