Hey!
Era mais um dia normal passeando por vários cantos da Ilha, a procura de um dos piores monstros, mas para a infelicidade de Agnes a procura havia sido um fracasso. Irritada com sua inutilidade, voltou para casa à procura de seu “remédio da felicidade”, na tentativa de melhorar sua autoestima, que não era alta por sua falta de credibilidade em si. Porém, ela não contava com o fato de não haver um único frasco pela casa toda. Agnes estranhou a ausência do produto; nunca tivera esse problema. Correu até o quarto para se arrumar e ir ao mercado comprar o tal “remédio”; porém, como esse produto era proibido e no mercado havia a presença de guardas dos reinos de Ugrides e Larkmarg, era obrigada a se vestir de modo que escondesse seu rosto para que se fosse necessário fugir, conseguisse se esconder entre a multidão. Chegando ao local desejado, Agnes percebe o quão lotado lá estava, sorriu, estava com sorte, pois, despistar os guardas não seria um problema. Foi até Jonas, o vendedor, pedir-lhe o produto. -Mas já está sem? – perguntou ele sarcasticamente. Incomodada com a brincadeira, ela o encarou ferozmente, sem lhe dar uma resposta. – OK, OK! Não precisa se irritar, aqui está! – continuou ele entregando o objeto discretamente à cliente. Ela o agradeceu, pagando-o, e saiu a caminho de casa, no entanto, no meio do caminho alguém, que andava aparentemente perdido pelo mercado trombou com ela, fazendo-a derrubar o frasco. -Qual é o seu problema?! – gritou ela furiosa com o ser a sua frente.
Ângelo entrou por meio da gente, após ter perdido de vista o companheiro de viagem. Ainda nem chegara a Ugrides e as coisas já não estavam a correr exatamente como ele planeava.
“Tem de dar tudo certo.” ele assegurou para com os seus botões.
Ele respirou fundo e deixou se levar pela adrenalina que o colocava em vantagem em toda e qualquer situação e seguiu em frente, descendo da sua égua. Notou como algumas pessoas se vestiam de maneira diferente de Larkmarg. Fazia anos que ele não passava naquela zona e desde então ela já tinha mudado um pouco.
Uma pequena saudade bateu repentinamente no coração de Ângelo. Recordara-se de quando deixou a irmã por lá com a sua avó. Foram poucas as vezes que ele retornou após isso e nenhuma dessas ele fez questão de ver a irmã. Daí os pontos de encontro serem naquele mercado.
Talvez de modo a esquecer que ela existia.
Entre toda aquele tumulto de pessoas e recordações, Ângelo acabou por ir de encontro uma estranha que pelo o encontrão que trocaram deixou escapar um frasco das suas mãos. Em menos de dois segundos, a mulher já gritava para ele de maneira insultuosa.
- Perdoe-me, senhora, não foi a minha intenção. - Ângelo curvou-se quase em tom de gozo para com a jovem com quem acabara de esbarrar, rindo da sua reação exuberante.
Como ele segurava o cavalo pela mão, não se habilitou sequer a se baixar para apanhar os cacos do frasco que caíra à sua frente.
Porém, antes que ela pudesse continuar a xingá-lo, ele se desculpou sem nem tentar ajudá-la, mesmo, obviamente, aquilo não importando, pois ela não queria sua ajuda, ele poderia perceber o crime que estava cometendo e denunciá-la aos guardas. No entanto, para Agnes uma simples ‘desculpinha’, enquanto por dentre o seu sangue fervia por ver o liquido verde derramado no chão se misturando com a areia, não iria safá-lo de mais alguns xingamentos e um pedido de reembolso. Além dele a ter chamado de “senhora” junto a uma risadinha, quantos anos achava que ela tinha? E o que tinha tanta graça?
- Posso saber qual é a graça, para alguém que vai ter que pagar pelo que acabou de quebrar? - disse ela ainda olhando os pedaços do frasco - Se não se importa, tenho pressa! - disse ela em um tom mais firme, enquanto virava o rosto para ele e estendia a mão na direção do moreno.
A jovem à sua frente parecia furiosa com a ironia que ele envergava na voz. No entanto, ela voltava toda a sua fúria gradualmente para uma confiança que Ângelo nem desconfiava que tal frágil mulher coberta por uma capa tinha. Para quê tanta ressentimento? Que tanta importância tinha um frasco? Uma essência de perfume não era tão cara assim e se ela fosse pobre, provavelmente se ocuparia de comprar pão e não um líquido qualquer para ambientar a casa. A Diana relinchou e levantou as patas da frente. Ela estava desnorteada. Ele tentou acalmá-la deixando que ela pousasse os cascos. Ele aproximou-se da cabeça da égua, acarinhando-a, mostrando-lhe segurança. Por algum motivo ela estava assim. - Claro, para onde foram as minhas maneiras...? - perguntou retoricamente, na companhia do sorriso que emanava anteriormente. - Pode segurar na rédea do meu cavalo para poder tirar o dinheiro do meu bolso?
Ângelo estendeu a rédea da Diana em direção à sua mão de modo a que a estranha a pudesse segurar se assim o entendesse.










