Olha só quem os ventos nos trazem… SIENNA LIU, não é? Que curioso, por um instante, eu poderia jurar que você era LAUREN TSAI, mas sejamos honestos: ela jamais sobreviveria ao destino dos heróis. Os deuses me sussurraram que você tem 24 anos, jovem o bastante para enfrentar seu destino, mas velho o suficiente para pagar o preço da herança divina. Sendo filha de HERMES e criada sob as leis do ACAMPAMENTO MEIO-SANGUE, a mudança para um novo lar deve estar sendo difícil para você. Talvez você precise se acostumar a ouvir seu nome seguido do título TENENTE-SUPERIOR do ESQUADRÃO PRATA e espero que, até lá, tenha encontrado aliados dignos no SETOR SPIRITA. Que os deuses lhe observem e que as Parcas, por ora, sejam misericordiosas.
¹ summary . ² connections . ³ full background .
໒꒱ 𝐛𝐚𝐬𝐢𝐜𝐬.
nome: sienna liu
apelidos: sunny, sia, siennie, ennie, si
idade: 24
hierarquia: tenente-superior do esquadrão prata
atividades: criadora de armadilhas & cuidados com pégasos
personalidade: ambiciosa, sarcástica, orgulhosa, impaciente, persistente.
໒꒱ 𝐞𝐧𝐡𝐚𝐧𝐜𝐞𝐝 𝐚𝐛𝐢𝐥𝐢𝐭𝐢𝐞𝐬.
agilidade ampliada - resistência mental
໒꒱ 𝐰𝐞𝐚𝐩𝐨𝐧.
lança dupla
Dada como recompensa por fazer um favor ao deus Hefesto em uma de suas missões, aérikhos (Corta-Ventos, em grego antigo) é uma lança com lâminas em ambas as extremidades, feita de bronze celestial e sua arma pessoal. Quando não está em uso, ela assume a forma conveniente de um anel de bronze, que Sienna usa a todo tempo. Para que a arma assuma suas lâminas, basta pressionar um minúsculo botão na parte de baixo do mesmo para que a arma se estenda, já perfeitamente posicionada nas mãos de quem a estiver empunhando.
໒꒱ 𝐩𝐨𝐰𝐞𝐫.
teletransporte
Filha do Deus dos Viajantes, não demorou muito para que Sienna aprendesse que podia viajar de um ponto a outro num piscar de olhos. A princípio ela só conseguia fazer viagens curtas, mas com o passar dos anos e o treinamento constante, seus saltos de um lugar a outro passaram a poder cobrir longas distâncias; ela só jamais tentou viajar até a lua, já que sua cabeça explodir pela pressão do espaço e falta de oxigênio não estava exatamente em seus planos. Porém, quanto maior a distância, maior o consumo de energia. Num salto de distância muito grande, é provável que Sienna precise de pelo menos algumas horas para se recuperar antes de saltar de novo; caso contrário, o resultado não será agradável: se toda a sua energia vital for consumida, suas chances de sobrevivência são desagradavelmente nulas. Sienna pode ,também, com esforço multiplicado pelo número de pessoas que saltarão consigo, realizar saltos levando acompanhantes, mas ela o evita, pois é extremamente cansativo fazê-lo.
໒꒱ 𝐜𝐮𝐫𝐬𝐞.
inibição de dor física
Sienna sempre ouviu falar do espírito vingativo dos deuses e, por isso, desde que se descobriu semideusa, tentou ficar fora de seus caminhos e ser devota e respeitosa o suficiente para não acabar despertando sua fúria por acidente. Contudo, nem sempre os planos seguem os passos traçados. Quando Sienna aceitou fazer um favor para Hefesto em troca da ajuda divina em sua missão (afinal, quem diz não para um deus?), ela não imaginou que se tornaria um alvo direto da fúria de outro olimpiano. A tarefa era simples: roubar um colar específico, levá-lo até ele e então devolvê-lo ao seu lugar. O problema? Aquele colar seria um presente de Ares para Afrodite e, como punição por roubá-lo para que Hefesto o alterasse, o deus da guerra tirou de Sienna toda a capacidade de sentir dor física.
O que a princípio parece ser uma invulnerabilidade benéfica, é na verdade uma maldição cruel: Sienna nunca sabe a hora de parar e, quando a exaustão da dor a alcança, por vezes, ela consegue ouvir uma risada maldosa à distância. Ela sabe que, caso não preste atenção, a próxima vez que se exceder pode acabar sendo a última.
