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Será que eu já fui tão vil assim?

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pick me pick me pick me
Será que eu já fui tão vil assim?
Não morri por pena?
Às vezes penso que não morri por pena.
Mas não pela pena que o outro sente, e sim pela minha própria. Tenho pena de mim mesma e de quem me deu a vida, de quem manda no meu cotidiano e de qualquer pobre criatura que atravessa a minha existência. Tenho pena porque todo mundo já viu isso mais de uma vez.
Como dói perceber que ninguém se orgulha do que eu fiz, de como eu sobrevivi; do que eu fui e do que eu sou - nem eu me orgulho, já esqueci de tudo; me dei conta de que talvez eu nunca tenha ouvido, a não ser em uma infância remota e abstrata, que eu fui boa, suficiente. Só o que é ruim perdura. Chorei como se o mundo tivesse acabado (e acabou mesmo).
Existe uma apatia imensa que destrói absolutamente qualquer tentativa de ser alguém, ou de me enxergar como alguém.
Não morri por pena, além da pena em si, porque temo que me coloquem na mesma caixa amargurada dos que já foram; a caixa dos esquecidos, dos cretinos, dos fracos que não souberam dançar a dança; dos daltônicos que nunca conseguiram ver o mundo sob a ótica das lentes cor-de-rosa.
E a pena não me fez morrer, mas tenho certeza que em qualquer dia desses, dias comuns, pálidos e sem graça alguma, ela vai me matar.
E vai ser aos poucos. Porque eu tenho pena.
Espelho.
Acabei de me olhar
De genuinamente olhar pra mim
Me dei as merecidas congratulações
Eu realmente acabei com a minha vida
Todo mundo me parabeniza
Mas é sempre pelo motivo errado
Eu não sou forte e nem recomecei nada
Eu sou fraca e acabei com qualquer possibilidade
Acabei comigo mesma
Falhei com tudo
Não sou mais ninguém
Acabei com a minha vida
Destruí qualquer possibilidade de sonhar
Parabéns!
Congratulações eternas!
Felizes sejam os infinitos aniversários da minha maior estupidez!
Parabéns, bia! Você conseguiu!
Parabéns, bia! Você nunca vai voltar!
Parabéns, bia! Você é merecedora!
Parabéns, bia! Você acabou com tudo!
Parabéns!
Infeliz será o infinito que lhe resta porque você é e sempre será a própria ruína.
A oligarca dos coitados, a ruim, a amargurada.
Parabéns, bia!
Você acabou com a sua vida. E nem pra isso você serviu direito.
semana
me sinto solitária, de novo (ou ainda).
a todo momento me pergunto o que posso fazer para querer viver de novo; nunca sei.
eu choro o tempo todo, tudo dói. Eu odeio tudo, tudo é ruim. Mas eu não odeio porque quero - eu odeio porque é o que se faz quando você vive todo santo dia desejando que em algum momento você não viva mais.
as coisas só fazem sentido quando eu bebo.
me sinto desquerida, inanimada e tudo o que há de pior.
"me desculpa por não te satisfazer". Bom, eu não desculpo. Não mesmo. Não quando eu já desculpei tanto, tudo. Não quando qualquer um, qualquer torpe, qualquer verme aparenta ser mais atraente que eu.
enquanto isso, cá eu fico, nesse sofrimento horroroso. Eu quero ir pro meu lugar.
enquanto isso eu vou viver, não querendo, mas vou.
continuarei a idealizar encontros, beijos, os novos sentimentos e toques. É o que dá. É o que tem.
É o que eu sou.
Affection, Between Friends.
procurando no lugar errado
(como sempre)
quando foi que eu acabei?
(talvez eu tenha alguma ideia)
me lembro de ser melhor, maior; de sonhar e querer
quando foi que isso morreu?
por que é que eu continuo a fazer?
por que é que eu continuo?
o que eu sou?
quando é que eu vou voltar?
Eu não sei mais.
Eu não sei mais (e nem vou me esforçar).
Eu não sirvo para absolutamente mais nada.
Eu sinto tanto, e só sinto o que é ruim.
Eu não quero mais ser compreensiva; miserável; a digna de reconforto.
Não quero mais nada.
A terapeuta me pediu dois meses. Dois meses ela terá antes que eu termine, seja em vida ou vida. Aquela história horrível de sempre.
