WITH TIME (com o tempo) | 03. Um primeiro encontro desastroso
Pairing: Wonho + Personagem fictício (primeira pessoa)
Resumo: Tabi passou por mudanças na vida e recentemente encontrou um novo objetivo para se dedicar. Mas nesse novo caminho ela esbarra com alguém que vai mexer muito com seus sentimentos, desejos e pensamentos de uma maneira que ela nunca permitiu ou sentiu antes. Será que ela vai estar disposta à mudar novamente?
*Estive postando essa fic no spirit e resolvi atualizar por aqui também (:
Bati meu record e saí de casa 5 minutos depois de olhar o relógio e pular da cama. Entrei no primeiro taxi que consegui e pedi pra ele correr pro aeroporto. Eu tinha que estar lá pra recepcionar o grupo que ia chegar da Coréia.
No caminho eu fiquei pensando que não devia ter ido na festa da Yumi. A idéia de uma happy night acabou sendo um pesadelo. Tudo o que eu queria era beijar muito e o primo da Yumi parecia interessado, "Essa família tem os genes bonitos hehehe", mas aí a Mido me deu uma mistura pra beber. Fiquei tão zonza e enjoada que voltei pra casa, tomei um banho gelado e caí na cama, não ouvi o despertador hoje cedo. Nunca na minha vida eu me atrasei tanto, minha ansiedade nunca deixava eu dormir demais, "Justo hoje!", bufei.
Olhei pra mim mesma, tinha pego a primeira coisa que vi e vesti. Queria me arrumar, causar impacto na apresentação, mas estava com uma calça jeans rasgada, um All Star velho e uma camiseta branca com rasgos e amassada, pois eu tinha dormido com ela. Coloquei um blusão por cima, fiz um coque redondo no topo da cabeça, pois tinha dormido com o cabelo molhado e agora ele estava impossível. Me sentia terrível, dei tapinhas no meu rosto pra parecer mais saudável, passei um balm natural nos lábios e borrifei minha colônia, era o máximo que eu podia fazer naquele momento.
“Pelo menos eu tomei banho ontem…” - Pensei.
"Tudo bem. Você não precisa impressionar ninguém. Você é só uma staff pra eles. O impressionante tem que ser seu trabalho."
"O importante é a educação, minha personalidade.”
“Aaah, sério!! Eu NUNCA vou pra balada, porque decidi fazer isso bem ontem? Merda de sonho erótico, tá me deixando louca.”
Os pensamentos estavam selvagens na minha cabeça, eu odiava chegar atrasada. Me sentia ansiosa e culpada. Eu estava com fome também, só escovei os dentes e saí de casa, mas não tinha tempo de parar e comer qualquer coisa. A Ana e a Moon já estavam lá ao menos, talvez outra pessoa da equipe os tenha acompanhado também. “Eu sou uma funcionária terrível.”
O táxi parou, paguei e corri. A Ana me avisou que era no portão 3, mas havia tantos fãs lá que eles desembarcariam, acenariam, mas deixariam o aeroporto por uma saída discreta de funcionários.
Eu estava perdida no aeroporto e sem meus óculos de grau. Recebi uma mensagem da Ana me avisando que eles já estavam indo pra saída privada. Dei meia volta e fui correndo, de longe vi um cabelo ruivo com uma enorme mochila vermelha e reconheci, apressei o passo e de repente trombei com algo e caí de bunda, olhei pra cima e era um segurança três vezes maior que eu.
- Essa área é restrita, desculpe, fãs não podem acessar...
- Eu sou funcionária do Centro...
- Já ouvi muito disso aqui hoje hahahaha - Ele soltou uma risada tão sarcástica que me assustou.
Eu tinha esquecido meu crachá em casa, era minha única prova de que não estava mentindo. Então acenei pra Moon na esperança dela me "salvar", porém ela virou a cabeça tão bruscamente que ficou óbvio a intenção de me ignorar. Fiquei realmente chateada e bufei, enchi meu peito pronta pra berrar pela Ana, mas senti um tapa no meu ombro, olhei pro lado e era o Manu dizendo em um português ruim:
- Pode liberar, ela está com nós, eu juro!
O guarda me encarou e fez um sinal positivo pra eu prosseguir, levantei do chão revirando os olhos e pensando no que mais poderia dar errado, eu estava realmente chateada e não conseguia disfarçar, meus ombros estavam caídos e desanimados. Então senti alguns olhos em mim, virei pro lado e um moço da equipe coreana parecia me observar, não tinha certeza, pois ele usava óculos escuros. Notei como a pele dele era pálida, lábios rosados e os cabelos descoloridos, era uma combinação visualmente interessante, então ele sorriu na minha direção e eu instintivamente virei meu rosto, fingindo não era comigo ou que não tinha visto nada e andei sem saber pra onde iria.