Sua vontade era de continuar cutucando-a até fazê-la gargalhar, mas Mark se conteve para não ser culpado por estragar alguma coisa do festival. Fez uma careta quando ela mencionou as tradições romanas. — Definitivamente não. Minha crítica é justamente a trocar uma comemoração nacional perfeitamente normal por alguma esquisitice romana. — disse de forma amarga, mas rapidamente o mal humor foi afastado, como sempre acontecia na presença de Sienna. — Build-a-bear? Isso existe? — perguntou franzindo o cenho, mas logo se arrependeu e se sentiu envergonhado pela pergunta. Eram poucos os momentos em que ele percebia o quão pouco tinha vivido de fato no mundo humano, indo de morar em uma fazenda afastada, para viver na rua se alimentando do que caçava e então no Acampamento. Até seu único semestre na faculdade não tinha lhe ajudado muito, não tinha feito nenhum amigo e dedicava todo o seu tempo aos estudos e aulas. Não se lembrava sequer se já havia entrado em um shopping. — De qualquer forma, está combinado. Vou construir um morcego com várias bolsas de ouro representando você. O que acha? — parecia brincalhão, mas estava disposto a dar uma escapada daquela ilha, descobrir o que era um build-a-bear e construir um morcego para ela. Não respondeu o comentário sobre Pã, pois sabia que aquele era um tópico sensível, mas deu uma leve revirada nos olhos ao falar sobre os romanos. — Ninguém se matou ainda. Depois de hoje, com todo mundo bêbado e ânimos a flor da pele, não duvido nada. Se tivermos sorte, talvez seja Dilan a morrer. — tentou disfarçar o comentário com um sorriso brincalhão e uma piscadela, mas a raiva da conversa enfurecedora que tinha tido com o dirigente logo pela manhã ainda borbulhava por baixo de sua pele. Afastou seus pensamentos disso, rindo com a provocação da amiga. — Definitivamente é um recorde, aquela garota é capaz de fazer murchar plantações inteiras só com a força do ódio. Perto dela, eu sou um raio de sol distribuindo flores por aí. — é claro que tinha certo carinho em suas palavras, apesar das provocações ele gostava de Ophelia e seu humor horroroso, era como uma irmã mais nova, mas não podia mentir que sua presença sugava toda a alegria ao redor. — Se você for me fazer dançar, aí é que o meu humor vai por ralo abaixo, eu não recomendo.
— Comemoração essa que você odeia, entendi. — Ela assentiu, a falsa expressão de compreensão em seu rosto logo sendo vencida pelo pequeno sorriso que tomou seu lugar. Havia algo no aborrecimento de Mark que o tornava ainda mais cativante aos olhos de Sienna. Talvez fossem os anos da amizade inusitada ou quem sabe ainda o contraste inegável entre os dois. — Não tem resultado que te agrade nesse caso, não é? — Foi o que falou, gesticulando com a cabeça para que ele viesse com ela e começando a caminhar na direção da fogueira que ainda era montada. A pergunta era praticamente retórica, pois as chances de já saber a resposta do melhor amigo eram monumentais. Dificilmente Marchosias se alegrava com as coisas, ela sendo, talvez, uma das poucas exceções, feito este do qual ela sentia muito orgulho. Contudo, havia dado apenas alguns poucos passos na direção oposta quando parou de supetão, virando-se novamente para o mais velho com puro choque estampado em seu rosto. — Você nunca foi a um Build-A-Bear?! Pelos deuses, Mark, como eu falhei com você! — O choque deu lugar à indignação, pois como ela poderia achar que ele tinha ido a uma dessas lojas quando ela conhecia seu passado? — Depois do festival, prometo que vou te tirar daqui e vamos fazer uns ursos juntos. — E com isso, ela retomou seu caminho em direção à fogueira, entregando a caixa de enfeites a um dos responsáveis. Uma vez que tinha as mãos livres, não hesitou em enroscar um dos braços ao de Mark, mantendo-o próximo e limitando-se a dar uma risadinha do comentário dele sobre Dilan. — Então você e ela combinam, já que são dois enfezados irritadiços. Mas é bom que assim eu mantenho meu lugar de direito como sendo o seu raio de sol.
Lidar com Sienna era mais tranquilo do que com os outros irmãos, pois não havia julgamentos e ambos tinham uma personalidade um pouco mais caótica que os outros. Sentia falta da forma como a outra conseguia os colocar para fora do antigo acampamento, ele usava o dinheiro que conseguia e ambos se divertiam com seus outros irmãos e seus pedidos malucos. "Eu não vou sozinho lá. Na última vez tinha um inseto enorme lá. Peça-me qualquer coisa, menos, para lidar com esses seres rastejantes." Poderia parecer besteira, mas Caspian tinha pavor de insetos, o que já havia gerado inúmeras pegadinhas com ele ao longo dos anos. "Queria poder ir com você, mas esse negócio de ficar preso acabei com uma das pessoas que mais trabalham nesse acampamento. Apesar dela ser incrível é muita coisa. Fiquei até chocado e me sentindo bastante folgado." Ver Aurora lidando com tanto trabalho burocrático e prático na enfermaria fez Caspian agradecer por ficar na parte teórica sobre Economia, e até sentir falta da faculdade. "Diga-me que está programando alguma coisa divertida para hoje. Estava precisando de uma festa, beber, e esquecer um pouco esse negócio de ficar aqui. Sinto-me sufocado apesar de ser gigante aqui."
