lusccs:
( flashback )
foi a vez do castanho afundar o corpo no assento ao lado oposto de capitu, ajeitando-se sobre o móvel após ter fragmentado parte da distância entre ele e a mesa e viabilizando-se em alcançar os talheres e a taça de vinho, apenas para, um conjunto tímido de segundos depois, trazer a peça até os lábios e beber de seu conteúdo. a boca foi rompida num sorriso que era nada mas cheio de uma falsa presunção quando lucas registrou as palavras da ex-namorada, subindo os ombros devagar e devolvendo a taça a mesa, estalando a língua sucessivamente, enquanto curvava o par de lábios para baixo numa expressão convencida. “o que dizer quando o menino tem o famigerado dom do bom gosto abençoado pelo próprio senhor deus?” da direita só se via lucas abrindo o guardanapo de tecido com uma sacudida no meio da sentença, posicionando-o sobre o colo e libertando um riso pouco substancial para explicitar a porcentagem de comicidade intrínseca na frase proferida, as íris castanhas procurando foco na mais nova dos dois sucessivamente. mas o rapaz, que era restrito a sorrisos até agora, perdeu tenuemente gerência da leveza das expressões doadas por ele com a menção da pauta que se fazia necessária ali agora; o ar tragado para dentro dos pulmões foi trazido devagar e solto com a mesma calma, até gadéa assentir uma vez ao posto por capitu e ele umedecer os lábios. “na real, era pra gente ter conversado sobre isso faz tempo já. só tava procurando ajeitar minha cabeça e entender o que tava rolando comigo antes de fazer qualquer coisa,” tinha começado com honestidade intrínseca no meio das sílabas, e continuaria daquele jeito o resto da conversa porque era incapaz até o último resquício de seu ser de mentir para qualquer um, especialmente para capitu. “tô tentando entender ainda, pra ser sincero.”
Depois de preencher a boca com mais um gole do vinho, Capitu apoiou a taça novamente sobre a mesa e levou o indicador até a borda desta, passando o dígito por ali em movimentos circulares de forma lenta enquanto olhava para Lucas. Possivelmente os lábios estampavam um sorriso estupidamente genuíno que ela nem havia se dado conta de ter se apropriado de sua boca, mas era apenas mais uma de suas reações naturais ao simplesmente ter a chance de encarar Gadéa. Infelizmente, porém, a expressão acabou se desfazendo aos poucos enquanto ele dava continuidade ao assunto que ela havia começado, que trazia consigo outro peso para a conversa e, mesmo sem intenção, instalava um novo clima no ambiente. Antes mesmo de Lucas concluir sua fala, Prado havia desviado a atenção para o lado, deixando que os olhos se encontrassem com o mar e ali permanecessem pelo tempo que o ex-namorado levou para terminar sua sentença -- daquela forma, parecia ser mais fácil absorver o que ele falava. “ --- Eu imagino como a sua cabeça deve estar bagunçada no momento. ” começou, fazendo uma pequena pausa em seguida. Era um assunto delicado demais, Capitu sentia necessidade de pensar cuidadosamente em cada palavra para não acabar expelindo algo que pudesse ser mal interpretado. “ --- Sei que faço parecer que está sendo tudo muito fácil, e que eu estou muito bem com tudo isso, e que eu não me importo nem um pouco, mas... ” deixou o fim da frase pairando no final, finalizando-a apenas com um negar leve de cabeça, antes das orbes fazerem seu caminho de volta até os castanhos de Lucas. “ --- Não é como se eu estivesse totalmente surpresa, sabe? É muito fácil se apaixonar por você, bichinho. ” tentou soltar um riso fraco, pra deixar o clima mais leve, mas falhou nas duas missões. “ --- Eu só não sei até onde vou conseguir levar isso. Tenho medo que eu não consiga acompanhar vocês até o final e acabe ficando pelo caminho. ”
