Cheguei na Ana e a cumprimentei, a Moon que estava do lado me olhou de cima pra baixo incrédula. Eu odiava ser diminuída assim ou ser vítima de arrogância:
- Precisa de óculos? Até eu que estou sem os meus percebi o que você fez. - Disse em inglês para a Moon me entender bem.
- Oh Tabi, porque fala comigo assim? Eu não te reconheci, você não parece vestida apropriadamente...
A Moon começou a mostrar a verdadeira personalidade, enquanto ainda me media. Isso me deixava realmente brava e respondi com ironia:
- Não se preocupe tanto comigo, pois eu não me preocupo tanto com você. Pra se vestir apropriadamente, basta não estar nua.
Queria ficar e ver a reação dela, mas não tinha tempo pra analisar isso, fui ajudar a Ana a puxar um carrinho cheio de malas. Ela conversava com o empresário do grupo e fazia malabarismo pra anotar algumas coisas.
Seu olhar me agradeceu quando peguei o carrinho e comecei a guia-lo. Ele estava extremamente pesado, tive dificuldades pra fazer as curvas e quase derrubei tudo.
O Manu ia do meu lado levando outro carrinho de malas, ele não deveria estar aqui, o Manu havia sido sorteado para outra tarefa, mas eu sabia que ele tentaria ficar perto da Moon, pois evidentemente era apaixonado por ela. De qualquer maneira foi bom ele estar aqui no aeroporto, sem a ajuda do Manu eu estaria numa situação mais constrangedora ainda. Fiquei sinceramente agradecida, ele até se esforçou para falar em português.
Finalmente chegamos nos carros e ônibus especial dos artistas. Ajudei a transferir as malas. Aquilo estava mais pesado que meus treinos, não entendia porque cada dono não podia se responsabilizar pela sua mala. Me sentia uma servente braçal.
Depois de tanto esforço, minha fome aumentou e eu fiquei feliz quando chegamos numa bela padaria que havia sido fechada apenas para receber os idols e outras comissões importantes da KCon. Tinha uma variedade imensa de coisas para comer, já ia me servir quando ouvi uma voz me chamando ao mesmo tempo que senti um puxão no braço:
- Tabi, Tabi, esses são os dois empresários responsáveis pelo Monsta X, Yoon Hong Shik e Kim Seong Chan. - Disse a Ana em um coreano bastante formal e polido.
Fiz uma referência e apertei a mão de ambos, enquanto a Ana explicava que eu era trainee e entendia melhor inglês do que coreano. Ambos eram muito educados e simples, sempre imaginava os managers usando paletós e maletas, mas eles estavam casuais e isso me deixou mais à vontade também. Hong Shik era um pouco mais baixo e sério, o Seong Chan era mais esguio, jovem e risonho.
Depois de conhecer a equipe, os empresários nos acompanharam até uma mesa afastada onde estavam 7 pessoas, chegando perto eu percebi que eram os integrantes do Monsta X. Fiquei um pouco apreensiva, nunca tinha sido apresentada para alguém famoso antes. Eles ainda eram apenas pessoas, humanos como eu, mas ao mesmo tempo eu sentia que eles tinham um aura superior, pois, de certa maneira, suas vidas eram mais valiosas que a minha.
Tinha que admitir, eles eram bonitos, tinham uma estrutura corporal e facial incrível. Eles se vestiam de maneira básica e alguns usavam bonés, provavelmente para disfarçar a identidade, mas era impossível não prestar atenção neles, mesmo que eu não soubesse quem eram, eles tinham um destaque natural. Estava impressionada que depois de uma longa viagem eles ainda estavam com a pele, cabelo e roupas perfeitas, então lembrei da minha própria condição depois de uma noite ruim e um começo de dia péssimo. Me senti pequena perto daquelas pessoas maravilhosas.
Eles levantaram quase que sincronizadamente, mais uma vez me impressionei, eles eram mais altos do que imaginava e eram bastante esguios.
Fomos cumprimentados um por um.
Shownu era o primeiro da sequência, ele parecia um pouco distante e não soltou uma palavra, só movimentou a cabeça. Suas mãos eram fortes e ele tinha um perfume esportivo e masculino. Parecia muito concentrado ou muito tímido. Ele parecia se dedicar bastante à malhação.
Minhyuk tinha o cabelo praticamente branco que não contrastava com sua pele, ele parecia um personagem de ficção. Um garoto realmente lindo, com um sorriso cativante e de longe ele era o integrante mais disposto e comunicativo. Ele cumprimentou em um inglês cheio de sotaque e eu pude apreciar sua voz levemente rouca. Achei-o muito simpático e não pude deixar de lhe sorrir de volta.