Eu não suporto ser posta nesse lugar de pena (e nem de colocar nele
Eu não suporto mais estar viva
viver é fracassar em tudo.
adeus, ano velho! feliz ano novo (?)
Que dor insuportável.
4:06h. To Build A Home.
'Cause I built a home
For you
For me
Until it disappeared
From me
From you
não sei o que o ano novo reserva. Até então, saudade do que foi (e do que poderia ser). Me sinto naquela, que vou colocar nesse exato momento, às 4:11h. a única que traduz.
Morning grows near, I wish you were here
As I toss and I turn in my bed
I long for your touch and I miss you so much
And the silence has torn me to shreds
Engraçado, você tá bem aqui ao lado. Dormindo como nunca, como se tudo estivesse bem.
Não desculpei e não sei se consigo. Nunca fui chegada à humilhação na frente de ninguém (basta a minha própria, em mim, todos os dias)
Eu não sei de nada, tudo dói incessantemente.
Eu queria voltar no tempo. Eu faria tudo de novo, mas diferente. Hoje é um desses dias.
Que dor imensa.
Hemitafurato de Quetiapina, Sonhos, Abstrações, Bupropiona, Passado e Presente, Diazepam, Futuro, Certezas e Incertezas.
Os sonhos já não são mais os mesmos; nem os verdadeiros e nem as ideações, que há muito mudaram e não voltam; assim como eu não voltarei, pois sou mais de uma agora, sou tudo, sou nada, sou muito, sou pouco.
A obsessão pelos 'por quês' ainda existe, e agora junta-se às infinitas outras obsessões que vêm e vão, todos os dias. Eu penso em tudo e em nada, ao mesmo tempo. Sinto muito e nada. Não me atento, mas me atento. É difícil entender o que o mundo quer de mim (não que o meu eu incite algum incômodo ou importância para ele).
Por vezes, quero gritar, de peito aberto, todas as minhas vidas. Vinte e seis. Acho que em cada um desses vinte e seis anos eu vivi uma vida diferente, 26 vidas. Há uma certa dificuldade da minha parte em compreender as mudanças e suas motivações. Discurso sempre, para outro, sobre como tudo acontece quando deve. Mas eu não sei de nada, exceto nos dias que eu sinto que sei tudo.
Eu não suporto mais os sonhos, as memórias, as vontades, a inércia, o desespero. Talvez seja espiritual, além de químico, claro. E, falando em química, se esse texto for lido pelo menos uma vez, onde quer que seja, peço as únicas desculpas que ainda preciso pedir (já quitei as minhas pendências): desculpa por nunca ter entendido.
Hoje, todas as vezes em que o lado esquerdo da minha cabeça fica dormente, eu entendo. Finalmente. Essa foi a minha única falha, apesar de eu sentir que não. Vou reafirmar até que vire verdade. Espero que eu tenha paz agora. Mas sei que ela virá, muito provavelmente, apenas depois que eu criar coragem e consultar algum antigo que saiba me dizer algo.
Saindo desse espectro, me sinto engraçada quando escrevo, porque a substância, Quetiapina, recomendada para a resolução ou diminuição de inúmeros distúrbios, mas principalmente para esquizofrenia, me despertou uma certa curiosidade e eu analisei inteiramente todo e qualquer conteúdo que encontrei acerca das pessoas esquizofrênicas.
Digo que me sinto engraçada ao escrever porque sempre ouvi dos meus amigos, na adolescência: "o twitter da Bea parece que está sendo escrito por Aristóteles, vira gente normal". E eu me lembro disso porque um dos principais sintomas da esquizofrenia é justamente falar ou escrever utilizando uma linguagem muito formal, específica e quebrada, pulando de um lado pro outro. Me faz questionar a minha sanidade às vezes (essa é uma grande obsessão, também).
Pulando para o outro lado, ou retornando ao início, não sei mais quem eu sou. Mas também não sei se algum dia eu já soube. Lúcia Helena disse, em algum lugar, que o mundo é um lugar confuso; que Platão, Sócrates ou sei lá (não importa muito, minha memória está horrível) ficariam horrorizados, pois nesse mundo, tão evoluído, ninguém consegue responder à simples pergunta: "quem é você?".
Será que sou meu ofício? Será que sou minha família? Será que sou meu nome? Será que sou amor? Nunca vou saber QUEM sou. "O que sou?" É a pergunta à qual consigo responder tranquilamente: não sou nada. Sou vinte e seis e, no ano que vem, serei 27, até que chegue o dia em que não conseguirei mais saber, pois atingi o abismo profundo, ou o nirvana, ou o universo, que seja; quando esse momento chegar, não vou mais precisar contar.