A risada que se seguiu à fala do irmão sobre os insetos não tinha nada de deboche ou descaso pelo medo alheio. Pelo contrário, era sua simples reação ao fato de que Caspian, sendo mais velho que ela e, em teoria, devendo ser mais responsável, recuava-se a ir sozinho a algum lugar. — Não se preocupe, se algum serzinho rastejante aparecer pra te aterrorizar, eu dou cabo dele rapidinho. — Tranquilizou-o, rindo novamente em seguida ao imaginar Caspian tentando acompanhar Aurora em todas as tarefas tão diligentemente quanto a filha de Apolo. — Ah, eu já tenho companhia pra isso, nem esquenta. Tenho arrastado o Piero como meu parceiro de crime e minha dupla de hoje não vai se incomodar se eu sumir por alguns momentos. E pode confiar que vou tentar achar qualquer coisa que deixe a noite mais... A nossa cara.
Enid não se considerava uma pessoa pessimista. Tinha a mania de sempre tentar ver o copo meio cheio, o lado bom mesmo nas piores situações, mas depois de tantas coisas ruins acontecendo em sua vida, era difícil manter a postura positiva. Por isso, agradecia por ter Sienna como irmã, pois seu otimismo compensava onde o de Enid falhava. Abriu um pequeno sorriso com suas palavras, silenciosamente agradecendo a Hermes por tê-la ali. — Acho que tem razão, só estou sendo implicante. — deu mais um gole em sua água, observando as pessoas que se divertiam. — Mas mal posso esperar para voltarmos com nossas festas. Ou com qualquer coisa que faça esse lugar se parecer mais com... Casa, sabe? Isso de festival é legal e tal, mas sinto falta do caça bandeira e das noites na fogueira.
O sorriso que se abriu no rosto de Sienna foi uma mistura perfeita de felicidade e travessura. A menção das festas, legado importantíssimo dos campistas dos chalés 11 e 12, trouxe certa nostalgia à tona, e Sienna mal podia esperar para tornar a realizá-las. — Você tem razão. — Uma pausa. — Acha que... Sei lá... — Ela deu de ombros brevemente, alternando o peso do corpo entre uma perna e outra. — Talvez uns fogos de artifício deixassem tudo mais o nosso estilo? — A pergunta não era nada discreta e ela sabia que Enid, sendo sua irmã, captaria exatamente o que ela queria dizer com aquilo. Entre as linhas de sua impulsividade e a hesitação da outra, Sienna sempre gostava de checar com ela se seus planos eram uma boa ideia ou não antes de colocá-los em prática.
@siennaofhermes sent: “You seem… out of place.” + sender cleans something off of receiver's face
♱༺ ☠︎︎ ༻♱ Passar tempo nas forjas e na sala de armadilhas era garantido sair sujo com alguma coisa, então quando Sienna lhe chamou atenção para algo em seu rosto Sah nem ficou surpresa, não havia percebido que havia graxa seca em seu rosto de mais cedo. "Deslocada?" Ela não havia entendido bem o que a filha de Hermes queria dizer com aquilo, a entonação dela não era grosseira o bastante para considerar uma ofensa, nem afetada o suficiente para parecer preocupação.
A ação tinha sido quase instintiva, instigada pela prática quase natural de cuidar dos outros campistas do Chalé 11 por tanto tempo enquanto Conselheira Chefe. Tanto título quanto chalé já não mais existiam, mas velhos hábitos não morrem com facilidade, e por isso, lá estava Sienna, inclinando-se para limpar graxa do rosto de Sah-Rah com um pano úmido. — É. Digo, você é tão... — Faltaram-lhe palavras para descrevê-la e, por isso, Sienna deu de ombros enquanto baixava o pano. — Quero dizer, as forjas são o último lugar em que eu imaginaria te encontrar.