Hyungwon era o mais alto e magro, suas pernas poderiam ter quase a minha altura. Ele parecia um modelo de passarela e foi super educado, não que os outros também não fossem, mas ele era bastante formal. Suas mãos eram magras, longas e macias, provavelmente era bastante vaidoso também e usava óculos de grau que lhe dava maturidade, mas era perceptível que seu rosto era de um menino novo. Ele tinha um perfume muito agradável e suave.
Kihyun era o mais miúdo entres demais integrantes, bastante comunicativo também, ele foi atencioso com cada pessoa e segurava uma câmera fotográfica profissional. Seu rosto parecia inocente e era o menos preocupado com a vestimenta, suas roupas eram largas demais para o seu corpo pequeno.
Jooheon tinha os olhos afiados, mas a personalidade era quase fofa e inocente. Sua pele era perfeita e ele sorria bastante o que me deixava mais à vontade. Ele parecia uma criança, ficava brincando com os outros integrantes e lhes roubando a comida do prato.
I.M. parecia o mais sério. Quando ele me cumprimentou, me surpreendi com a sua voz. Ela era grave, mas em um tom bem único e bonito, eu poderia ouvir um audiobook com aquela voz, era muito agradável e masculina. E a seriedade só estava na sua expressão, pois percebi que ele era bastante divertido e provavelmente o que melhor falava em inglês.
O último integrante se apresentou como Wonho e tinha os cabelos descoloridos, a pele muito branca e perfeita. Percebi que era ele quem me encarou no aeroporto, fiquei um pouco intimidada e baixei meu olhar. Quando toquei sua mão ao cumprimenta-lo, o contato foi suave, macio e quente, instintivamente eu levantei minha cabeça e o encarei. Agora sem os óculos, percebi que o seu olhar era profundo, ele deu um meio sorriso e jogou o cabelo para trás com a outra mão. Por um segundo eu vi uma cena digna de filme, era bonito de observar, e pensei se ele tinha noção do quão sedutor eram fazer aquilo. O aroma dele era intensamente gostoso, nunca tinha sentido esse perfume, não era forte, era fresco, aberto e um pouco sensual.
Soltei a sua mão e me afastei rapidamente dele para dar espaço à Moon que quase me empurrava. Ela conversava naturalmente com eles e por um instante eu invejei a habilidade dela com a língua coreana.
Acho que nunca tinha visto pessoas tão bonitas, eu estava um pouco desconcertada. Agora entendia o que aquela multidão de fãs queria ver lá no aeroporto. Só podia concordar que valia a pena ver eles de perto. Queria ficar contemplando-os, mas minha timidez não me deixava encara-los por mais de 5 segundos e eu não queria parecer uma menina hipnotizada. Fiquei perdida nesses pensamentos, até que fui chamada de volta à terra pelo ronco alto da minha barriga.
Enfim ia comer! Estava animada e peguei um bowl, fiquei olhando o imenso buffet de variedades, sabia que aquilo tudo era para os idols e suas equipes, mas eu praticamente fazia parte da equipe agora também e ia aproveitar o máximo daquilo, se dependesse de mim não haveria desperdícios.
Eu estava aflita para conseguir algum carboidrato, talvez um pão na chapa, mas a parte de padaria estava lotada, com certeza era a mais disputada pelas pessoas dali. Decidi começar pelas frutas então, tinha que forrar meu estômago o mais rápido possível, já estava sentindo fraqueza e irritação pela fome. Enchi o bowl com minhas frutas favoritas e peguei um xícara de chá de boldo que ajudaria a recuperar-me da bebida do dia anterior.
Não tinha mesas vagas, fiquei procurando minha equipe e esperando que estivessem sentados guardando um lugar pra mim. Hoje eu estava realmente indisposta pra socializar. Vi a Ana num canto, ela acenava freneticamente pra mim, "Mais uma vez o meu dia foi salvo pela Ana" - Pensei e sorri pra ela.
Chegando na mesa, percebi que era do lado dos idols, por um momento eu fiquei receosa, mas segui meu caminho e sentei na mesa para quatro pessoas, na nossa frente estavam o Alex e o Manu. Bem próximo de mim, no mesmo sofá, estava o idol com cabelo descolorido e que me encarou antes. Eu percebi que os olhos dele me acompanharam quando fui pra lá. Talvez estivesse realmente incomodado, notei que ele passou a falar minimamente quando cheguei, ele estava quase mudo. "Acho que eu causei uma má impressão de verdade", esse pensamento me desconcertou e doeu um pouquinho no ego, mas não tinha o que fazer, se tentasse concertar algo, provavelmente pioraria ainda mais o cenário. Tentei não pensar mais nisso, mas no fundo eu estava um pouco chateada e envergonhada comigo mesma.
