newgenesisx:
Suas mãos tremulavam lembrando-se repetidas vezes das palavras ditas naquele elevador. Nada fazia sentido em sua mente e arriscaria dizer que estava enlouquecendo. O ar lhe faltava, os olhos estavam pesados pelo choro e ele ainda encontrava-se jogado diante daquela porta. As batidas embora altas pareciam um som distante e se não fosse o tremular da madeira contra suas costas teria as ignorado, isto é, se a voz do outro lado não fizesse seu coração dar um solavanco. Com esforço se ergueu do chão abrindo uma fresta com os olhos vermelhos arregalados em certo choque. Transtornado, não sabia dizer o que era verdade. Por isso, em um ímpeto levou a mão ao pulso alheio sentindo de sua pulsação igualmente acelerada e do calor de sua pele para confirmar-lhe que aquilo ele estava ali. “o que está…” iria questionar, mas logo sua pergunta foi respondida e com um suspiro fitou a mala. Ficou encarando-a por um tempo até ter forças para recolhê-la para dentro do apartamento vazio. “O-obrigada!” gaguejou deixando as palavras escaparem mais como um sussurro.
Cada frase foi ouvida em silêncio e apenas conseguiu erguer o olhar quando reconheceu uma parte do discurso que talvez usava para se convencer. Esquadrinhá-lo fez com que as íris claras acompanhassem a roupa desgrenhada, até o blazer cujo um lenço de plumas vermelho estava pendurado no bolso. - Meu lenço! Pensei que tinha perdido - murmurou mais para si retomando aquele objeto perdido na apresentação, mas o ato impensado fez com que se aproximasse o suficiente… o suficiente para sentir aquele cheiro, aquele que tanto o confundiu dias atrás. Sentiu-se tonto e por um momento pensou que as pernas iriam ceder, de modo que teve que se segurar no batente da porta ao mesmo tempo que recebeu o passo a diante do ex-namorado que não parecia querer ficar naquele corredor. “Me dizer tudo isso não coloca sua vida nos eixos, eu sei porque pensei que colocaria a minha quando contei minha história no café. - desanimado, porém realista, achou melhor adverti-lo para que não continuasse a dizer aquelas inverdades a si mesmo. Porém sua verdadeira fragilidade foi ouvi-lo dizer o quanto se orgulhava e se sentia feliz de sua revelação, e aquilo talvez era a última aprovação que precisava para continuar seguir a diante. O frenesi de sentimentos que o embalava quando estava na presença alheia se fez presente e daquela vez não conseguiu respeitar o desejo alheio, não quando ele não parecia sincero. Antes que pudesse perdê-lo de vista segurou seu braço com firmeza, dando um passo a diante de modo que seu peito ficou a milímetros do dele, estufado em uma coragem que não sabia de onde vinha, mas que era necessária. “O adolescente que teve a decepção e o relacionamento de maior felicidade infelizmente não existe mais Lysander… nem mesmo o James deslumbrado e com medo do mundo de possibilidades.” com a sabedoria adquirida pela maturidade o fitou de maneira intensa, como se através do olhar pudessem se conectar para além dos toques, como se as almas que sempre pertenceram uma a outra naquele momento estivessem conectadas mais uma vez. “Mas existe o homem que me disse naquela sala que o que ele ainda deseja sou eu! Então se isso não é um sonho ou uma grande loucura da minha cabeça, por favor…” sua voz embargou e não sabia o quanto mais conseguiria segurar aquelas palavras, não agora que já tinha perdido tudo. Não tinha mais peças a jogar ou capas de invisibilidade para escondê-lo, só havia suas escolhas e as consequências dela. “Eu não quero que me deixe mais!” repetiu as palavras que usou naquela sala, ciente que ele entenderia. “E se você precisa me dizer como se sente, se você veio até meu apartamento mesmo depois de dizer no elevador que eu não tenho mais espaço na sua vida… se você me beijou naquela noite… é porque também não quer que eu vá! Então olha pra mim e me diz que você quer que isso seja uma despedida e eu juro que nunca mais vou me aproximar de você.” Suas mãos desta vez foram até o rosto alheio, emoldurando a pele bronzeada enquanto segurava com afeto e também urgência. “Mas se eu estiver certo… desta vez me deixe ficar com você sem nenhuma barreira.”
