Miguel Santos, 1238 29 anos, instrutor de arco e flecha, pesca, cuidados com a horta e a estufa e Tenente-Superior do Esquadrão Ouro. Residente no Setor Spirita pela linhagem de Baco e ex-caçador de Ártemis.
Pela linhagem mortal
Personalidade: Miguel é prático, metódico e direto. Sem tempo pra gracinhas. O que precisa ser feito, será. Sacrifícios são consequências. Não que seja mau humorado, chato ou irritável, existem os momentos de brincadeira. Mas tudo é pensado considerando a melhor maneira de ninguém morrer. Essa parede quebra quando está próximo de figuras femininas, onde pode ser completo, amigável e mais gentil até mesmo consigo. Depois de tentar viver entre os homens, percebeu que a única coisa em comum com eles é a identidade masculina, por isso eles costumam ser alvos fáceis de seu sarcasmo e deboche. O problema é que, gostando ou não, agora era como um deles. Não importava o quão feministo fosse. Essa tem sido sua maior dificuldade na transição.
Traços físicos notáveis: Tatuagem de um tirso com uma linha de serviço ao Acampamento Júpiter; seu cabelo é completamente branco.
Resistência mental
Visão aguçada
Pela linhagem divina
Arma principal: Arco e flecha, a aljava contendo um misto entre flechas de ouro imperial e bronze celestial tiradas das forjas do acampamento. Não possuem nenhuma habilidade especial.
Violinistas: Quando olha bem em seus olhos, Miguel é capaz de levar o oponente à uma espécie de delírio. O que ele faz pode variar, mas se tornou uma marca registrada do semideus os fazer tocar um violino invisível e cantarolar e dançar Green Leaves. O problema é que ele também acaba entrando na pira. Por dias ficaria alucinando e com a música o tirando do sério (mesmo que não use o poder dessa forma).
Biografia
Tudo começou quando Miguel foi vendido por 3 cabras. Era um esquema sujo de riquezas que sua mãe foi tristemente colocada. Obrigadas pelo próprio pai, as mulheres da família Santos eram obrigadas a terem filhos atrás de filhos. Quando homens, eram vendidos para a guarda de reinos, lavouras e demais serviços braçais. Quando mulheres, como servas sexuais, esposas ou criadas, serviços domésticos.
Miguel estava exausto de dar banho nas pelancas de Magno quando decidiu quebrar-lhe o pescoço. Foi assim que parou em meio as florestas, fugindo de guardas, com uma flecha em seu ombro esquerdo, e esbarrou com o grupo de caçadoras de Ártemis. Acreditou estar seguro por ali, afinal a deusa protegia as mulheres, mas uma flecha prateada quase lhe atingiu o segundo ombro. Foi uma conversa extensa repleta de “ME AJUDA, PELOS DEUSES! ELES VÃO ESTOURAR MEUS MIOLOS!”. E então, finalmente após muito recusar, a deusa aceita Miguel entre suas caçadoras.
É que até aquele momento Miguel não era Miguel. Seu corpo e sua mente não coincidiam, mas até então a única explicação plausível era que ele era uma garota com espírito revoltado. Ártemis tinha visto aquilo, com toda certeza, porque após quase um milênio, quando as palavras saíram da boca do rapaz, ela não pareceu surpresa.
Os anos de serviço foram intensos. As perdas ficavam cada ano menos dolorosas, o que era horrível. Era sempre horrível se acostumar com o fim de alguém, mesmo que seja alguém com quem dividiu risadas e batalhas. Isso resultou em uma pessoa mais prática. Sentimentalismo? Perda de tempo. No fundo está sempre tentando fazer todo mundo sair vivo, mas não dá pra expor que o sentimento que te move é o medo.
Sair da caçada foi o que mais doeu. Foi o único lugar onde o conceito de família fez sentido. Encontrou com descendentes dos Santos pouco depois, eles tinham criado um circo mágico que rondava o mundo, e esse foi o único motivo pelo qual Miguel aceitou o nome de volta. Eles eram incríveis. Mas a caçada? Um milênio de proteção, união, amizade. Respeito e intimidade, ideias perdidas depois de 25 anos de abusos psicológicos e morais. A única coisa que o mantinha longe das caçadoras foi a distância mínima imposta pela deusa. Era um homem agora e precisava respeitar. Isso não o impediu que continuar as seguindo pelos meses sequentes, afinal era tudo o que sabia fazer. Viver nos bosques, caçar pra comer. Por mais distante que estivesse, aquela era a forma mais clara de não se sentir só. Há mil não conhecia o significado deste sentimento.
Eventualmente precisou parar, e assim se encontrou no Acampamento Júpiter. O Acampamento Júpiter era a Caçada, só que sem a caçada, sem luau, e repleta de homens.
Ainda assim mantinha sua conexão com a noite, o que trouxe a desconfiança de alguma coisa tinha acontecido a Ártemis. Era fácil dizer, a Noite lhe contara. Dessa forma se meteu em uma guerra que não era sua. Não importava para ele nenhum acampamento, só a segurança de sua deusa. Batalhou bravamente ao seu lado, protegendo-a de qualquer um que ameaçasse se aproximar dos céus para atacá-la, e só saindo de perto quando finalmente poderia constatar a sua segurança.
Agora seu espírito revolto se encontra no Acampamento Ouroboros, igualmente regrado e independente. Leis precisam ser seguidas, mas sair do acampamento para conseguir uma boa carne fresca é uma deliciosa forma de quebrá-las.
















