Ficou brevemente chocado com as palavras de seu empregado, mas logo, agradeceu mentalmente por ouvi-las. Realmente queria poder se abrir para o mundo, dizer para todas as pessoas que o amavam e o apoiavam desde que ele tinha quinze anos que tudo era muito difícil, que a dor que sentia em seu peito parecia querer o esmagar e fazer com que seu coração se repartisse em culpa e remorso. Mas não, ele não podia fazer isso. Todo aquele drama só lhe traria ainda mias sugadores para sua vida, pessoas que dariam qualquer coisa para explorar o sofrimento alheio. Aerys nunca saberia como era aquilo, passar por uma perda era difícil mas fazer com que tudo seja assistido era pior ainda.
Entrou no elevador calado, ouvir o mais velho dizer tudo aquilo o fazia lhe sentir vulnerável. E bom, a ultima coisa que Reign gostava de se sentir era vulnerável. Ele deixou um sorriso surgir em seu rosto, balançando a cabeça levemente em negativa. ‘‘Você já pensou que esse é minha maneira de encarar essa droga toda? Eu não sei se você percebeu mas eu não tenho amigos, minha mãe está sei lá onde e a única pessoa com que posso contar sou eu mesmo. Eu estou segurando as pontas, cumprindo a porra desse contrato e fazendo os meus fãs felizes. Mas você nunca vai entender isso, ninguém entende.’’ Finalizou, sua mandíbula estava travada. Já podia sentir o frio no estomago, era a ansiedade tomando conta de si. Voltou a se concentrar no espelho do elevador, tentando se concentrar em qualquer outra coisa.
Até o segurança começar a falar de novo, fazendo-o se virar para olhar em seus olhos. ‘‘Claro! Eles vão adorar!’’ Repetiu em um tom alegre e de falsa animação. A porta do elevador se abre, o rosto antes fechado e com uma expressão dura se muda para um grande sorriso e uma expressão corporal confiante e alegre. Ignorando Aerys, o loiro passou em sua frente acenando para os fãs e até parando algumas vezes para tirar fotos. Ali, o loiro finalmente se lembrou de como tudo era tão especial e que sem seus fãs ele não seria nada nem ninguém. Depois disso, finalmente caminhou até o seu lugar onde a grande coletiva iria ser feita. Claro, repórteres do mundo inteiro estavam por lá e isso fez com que ele engolisse em seco.
Seu empresario fez uma pequena apresentação, antes de abrir a palavra para os jornalistas. O coração do loiro batia mais rápido a cada minuto, respirando baixinho e lentamente Reign forçou um sorriso. Como é voltar aos palcos depois de uma grande perda?, uma mulher loira e alta perguntou. Engolindo seco, ele puxou o microfone para perto de sua boca, respondendo logo em seguida. ‘‘É reconfortante.’’ Se limitou a dizer.
Já vira, e ouvira, tantas coletivas de imprensa que tal coisa entrou na sua rotina e, aparentemente, elas nunca se cansavam de mostrar para Aerys o quão são chatas e massantes -- pelo menos para ele. Ficar em pé por tanto tempo lhe trazia à tona as dores no pés e nas costas, a vontade absurda de se sentar nem que fosse por alguns meros minutos e tudo isso disfarçado por trás de uma pose intimidadora e expressão séria tal como um segurança deve ser.
As perguntas logo se iniciaram e mais uma vez o segurança fica impressionado como aquelas pessoas são. Como os abutres rodeiam seu alimento e chega um a um para bicar a sua parte da carcaça, aqueles e aquelas jornalistas esperam silenciosas, seguindo apenas com os olhos e com a boca ávida e mãos em prontidão nos gravadores, papéis e câmeras e, quando é permitida a voz a eles faltam estapearem-se para conseguir uma única resposta às suas perguntas. Elas estão embaralhadas sobrepondo umas ás outras ficando quase impossível de entender, entretanto algumas são bem audíveis.
“Quais suas expectativas para esse show?”, “Quando pretende lançar o próximo disco?”, “O que tem a falar sobre a turnê?” mentes curiosas sobre coisas aleatórias que faziam seus ouvidos zunirem, mas o sentimento de indiferença para com as respostas não veio como o esperado, como o de costume.
Aerys alterna o olhar entre o astro do pop e a jornalista que fez a pergunta. Como abutres, eles também gostam de cutucar a ferida. Naquele instante ele sente o corpo inteiro ferver querendo parar, interromper tudo aquilo. Como pode uma pessoa, desconhecida, se sentir no direito de se intrometer em algo tão delicado e com tantas perguntas para se fazer a respeito da carreira do rapaz, para quê aquilo? Todavia limitou-se a continuar no seu lugar e esperar que Reign não se sentisse mal por aquilo -- o que talvez poderia vir a manifestar-se mais tarde -- e com compostura ele a respondeu.
Já ao fim da coletiva de volta à seu posto acompanhando-o para o quarto, remoía, discreta e particularmente, a insolência da mulher intrometida bem como daqueles que vieram depois insistindo no assunto terminando, por fim, fazendo com que agora ele, Aerys, precisasse do que foi proposto mais cedo pelo astro pop. - Não pego o turno de hoje. Me encontre lá em baixo às onze horas.