— 🌬️🔥PIERO FICOU ALGUNS PASSOS ATRÁS de Sienna no corredor estreito formado pelas pilhas de caixas, observando o espaço com a atenção automática de quem havia passado muitos anos treinando sobrevivência em lugares muito mais imprevisíveis do que um depósito de mercado; ainda assim, havia algo quase cômico na situação: dois semideuses infiltrados entre papelões e plásticos bolha como ladrões improvisados (o que talvez ele tivesse se tornado por influência da amiga filha de Hermes) e isso arrancou dele um sopro divertido pelo nariz enquanto cruzava os braços e a observava por cima do ombro. Ao ouvir a explicação dela, o sorriso torto apareceu ainda de forma divertida. "Ah, certo… Como sempre, nossa missão é pelo bem-estar coletivo e festivo." Murmurou com seu sotaque se destacando como o usual, aproximando-se de uma das pilhas e puxando uma caixa para espiar o conteúdo, encontrando barras de chocolate que imediatamente lhe pareceram uma excelente justificativa para estar ali; pegou uma delas e a lançou na direção de Sienna antes de voltar a analisar o ambiente por um instante, sentindo o ar pesado e úmido preso no interior do armazém. Com a ponta de um estilete encontrado mais atrás deles, Piero rasgou outra caixa, revelando pacotes de marshmallow e soltou um pequeno riso. "Fogos de artifício também?" Comentou ao que erguia o olhar para ela com um brilho ainda mais divertido; Piero dificilmente dizia não a problemas escancarados, ainda mais naquele contexto. "Você faz ideia do quanto eu consigo piorar uma situação que envolve calor, fogo e explosões, Sienna? Quíron poderia nos matar, mas felizmente, eu sou um profissional de primeira e posso garantir a segurança de todo mundo." Conversa fiada, balela, mas ali estava seu ego dando alô de novo. Por fim, empurrando uma caixa com o pé, começou a concentrar ali tudo de interessante que havia encontrado. "Podemos andar logo? Antes que alguém entre aqui e caia no erro de achar que eu e meu rostinho lindo trabalhamos no estoque desse fim de mundo..."
Apesar de uma ladra consagrada e eficiente, Sienna precisava admitir que detestava armazéns e depósitos, especialmente os desprovidos de janelas. Para além de acreditar ser uma claustrofobia proveniente de sua ascendência divina por seu pai ser o deus dos viajantes e aquilo torná-la um espírito livre e inquieto, o ar parado e úmido, sem falar na poeira que sempre se acumulava nesses lugares, traziam à tona suas alergias, e ela espirrou antes de responder a Piero. O sorriso que surgiu em seus lábios não foi em nada afetado pela coceira que começava em seu nariz. Não teve dificuldade de pegar a barra de chocolate que foi atirada em sua direção, logo colocando-a dentro da bolsa que carregava. — Mas é claro que precisamos de fogos de artifício. Duvido que os romanos já tenham usado isso na Lupercália e tá na hora de mostrar como o acampamento meio sangue fazia suas festas, não acha? — Ela piscou para ele. — E confio totalmente nas suas habilidades de não destruir o acampamento que ainda estamos construindo. — Uma breve risadinha pontuou sua fala, mas não pôde deixar de rolar os olhos ao ouvi-lo falar sobre ser confundido com um funcionário. — Tá, veja se acha algo interessante. Se achar, coloque aqui dentro. — Estendeu a bolsa na direção dele. — Vou ver se acho os fogos de artifício e aí a gente se manda.
₊⁺⋆ ☀︎ ⋆⁺₊ "Alguns nem precisam de vinho..." Um riso singelo apareceu no canto dos lábios de Aura, se para algo serviu seu comentário, tirou uma risada e um pouco de descontração da tarefa que já havia se tornado tediosa a essa altura. "Você acha que já tem enfeites o bastante?" Ela questiona então olhando a pilha razoável dos mesmos sobre a mesa e o espaço já parcialmente enfeitado pelos outros campistas, pegando por um momento a vista de Caspian — sua dupla — não muito distante mais conversando com outro campista do que fazendo a atividade solicitada.
Novamente, Aurora tirava dela uma risada, e ainda que não fosse lá tão alta, era de todo genuína. — Outro ponto excelente da sua parte! — Ela riu, finalizando mais um enfeite habilmente. Realizar tarefas sozinha era algo extremamente entediante para Sienna, cuja boca e voz pareciam trabalhar sempre de forma acelerada e fazendo hora extra — o que, para alguém que era filha do deus da comunicação, fazia muito sentido — e ter Aura ali consigo e participante ativa da conversa enviou qualquer memória do tédio para longe de onde estavam. Ao menos para ela, é claro. — Olha — a filha de Hermes cruzou os braços e suspirou, analisando seu trabalho e a quantidade de enfeites montados, e assentiu. — Acho que sim. O que você acha? Será que é o suficiente pra agradar Lupa e Quíron?
