rainy inconvenients.
ᴀɴᴛʜᴏɴʏ ɴᴀᴏ ᴇʀᴀ ʀᴇᴀʟᴍᴇɴᴛᴇ ᴜᴍ ᴀᴍᴀɴᴛᴇ ᴅᴀ ᴄʜᴜᴠᴀ. A sensação de ter suas roupas coladas sobre seu corpo, juntamente com o seu cabelo ensopado (tinha cuidado com seu característico topete desarrumado o suficiente para não deixá-lo mais desorganizado do que deveria ficar), a sensação de que tudo ao seu redor estava triste e sem graça e - esse era o principal motivo - a obrigação de ficar trancafiado dentro do seu próprio apartamento cedido pela SS, sendo consumido pelo mais absoluto tédio, era muito desagradável. Em comparação àqueles dias intermináveis da mais pura chateação, o ofanim preferia muito mais os dias de sol, em que podia passear tranquilamente pelos longos domínios da instituição, caminhando no meio de várias outras pessoas, passando despercebido por todos e procurando por uma próxima vítima que pudesse satisfazê-lo.
O problema era que tinha que estar trabalhando fora justamente naquele dia de chuva; e a chuva estava torrencial, o que não contribuía muito para o seu ânimo. Não sabia exatamente qual o porquê de ter sido selecionado junto com outros cinco anjos para realizar um rápido exorcismo em uma cidade próxima - talvez fosse porque um de seus superiores já estava cansado de vê-lo sem fazer quase que absolutamente nada (essa era a teoria a qual mais se agarrava, pois pôde perceber o mínimo sorriso sádico que abriu-se nos lábios do superior que avisou-o que estava sendo convocado para a tal missão) -, e a complicação nem era ter que passar um dia inteiro fora auxiliando os outros anjos mais experientes a realizarem o exorcismo: A questão era que o seu grupo havia ido até a outra cidade em três motos. Portanto, todos os seis tomaram chuva durante todo o trajeto de volta para Sancti Sacramentum. E ainda mais, para fechar com chave de ouro toda essa desastrosa sequência de aborrecimentos, quando o louro por fim retorna, outro anjo o encontra assim que ele adentra os portões e pede que ele o ajudasse a pegar uns arquivos que ele havia esquecido nas masmorras - e só havia feito isso porque ele não era do setor que se envolvia com demônios, e ele pessoalmente tinha muito medo "daquela raça"; sinceramente, patético. Porém, Anthony aceitou a proposta; aquele anjo maldito não iria parar de persegui-lo e chorar em seu ouvido se ele não concordasse em acompanhá-lo.
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No final das contas, não foi totalmente uma péssima ideia ter ido acompanhar o outro anjo.
Por algum motivo, o outro não parava de lançar olhares discretos ao louro que o acompanhava, e soltava risadinhas sem nexo aqui e ali. Suas anteriores alvas bochechas de querubim (Anthony tinha certeza que ele era dessa raça por conta do seu fácil reconhecimento de almas de outros anjos) agora pegavam fogo, praticamente mesclando-se com seu curto cabelo alaranjado. Demorou um pouco para que o ofanim se tocasse - ele não estava muito afim de conversa com o garoto, muito menos de prestar atenção em sua pessoa -, mas era como se o outro estivesse... Gostando dele (isso no sentido romântico da palavra). Não que aquilo fosse algo muito incomum; já havia presenciado situações onde seus acompanhantes ficavam nervosos ao falar com ele, gaguejando e sorrindo como idiotas. A questão era que sempre eram exorcistas, nephilins ou demônios (estes sendo pouquíssimos) que o faziam. Aquela era a primeira vez que um anjo lançava-o aquele tipo de olhar; e ainda mais um anjo do sexo masculino.