O Alex e o Manu pareciam realmente empolgados com a comida. Depois que expliquei pra Ana o motivo do meu atraso e de rir com ela sobre essa "tragédia", passamos a interagir em inglês, pro Alex e o Manu entrarem na conversa também. Eles olharam pro meu prato e perguntaram se eu estava de dieta e eu disse rindo que as frutas eram só a "entrada". Quando percebi que a padaria ficou vazia, fui em busca do meu pão.
Peguei uma cestinha de pães de queijo e voltei. Quando cheguei na mesa, a Moon estava no meu lugar e fingiu não me ver de novo. Eu estava pronta pra tira-la de lá, mas percebi o olhar de súplica do Manu, querendo que ela ficasse. A Moon parecia extremamente excitada de estar do lado de um idol, ela falava alto e esbanjava seu coreano fluente na esperança de começar uma conversa com algum deles.
Respirei fundo derrotada e fui sentar no balcão onde preparavam bebidas, pelo menos lá parecia o lugar dos solitários e eu não precisaria pedir licença ou tentar iniciar alguma conversa só para não ficar constrangida a minha própria presença.
Coloquei meus fones de ouvido e escolhia uma música quando alguém chamou a minha atenção:
- Que foi? - Virei impaciente.
- Ah, me desculpe, mas você poderia me ajudar com esse menu de bebidas? - Era o idol de cabelo descolorido, ele falava com um inglês um pouco quebrado e receoso (pela falta de cortesia minha).
- Lógico! - Eu disse rapidamente, desconcertada pela presença dele e envergonhada pela minha atitude ríspida.
“Porque ele está aqui do meu lado?”, minha mente não conseguir encontrar sentido nesse momento.
Eu estava fazendo o máximo para ajudá-lo a entender o menu, mas eram muitas opções e ele parecia tão sério que eu fiquei cada vez mais insegura. Eu me enrolava um pouco falando metade das coisas em inglês e a outra parte em coreano e ele só balançava a cabeça e me encarava de tempos em tempos, e cada vez que isso acontecia, eu sentia minhas bochechas corar. O olhar dele era muito intenso e eu não imaginei que teria que interagir com ele de maneira tão próxima, ainda mais hoje, quando eu me sentia pior que o chiclete grudado na sarjeta.
Parecia que finalmente ele ia mudar a expressão e abrir um pequeno sorriso enquanto eu confundia a pronúncia de um verbo…
- Meu deus, Tabi o que você está fazendo? Deixa isso comigo. - Moon se meteu entre eu e ele, pegando o cardápio da minha mão.
Eu estava impressionada demais com atitude dela pra reagir.
- Pode voltar pro seu lugar e terminar sua refeição. - Ela emendou, fazendo menção ao assento que a mesma tinha me tomado momentos antes.
Eu poderia me estressar muito, mas lembrei que não estava a sós com ela. O idol de cabelos descoloridos começou a falar em coreano com a Moon, era complexo demais pra eu entender e percebi que ele teria mais ajuda com ela. Fiquei com o orgulho um pouco ferido, mas voltei pra mesa.
Depois de tanto nervoso, minha fome aumentou, eu vi o Manu com um pote de iogurte e frutas, cobicei, mas ele foi em direção à Moon. O Idol voltava pra mesa ao meu lado e eu levantei antes que ele chegasse, eu estava constrangida e um pouco irritada ainda.
A Moon parecia desconfortável que o Manu chegasse perto, como se não quisesse ser associada à ele, então com uma atitude grosseira, ela bateu na mão dele e saiu andando.
O Manu ficou com a camiseta toda manchada de frutas vermelhas. Ele se contraía de vergonha e tentava limpar a sujeira. Eu via de longe e fiquei comovida com a cena, então fui ajudá-lo, tirei meu blusão sem me importar com a camiseta rasgada e amassada que usava por baixo. Falei pra ele tirar a camiseta suja e usar o agasalho, enquanto pegava os guardanapos e limpava a sujeira do chão.
Me sentia patética fazendo aquilo, mas sabia que o Manu estava pior e ele tinha me ajudado hoje também, era como retribuir a bondade.
"Queria uma chance de reescrever o dia de hoje." - suspirei em quase silêncio.
Acabamos de comer e precisávamos voltar para o Centro Cultural. Com a chegada dos idols o cronograma começava oficialmente e tínhamos que ficar atentos para que nenhum serviço terceirizado atrasasse ou falhasse.