Pensando na perspectiva da festa não pode evitar imaginar que teria um pouco de descanso se todos estivesse bêbados. Ele gostava de festas, pois eram no período onde geralmente ele estava mais acordado. Só que estava tão exausto que aproveitaria aquele multirão de pessoas querendo se distrair para dormir um pouco. Ainda assim, não pode deixar de concordar com a outra de que seria legal alguma coisa boa e feliz. Já estavam muito tempo presos ali, e com sua realidade bastante limitada. "Aceito o que eu posso pegar, mas se eu achar uma forma de provocá-lo um pouco, eu vou fazê-lo, então não se importe se eu exagerar um pouco." Ele não tinha nenhum tipo de afeição romantica por ela. Pelo contrário, ele sabia muito bem onde estavam o pensamentos, ou melhor, sonhos dela. E mesmo não sendo de sua prorrogativa cuidar da vida dos outros, ele queria que todos ali aproveitassem o tempo que tinham, afinal, semideuses não eram conhecidos por sua vida longa. "Se tiver, espero que embale meu sono. Só pretendo ficar até queimar a amarra. A patrulha de ontem me detonou." Esticou-se um pouco alongando o corpo. "Quanto a sua dupla? Foi tranquila? Ou também está fugindo dela?"
Sabia que pedir a Dilan para pegar um pouco mais leve com Mark seria considerado uma afronta sem igual por parte do amigo; já podia imaginar o discurso, ofendido, por sequer pensar que ele não dava conta de Dilan sozinho. Por isso, há muito tinha se decidido a deixar que os dois se resolvessem sozinhos, intervindo apenas quando fosse realmente necessário... Num caso de vida ou morte, talvez. — E vai perder a melhor parte de não ficar preso a ninguém e com vinho e comida à vontade? — Ela sorriu. O sono frequente era um traço marcante de Dilan, mas naquela tarde em especial, o cansaço alheio era notável. — Por que não dorme um pouco antes do banquete? Tenho certeza de que sua dupla não se incomodaria. — Comentou, começando a descer os degraus da escada. — E não, só nos separamos para fazermos outras coisas mais rápido. Aí vim ajudar com as decorações.
Mark não conseguiu evitar observar o sorriso de Sienna por um segundo a mais do que deveria, desviando o olhar rapidamente para que ela não percebesse. — Nem brinca com um negócio desses, gravidez na adolescência é coisa séria! — seu tom era brincalhão enquanto lhe dava um cutucão. — Eu não gosto, mas tenho apreço por respeitar as tradições. — então franziu o cenho com a fala da amiga. Sabia que ela estava brincando, mas de fato, será que tinha falhado em nunca ter lhe dado nada de Valentine's Day? Sabia que na Coreia do Sul havia o costume de dar peperos até para os amigos nessa data, e pensar nisso o incomodou. Estava sendo um péssimo amigo? Espantou esse pensamento, rapidamente colocando seu sorriso sarcástico de volta no rosto. — Não sabia que fazia o tipo que queria presentes. Da próxima, vou lhe comprar flores, chocolates e um ursinho de pelúcia, que tal? — brincou enquanto ria. Apesar da imagem dela amarrada ao rapaz o desagradar de uma forma que não compreendia, decidiu deixar isso pra lá, olhando para ela sem entender. — Além desse festival esquisito para homenagear um deus morto e um conceito falido, que beneficia apenas aqueles que até pouco tempo eram nossos inimigos? Sem contar com o humor de Ophelia que consegue ser pior que o meu? Nada. Está tudo na mais perfeita paz.
A reação ao cutucão foi imediata: seu corpo tensionou e se encolheu. Ela se desfez num risinho nervoso, puro instinto, preparando-se para mais algum gesto como aquele, afinal, sentia muitas cócegas. — Para, eu tô com enfeites na mão! — Alertou. O tom de súplica era evidente enquanto ela lembrava Marchosias do que fazia, e quando percebeu que mais nenhum cutucão viria, sentiu-se aliviada. Sienna encarou-o com descrença, sobrancelhas erguidas e um sorrisinho debochado aparecendo. — Mesmo que sejam tradições romanas? — Provocar Mark, depois de anos de amizade, já era parte da relação dos dois. Ela acreditava ter caído nas graças do filho de Melinoe justamente por não recuar como os demais. Mark afastava os outros semideuses com sua personalidade desafiadora. Sienna, porém, fez disso um desafio pessoal. Achava que finalmente o vencera pelo cansaço. — Melhor ainda, vai numa daquelas lojas do Build-A-Bear e faz um personalizado pra mim. Um morceguinho pra me lembrar de você. O que acha? — Ela ria novamente, agora junto dele. A dinâmica dos dois, muito afinada, sempre a surpreendia. No entanto, a menção de Pã como morto lhe causou preocupação. — Não diga isso, não sabemos se morreu ou não. E, até agora, nenhum grego matou um romano, nem o contrário. Então é seguro dizer que não somos mais inimigos. — Ela suspirou e sorriu, retomando as provocações. — Pior que o seu? Com certeza é um recorde. À noite te faço dançar ao redor da fogueira comigo pra te animar, então.
