Havia um paradoxo indecifrável naquela garota. Era livre entre as paredes do seu quarto, mas lá fora mesmo ficava enjaulada dentro de si. Era uma jovem velha menina, que andava com seu par de asas e pisava nas nuvens mesmo estando no chão. Colecionava galáxias e abandonos, mas não era dona nem de seu próprio nariz. Davam-lhe ordens sem saber que ela era rainha, mesmo apenas em seu mundo real imaginário. Era estranha por ser normal demais e anormal por admirar estranhezas. Ganhava mais perdendo, ouvia silêncios por aí. Era a contradição contradizendo o que só pode ser dito com o olhar. Vida era morte e morrer era apenas conseguir viver em paz. A garota era solidão mesmo estando ao lado de muita gente, e fora plural sendo sempre só uma. Se sentia em outro mundo estando em casa, e dizia a verdade quando queria mentir. Achava o ladrão no senado, e o bandido como apenas um sem nada querendo comer. Se alimentava de todas suas ilusões, mas o tudo era sempre nada para ela. Via o mundo através do papel e da caneta, onde a sua visão transbordava em palavras. Era oposta, contrária e antítese humana. E como diria Renato Russo: Já estava cheia de se sentir vazia.
Paradoxos. Unirversos (via desafagos)

