Não que o louro tivesse algum tipo de preconceito contra homossexualidade (ele é uma das últimas pessoas da terra que poderia sequer pensar em julgar a sexualidade alheia - e aliás ele mesmo já tivera experiências homossexuais em seus tempos desesperadores na Califórnia). O que na verdade o tinha pego de surpresa era que um anjo homem estava se sentindo atraído por ele, um outro anjo homem - e, parando bem para analisar a alma do ruivo, percebeu que o ruivo não era um querubim puro como quando pensou no começo (ele tinha um sexo), o que fez o louro chegar a conclusão de que tímido o menor até poderia ser, mas não inocente -, coisa que ia totalmente ao contrário da norma padrão dos anjos; assim como o próprio Anthony ia.
E aquilo o interessou de uma tal forma que surpreendeu até a ele mesmo.
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Depois de terem ido pegar os tais documentos que Ramiel - após ter notado que o querubim havia deixado explícito a sua atração pelo louro, Anthony começou a conversar animadamente com o garoto durante todo o trajeto, extraindo dele o máximo de informações possível (informações estas que o outro compartilhava tranquilamente; ah, como ele gostava de lidar com pessoas abertas... Tão mais fáceis de manipular), sendo a primeira delas, obviamente, o nome de sua boníssima companhia - havia esquecido nas masmorras, os dois seguiram lado a lado até o corredor principal da instituição, onde cada um precisava seguir para o seu próprio lado (Ramiel dividia um quarto com uma exorcista e precisava voltar para lá imediatamente). Então, trocaram contatos e despediram-se, prometendo encontrarem-se de novo caso algum deles precisasse de alguma "ajuda especial". E, vendo-o se afastar, o louro pensou que não sabia como um dia poderia ter pensado que aquele querubim poderia ser patético e infantil.
Olhou para o Pátio Aberto que estendia-se à sua frente. Estava completamente vazio por conta da chuva que ainda caía, o que era de se esperar. Passando a mão pelos cabelos ainda um tanto molhados, Anthony solta um longo suspiro irritado: Para ir para seu quarto, precisava passar pelo pátio - algo completamente frustrante, dado o fato que suas roupas tinham acabado de ficar minimamente secas. Então, sem mais delongas, começou a caminhar, apertando o passo; quanto antes e mais rápido o fizesse, melhor seria.
Contudo, talvez pelos incontáveis pecados que já cometera (e que ainda cometeria), seu karma estava inegavelmente forte naquele dia, pois estava na metade do trajeto quando a chuva apertou ainda mais; e apertou tanto que ele viu-se obrigado a correr para debaixo da enorme estrutura que tinha no pátio: Um grandioso e belíssimo arco que, por conta de aberturas que tinha em seu topo, permitia que a chuva e o vento passassem livremente por aqueles espaços - mas, felizmente para o loiro, ainda existiam alguns pedaços em que poderia abrigar-se. E foi lá que ficou, encostado na parede do arco, abraçando o próprio corpo e tremendo violentamente. Ótimo: Agora estava com molhado, com frio, sem chance alguma de voltar para o dormitório por sabe-se lá quanto tempo e completamente sozinho.
Não, não completamente.
Haviam passado quase cinco minutos que estava debaixo daquele arco, perguntando-se e amaldiçoando-se do porquê não ter acompanhado Ramiel quando teve a chance (poderia ter aproveitado aquele fim de tarde de uma maneira muito melhor do que estava agora) quando ouviu o som de passos apressados, não muito longe de si. Ignorou-os a princípio: Era somente mais um azarado que havia pego chuva no meio do caminho e agora precisava abrigar-se naqueles míseros espaços no pátio aberto, assim como ele. Porém, depois de mais um par de minutos - a tal pessoa incógnita mostrou-se impossível de ignorar: Afinal, ela (na verdade, ele: Um moreno de cabelos médios e pretos, de pele pálida, olhos tão negros quanto os fios e um semblante não muito amigável) agora estava ao seu lado, tocando-lhe o ombro encharcado, fazendo alguma pergunta que o barulho da chuva havia abafado. -- Desculpe, o que disse? -- perguntou, um pouco mais alto, inclinando-se um pouco na direção do garoto (não o bastante para incomodá-lo, mas sim somente o suficiente para poder escutá-lo melhor).