— E, sendo bem clichê, se esse fosse o seu último dia de vida, o que você faria? — fez a pergunta, ignorando o fato de que tinha pensado naquilo nas últimas semanas. Vivia intensamente como se fosse seu último dia, principalmente depois de sentir a vida saindo de seu corpo. Era uma sensação tão estranha. — Não há perspectiva, porque não sabemos exatamente o que estamos esperando, já que estamos presos aqui. Você não fica sei lá, entediada? — outra pergunta. Era como se falasse de seus próprios sentimentos, mas em forma de perguntas para sua irmã, já que aquele secreto apenas pertencia a ele e a Caspian. — Como você pode ter tanta certeza que eu me envolveria com qualquer pessoa dessa forma? É mais fácil você pedir isso para os nossos irmãos.
A pergunta a pegou de surpresa, o que, considerando o tópico da conversa sobre o futuro e o que isso seria, não deveria ter acontecido. Não era uma pergunta estranha, mas mesmo assim, Sienna pegou-se pensativa. O que, ela pensou, eu faria se fosse meu último dia de vida? Pensou em todos os seus irmãos e irmãs do chalé 11; tentaria mostrar a eles todo o seu amor e carinho. Pensou em seus amigos e em como gostaria de passar tempo de qualidade ao lado deles uma última vez. — Um pouco de tudo, eu acho. — Limitou-se a dizer. — Ver os amigos, ficar com a família. Fazer valer os últimos momentos, sabe? Te irritar pra caralho uma última vez, essas coisas. — Terminou com um meio sorriso. — E sim, fico total, completa e extremamente entediada aqui, sem poder sair. Mas papai me deu poderes essenciais contra o tédio, então tô sempre dando no pé pra me distrair. — Ela deu de ombros, tentando fazer a menção a Hermes parecer casual, já que sabia como o assunto do pai era delicado para Cass. Fez questão de encará-lo com a expressão mais ultrajada que conseguia antes de continuar. — Eu jamais pediria por sobrinhos. Se quiserem ter filhos, é um problema de vocês, mas que eu seria a tia mais maneira do mundo, isso é um fato irrefutável, ta?
O festival era curioso para alguém que viveu tão pouco na superfície, a começar pelo fato de ter vindo do acampamento meio sangue, jamais viu algo parecido com aquilo, então a sua atenção aos detalhes parecia cada vez maior. — Deixa eu ver se entendi... — Comentou com MUSE, não por ter algum tipo de intimidade com elu, mas por ser a única pessoa perto dele para puxar assunto sobre isso. — Precisam amarrar essas pessoas para substituir possíveis casamentos arranjados que se fazia antigamente?
Apesar de ter soado um tanto quanto debochado, Myeongjin não conseguia entender a ligação de ambos vindo da proposta central daquele festival. Entendeu a parte em que buscavam uma forma de convívio mais pacífico, mas tinha uma visão que tornava o festival a pior decisão que poderiam fazer naquele momento. — Eu não sei se é uma boa ideia, sendo bem sincero...
Sienna interrompeu-se, meio passo dado na direção de algo ou alguém que já esquecera, para prestar atenção em quem lhe falava e sorriu. Aquele tinha sido um questionamento comum e constante durante o dia e, depois de ouvir tantos romanos explicando, ela mesma se sentia capaz de fazê-lo para um de seus colegas gregos. Por isso, aprumou a postura e assentiu. — É tipo isso aí, mas eu não diria substituir possíveis casamentos. Isso eles deixaram pra trás, já que, né — uma breve risada. — é super retrógrado. E por "essas pessoas" você devia estar incluso, né? Cadê sua dupla? Você se deu um chá de sumiço pra ter um pouco de paz?
— E quando é o futuro que você escolheu para você? Não querendo soar melancólico, mas eu mesmo sequer consigo pensar nisso. No futuro — deu de ombros, pensando por alguns segundo e lembrando do fático dia de sua morte. Penso em Caspian também, que passara pelo mesmo que ele e... Será que eles ainda teriam um futuro? Tudo era muito estranho. — Mas você está certa, maninha, tem que pensar mesmo nessas coisas sem pensar em minis ranhetos. Mas me diga, se fosse para ter minis assim, com quem seria? — abriu um sorriso divertido, esperando que Sienna corasse. — EIII, eu não sou chato. Você me adora e não viveria sim mim — deu um pequeno empurrão no ombro dela.