Ando sempre nostálgica, questionando e até mesmo vivendo em um passado bastante remoto. Sempre foi assim, mas agora é mais intenso e mais compreensível. Questiono todos os eventos das minhas vidas, sejam eles pequenos, insignificantes para quem ouvisse; sejam eles os maiores, mais marcantes, doloridos ou extasiantes. Mas me incomoda profundamente reviver essas memórias todos os dias. Me ocupo visitando o passado e matando o meu presente e, consequentemente, meu futuro. Estou parada no tempo desde a décima segunda vida. As manias perduram, mesmo com o passar das décadas.
Aliás, tendo em vista a situação deplorável em que o planeta inteiro se encontra atualmente, voltei a pensar como pensava quando criança: me pego desejando resolver todos os problemas da humanidade. Impossível, claro. Mas, como uma boa INFJ (o signo dos viciados em teorias acerca da psiquê humana), tenho um enorme complexo de grandeza e um gigantesco complexo de inferioridade e impotência, portanto, sempre consegui me conter (nesse aspecto). Mas confesso que há dias em que eu desejo que tudo e todos nesse mundo tenebroso e magnífico simplesmente deixe de existir. Como Columbine disse, sabiamente - os franceses são alguns dos maiores, senão os melhores em organização, indignação e afins -: "Je veux voir Paris sur les bombes". Todavia, às vezes canto e substituo Paris por "Le Monde".
O parágrafo anterior é apenas um resquício, um devaneio, pois, nos dias em que consigo não pensar, quero poder assistir ao mundo curar-se e, consequentemente, ver seus habitantes horrendos, manipuladores, imbecis, maldosos, vis, violentos e antipáticos tornarem-se o contrário de tudo isso, de alguma forma. Fábio de Carvalho disse: "eu tenho fé em você, e sei que vai tudo correr bem". Isso me conforta bastante, pois tenho ao meu lado, todos os dias, a responsável por toda e qualquer positividade que me invade vez ou outra. Sigo para a próxima queixa.
Bupropiona, carinhosamente, a minha "Bupi", me socorreu durante alguns meses, me posicionou no presente. Mas, nesse momento, acredito que ela esteja sendo um pouco vilã, ou talvez eu só queira culpar algo pela minha própria inutilidade (bem mais provável). Também existe a possibilidade de mais uma parte dos males geracionais estar se manifestando. O vício já é meu, a raiva já é minha, a revolta já é minha, a inércia já é minha; e agora eu tomo o que minha avó tomava, o que os ditos "loucos" tomam. Talvez eu esteja dentro do seleto grupo recessivo, que puxa para si as diferenças, sejam elas as boas ou as más, as terríveis. Vou deixar a dormência no pescoço me preocupar só na próxima vida.
Não tenho mais opiniões próprias, repito a mim mesma as mesmas coisas, sempre; conto sempre as mesmas histórias, cheias de hipérboles para que eu pareça melhor ou pior, dependendo do conto. Penso sempre nas mesmas coisas, repetidamente, em um ciclo infinito. Um dos meus únicos desejos genuínos atualmente é que algo aconteça, uma Blitzkrieg (entenda que, aqui, a palavra é apenas seu significado literal, pelo amor de Deus. Tal qual os Ramones utilizaram, sem lembrar de sua conotação negativa adquirida quando houve a guerra) de emoções positivas, claro. Chega das negativas nessa vida.
Eu honestamente espero, com certa ansiedade, os eventos do fim desse ano, é o único futuro em que consigo pensar e me apegar, por enquanto. Me encontro nervosa, porque o dia 8/12/24 vai ser mais um dia que define o meu humor por algumas semanas. Fluminense, faça a sua obrigação, por favor. Você me salvou algumas vezes, é uma das minhas grandes obsessões, por favor, não me destrua e torne-se um vilão na tarde de domingo; continue a me proporcionar emoções, sejam elas quaisquer, menos aquela. A ruim. A primitiva. A decepção.
