Eles dizem
“Não perdoe”, “não fale com ele”, “não pense nele”, “ignora”, “desiste”. Eles dizem “você tem que sentir ódio dele”. Não, não tenho e não vou.
Por algum tempo eu pensei que eu não deveria odiá-lo porque o sentimento une e eu não queria ter elo algum. Durou três dias pensar que não ter elo algum era a melhor forma, afinal como você simplesmente deleta alguém que você ama da sua vida? Quando eu decidi em não sentir ódio dele (ou pelo menos não tanto) foi quando eu pude ver o quanto de amor restava. Não era pouco, não era menos. Eu o amava ainda da mesma forma que eu o sempre amei.
Que tarefa difícil amar alguém que aparentemente não se encaixa mais em sua vida. Amar é querer ter por perto, querer ter certeza de que está bem, querer conferir se tá respirando de noite, querer sentir o abraço e o beijo todos os dias, querer sentir aquela muralha de sentimentos que é tão acolhedora e quente.
No entanto, como amante, amante aqui no sentido de alguém que pratica o amor, cabe a mim deixa-lo ir. Amar afinal não é apenas cuidar, não é apenas abraçar e beijar todo dias, amar é pegar a gaiolinha imaginária e deixa-la aberta. Aberta para que quando ele precise ele volte, deixa-la aberta para quando ele quiser fazer seu ninho ali.
Então, meu amado, eu deixo a gaiola do meu coração aberta a ti hoje. Sem ódios segurados, sem mágoas reprimidas, sem rancores. Eu deixo o meu coração aberto para que ali você possa ter sempre certeza que você pode encontrar amor, pode encontrar carinho, pode encontrar todo do melhor sentimento que na vida podemos ter.