— O futuro é todo o tempo, a partir dos próximos segundos, em que eu estiver viva. — O tom, ainda ácido pelas alfinetadas trocadas, assumiu viés menos venenoso ao continuar falando. — Mas concordo com você. Pensei que se sobrevivêssemos à batalha contra Cronos, haveria algum tipo de perspectiva, só que... Sei lá, estar aqui e ter um lugar pra ficar é ótimo e tudo mais, mas não sei dizer o que vem depois. — Pensou em questioná-lo, perguntar se Cassiano compreendia o sentimento, agora verbalizado, de abandono, mas calou-se tão logo lembrou de como era a relação dele com Hermes. Ele conhecia bem a sensação. Colocou um sorriso no rosto, daqueles que sempre ensaiou para alegrar os rostos mais preocupados quando o Chalé 11 ainda existia. — Realmente não sei dizer. Acho que nunca considerei ninguém assim. E você? Já decidiu a mãe dos meus sobrinhos? Eu seria uma tia muito maneira. — A risada que se seguiu ao empurrão dele foi tranquila; ao menos lhe restava a felicidade de ter os irmãos e amigos ainda por perto.
— Se você está falando disso, você claramente estava pensando nisso e em formas de como evitar mini Siennas aqui pelo acampamento — provocou um pouco mais, afinal se divertia fazendo isso com os irmãos. Cassiano acreditava fielmente que seus irmãos eram ótimas pessoas as quais ele conseguir importunar. — Já temos possíveis candidatos? A dividir a maternidade? — abriu um sorriso divertido, enquanto sentia a irmã empurrar um de seus ombros. — Ah, é? E por qual motivo? Eu não sou digno dos seus murmúrios?
A expressão dela foi uma de puro horror ao imaginar crianças que fossem como ela. — Você é tão literal que dá ódio, Cass. E não, já que ser mãe sequer existe no futuro que decidi pra mim mesma. — Para além de seu desejo inexistente por filhos, Sienna sabia que as chances de viver o suficiente para que sequer tivesse tempo de mudar de ideia eram quase nulas. Morreria antes disso, fosse pela maldição de Ares ou por algum infortúnio em batalha. Não disse isso ao irmão, porém, preferindo continuar com suas provocações ao invés de tornar o clima melancólico. — "Eu não sou digno dos seus murmúrios?" — imitou, afinando a voz. — Você até seria se não fosse chato assim,
"Aff, que sem graça. Achei que você ia vir com uma fofoca bombástica para me contar." A filha de Circe fez um bico com os lábios, fingindo estar chateada por Sienna acabar com seus sonhos de ter um novo assunto para contar. Sustentou a expressão dramática por apenas alguns segundos antes de rir e dar de ombros, indicando que já tinha superado a falsa decepção. "A conclusão é que nós somos gatas e ainda sortudas. Não tem pra ninguém mesmo!" Lale comentou com diversão, entrelaçando seu braço ao da amiga. "Bom, Yves que me desculpe, mas o passeio dele no banheiro vai ter que durar mais um tempo." Começou a conduzir Sienna para o outro lado da fogueira. Estava preparada para usar seu poder se necessário, mas por enquanto parecia que todos estavam distraídos demais para perceberem que elas estavam com as duplas erradas. "Se a fofoca não vem até mim, nós vamos ter que ir até ela." A ruiva deu mais um gole em sua bebida e começou a observar os arredores. "Está vendo algum babado em potencial?"
Nunca havia a possibilidade de não se divertir na presença alheia, e Sienna sentia-se sempre ainda mais leve quando estavam juntas, o que, levando em consideração que eram colegas de quarto, era dizer muito. Por isso, sua risada em resposta à reação de Lale não foi surpresa alguma, menos ainda para aqueles que a rodeavam e conheciam sua proximidade. De braços dados, Sienna não ofereceu resistência a ser guiada, mas olhou por sobre os ombros para garantir que nenhum romano com apreço pelas regras prestasse atenção nelas. — Hm, não sei dizer... Talvez devêssemos nos esconder por trás das pessoas e ouvir suas conversas? Quem sabe o que vamos descobrir assim!
– Agora você está falando como uma verdadeira romana! - apontou o dedo pra ela, dando um sorriso travesso digno de um filho de Baco. - Eu vou considerar esta possibilidade. E vós? Vossa companhia é tão legal quanto faz parecer?
— Talvez eu seja a primeira capaz de me comportar como grega e romana, vai saber? — Quem sabe só o que precisasse fosse passar mais tempo com os filhos de Mercúrio para entender exatamente como se misturar aos dois povos, ela pensou, mas logo desistiu, sabendo que sua natureza caótica e impulsiva seria suficiente para entregá-la como tendo origem grega. — Ah, minha dupla é o Yves! Chegamos juntos na colina meio-sangue, então nos conhecemos há um tempão. Ele é a introversão da minha extroversão. Bom, ele e o Mark, mas acho que precisaria de dois desses pra equilibrar o que vem de mim.