Ademais, estou, também, ansiosa para entrar no ônibus, passar dezesseis horas sentada e desembarcar lá, onde não se consegue respirar, mas consegue-se andar. Lá, onde volto a ser alguém, por uma semana. É pouco, eu sei. Não é o suficiente, nunca é; mas, de alguma forma sádica e dolorosa, é bom ser pouco, me ajuda a permanecer na minha realidade e não retornar demais ao que já fui, ao que já conheci. Obviamente eu gostaria de poder estar por mais tempo, ver tudo o que me faz falta, todos que me fazem falta; mas, mesmo que dolorosamente, me conformo e fico em um estado de quase-paz. Falei tanto, mas o meu real anseio, que vem do lugar mais profundo possível, é por me sentir querida nas ruas, em casa, nos bares... me sentir acolhida pela cidade e pelos meus semelhantes.
Para finalizar, a única certeza que existe é ela. Ainda bem. Deixo o resto nas mãos do mundo, do etéreo, de qualquer deus, desde que ela permaneça até o fim da minha contagem de vidas.
Nenhuma experiência é individual.
Me pergunto constantemente se outro ser humano se sente do mesmo jeito que sinto, se é frustado como sou, se passou pelo que passei. A resposta é sempre "sim", afinal, o mundo tem quase 8 bilhões de pessoas. Inúmeros continentes, incontáveis lugares. Além do universo em si, desconhecido.
Me pergunto se choram e remoem a agonia, se vivem de passado.
Há quase dois meses não sinto nenhuma felicidade. Me sinto apática e, ao mesmo tempo, infestada de nostalgia. Questiono a todo tempo: será que aqueles tempos, terríveis tempos, nos quais eu não dormia, morava numa casa torta e vivia machucada pelos arredores foram os melhores tempos possíveis? Havia muita tristeza ali, claro, muita raiva também. Mas havia amigos, havia conforto, havia um lugar meu.
Hoje sei que tudo é melhor. Mas, mesmo assim, sinto um vazio enorme. É desesperador. Sei que sou amada e amo muito de volta. Tenho coisas que sempre quis. Sou algumas coisas que sempre quis. Apesar disso, o vazio cresce cada vez mais e eu continuo não dormindo, continuo me sentindo violada pela existência.
Sou nômade de casa, nômade de gente, de tudo. Quase 8 bilhões de pessoas e, ainda assim, não encontrei com quem falar.
Eu espero que isso acabe. Torço todos os dias pra que seja falta de ferro no sangue, falta de vitamina D, falta de qualquer coisa física.
Todos os dias me levanto e penso: "hoje é o dia que vai mudar a minha vida". Mas nunca é. Eu não consigo me mover. Me sinto afogada na cidade, na solitude, na tristeza imensa. Não vejo a hora do dia da mudança de fato vir.
Odeio que me tornei algo que lutei tanto para extinguir em outro. Parabéns, você conseguiu.
8 bilhões de pessoas no mundo e eu só queria saber de um único alguém que conseguiu se livrar disso. Se eu soubesse, talvez, conseguiria sair do fundo também.
Quero voltar a ser alegre e bem humorada. Quero voltar a olhar o mundo com olhos de felicidade e beleza. Quero voltar a ter brilho, de alguma forma.
Sempre, sempre e sempre me questionaram o motivo de eu estar 'com essa cara'. Nunca me incomodou tanto, porque eu sabia. Eu sabia o porquê da minha expressão, mas eu também sabia correr dela. Conseguia esquecer. Hoje, me incomoda profundamente. Eu também sei o porquê, mas, infelizmente, ainda não consigo correr. No máximo, engatinho muito lentamente.
8 bilhões de pessoas no mundo. Não existe divindade nenhuma, se existisse, ninguém passaria por isso; nem experiência única, é gente demais pra eventos de menos. Mas custo a acreditar que ainda não encontrei alguém no mesmo lugar.
Quero a vida de volta.
Tardou.
Hoje eu vou te responder, pra ver se os sonhos param de me perseguir
pra ver se tudo some e a vida volta ao normal
pra ver se adianta de algo.
Eu não sei se aceito as suas desculpas. Se aqui você estivesse, eu te perguntaria: por quê você fez tudo o que fez?
Se você respondesse do jeito certo, talvez eu aceitaria e finalmente viveria em paz.
Você, juntamente ao meu próprio sangue, me fez filha de ninguém
desconhecida
amiga de nada
infeliz
ruim
transeunte
Você foi força motora do ódio que eu sinto todos os dias
da tristeza que eu sinto todos os dias
da agonia que eu sinto todos os dias
da desgraça que acompanha o meu pensamento quando ando pela cidade que não me pertence e que não me acolhe
Eu te perdoaria se você tivesse dito as coisas certas
Agora, você não existe mais
Fiquei feliz por você ter pedido desculpas. Fiquei miserável por não tê-las visto
Agora carregarei o "e se?" por muito tempo.
