O bloco de desenhos logo cobria-lhe o rosto quando um aprendiz chamava a atenção dos espíritos. Hania permitindo que o contato acontecesse depois de avaliar o indivíduo, prevendo se ficaria ali por tempo o suficiente para liberar a mão do controle próprio. E quando isso ocorria, metade do corpo tornava-se estranha, dependente da âncora física de Hania para sustentar as funções e realizar a previsão do futuro instantânea. O passado e o presente disputando quem seria o próximo da fila para o desenho. Os cabelos ruivos apareceram primeiro na nuance cinzenta do lápis bem apontado. Curvas e texturas de pesados tecidos se assomando, sugerindo uma riqueza sem precedentes. E, acima de sua cabeça altiva, uma coroa adornava a face sombria, inacabada. O índio franziu o cenho para o súbito freio no dom, permitindo espiar os arredores para entender o que estava acontecendo. Ah, @luvwar nem estava no recinto quando começou a desenhar e agora que passava, a mão possuída completou os traços e finalizou o desenho. ☾ — Obrigado. ⋆ Sua palavra final para um trabalho bem feito, o ato já automático de destacar o desenho e guardar na pasta lotada. O caçula de Pocahontas parou, olhou da rainha do papel para a que andava confiante. A mudança precisa começar de algum lugar, minha criança, por que não de você? O ciclo vicioso precisava ser rompido, um reforço da confiança que corria nas veias. ☾ — Com licença. ⋆ Pediu em voz calma, erguendo do chão e batendo a poeira das calças antes de se aproximar. ☾ — Isso aqui é seu. ⋆
A primeira noite tranquila em várias semanas era, certamente, uma das principais razões do semblante quase pacífico da princesa. Porém, mesmo o descanso muito merecido não seria capaz de retirar a tensão presente em seus ombros. E para uma ótima mentirosa, Freya poderia ser até convincente, ao menos para aqueles que não a conhecessem de fato. Era provavelmente essa a razão de estar evitando seus amigos mais próximos, em especial Kanesha que desvendaria a preocupação em seu olhar em uma fração de segundo. Ao invés disso, a Westergaard buscava manter a mente ocupada da maneira que fosse. Não era de se estranhar, então, que permanecesse poucos minutos em um mesmo local. Quando a atividade em questão deixava de servir como uma distração, ela era abandonada. Simples assim. A ruiva sequer estava certa de qual seria seu próximo destino ao rumar pelo castelo, quando foi interrompida pelo rapaz. A surpresa que tomou suas feições logo deu espaço a uma satisfação singular, o sorriso impresso nos lábios rubros capaz de iluminar todo o castelo. Era um desenho belíssimo. Os traços eram impecáveis e extremamente fiéis a sua pessoa. Não havia dúvidas de que era um artista deveras talentoso. E a coroa... Era tudo o que Lovisa sonhava e talvez um pouco mais. “— O que é isso?” — Viu-se perguntando, embora parecesse óbvio. “— Quero dizer, é um prazer saber que servi como sua musa. E estou realmente impressionada com a precisão em cada mínimo detalhe. A coroa inclusive parece real e... É verdadeiramente impressionante.”