"Eu preciso de mais um maço de cigarro, e esse é para mim. Ficar um dia inteiro colado com outra pessoa? Tirando o Cass já é suficiente. Aura é querida, mas eu preciso de paz, e imagino que de noite teremos que respeitar os tão nobres romanos. Para não cometer nenhum crime preciso por um pouco de calma que só a nicotina ou outros entorpecentes podem ajudar. Como ainda estamos trabalhando prefiro a nicotina." Ele havia parado de usar drogas e ter ações mais problemáticas depois de tudo que havia acontecido quando estavam fora do acampamento. Estar em uma gangue parecia tão incrível quando era menor e depois ser usado foi se tornando cada vez pior. Ser escolhido por seu pai e ser avisado por ele fez com que se sentisse único e por mais que aquele assunto machucasse seu irmão, ele se sentia bem toda vez que tocava na moeda que o pai lhe dera.
Deu seu melhor sorriso convencedor. "E vamos deixar entre nós, pois se Cass descobrir vai jogar na água ou algo assim. Posso até pagar o dobro. Ah, e também recebi um pedido de Pringles. Acha que ainda consegue alguma?" Lembrava das pequenas coisas de fora que haviam guardado para a rede de contrabando antes do acampamento ser fechado. Era uma pena não poderem repor, mas ainda poderiam trabalhar com o estoque grande que tinham.
Não eram de sua conta os vícios de seus irmãos nem dos demais campistas, ela sabia, mas preocupar-se era inevitável. Era uma contrabandista? Sim, muito boa por sinal, e tão boa que sabia ser hipócrita preocupar-se assim quando era ela quem fornecia os itens solicitados. O que, em sua adolescência, havia começado como a divertida tarefa de trazer itens simples, como coca-cola e salgadinhos, para dentro do acampamento, tornou-se uma atividade rentável que envolvia trazer itens diversos, alguns dos quais até dispensavam descrição detalhada. Lembrava-se vividamente da vez em que lhe pediram um lança-chamas. — Dá uma olhada no estoque da torre do setor, tenho certeza de que vi algumas caixas lá hoje de manhã. E não se preocupe com o Cass, não quero ele tagarelando no meu ouvido sobre alimentar seus vícios. — Caspian não precisava dar seu melhor sorriso para convencê-la, mas ele jamais saberia disso por ela. — Pringles vou precisar checar, e talvez não consiga para hoje, só se conseguir colocar em prática meu plano de fugir pra pegar umas coisinhas pra animar esse festival, então sem promessas.
Aproximou-se segurando o local onde Sienna estava se mantendo de pé, e deu uma olhada ao redor. A convivência com os romanos não era das mais agradáveis, ele mesmo tinha que se controlar algumas vezes para não soltar seus comentários, mas era bom que alguém tivesse vocificado alguns de seus pensamentos. Haviam feito um ótimo trabalho ali com as decorações, e se tudo desse certo ele conseguiria escapar sem mais problemas deixando que os demais sequer percebessem.
Não era uma postura de dirigente? Não era, mas ele estava exausto e toda a história de trabalhar dobrado logo depois da patrulha o havia deixado exausto. Cruzou os braços encarando a outra. "Seu amigo hoje quase me matou. Não teve muita opção então sentou comigo no refeitório antes dessa tradição. Ele só vai ser feliz quando for Dirigente, mas é tão divertido perturbar ele. Você não tem mais informação que eu possa usar para irritá-lo mais?" Era muito divertido perturbar Mark, geralmente aquele tipo de comportamento ele ignorava, mas por conta de toda situação do sonho que havia entrado de Sienna sabia que era uma situação complicada. "Será que pelo menos será uma boa festa?"
A escada sobre a qual se equilibrava tornou-se agradavelmente mais estável ao ter Dilan segurando-a, e Sienna se permitiu relaxar um pouco. Não que ela fosse chegar a cair, caso o pior acontecesse; seu teleporte já lhe era tão intrínseco que funcionava como um instinto, salvando-a mesmo de situações simples como a queda de uma escada. Ficou igualmente satisfeita com a mudança de assunto, já que falar sobre o que conhecia era mito mais fácil e agradável, e a menção a Mark trouxe um sorriso à tona. — Cuidado, ele pode acabar matando mesmo. — Brincou. Conhecia a ambição do melhor amigo como a palma de sua mão e sabia do... desgosto dele por Dilan e ainda sorria enquanto pendurava mais alguns enfeites. — Não posso tomar parte nas brigas de vocês, Sr. Dirigente, sabe disso. Sou a Suíça entre os dois. — Afastou-se alguns centímetros para averiguar seu trabalho com a decoração, debruçando-se sobre a caixa para respondê-lo. — Eu espero que seja. Vinho e comida geralmente significam coisa boa, mas uma musiquinha também seria legal. Acha que os sátiros vão tocar algo?