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@mindofapsychopat13
Há dias em que o mundo parece seguir o ritmo normal, enquanto dentro de nós tudo se move rápido demais. As horas continuam passando com a mesma cadência de sempre, as pessoas conversam, riem, atravessam a rua, tomam café, fazem planos. Por fora, nada parece deslocado, mas por dentro existe um ruído constante, uma espécie de motor ligado que nunca encontra descanso. Ela é silenciosa, não chega anunciando sua presença, ela se instala devagar, quase imperceptível, como uma inquietação pequena que começa no fundo do peito e depois se espalha pelos pensamentos. De repente, aquilo que deveria ser simples se torna pesado, uma decisão vira um labirinto, um silêncio vira suspeita. A mente começa a trabalhar como uma máquina desregulada, produzindo cenários que ainda não existem. Cada possibilidade se abre em outras dez, cada dúvida gera novas perguntas e nenhuma resposta parece suficiente para aquietar o que se agita por dentro. O futuro passa a invadir o presente de forma desordenada, como se tudo precisasse ser resolvido agora, imediatamente, antes mesmo de acontecer. E então o corpo sente, os ombros endurecem sem que se perceba, a respiração encurta, o estômago aperta, o pensamento não descansa nem quando os olhos fecham. Existe uma tensão constante que nunca se desfaz completamente, é como se alguma coisa estivesse prestes a acontecer, mesmo quando tudo ao redor está quieto. A ansiedade faz o corpo correr parado, é uma corrida sem linha de chegada, um impulso permanente de antecipar, prever, evitar. O corpo fica pronto para agir, mas não há exatamente para onde ir. O coração acelera sem motivo visível, a mente tenta organizar o caos que ela mesma produziu. É um movimento circular, uma tentativa infinita de encontrar segurança em um território onde nada parece definitivo. Quanto mais a mente tenta resolver tudo, mais ela se perde dentro de si mesma, pensamentos se empilham uns sobre os outros como papéis sobre uma mesa já cheia. Aquilo que parecia resolvido retorna como uma pergunta que nunca foi totalmente respondida. Existe também um tipo particular de cansaço que nasce desse processo, não é o cansaço físico, nem o desgaste comum do dia a dia. É um cansaço mental, profundo, que surge de tentar manter o controle de tudo ao mesmo tempo. De observar o que foi dito, o que foi feito, o que poderia ter sido diferente. A mente vive em um estado permanente de antecipação, ela observa o futuro como quem examina um horizonte cheio de tempestades, mesmo quando o céu está limpo, ela continua procurando nuvens. Mas há algo curioso nesse mecanismo, ela raramente nasce da fraqueza, nasce justamente da tentativa de cuidar demais, de prever demais, de evitar qualquer erro, qualquer dor, qualquer perda. É uma vigilância exagerada da própria vida, como se cada detalhe precisasse ser protegido de algum desastre invisível, só que viver assim cobra um preço alto. Porque enquanto a mente corre para frente tentando alcançar tudo o que ainda não aconteceu, o presente fica para trás. Pequenos momentos passam despercebidos, conversas acontecem pela metade, experiências são atravessadas com pressa, como se fossem apenas etapas de um percurso maior que nunca termina. Ela não rouba apenas a tranquilidade, rouba também a capacidade de habitar plenamente o instante. Ainda assim, dentro desse movimento inquieto, existe algo profundamente humano, a mente ansiosa revela o quanto nos importamos com o que está por vir, com as pessoas, com as escolhas, com os caminhos que tomamos. Ela é, em certo sentido, uma expressão exagerada do desejo de dar certo, de evitar o fracasso, de proteger aquilo que tem valor. O problema é que a vida não foi feita para ser totalmente controlada, existe uma parte dela que permanece imprevisível, aberta, indomável.
No fundo, ela é uma conversa constante entre o medo e a expectativa, um diálogo silencioso que acontece dentro da cabeça enquanto o mundo gira lá fora. Às vezes ela sussurra, grita, mas quase sempre ela insiste e mesmo assim, apesar de todo esse barulho interno, a vida continua acontecendo nos intervalos entre um pensamento e outro. Nos pequenos silêncios que surgem quando a mente finalmente se cansa de correr, nos momentos em que o corpo, ainda que por poucos segundos, se permite simplesmente existir sem antecipar o próximo passo. Talvez seja nesses instantes raros que algo se revela, a percepção de que nem tudo precisa ser resolvido agora. Porque por mais que a mente tente correr na frente, a vida sempre acontece passo a passo.
— Diego em Relicário dos poetas.
Não consigo me mover,
estou soterrado num escombro de incertezas.
