bennettjake:
Nas ocasiões em que não estava treinando, Jacob encontrava-se em uma situação que era difícil de explicar, oscilando entre o tédio e a simples vontade de estar fazendo algo que ocupasse sua mente. Na verdade, ele não gostava de ter muito tempo livre, simplesmente porque a ociosidade dava espaço a pensamentos que preferia manter afastados desde alguns acontecimentos recentes. Por mais que parecesse egoísta de sua parte, Jake não aguentava mais pensar na situação delicada que fora exposta a ele com a revelação de Adeline, porque suspeitava que se desse mais espaço em sua mente para o dilema, ele enlouqueceria. Portanto, decidira que andar aleatoriamente pelo acampamento era melhor do que ficar trancado com seus próprios pensamentos no chalé 1.
Sem um rumo definido, Jake começou a caminhar, suas mãos nos bolsos como uma forma de assinatura própria que todos já atribuíam a ele. Sua atenção logo foi capturada pelo som de seu nome, e o semideus não demorou a identificar Camille como a autora do chamado. O rapaz ponderou a proposta, coçando a nuca da forma simbólica de um de seus tantos maneirismos. Não confiava realmente na sua capacidade de ganhar da uma filha de Hermes em qualquer jogo de baralho, mas simplesmente deu de ombros como se a ideia não fosse fazer mal algum. “Só tenho alguns dólares no bolso, mas acho que pode ser divertido.” Um pequeno sorriso tomou seus lábios enquanto sentava-se de frente à garota, observando-a embaralhar as cartas. “O que você quer jogar? Não acho que eu conheça todas as modalidades que podem ser jogadas em um deck de baralho, mas talvez você possa me ensinar.”
Camille esperou pela resposta do filho de Júpiter. Tinha alguma expectativa uma vez que não gostaria de passar o resto de sua noite pensando se teria paciência o suficiente para jogar paciência. Era um jogo estúpido onde estava sempre sujeita ao risco de acabar em um beco sem saída. Os únicos jogos feitos para jogar sem companhia estavam baixados em seu celular, ou seja, não poderia dar play em correr o risco de ser rastreada por alguma criatura desagradável vinda direto do tártaro. Ao ouvir o que ele disse começou a pensar se teria a moeda em questão. “Dólares? Ah, é esse que vocês usam. Câmbio automático quando mudo de área é tudo que eu peço. Já tem tanta coisa para fazer ao desembarcar do avião, sem falar das altas tarifas dependendo do lugar em que eu for. As vezes eu penso que deveria ficar apenas na zona do euro, vários países e nenhuma conversão, não é um sonho? Enfim, devo ter alguns. Porém, dez porcento a menos do que tinha quando cheguei nos Estados Unidos. Então, apostas baixas.” Sempre que mudava de país era a mesma história, demorava para se acostumar aos preços. O que custava pouquíssimos dólares podia custar muito em pesos. Como poderia saber sempre? Por vezes tinha dúvidas até mesmo quanto ao idioma. Deixou esses pensamentos de lado, não iria a lugar algum durante um bom tempo. Por meses, presa entre americanos, ou romanos que seja, era sufocante. Deixou isso de lado, cartas, estavam falando de jogos de baralho. Tinha um conhecimento limitado, mas extenso sobre jogos. “Que tal truco? Ou você pode escolher, assim achamos uma que nós dois conhecemos e descartamos explicações.”
Enquanto decidiam isso um grupo de semideuses passou falando sobre uma festa em um chalé que não ouviu o número. “Ou...” Falou enquanto a ideia se formava. Poderiam ir até a tal festa, fazia tempo que não ia a uma feita em um acampamento. Afinal, seu último acampamento tinha sido o meio-sangue. Basta dizer que quando vivia entre os gregos todas as festas as quais podia comparecer acabavam no máximo as onze horas. “Ouviu eles? Podemos ir até a tal festa e se ainda quiser jogar podemos usar a bebida como aposta. Assim posso apostar alto. Que tal?” Camille não tinha medo de perder. Afinal, se tudo começasse a dar errado tinha algumas cartas na manga, as vezes literalmente. Também tinha alta tolerância para o álcool.