O restante da equipe e funcionários do Centro ficaram por lá, só nossa equipe tinha que voltar. O clima dali era bastante amistoso, parecia uma grande confraternização, ninguém parecia animado em sair. A Moon choramingou e bateu o pé, a Ana não insistiu e acabou deixando ela ficar, assim o resto da equipe também reclamou. No final apenas eu voltei com ela.
A Ana me agradeceu mais uma vez, nunca tinha visto ela tão estressada, mas ainda assim ela se continha e conseguia sorrir.
- Está indo tudo bem e você é a melhor, mas não tente fazer além do possível, Ana. É preciso admitir e pedir quando precisar de ajuda, aliás você tem uma equipe com quem contar. Não se sobrecarrega, tá!? Me diga tudo o que quiser, pois não desejo que você quebre em pedacinhos, pode desabar comigo... - Sorri solidariamente.
Ela suspirou profundamente e me pediu para dirigir o seu carro. Ela sentou do lado do passageiro e fechou os olhos. Então disse:
- Obrigada, Tabi. De verdade, as vezes eu agradeço silenciosamente por você estar sempre comigo e me ajudar quando eu nem peço. - Ela fez uma grande pausa. - Eu tenho dificuldade em pedir, eu confesso. Tenho medo de ser inconveniente, mesmo que seja o meu trabalho. Acho que espero que cada membro da equipe saibam de suas próprias tarefas e venham falar comigo ao invés de só esperar ordens. Eu não quero ser a chefe mandona, sabe... Lá não é uma firma e eu não sou chefe. Nosso departamento é colaborativo e criativo, eu sou uma líder...
Eu a entendia completamente. As vezes me aborrecia ao ver como as pessoas não eram pró-ativas e nem pareciam aproveitar a oportunidade que lhes eram dada, pareciam acomodadas demais e só esperavam que as mandassem fazer isso ou aquilo - e geralmente reclamavam antes mesmo de tentar entender a demanda.
Mas era como qualquer relacionamento: uma via de mão dupla. Assim como a equipe tinha que ter mais interesse e voz ativa, a Ana também tinha que ter mais liderança e comunicação firme. Todos tínhamos que melhorar individualmente para evoluir como equipe também. A Ana sabia disso e eu não queria ser repetitiva. Fiquei silenciosa e liguei uma música relaxante, era a única coisa que conseguia fazer por ela no momento, escolhi "Sleepwalking at 5" do Andrew Applepie.
Tínhamos que atravessar a cidade pra chegar no Centro Cultural, então a viagem seria um pouco longa e eu esperava que a Ana pudesse ao menos cochilar, mas ela não conseguiu ficar quieta por mais de 15 minutos e passamos a conversar sobre banalidades e fofocas, até que ela virou pra mim empolgadamente e disse com olhos arregalados:
- É mesmo! Esqueci de te perguntar, mas o que o Wonho queria contigo aquela hora?
- É!!! O idol gato e de cabelos loiro platinado. - Nunca tinha ouvido a Ana ser tão casual assim no linguajar, era divertido e eu sentia que a gente tinha quebrado uma barreira e tínhamos subido um nível na nossa relação de amizade.
- Ah é, o nome dele é Wonho… Ele queria que eu o ajudasse a entender o menu de bebidas. Só isso. Me esforcei o máximo em inglês e coreano, mas parece que não foi o suficiente…
- Não acredito que ele se dedicou pra falar em inglês... Li que só o I.M. e os managers são fluentes! Ai nossa Tabi, como você conseguiu ficar tranquila? Confesso que minhas pernas tremeriam e eu suaria se fosse pega desprevenida assim!! - Ela disse se abanando de uma maneira dramática.
- HAHAHAHAHAHAHA Eu fiquei surpresa sim! Qualquer pessoa ficaria, todos eles possuem uma presença que não é brincadeira, mas o que eu poderia fazer? "Tenho que trata-los da melhor maneira possível e atender seus pedidos com urgência e eficácia, sem provocar desconfortos". - Disse esse trecho engrossando a voz e repetindo o que um dos diretores havia falado numa das reuniões.
- Tá certo, Tabi! Eficiência na tarefa! hahahahaha Ele é lindo, não é? A Moon se contorceu de inveja, ela estava no lado dele quase pedindo pra que a notasse e ele se levantou e foi até você objetivamente. - Ela me deu um sorriso de lado e cutucou meu braço com o cotovelo.
