era no meio da galera com o violão no colo e as pontas dos dedos deslizando sobre as casas do braço do instrumento que lucas continuava a noite, vez ou outra pedia auxílio em qual música tocaria na próxima e acatava aos requisitos com aquela vozinha já cheia de rouquidão que não sabia dizer se era proveniente da fumaça da fogueira abraçando suas cordas vocais devagar ou da quantidade de músicas que tinha cantado até então. a próxima, porém, veio de ser muito bem escolhida por ele mesmo. capitu tinha instalado-se no lado oposto ao seu ali naquela rodinha e, desde que lucas era a própria personificação de clichê serenades for your lover, ele tinha que fazer alguma coisa naquela linha senão não seria ele. sem prolongar-se nem um segundo naquela instância, gadéa começou a dedilhar os acordes de dona maria no violão acústico, os pares castanhos procurando as azuis de capitu sucessivamente porque sabia que a ex-namorada entenderia o significado daquela música, enquanto que as esquinas dos lábios subiam num descrever sutil de um sorriso. “me desculpe vir aqui desse jeito, me perdoe o traje de maloqueiro // de camisa larga e boné pra trás, bem na hora da novela que a senhora gosta mais,” iniciou na letra, o acústico das cordas do violão fazendo sincronia com a própria voz enquanto a atenção pendia em prado durante o espaço inteiro de tempo. não precisava focalizar no que fazia com os dígitos, desde que aquela música sabia de cor e salteado há muito. “faz três dias que eu não durmo direito, sua filha me deixou desse jeito,” e continuou a melodia do mesmo jeito que começou, distribuindo sorrisos a quem quisesse ver para a ex-namorada simplesmente porque podia, porque conseguia constatar cada parte do corpo cedendo a nostalgia que aquela canção lhe trazia a cada nova cifra desenhada no braço do instrumento e não iria negar-se ao simples prazer daquilo. “dona maria, deixa eu namorar a sua filha // vai me desculpando a ousadia, essa menina é um desenho no céu...” ( @cxptcs )











