╬ helbredelse ╬
O rosto do garoto se mostrou em choque pelo que a garotinha havia dito e rapidamente dera um jeito de lhe dar uma explicação para acalmar os nervos da pequenina. Lise hesitou um pouco por alguns instantes, mas aproximou-se o suficiente para poder ler. Aquelas eram palavras que Lise não esperava receber de um Nephilin Abissal, afinal todos com que convivera só estavam interessados em sexo com as garotas do estabelecimento.
Limpou as lágrimas e tirou o capuz devagar, ainda encolhida e segurando uma mão com a outra, como se rezasse com força.
— Mas você é um Nephilins Abissal… — Ainda que parecesse uma resposta decente vinda de um adolescente com uma aparência realmente amigável, Lise passou algum tempo de sua vida aprendendo a se defender fisicamente de Demônios e Nephilins, sem consciência de que realmente eram seres assim, mas essa era intenção. Se defender. — Não vai mesmo, mesmo? Mesmo mesmo?
Se via com medo e receio por um único motivo: Não havia ninguém. No bordel havia Dorian e os empregados, as prostitutas e os rapazes que cuidavam da garotinha, mas na Matriz não havia ninguém assim - que a visse como uma irmãzinha, um tesouro a ser velado. Talvez fosse esse fato de estar tão solitária que a tornara receosa em instantes.
Fridrik encolheu os ombros, um pouco incomodado. Era difícil não se sentir ofendo, por mais que estivesse acostumado, quando as pessoas colocavam daquele jeito. Mesmo se tratando de uma menina tão jovem. Era verdade que demônios eram ruins... Mas ele não era um demônio. E sua mãe já fora exorcizada muito antes que ele ao menos pensasse em nascer. Atualmente ela era apenas mais uma mulher casada com alguns poderes como resquício da sua vida anterior. E era uma das criaturas mais gentis que ele conhecia, no fim das contas.
Afinal, para que eles lutavam na Ordem? Para converter os demônios de volta em humanos, para lhes dar uma segunda chance e corrigir os erros... Ah, bem, isso era mais bonito na teoria. Fridrik soltou um suspiro profundo.
Ele voltou a digitar no celular. "Quem decide o que eu faço sou eu, não quem são meus progenitores. Não foi nada legal da sua parte cutucar onde dói, mas eu não vou machucar você" E abaixou-se para ficar na mesma altura que ela, mostrando o aparelho.
Pra falar a verdade, ele só queria ir embora logo e voltar para a enfermaria. Seu ombro estava doendo e ele tinha esperanças de conseguir um analgésico. Mas a garota estava com cara de quem ia chorar a qualquer instante, então mesmo que fosse ofensivo, ele compreendia. A maioria das pessoas ali não tinha boas experiências com criaturas de olhos vermelhos. Ele não ia se sentir bem se deixasse uma menina chorando.