- Nem me venha com esse sorriso cheio de significados. Eu não acredito que ele tinha intenção de começar um diálogo comigo. Não vou dar espaço pra idelizar isso!!! hahahaha Nem que eu desejasse isso no fundo do meu coração, ele é mais do que eu posso sonhar. Mas ele é lindo e, sim, fico um pouco feliz de ter provocado isso na Moon, ela tem se esforçado pra me deixar chateada ultimamente.
- É. Percebi que ela tem estado com um humor complicado. Ela fica ansiosa com essa idéia de ter idols por perto e parece se esforçar pra conseguir algo mais... Isso nem faz sentindo. - Disse a Ana pensativa.
- Ela é bem bonita e, talvez ela acha que pode chamar a atenção de algum deles. Na verdade eu acho que ela até consegue a atenção deles... - Pensei alto.
- Ela é realmente bonita e sempre muito vaidosa, acho que os meninos apreciam isso, né... - Complementou a Ana.
Acho que sim, disse pra mim mesma. E fiz um restrospecto nas minhas lembranças: todas as meninas que conhecia e que eram cheias de pretendentes tinham uma beleza incontestável e eram sempre muito preocupadas com a aparência, com roupas, bolsas, sapatos e maquiagem. Eu vivia em falta com tudo isso, então, talvez, eu não pudesse reclamar da minha pacata e vazia vida amorosa... Mas eu não tinha tempo e paciência com tanta vaidade, eu sabia me arrumar também, porém era cansativo ter uma rotina assim todos os dias. Desisti mesmo antes de pensar em tentar.
"E também de que adianta eu me esforçar tanto pra parecer com alguém que não sou? Pessoas bonitas geralmente ficam com pessoas bonitas. É quase uma lei natural, é o equilíbrio entre relacionamentos..." - Meus pensamentos começavam a ficar depressivos e sem sentido. Nunca usava a beleza com parâmetro pra qualquer coisa, porque estava me aborrecendo com isso agora?
Resolvi me distanciar dos pensamentos negativos. Coloquei "Call me maybe" da Carly Rae Jepsen e comecei a cantar alto com a Ana, parecíamos duas adolescentes fora de moda, mas ríamos e dançávamos com os braços como se não houvesse amanhã e nem nos preocupávamos com os carros que estavam próximos.
Escolhíamos outra música pra cantar enquanto estávamos no trânsito. Ficar parada ali seria tedioso se eu estivesse sozinha. A Ana colocou "Good for you" da Selena Gomez e disse animada:
- Hora de sensualizar, Tabi! - E soltou o meu cabelo.
Entrei no clima e joguei meu cabelo pro lado, fazendo carão e me achando uma Angel da Victoria's Secret. No refrão comecei a fazer lip sync de maneira sedutora e me esforçando em mexer meu corpo sentada no banco do carro, quando olhei pra Ana, meus olhos focaram atrás dela, no carro parado ao lado e um frio subiu minha espinha subitamente. Eu parei bruscamente o que estava fazendo e sorri sem graça, respondendo um aceno da janela ao lado.
A Ana virou na hora e repetiu o meu movimento, quando ela virou o rosto pra mim, começou a falar sem emitir som:
- Aquele é o Wonho acenando pra gente?
Fiz menção positiva, tentando segurar uma careta, pois ele poderia estar olhando pra gente ainda.
- Miga, você pode falar em voz alta, porque a janela está fechada e ele não vai ouvir... Mesmo que ouvisse ele não entenderia nada em português. - Disse sem conseguir segurar o riso.
- É mesmo. Nossa, Tabi, será que ele viu a gente incorporando a música? Desde quando o carro dele está do nosso lado? - Ela ria envergonhadamente.
- Realmente não sei, mas eu espero que ele não tenha visto mais do que 5 segundos do nosso espetáculo. E isso já seria demais, não tem como ficar pior... - Ri da desgraça, ele já tinha más impressões de mim e a história só piorava.
- Achei que eles ficariam por lá até mais tarde, mas devem estar cansados da longa viagem... De qualquer maneira não estávamos fazendo nada de errado. Se ele ficou encarando é porque gostou. - A Ana disse sorrindo maliciosamente.
- Gostou de uma boa piada e risada, né. - Disse com uma expressão chateada.
Nos entreolhamos e caímos na gargalhada. Não tinha como mudar ou saber o que ele tinha visto e pensado, então era melhor não se importar tanto. A gente voltou a cantar, mas sem se expressar demais.
No fundo eu sabia que ele tinha se divertido com uma cena minha e da Ana, pois o sorriso que ele me deu enquanto acenava, o denunciou. Suspirei e me dei por vencida, "Esse idol deve achar que vou louca. Vou pro aeroporto de pijama, descabelada, pareço uma faminta, não seu me comunicar e sensualizo no carro enquanto faço lipsync. Fim da minha carreira."
