Wolfgang soltou um riso curto, achando graça a forma como ela reagiu ao reconhecê-lo. — Oi, esposa querida. — Respondeu, participando da brincadeira que nasceu no primeiro dia que se conheceram. — Quanto tempo, né? Acho que é porque ‘cê não me ligou pra marcar alguma coisa. — Cutucou. Talvez ele tivesse sido invasivo demais no primeiro dia que se viram e ela ficou meio… assustada? Mas Wolfgang era daquele jeito mesmo. Apostava alto em suas jogadas. — Me chame do que quiser. Wolfgang, Anjo, Arlindo ou de amor de sua vida. Responderei por todos. Sem dor de cabeça. — Brincou. — Nunca. — … fiquei pra saber, terminou de responder apenas em sua cabeça. Não era louco de terminar a frase em voz alta e carimbar instantaneamente seu atestado de canalha. Ainda precisava desempenhar o papel de um cara minimamente decente. Então, seu cenho franziu ao ouvir a pergunta sobre seu trabalho. Pelo jeito, ele havia conseguido aguçar a curiosidade alheia. — Depende. Depende do que estamos procurando e do que a pessoa procura, a junção dos dois. Com o tempo, o instinto fica cada vez mais apurado e a experiência sabe reconhecer de longe o que tem potencial de virar ou não. Nem sempre querer é poder. — Respondeu. Em nenhum momento usou de artifícios muito exagerados e forçados pra maravilhar quem ouve e que, automaticamente, fizesse desconfiar de algo. — Tipo você, algo me diz que ‘cê daria uma ótima modelo, atriz, trabalhar na frente das câmeras, essas coisas. Não tô te oferecendo meus serviços, mas, ‘cê já pensou em algo do tipo?
Fechou os olhos com força ao se relembrar do deslize dado. Como ela pode deixar de mandar a mensagem? Ela até que tinha uma desculpa que era em partes verdade, mas o que realmente a deixava como a errada na história foi seu esquecimento e falta de tempo. “Okay, eu... eu esqueci. Sei que não tem como esquecer de um cara como você, mas enfim. Primeiro eu salvei seu número com o nome errado e não, não foi Arlindo. Bom, achei que tivesse perdido pra sempre o contato, mas depois de revirar a lista eu encontrei, fiquei de mandar mensagem depois porque era de madrugada e você provavelmente estaria dormindo. Só que no fim eu acabei esquecendo.” disse todo seu pedido de desculpas quase sem parar para respirar, o que talvez não tenha facilitado muito o entendimento do outro perante a fala sem pausas da loira “Mais uma vez desculpa, vacilei. Agora vou salvar seu nome de contato com todos seus apelidos e aí não vou poder perder no celular” brincou “Eu?” franziu o cenho como quem demonstrava surpresa com o comentário, era justamente o que ela mais queria ouvir “Bom, eu não sei... eu curto TV, cinema, essas coisas. Digamos que eu já pensei em tentar algo nessa área, até porque o circo não é algo muito garantido, apesar de que por agora tá okay” mordeu o lábio inferior ponderando sobre entrar ou não mais adentro daquele assunto, mas considerando que Wolfgang era uma pessoa confiável ao seu ver e trabalhava justamente com aquilo, ele poderia compreendê-la “Bom, eu tenho umas dores no punho quase que constantemente. Não é nada sério, é só por um período e depois para, mas eu tenho medo de acontecer algo além dessa dor no punho e eu ficar sem rumo. A verdade é que tenho vinte e... quase vinte e cinco, nunca cursei nada de faculdade e não sei fazer nada além de trapézio e contorcionismo. Apesar de ser nova, eu tô velha pra aprender algo novo numa faculdade, meus pais não me sustentariam mais e, bom, enfim, falei muito, me desculpa” riu sem humor “Acha mesmo que eu tenho jeito pra TV?”