❛❛ —— E eu ‘tô contando contigo pra me deixar nesse estado de novo. ❜❜ Teresa poderia até proferido a piadinha, mas aquele sorriso habitual, que acompanhava as suas corriqueiras piadinhas, não chegou a ser retratado em suas feições. Mais precisamente, não estava se referindo ao lado mais carnal daquela situação — estava falando sobre se recuperar com totalidade em seu interior ferido. Aquele relacionamento com Jonathan se perdurava por muito tempo (( não havia sido à toa que ele tinha sido o seu primeiro amante )) e ambos tinham um jeito estranho de dar certo em sua maneira;; especialmente porque o músico sempre soubera como cuidar da santinha. E ela nunca havia encontrado aqueles braços fechados depois das suas mil e uma aventuras pela cidade, uh?! ❛❛ —— John, eu preciso que fale sério comigo. Você alguma vez se incomodou porque eu ficava de brincadeiras com outros ou por me ver voltando depois desses relacionamentos? ❜❜ A italiana perguntou se deixar aquele confortável abraço, subindo os olhos para acompanhar a série de elogios enquanto deixava um sorriso se formar em seu rosto pela sequência de elogios. Duuuh, elogios eram a melhor maneira de conseguir arrancar um sorriso dela!! Mas, vamos focar no drama amoroso, Teresa estava tentando resolver uma questão pessoal mais íntima, oras. ❛❛ —— Eu magoei ele de verdade com essas minhas gracinhas e eu sei que ele gostava de mim. A real é que eu acho que eu nunca vou conseguir encontrar que consiga lidar com essa minha inconstância. ❜❜ E a sua mãe estava na ilusão de tentar arranjar um marido para que ela não ficasse em pecado pela sua vida sexualmente ativa. Seria esse o milagre do século?! A Sra. Di Angelis poderia até conseguir a santificação se aquilo rolasse. ❛❛ —— E, tá bom, ficou realmente muito gostoso. ❜❜ Ela completou com uma risadinha fraca, pegando uma colherada do creme de abacate para levar à boca dele.
Ainda que fossem amigos, ele não podia simplesmente ignorar o sutil soco que recebia em seu ego quando Teresa dizia o querer com o mesmo entusiasmo de quem está em um velório, e por esse motivo, deixou que o assunto morresse, descansando seu queixo na curva do pescoço feminino. Sua masculinidade não era tão frágil ao ponto de fazer daquilo um grande caso, até porque, seria no mínimo babaca se cobrasse dela uma reação à altura quando estava ferida. Inalou o característico aroma dos fios negros à medida em que afrouxava levemente os braços ao redor dela, apenas para que conquistasse espaço para observar seu rosto, quando a morena iniciou à falar. A pergunta, no entanto, o pegou desprevenido, e expressou sua surpresa com o leve arregalar dos olhos. Um segundo depois, contudo, era uma risada que preenchia a sala do pequeno apartamento. ❝ —— O que? De onde tirou isso, Teresa? ❞ A pergunta viera de forma bem humorada, no entanto, ao notar que falava sério, ele se concentrou, pensando por um instante. ❝ —— Você era incrível. Digo, você é, e sempre será. E por isso os garotos tentam chamar sua atenção. E você é espontânea, mas além disso, livre. Não era minha propriedade, e nunca será de ninguém. Você havia escolhido ficar comigo, e isso bastava. Eles que lutassem tentando. ❞ Aplicou o bom humor característico deles no final de seu discurso, afagando os braços da morena com os polegares, com leveza. A menção ao antigo relacionamento da amiga, no entanto, o fez se afastar dela para que levantasse. Não de forma enciumada, mas sim, inconformada. ❝ —— Se ele gostasse, ele não tentaria te mudar. Porque ele se apaixonou por você? Porque não falava com ele, se trancava em casa e sequer olhava pro lado? Não! Ele se apaixonou porque quando você fala sobre algo que gosta, demonstra tanto entusiasmo, que dá vontade de ouvi-la falar o dia todo; porque quando você anda, demonstra tanta confiança, que é impossível ignorar; porque você não abaixa a cabeça quando acredita estar certa; e talvez, até porque, quando você tem crises de riso, ronca feito uma porquinha. ❞ Ele só percebeu ter voltado até ela, e se agachado à sua frente, quando os olhos foram inundados pela imagem dos lábios carnudos, e apenas porque não desejava apressar as coisas, ele encheu a boca com o creme que lhe era oferecido e tornou à se afastar, cruzando os braços à medida em que limpava a garganta, sentando-se na poltrona disposta na sala. ❝ —— Talvez você já tenha encontrado, só não sabe ainda. ❞