Chegando no Centro eu tive dificuldades pra estacionar o carro da Ana, então desci e esperei que ela o fizesse. Hoje o dia estava agradável, um sol tímido aparecia no céu claro e tinha uma leve brisa, anunciando que a noite seria mais fria. Eu estava olhando pra cima quando um carro preto e alto parou na calçada contrária, dele saíram o Wonho, Hyungwon e Minhyuk apressadamente para entrar no hotel à frente do Centro Cultural Coreano, provavelmente estavam tentando evitar multidões, pois aquela entrada não era a oficial, ela ficava na lateral no prédio, numa passagem escondida e estreita.
Eu olhava, me perguntando aonde estavam os outros membros e então o último integrante da fila de três entrou pela porta e a fechou, mas antes ele olhou pra mim e sorriu. Bom, eu achava que ele tinha olhado na minha direção e achava que tinha sido um sorriso, mas não tinha certeza, foi tão rápido e eu estava sem meus óculos. "Minha percepção está brincando comigo." - Pensei. "O Wonho me acha louca… Só se ele estava zombando de mim agora a pouco...".
- Vamos, Tabi! Para de dormir em pé. - Disse a Ana com um sorrisinho debochado enquanto puxava o meu braço.
Entramos no elevador e a Ana começou a listar o que ela tinha que fazer ainda hoje. Eu ouvia atentamente e no final me disponibilizei para ajudá-la, ela parecia extremamente agradecida.
- Tabi, obrigada mesmo. Hoje é aniversário do meu namoro. 5 anos! Meu namorado reservou o jantar em um restaurante que sempre quis conhecer, vai ser uma noite especial e eu queria me preparar pra isso, mas estou com medo de atrasar tudo... Eu não deveria ter ido na padaria, devia ter ficado aqui. Não contava com o trânsito que pegamos. - Ela estava realmente preocupada e ninguém mais da equipe estava conosco, eu suspeitava que só íamos vê-los amanhã.
- Calma Ana. Não se preocupe! Eu não tenho planos pra hoje ou pra amanhã. Por favor, saia a hora que precisar e arrase nessa noite. Eu cuido do resto por aqui, é o meu presente de aniversário de namoro. - Eu estava cansada, mas não conseguia virar o rosto pra isso, eu sentia que podia ajudar. Se eu voltasse pra casa, provavelmente não conseguiria dormir de preocupação pensando se a Ana ido ao encontro mesmo ou ficado aqui no escritório.
Eu peguei a lista da Ana e tirei minhas dúvidas. Comecei a fazer as coisas mais burocráticas, aproveitando a energia que ainda restava em mim. Quando eram quase 5 horas da tarde, a Ana recebeu um email, informando que todo o estoque de produtos de higiene e de mantimentos tinha que ser refeito, pois algumas equipes vieram com maior número de pessoas. Antes que ela pudesse ficar mais angustiada, eu peguei a responsabilidade e disse para ela ir embora, se arrumar e ir para o encontro.
- Ana, você tem que preparar um surpresa pra ele também, né... - Soltei um risadinha safada.
- Ai Tabi, mas eu não me sinto bem te deixando aqui sozinha com tudo isso. Ainda faltam duas planilhas e essa nova demanda, você vai virar a noite aqui!
- Você já me salvou tantas vezes desde que te conheci, agora é a minha vez, deixa eu salvar o seu dia só hoje, vai! E olha, nada de ficar me monitorando!!! Eu vou fazer o melhor relatório que já viu. - Disse de maneira extrovertida pra que ela fosse embora sem preocupações, eu conhecia a Ana, ela poderia passar o jantar todo me mandando mensagens pra saber como tudo estava.
- Oh Tabi. Acho que além de ótima funcionária, encontrei em você um boa amiga. Obrigada! - E me abraçou forte. - Vou deixar o cartão da empresa com você, então compre algo pra comer, utiliza ele se precisar de taxi. Se estiver muito tarde, passa a noite no hotel aí da frente, é mais cômodo.
Ela parecia uma mãe se despedindo da filha. Olhei ao meu redor e o andar estava vazio, nunca o vi tão silencioso. Preparei um chá e coloquei uma música pra ouvir, dessa vez sem os fones de ouvido, me aprofundei nas tarefas que tinha que fazer, quanto antes eu terminasse, mais cedo eu ir poderia dormir e isso me dava forças para continuar.
Enfim estava no hotel e pedi o quarto mais simples disponível. A recepcionista lembrava de mim e disse que mandaria um kit de banho relaxante pra minha suíte, provavelmente ela já estava acostumada a atender os funcionários cansados do Centro Cultural.