Como se toda a questão entre ambos já não fosse fodida o suficiente naquele instante ganhava também a realização de que as lembranças, que a priori acreditara se trata de um sonho, eram de um momento real. A compressão que sentia no peito parecia avolumar-se como se quisesse lhe rasgar a carne. Com dificuldade respirou fundo na tentativa de recobrar alguma serenidade, mas foi só ao sentir a mão do Potter envolver seu pulso que certo alívio pareceu preencher seus sentidos.
Naquele instante mesmo se não tivesse TDAH seria impossível não ter a mente pululando de pensamentos desconexos, de conjecturas desencontradas que apenas faziam com que se sentisse mais confuso. Fitando o grifano, se permitindo se perder na intensidade das orbes azuladas, liberou um suspiro resignado conforme o ouvia. James não estava errado, mas para Lysander as coisas não funcionariam tão facilmente. Não quando se sentia fora do eixo e especialmente propenso a auto sabotagem. “Não posso dizer que não te quero mais porque seria uma puta mentira, por mais que minha consciência me diga que seria o melhor que faria por ambos.” pronunciou-se em um timbre baixo, rouco, como alguém que vinha reprimindo fortemente as emoções. “Se eu não te quisesse jamais teríamos passado a noite juntos no OJESED. Eu inclusive queria que fosse uma pegadinha da minha mente, mas é só mais uma prova do quanto sou suscetível a ti para um caralho. Meu corpo arde em brasa toda vez que estamos perto assim.” disse gesticulando para apontar a distância mínima entre ambos. “Minha mente automaticamente projeta imagens de nós dois juntos, sem roupas, sem diferenças, sem ressentimentos. E meu coração nunca conseguiu se desprender de ti. Eu tentei para um caralho amar depois de ti, mas tu me marcou como teu de uma maneira que ninguém mais parece ser capaz.” sua sinceridade parecia sem freio como se de repente tivesse descoberto que precisava urgentemente colocar tudo pra fora. “Tu me pede pra ficar, pra tentar de novo e repete que não sou mais um adolescente. Realmente não sou. Mas o homem que eu sou tu também não conhece. Como posso ficar se não fazemos ideia de quem somos agora?” questionou com uma nota de seriedade que mais uma vez o fazia parecer mais sóbrio que ébrio. “Como eu posso ser o que tu quer, o que tu precisa se nesse momento eu mesmo não me suporto? Eu estou confuso para um caralho, na porra do fundo do poço, e minha identidade já não parece me pertencer. Eu estou na merda, Jamie e por me importar contigo não posso te arrastar junto comigo.” o olhar até então preso ao do grifino fixou-se no espaço entre seus pés, no chão. Sentia-se exaurido. “Dez anos não foram capazes de apagar essa conexão, esse tesão, esse a…” deixou a palavra morrer em seus lábios assim que seu olhar reencontrou o dele. “Eu nem estou sendo coerente. Não consigo ser. A única coisa que sei é que se por acaso essa for uma nova chance para nós dois, e tenho medo de me apegar a essa possibilidade, não gostaria de repetir os mesmos erros. Nós fomos rápidos e intensos como se o mundo estivesse acabando. Não quero viver como se cada momento fosse o máximo que pudéssemos ter um do outro. O que quero é tudo que não tivemos. Tudo que teríamos direito.” murmurou sentindo seu corpo ceder a proximidade dele, ao toque em seu rosto, ao cheiro que o inebriava enquanto lhe passava a sensação de que se encontrava onde pertencia. Lysander encostou a testa na de James e levou a mão ao rosto dele para que pudesse acariciar. “Eu ainda quero você. Sempre vou querer. Mas não quero a urgência, preciso da calmaria. Jamais me perdoaria se fosse tóxico contigo, especialmente quando não me sinto seguro. Se tu tá a fim de insistir em mim vai precisar de paciência.” concluiu, baixinho, encarando as orbes azuladas e refreando a tentação de puxá-lo para mais perto de si.













