Por mais que o relacionamento dos dois tivesse chegado ao fim com algumas divergências claras que levaram a brigas mais sérias do que Capitu estava acostumada, a loira estaria mentindo se dissesse que deixara morrer a esperança que um dia aquilo fosse acontecer. Não daquele jeito, claro, já que Lucas sempre dava conta do recado que era surpreender a mais nova, mas esperava que eles fossem conseguir se entender. Algo dentro dela havia lhe dito aquilo durante todos os meses que os dois passaram afastados, e por mais que não tivesse dado ouvidos para não criar falsas expectativas a si mesma, algo em Prado não deixava-a desacreditar que eles voltariam a se encontrar pelo caminho. Apesar de conturbado, o que os dois tinham ainda era amor, um amor forte demais para acabar do jeito que acabou. Prova daquilo havia sido que, mesmo durante todas as semanas em que ela fora dormir sozinha, ainda era Gadéa seu último pensamento antes de pegar no sono, e o primeiro todas as manhãs quando seus olhos voltavam a se abrir. “ — Eu que não sou mal educada a esse ponto, bichinho. Pode ficar tranquilo, vou pensar desde agora em algo pra te surpreender também, só me dê um tempinho a mais porque acho que vai demorar pra eu conseguir me recuperar dessa, quem dirá tentar superar. ” rira baixo consigo mesma, os olhos ainda estando completamente hipnotizados por toda a estrutura que o outro havia se ocupado de montar. Tomou seu lugar assim que a cadeira fora puxada para si, ajeitando-se em seu assento e passando os olhos rapidamente pelo garçom que servia o vinho, esboçando um sorriso de agradecimento antes que esse fosse rompido por outra risadinha que Lucas arrancara de si. Negando levemente com a cabeça, Capitu tomara um gole do vinho, que parecia até mais doce ao descer por sua garganta diante de toda a paisagem. “ — Está tudo muito lindo e eu não quero acabar com o clima de jeito nenhum, mas acho que tu não fez isso aqui só por fazer, né não? ” indagou, mas a voz continuava a ser suave, com ela preocupando-se em deixar qualquer tipo de peso longe de seu tom. “ — Acho que já passou da hora sobre a gente conversar sobre… Bem, sobre tudo. ”
foi a vez do castanho afundar o corpo no assento ao lado oposto de capitu, ajeitando-se sobre o móvel após ter fragmentado parte da distância entre ele e a mesa e viabilizando-se em alcançar os talheres e a taça de vinho, apenas para, um conjunto tímido de segundos depois, trazer a peça até os lábios e beber de seu conteúdo. a boca foi rompida num sorriso que era nada mas cheio de uma falsa presunção quando lucas registrou as palavras da ex-namorada, subindo os ombros devagar e devolvendo a taça a mesa, estalando a língua sucessivamente, enquanto curvava o par de lábios para baixo numa expressão convencida. “o que dizer quando o menino tem o famigerado dom do bom gosto abençoado pelo próprio senhor deus?” da direita só se via lucas abrindo o guardanapo de tecido com uma sacudida no meio da sentença, posicionando-o sobre o colo e libertando um riso pouco substancial para explicitar a porcentagem de comicidade intrínseca na frase proferida, as íris castanhas procurando foco na mais nova dos dois sucessivamente. mas o rapaz, que era restrito a sorrisos até agora, perdeu tenuemente gerência da leveza das expressões doadas por ele com a menção da pauta que se fazia necessária ali agora; o ar tragado para dentro dos pulmões foi trazido devagar e solto com a mesma calma, até gadéa assentir uma vez ao posto por capitu e ele umedecer os lábios. “na real, era pra gente ter conversado sobre isso faz tempo já. só tava procurando ajeitar minha cabeça e entender o que tava rolando comigo antes de fazer qualquer coisa,” tinha começado com honestidade intrínseca no meio das sílabas, e continuaria daquele jeito o resto da conversa porque era incapaz até o último resquício de seu ser de mentir para qualquer um, especialmente para capitu. “tô tentando entender ainda, pra ser sincero.”