Antes de me jogar na cama, eu fui usufruir do meu kit. Fiquei feliz ao ver que na suíte havia uma banheira e a enchi com água bem quente, joguei os sais e um cheiro delicioso preencheu o ambiente. Tirei minha roupa e me olhei no espelho, eu estava com o semblante terrível. Lavei meu rosto delicadamente com os produtos do hotel, eram todos de marca coreana e eu os adorava, "Uma coisa boa de não poder voltar pra casa...", pensei. Apliquei uma máscara no rosto e entrei na água, só saí quando meus dedos enrugaram e a o vapor já tinha sumido do banheiro.
Meu corpo estava relaxado, dei tapinhas na minha face pra absorver o produto residual da máscara e passei um creme, depois massageei minhas pernas com uma loção cheirosa.
Então apaguei na cama, de roupão mesmo.
Acordei na mesma posição que adormeci, eram 10h e eu estava um pouco atrasada, mas era compreensível. Olhei meu celular e não tinham ligações perdidas, "Nada urgente, nenhum problema então".
Me alonguei um pouco e fui escovar os dentes, meu reflexo no espelho estava bem melhor, aqueles cosméticos faziam milagres, eu estava revigorada. Sorri pra mim mesma e me vesti. Eu aprendi a deixar uma combinação de roupas no Centro Cultural para emergências como essa.
Meu cabelo estava com ligeiras ondas, pois tinha dormido com ele úmido. Coloquei meu tênis, peguei a bolsa e saí preguiçosamente. Entrei no elevador bocejando, ele descia rapidamente quando parou no quinto andar.
A porta abriu e o Shownu e Kihyun entraram e me cumprimentaram um pouco surpresos por eu estar ali, eu tive uma reação semelhante, pois não lembrava que o Monsta X estava hospedado lá. O elevador já ia fechando quando alguém entrou ligeiramente, era o Wonho. Instintivamente eu endireitei minha postura e colei num canto.
Ele olhou pra mim por um instante e logo abriu um belo sorriso. Eu retribuí.
- Você também está aqui? - Shownu disse desajeitadamente. Era mais uma afirmação que pergunta.
- Ah, umhum. - Não consegui responder outra coisa, eu me sentia um pouco intimidada por estar no mesmo metro quadrado que o Wonho.
- Você sempre se hospeda aqui? - Perguntou o Kihyun de maneira respeitosa. Eu expliquei que só fazia isso quando necessário, por causa do trabalho, eles pareciam um pouco impressionados, mas eu tinha certeza que eles tinham uma rotina muito mais pesada que eu.
O elevador abriu e o Wonho segurou a porta para eu passar. Eu agradeci e andei depressa, percebi que ele me seguiu:
- Você também vai tomar café da manhã aqui? - Ele parecia mais confortável comigo que ontem, os outros integrantes foram direto para o restaurante do hotel.
- Não! Não, vou pegar algo pra comer e sair, tinha que estar há uma hora atrás lá. - Disse apontando para o edifício onde o Centro ficava.
- Hnm… Acho que vou te ver hoje a tarde, temos uma reunião lá. - E apontou pra mesma direção.
- Então nos vemos mais tarde! - Eu era um misto de perturbação, em menos de 1 dia nossos caminhos tinham se cruzado mais que o normal.
Ele balançou a cabeça e sorriu novamente, daquele jeito inocente, mas fatal, dizendo:
- Você parece bem, gostei do seu cabelo assim.
“Ele sabe como encabular uma garota mesmo.”
Eu passei no buffet e peguei um sanduíche. Antes de sair eu olhei em volta, queria ter um último vislumbre dos meninos. Então os olhos do Wonho se encontraram com os meus, me envergonhei ao descobrir que ele olhava pra mim. Meu estômago se encheu de borboletas e um calor subiu.
Acenei desajeitadamente e fui embora.
“Que tipo de pessoa ele é? Como alguém consegue mexer tanto com os instintos de outra pessoa? Ainda mais eu que sempre fui tão tranquila em relação à garotos… As garotas devem ficar selvagens em relação à ele… Mas como ele pode ser assim. Ele deve ser um jogador, só pode.”
Eu sabia que era feio julgar, mas o Wonho me desconcertava em um nível que nunca ninguém conseguira. Eu ficava inquieta por me afetar assim, não queria admitir, mas sozinha com meus próprios pensamentos, eu podia ser sincera. Ele sabia o que estava fazendo, quando passava a mão no cabelo, quando encarava ou sorria, ele sabia como fazer tudo isso de maneira sedutora… E se tinha algo que me apavorava, era ser brinquedo de alguém.