Dave R. e eu levamos nossos drinques para o lado de fora para respirarmos ar fresco.
- Dave, sinto muito mesmo, sabe, por ter te usado como uma isca - eu disse meio sem jeito.
- Agora está tudo bem... Só que fiquei muito chateado na época.
Ele pareceu estranhamente sério. Ah, caracoles, eu tinha previsto muitas risadas.
Por que o apelido dele era Dave Risadinha se ele não era engraçado? Devia se chamar
Dave Serinho. Cala a boca, cérebro!
- Olha, sabe, eu só... - tentei dizer.
- Georgia, tem uma coisa que você precisa saber... Eu...
Ah, meu Deus. Ah, meu Deus do céu! Parecia que ele ia chorar. O que eu deveria fazer? Nunca tive aula de choro de garotos, só de beijos. Olhei para meu drinque e pressenti mais ou menos que ele tapava o rosto com as mãos. Fiquei olhando para o copo e evitando olhar para ele. Então, disse em voz baixa, todo nervoso:
- Eu não consegui te esquecer... Acho, acho que estou apaixonado por você.
Ah, sacré bleu e tripla merde!
- Dave, eu não sei o que dizer. Eu, bem... eu... - murmurei.
- Quem sabe você não poderia me dar um último beijo.
Então, olhei para ele. E ele olhou para mim.
E só nessa hora percebi que ele estava usando um nariz de palhaço enorme. E não parava de olhar para mim.
Na verdade, a coisa foi muito, muito engraçada, apesar de eu ser o alvo da piada.
Ele estava simplesmente hilário!! Acabamos caindo de tanto rir.
Mas, então, aconteceu uma coisa terrível. Eu me vi acidentalmente grudada à boca dele (mas, antes, ele tirou o nariz vermelho... ).