Juntamente com uma careta, Anya soltou uma risada graças à história da infância da garota e de como sua família poderia ter colaborado com aquilo. — Então você sempre foi piradinha? — perguntou com divertimento, retribuindo o toque na ponta do nariz. Megara não era muito de falar sobre sua família ou seu passado (pelo menos não estava acostumada a ouvir dela esse tipo de coisa), então adorava ouvir quando tinha a oportunidade. Questionava-se o porquê disso. — Ei! — exclamou, virando-se de lado para não sentir as gotas frias d’água molharem sua barriga. — Eu poderia me acostumar sem esse choque térmico! — riu, desistindo de se proteger para chutar e molhá-la da mesma forma, acompanhando seus passos para mais dentro do mar — embora a água nem sequer chegava em seu joelho. — Você nunca viu a neve? — era algo engraçado de se ouvir, pois estava tão familiarizada com ela que era esquisito conhecer pessoas que não… será que era isso que Meg pensou ao dizer que nunca fora a praia antes? — Quem sabe um dia você não conhece minha terra natal, ein? Só não acho que você vai curtir muito… — disse com um largo sorriso. — Ou se não, poderíamos ir para Nova Zelândia! Lá neva, né? — começou a fantasiar sobre viagens mais distante com a morena, mas se interrompeu rapidamente com medo de estar parecendo uma idiota. — Vamos mais para o fundo, mas você não pode me soltar, okay? — e então buscou a mão da Nicholls, embora seu coração acelerasse com suas próprias intenções de ficar mais próxima da mulher.
Revirou os olhos com a questão alheia, piscando rapidamente com o toque na ponta de seu nariz. Não sabia o que mais havia a surpreendido, o toque repentino ou o fato de Anya estar brincando consigo. Não que ela fosse super séria, mas para brincar e tocar em si parecia ser algo tão não-dela que, quando acontecia, era como um sinal verde de que as coisas estavam indo bem. Todo dia uma muralha sendo derrubada, literalmente. Ela sorriu, travessa com a indagação da ucraniana. “Poderia, mas demoraria mais!” Defendeu-se com seu argumento bobo, porém verdadeiro, a observando adentrar cada vez no mar consigo. “Nunca.” Repetiu, mantendo um sorriso tranquilo nos lábios, imaginando que o choque alheio fosse o mesmo que sentiu ao ouvir que nunca havia ido para a praia ou coisa assim. “Neva... Seria legal conhecer sua terra natal, mas talvez Nova Zelândia seja mais fácil para nós.” Comentou num leve tom brincalhão, nem parecendo que estava querendo fugir da possibilidade de se envolver tão rápido a ponto de conhecer a casa dela e, possivelmente, sua família. Não sabia muita coisa, e certamente não tinha tanto interesse assim. Anya era interessante, mas... Não sabia se era ao ponto de querer um relacionamento sério, com direito a famílias se conhecendo e tudo mais. Todo dia uma Megara se iludindo mais e mais. Assim que sentiu a mão dela pegar na sua, a morena arqueou uma sobrancelha e se esforçou ao máximo para não reagir exageradamente, como fazia diante das pequenas coisas diferentes que a ruiva fazia. Isso a assustava e portanto, foi diminuindo controladamente, de vez em quando escapando, não sendo o caso atual. “Claro que eu não vou soltar você. Quem você acha que eu sou?” Fez uma careta, a puxando para mais próximo. “Além disso, se sua mão bobear, eu te salvo... Infelizmente, vou ter que ser seu salva-vidas hoje.” Falou com um pesar exagerado e falso, até mesmo tocando a própria bochecha com a mão livre, logo deixando de brincar para continuar a andar. “Vai me avisando... Se você quer parar, se acha que dá para continuar... Ok? Porque se deixar para mim isso, a gente fica com água até nos ombros.”