Dias atrás, durante minha sessão semanal de terapia, minha psicóloga me perguntou se eu lembrava qual tinha sido a primeira frase que eu disse entre um choro desesperado e minha falta de forças para falar. Eu, sinceramente, em meio a tantas frases que consegui falar, não me recordava de qual havia sido a primeira em especial. Ela olhou calmamente para mim e replicou as minhas palavras. Foi “Eu não aguento mais.” Eu cheguei no consultório dizendo que eu não aguentava mais e eu realmente não aguentava mais. Por inúmeras razões eu já não aguentava mais, não conseguia mais, e tudo bem. Tudo bem a gente não conseguir ser forte o tempo todo, tudo bem a gente sentir raiva, ódio, cansaço, tristeza. Tudo bem a gente nem conseguir sentir mais nada. Só não está tudo bem em nos mantermos reféns desses sentimentos, ou, da ausência deles.
Se tem uma coisa que venho aprendendo na minha caminhada é que para cada pessoa ou situação que te fere, Deus te envia uma pessoa ou situação que te cura. Quando percebi que perdi as forças, meu último grito foi por socorro. Sempre haverá alguém por perto, alguém disposto, alguém que quer e vai ajudar. É assim que a vida é. Nem todo mundo é cretino, nem todo mundo é ignorante e hipócrita. Tem muita gente capaz de fazer o mal, mas tem muita gente munida de luz. Há quem julgue, mas não há tempo a perder com quem se acha no direito disso.
Eu não sou o que me aconteceu, eu sou o que eu escolhi me tornar, e quando eu soube que podia escolher o que eu queria ser, escolhi ser eu mesma. Por vencer as barreiras da vida, da mente, da maldade e ignorância alheia, de tudo aquilo que fizeram comigo e que eu mesma fiz comigo em dados momentos é que escrevo. Setembro é o mês de combate ao suicídio, e faço um convite para quem me lê, para quem me segue, para os amigos, para a minha família: ATENÇÃO. Atenção com quem está ao lado, com quem está perto, atenção com a dor do outro, com o limite do outro, com a sua própria dor e com seus próprios limites. RESPEITO com o outro, com o limite do outro, com o seu limite. Alguns alertas não emitem sinais sonoros, e algumas situações calam as vozes que precisam gritar por socorro. A dor da alma as vezes se esconde atrás de um sorriso. Não finja que não vê, não encha o saco de ninguém dizendo que é frescura, que é falta do que fazer, que é falta de fé PORQUE NÃO É. Se você for assim, está mais do que atrasado para sentar no divã, começar a falar dos teus tormentos e parar de azucrinar os outros. Como diria meu esposo, quem muito me ajuda, pouco me atrapalha.
Se por acaso você estiver sem forças, só te peço que não desista. Sempre haverá algo pelo que vale a pena lutar, e eu sugiro que seja em primeiro lugar, por você. Você vale a pena. Você é sim especial, e se alguém disser que não um “vai se lascar” emitido a plenos pulmões, cai muito bem. As tuas dores não podem te vencer, não podem te calar. Você pode se libertar, se curar. Se você não tiver uma família como a minha e amigos como os meus com quem possa contar, saiba que se você não me conhece, não importa, eu estou aqui para te estender a mão.
O mundo seria um lugar bem mais legal de viver se todo mundo pudesse fazer terapia, se todo mundo tivesse acesso a um bom profissional da psicologia. A terapia me ajudou a me reencontrar, me salvar e quanto mais avanço com isso, mais vejo que o mundo todinho deveria estar deitadinho no divã.
Se você não puder fazer nada para ajudar, apenas seja legal e respeite as pessoas, é de amor e respeito que se precisa.
Não é drama, e nem para chamar a atenção.
Não é falta de amor, nem falta de Deus.
Não é preguiça, muito menos frescura.
Você não está sozinho, se precisar de ajuda, conte comigo!











