Antes do xixi no palitinho
Para constar registrado em leituras posteriores: estou tentando. De novo. Este, provavelmente, é o vigésimo domínio que me aproprio o que deve ser uma merda pra quem tenta fazer um blog que realmente vai levar adiante, porque hoje em dia quase não se tem nomes disponíveis. Já tentaram criar e-mail hoje em dia? Pois é. Acabam pessoas irritadas escrevendo o nome completo (ex.: [email protected]) ou colocando características espatafúrdias ([email protected]) porque cansam de tentar criar um e-mail, absolutamente todos dignos já estão ocupados. Com os blogs estamos bem próximos deste cenário, e pessoas como: eu. Não ajudam muito, but, vamos lá: estou tentando.
Antes de mijar naquele palito eu tinha esperanças de que minha inspiração para escrever (aquela que eu tinha com 14 anos, quando eu não era boa, mas acreditava nisso e conseguia escrever), voltaria com a gestação, quando eu vivenciasse o milagre da maternidade. Não. Eu não engravidei pra voltar a escrever, gente. Eu engravidei porque sou fértil demais e aparentemente dois dias sem a pílula após um escape foram suficientes para meu incrivelmente apto óvulo aceitar um espermatozóide muito, muito eficiente e ambos se grudarem na minha parede uterina e chegarmos neste momento, onde cá estamos: 22 semanas de gestação. Uma gravidez não planejada. Uma gravidez que não me tornou criativa e inspirada com um betaHCG positivo. Uma gravidez que facilmente me tornou em uma chorona, medrosa e questionadora.. Ok, ok, me tornou medrosa. Chorona e questionadora eu já era.
O fato é que eu acreditava que a maternidade viria quando eu fosse uma profissional bem sucedida, cansada de ser tão boa na vida profissional. Com um casamento já cansado de ser lindo, cheio de fotos sorridentes das viagens anuais, espalhados pela casa já quitada. E eu andaria no meu carro - também pago - de salto alto (siinal claro da minha vida adulta, profissional e bem sucedida), e na memória uma centena de lembranças vívidas de que me arrisquei e vivi e fiz tudo que quis e que estava pronta para encarar a maternidade. E que esta maternidade madura me tornaria apta a escrever coisas lindas sobre a maternidade, sobre a transformação, e que eu teria tanta experiência para passar pra esse bebê.. E eis a minha primeira lição sobre a vida: u dont know nothing, Jon Snow. Eu não sabia nada sobre ela.
Então cá estou: 23a, noiva a 1a, técnica em enfermagem trabalhando de domingo a domingo, morando de aluguel, faculdade trancada, andando de trem, óbviamente usando salto somente sob ameaça ou obrigada, sem carteira de motorista, pagando prestações de um apartamento que está para ser entregue far, far away and pregnant. Pelo amor de Deus, Jesus e Jeová não me diga: poderia ser pior, imagina se.. Gente, não quero imaginar. Se tem uma coisa que eu não estou orgulhosa mas estou é: egoísta. E estou trabalhando nisso, usando todo o otimisto que eu encontro, ok? Ok. E este blog também é pra isso, para que, otimistamente, daqui uns anos quando eu reler isso eu veja o quanto era newborn e o quanto amadureci, e que não foi tão difícil assim. Eu descobri “a ervilha” (nome oficial do bebê até eu decidir sozinha que era uma menina e chamá-la de Olívia e então encontrar um tico na Olívia durante uma ecografia com 13 semanas e por fim descobrir que era o Pedro) com uma mijada num palito que gerou um segundo risco tão fraco, que me fez perambular pela casa procurando todas as fontes de luz existentes, e me fez confirmar com um beta de 136ui (sim, 136!!) uma gestação de 4semanas..
Tenho lido alguns blogs sobre maternidade, desde que descobri. Na sua grande maioria falando sobre a mágica da descoberta depois de tanto tempo tentando e planejando.. A realização de um sonho, na esmagadora maioria das vezes. Não foi assim comigo. E durante muito tempo isso foi uma cobrança e uma culpa imensa pra mim.. Não era a realização de um sonho. Era a mudança de todos eles. Era a vida me forçando a me adaptar, a ser melhor e ser melhor bem rápido porque eu seria mãe, e seria a pessoa mais importante da formação e da vida de outro ser.. E dependencia emocional sempre foi bastante delicado pra mim, então, eu tinha muita coisa mesmo pra crescer e mudar. Depois de um período longo, silencioso e difícil de depressão graças as incansáveis investidas de pessoas realmente lindas que eu conto comigo, hoje posso falar a respeito, posso trocar ideias, posso falar da gestação e sorrir. Posso sentir o quanto é doce quando ele chuta em resposta à algum estímulo. Posso admitir que quando ouço seu coraçãozinho batendo o dia se torna mais bonito. Posso, aos pouquinhos, descobrir a minha maternidade.
Antes de mijar no palitinho eu achava que a vida era passível de controle. E que tudo acontecia quando estivéssemos prontos para receber/viver. Talvez eu estivesse certa, e estivesse pronta, mesmo sem saber. Ou talvez eu não soubesse de nada mesmo e não tenha muita experiência ou coisas pra ensinar pra ele. Talvez ele é que tenha vindo me ensinar. <3