Hey, dad? I need a favor. | POV
Quando Marvin acordara no dia seguinte após a festa, logo quis voltar a dormir por conta da lancinante dor de cabeça que sentia, e que só poderia significar uma coisa: ressaca. Como de costume, Morgenstern não se controlara na noite anterior e esse era o preço que o garoto pagava. Mas além desse preço, havia um outro que Marvin logo se lembrou que deveria pagar. Um leilão de garotos fora realizado, e devido ao seu lamentável estado no momento, o moreno não hesitara em desembolsar meros dois mil e oitocentos dólares pelo amigo, Tyler. Mal se lembrara disso, a palma da mão direita do rapaz encontrou com o seu rosto, e ele então deu um grito que misturava dor e raiva. A cabeça agora latejava ainda mais, e com dificuldade, Marvin se levantara do que ele pensava ser sua cama e caminhara até o banheiro, tropeçando a cada passo. Mas todo esse esforço não valera de nada pois ao abrir a porta uma garota estava se trocando e começara a gritar com um Marvin confuso, que tratou de correr dali antes que fosse acertado por um secador de cabelo. Somente do lado de fora do local é que Marvin percebeu que estava em uma das irmandades femininas, e carregando sua camisa e tênis, saiu em disparada na direção da Beta.
Depois de alguns minutos atravessando a faculdade até a irmandade, Marvin se dirigiu ao banheiro, sem notar se seus "irmãos" estavam ali, sofrendo de uma ressaca, ou não. Jogou a roupa no chão e bateu a porta, como sempre fazia. Lavou o rosto, e então sentiu mais dor ao tocá-lo. Só quando olhou no espelho é que viu um hematoma ainda roxo no olho direito e o nariz sujo de sangue, provavelmente o pior dos machucados, se tivesse outros. Marvin tocou-os com cuidado, e se arrependeu. Poderia ir até a enfermaria, mas provavelmente estava lotada. Só tomou um banho e passou um remédio no local para amenizar a dor, que não era nada perto do que ele faria naquele momento.
Com o celular em mãos, discou o número do pai, torcendo para que ele atendesse, ou seria obrigado a ligar para a mãe, o que tornaria as coisas muito piores. E após três tentativas, Marvin sentiu um imenso alívio ao ouvir a voz de Ludwig. Fazia um tempo que não se falavam, e ele se sentiu mal por ter que ligar assim. Mas seu pai era mais fácil de lidar do que sua mãe, o que já era um grande avanço. "Marrvin! Há quanto tempo, filho! Tudo bem com você?" Assim como o rapaz, Ludwig tinha um sotaque muito forte, e que algumas vezes dificultava o entendimento daqueles com quem conversava, mas não era o caso de Marvin, que apesar de estar há um bom tempo sem falar com o pai, o entendia perfeitamente. Mas se sentia mal por ter ligado de repente, imediatamente afundando a mão no bolso, como fazia quando estava sem jeito, e respondeu, com o sotaque igualmente forte, coisa que sempre acontecia quando falava com Ludwig.
"Hey, pai. Tudo bem sim, e você? Como andam vovô e a vovó? E o restaurante?"
"Estão todos ótimos, e com saudades. Ah, os negócios caíram um pouco, mas você sabe como é essa época do ano."
"Também estou com saudades. É, sei sim.... Escuta, pai, desculpa por estarr ligando assim, de repente, mas eu queria saberr se você poderia me ajudarr em uma coisa."
"Eu, uh... Será que tem alguma chance de o senhorr me emprestarr mil dólares? Mas eu prometo que o pago!"
"Marrvin, Marrvin... No que você se meteu?"
"Nada demais, é só que eu realmente preciso desse dinheiro agora. Não tem nada a verr com bebidas ou drogas, então pode ficar tranquilo. Mas você sabe como a mamãe é controladora com essa coisa de dinheiro, se eu tirarr dois mil dólares ela vai surtarr e ligarr pra mim."
"Dois mil? Para que você precisa de tanto dinheiro, Marrvin?"
"É uma longa história... Mas como eu disse, nada de drogas ou bebidas, juro! Prometo que lhe conto quando visitá-lo, e daremos boas risadas juntos."
"Está bem... Mas só dessa vez, cerrto? Porrque você sabe como a minha mãe e o meu pai são controladores com essa coisa de dinheiro."
"Sei, sim. Obrigado, pai!"
"Porr nada, filho. Nos falamos depois?"
Marvin desligou o telefone com um sorriso no rosto. Primeiro, porque falara com o pai pela primeira vez desde que chegara aos Estados Unidos. Segundo, Ludwig, como de costume, se dispôs a ajudá-lo e respeitou seu pedido de não contar à mãe, apesar de que Nora descobriria cedo ou tarde. Terceiro, agora que tinha o dinheiro em mãos, Marvin poderia garantir uma "bro night" com Tyler. O moreno logo pegou o celular e discou o número do amigo, deixando uma mensagem de voz.
"Dez horas, em frente à Beta. Vista-se bem. Tonight is gonna be legen- wait for it -DARY! E eu não estou dizendo isso à toa." Riu e desligou antes de voltar para a aula, mas antes, passou na irmandade para pegar uma lista que escrevera na festa, e que serviria como um "guia" para a noite. Feito isso, era só esperar.