Vai e descansa da sua dor imensa. Não volta nem em sonho, nem em texto, nem em memória.
(para além de tudo, me entristece que você tenha chegado a esse ponto. eu sempre soube que doía. sinto muito que ninguém mais tenha visto ou conseguido resolver, mesmo que por algum tempo. você foi meu algoz, me sacrificou em meu próprio altar; mas, ainda assim, não queria que você fosse o seu próprio algoz também. vai em paz e descansa, onde quer que você esteja).
casa
vou viver de me mudar
sou casa de todo mundo
abrigo, calor, colo
no fim, ainda não sou minha
e não tenho outra, acho
onde é que ela está?
vou viver à procura?
vou sair de novo?
repertório infindável de dolorosas piadas
não preciso pensar muito pra saber onde vou chegar
com muita dor a gente se prepara pro de sempre
queria muito que fosse diferente
será que algum dia vou viver em paz?
o que eu posso fazer
a não ser me igualar com o que é da minha própria natureza?
eu odeio que vocês não sabiam de nada
e agora eu sou assim
sobrenome trocado
essência roubada (pelo desconhecido de vocês)
o que sai da minha boca não é meu, é de vocês
a ansiedade que eu sinto me pisar todo dia não é minha, é de vocês
o rancor que eu sinto não é meu, é de vocês
a única coisa que é minha de fato sou eu (mas eu nem sou mais)
estou, sempre
sigo buscando tudo o que me foi retirado
i am ashes and tar
você brilha tanto
ilumina o meu peito
o sorriso e o sarcasmo, até a decepção
queria seguir cada um dos seus passos
e respirar cada molécula de oxigênio que paira sobre você
queria te proteger de tudo
e te fazer entender
que você é quem escreve
é você quem diz
é você quem ordena
é você quem toca
é você quem faz
é você quem desfaz
sempre, para sempre
preparação
os anos de experiências e fracassos vêm à tona
a gente sabe, sempre sabe
abraço o que vier, continuo dando o meu melhor
a minha hora já chegou uma vez
vai chegar novamente
e eu continuo a me preparar, incessantemente
paciência e leveza, nada de fugir da realidade
talvez agora eu faça jus à expectativa e bondade materna
se não for agora, eu espero
tanto já foi, tanto é
então muito será.
o mundo inteiro
o mundo inteiro sabe, sempre soube, dessa minha capacidade de ceder.
eu quero te dar um presente, quero te dar o universo, quero te dar um filho
algum dia você me daria alguma coisa, além de ouvido?
me questiono e sei que talvez não. tem sido difícil de aceitar.
mas, faz parte do meu papel na vida. Primeiro, eu chego e te renovo. Depois, você chega onde precisava. Eu fico para trás, pois já cumpri o meu papel.
A crueldade às vezes faz parte. Creio que dessa vez não, mas poderá ser infinitamente mais doído.
Qual é o meu papel? Por quê vim ao mundo?
Beatriz, aquela que traz alegria. Sempre odiei o meu nome porque sei que estou fadada a isso
você quer se sentir bem? eu te proporciono
você quer se reinventar? estarei aqui
você quer se entender? vou te ajudar
você quer se divertir? vou ser uma boa companhia
mas, se você quiser viver o amor, não vai ser comigo. Nunca é.
me preparo e choro
o mundo inteiro sabe
eu não vou conseguir sair ilesa
havia tempo. será que ainda há?
esforço sozinho, solitário
coragem e força, talvez em vão
como passei, de novo, de interessante à regular? ninguém é como eu. minha história é única. eu sou uma construção antiga
de tempos em tempos me derrubam
e eu me reinvento. pintura nova, perspectiva nova
cada vez mais anterior, desgastada e maior
me derrubarão, fria e calculadamente, para colocar um arranha céu em meu lugar de sempre
e eu vou voltar, algum dia
toda hora alguém chega e vê beleza
queria que fosse você
queria que nunca tivesse deixado de ser
talvez eu te dê novos olhos
ou até me faça sua imagem e semelhança
(mas acho que não adianta)
você precisa olhar o mundo
eu preciso permanecer
você quer crescer
eu quero ser vista
você quer o novo
e eu sou antiga