— Você está amargurado – afirmou Triss, puxando nervosamente um cacho de cabelos. – Ou finge que está. Você esqueceu que eu o conheço, de modo que pare de representar o papel de um mutante insensível, sem coração, sem escrúpulos e sem vontade própria. E chego a adivinhar e compreender os motivos de sua amargura: as profecias de Ciri, não é verdade?
— Não – respondeu o bruxo friamente. – Vejo que, apesar de tudo, você me conhece muito pouco. Tenho medo da morte como qualquer um, porém já há muito tempo me acostumei à ideia de sua existência; não nutro ilusão alguma. Não se trata de lamentar o destino, Triss, e sim de um simples cálculo frio. Estatística. Até hoje, nenhum bruxo morreu de velhice, deitado tranquilamente em sua cama e ditando seu testamento. Nenhum. Ciri não me surpreendeu nem me assustou. Sei que vou morrer dentro de algum buraco fedendo a carniça, com o corpo rasgado por garras de grifo, lâmia ou manticora. Mas não quero morrer numa guerra que não é minha.