Who looks outside, dreams; who looks inside, awakes.
Game of Thrones Daily

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@mebelle
Who looks outside, dreams; who looks inside, awakes.
Guhhh this movie got me baddd,,,,watched it for the first time with a couple friends last week and its all we’ve been talking about ðŸ˜ðŸ˜
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whatever you do, never let him into your mind
30×42cm, gouache on paper.
"Just know that if you hide, It doesn't go away"
27-07
Dentre tantas coisas,gritos e brigas pelo campus, notei que Henrique estava ao longe, sempre olhando. Assim que esbarrei nele na entrada dos dormitórios me dei conta disso.Â
– Henrique. – O chamei.
– Oi..? – Respondeu me encarando em dúvida.
– Você por um acaso viu pra onde o Elias foi?
– Não. –disse, se virando logo em seguida e continuou em seu caminho.
Henrique era uma pessoa estranha, era dedicado em seus estudos, isso era perceptÃvel, mas era isolado, esquivo. Todos sabiam que ele iria ser médico, assim como todos os homens de sua famÃlia nas últimas 5 gerações.
Bufando sigo, adentrando os dormitórios, fui até nosso quarto. Imundo, lotado de livros e muitas roupas jogadas, o que era parcialmente minha culpa pela correria da manhã. Tranquei a porta e o observei com cuidadoÂ
Dentre muitos casacos e camisas, encontrei sem dificuldade o caderno de Elias. Comecei a folhear a procura de alguma resposta sobre ontem… apenas listas de afazeres, alguns xingamentos sobre mim, páginas dobradas que não ia perder meu tempo abrindo, até que cheguei na data 26/07.
Porque?
Batidas fortes na porta cortaram qualquer reação que meu estômago tentou ter. escondi o caderno de volta e peguei minha bolsa, fingindo uma saÃda rápida.
– Trancou porque? – Elias disse.
– Com licença, preciso estudar – Sai sem esperar a resposta que ele iria me dar.Â
– Mas não esperava que ele fosse me fazer ouvir de qualquer jeito.
– É sério Chris? não vai nem olhar pra mim mesmo?– Exclamou em um tom que não esperava ouvir dele, principalmente nos corredores.Â
–O que foi Elias? – Meu tom saiu aspero, não sabia se queria ouvir o que ele queria dizer.
Ele encarou sem dizer uma palavra, sem esboçar nenhuma reação, entrou de volta no quarto e fechou a porta. Agora todos que estavam nos corredores me encaravam… eram 11 da manhã, o perÃodo antes do almoço onde quase todos os estudantes iam para seus dormitórios se preparar para o almoço. Corredores lotados. Decidi ir até ele… bati na porta e o chamei, para minha surpresa a porta estava destrancada. Entrei vergonhosamente, e encontrei Elias com a cabeça entre os joelhos sentado em sua cama.Â
– Elias..
– Porque você faz isso, Chris? é legal pra você?? Gosta de fingir que nada ta acontecendo, mas só quando é referente a mim né? Bem que você podia esquecer também dessa merda do seu pai e fingir que tá tudo normal e agir igual gente - Elias agora aumentava seu tom de voz progressivamente.
 – Isso é do seu pai também Elias – Disse me justificando de toda essa loucura.
– E porque você acha que eu me importo com isso? – Seus olhos encheram de lágrimas, e meu peito de desespero, ele parecia como ontem, mas com ainda mais fúria.Â
Eu tinha sido terrÃvel com ele, do inicio ao fim, injusto desde o princÃpio, levei ele a fazer coisas contra seu querer somente para minha própria satisfação.Â
– Me desculpe por ontem... eu me deixei levar eu não sabia que isso ia deixar você assim, eu queria te entender, mas você não diz nada.
 – Você nunca me deixa dizer nada, em toda vida eu só te segui, concordei, fui com suas ideias, todas elas, porque não podia deixar de ficar com você, depois que nossos pais se foram só restou a gente, mas ao invés de vivermos e lidarmos com isso você corre atrás de algo que matou eles. Eu não quero morrer como meu pai morreu, e nem viver como ele viveu. Eu quero algo além disso Chris… Eu não aguento mais isso. Você deveria estar fugindo disso já que o pouco que conseguiu entender é um perigo, mas não foge, e ainda consegue fugir das coisas mais simples…
– Eu não sabia disso Elias, desculpa por tudo, mesmo.Â
 Envergonhado encaro os botões de sua camisa para evitar de olhar seu rosto e seus olhos que agora voltavam a se colar nos meus, ele gritava essas palavras, Ele não falava assim comigo, nunca falou, agora me sentia esmagado, um ser corrompido por uma visão incoerente da vida, estava me obcecando, e esquecendo da única pessoa que tinha.Â
Sem tirar seus olhos do meu rosto, como se um peso fosse transferido dele pra mim, ele diz:
– Ontem é a única coisa que eu gostaria que você nunca se desculpasse.
Sinto um incômodo, vem do fim do meu pescoço e desce até meu peito, e se move, me deixa sem ar.
Dante's Inferno - art by Gustave Doré (1861)