-pontonulo
Gratidão.
por poder respirar
por ter a quem amar
por ser amada
por poder viver
por ter quem cuide de mim
por ser livre
por ter com quem contar
e o mais importante de tudo, gratidão por ter Deus morando bem aqui, dentro de mim.
carol giovannini, chance com Deus.
“O colo de Deus tem sido meu refúgio nos dias mais difíceis. Tem dias que eu penso que não posso mais suportar. É aí que então Ele põe a minha cabeça em seu colo e diz que tudo isso um dia vai passar e eu serei incrivelmente feliz.”
— Iara Almeida.
São raros os dias que não me sinto morta
É foda se sentir extremamente sozinha o tempo todo, e ainda ter quem confirmar isso.
Levantar da cama, nesses últimos dias, tem sido tão difícil para mim. Tem uma guerra acontecendo dentro da minha cabeça e eu não sei para onde fugir. Me sinto sendo apenas telespectadora da minha própria vida e não a atriz principal. Assisto perplexa ao ponto a que cheguei. Queria encontrar forças para enfrentar tudo de cabeça erguida, mas me encontro cada vez mais fraca e perdida. Dizem que o primeiro passo ter que vir da gente e que precisamos ser fortes nesses momentos, para procurar ajuda e sair o quanto antes da escuridão. Mas e quando você já procurou todo o tipo de ajuda e nenhuma delas adiantou? Eu estou tão cansada. Sinto todas as noites meu coração apertar, uma ansiedade que não passa, um medo de não conseguir aguentar até o dia seguinte.
Às vezes escrevo coisas positivas e as leio diversas vezes para ver se me sinto melhor, me animo e crio forças para sair da cama, mas não tem surtido muito efeito.
“A liberdade não existe quando a mente está aprisionada no pensamento.”
Nessa Cross
Estou começando a me convencer que não existo. Eu sou o espaço entre o que eu gostaria de ser e o que os outros fizeram de mim. Apenas deixe-me estar à vontade e sozinho no meu quarto.
Fernando Pessoa
“Era como se nada em mim fosse suficiente, pra nada, pra ninguém.”
— Um garoto invisível. (via poetavazio)
“Desisti. E isso é a coisa mais triste que tenho a dizer. A coisa mais triste que já me aconteceu. Eu simplesmente desisti. Não brigo mais com a vida, não quero entender nada. Vou nos lugares, vejo a opinião de todo mundo, coisas que acho deprê, outras que quero somar, mas as deixo lá. Deixo tudo lá. Não mexo em nada. Não quero. Odeio as frases em inglês mas o tempo todo penso “I don’t care”. Me nego a brigar. Pra quê? Passei uma vida sendo a irritadinha, a que queria tudo do seu jeito. Amor só é amor se for assim. Sotaque tem que ser assim. Comer tem que ser assim. Dirigir, trabalhar, dormir, respirar. E eu seguia brigando. Querendo o mundo do meu jeito. Na minha hora. Querendo consertar a fome do mundo e o restaurante brega. Agora, não quero mais nada. De verdade. Não vejo o que é feio e o que é bonito. Não ligo se a faca tirar uma lasca do meu dedo na hora de cortar a maça. Não ligo pra dor. Pro sangue. Pro desfecho da novela. Se o trânsito parou, não buzino. Se o brinco foi pelo ralo, foda-se. Deixa assim. A vida é assim. Não brigo mais. Não quero arrumar, tentar, me vingar, não quero segunda chance, não quero ganhar, não quero vencer, não quero a última palavra, a explicação, a mudança, a luta, o jeito. Eu quero não sentir. Quero ver a vida em volta, sem sentir nada. Quero ter uma emoção paralítica. Só rir de leve e superficialmente. Do que tiver muita graça. E talvez escorrer uma lágrima para o que for insuportável. Nada pessoal. Algo tipo fantoche, alguém que enfie a mão por dentro de mim, vez ou outra, e me cause um movimento qualquer. Quero não sentir mais porra nenhuma. Só não sou uma suicida em potencial porque ser fria me causa alguma curiosidade. O mundo me viu descabelar, agora vai me ver dormir. Eu quis tanto ser feliz. Tanto. Chegava a ser arrogante. Tanta coisa dentro do peito. Tanta vida. Tanta coisa que só afugenta a tudo e a todos. Ninguém dá conta do saco sem fundo de quem devora o mundo e ainda assim não basta. Ninguém dá conta e quer saber? Nem eu. Chega. Não quero mais ser feliz. Nem triste. Nem nada. Eu quis muito mandar na vida. Agora, nem chego a ser mandada por ela. Eu simplesmente me recuso a repassar a história, seja ela qual for, pela milésima vez. Deixa a vida ser como é. Desde que eu continue dormindo. Ser invisível, meu grande pavor, ganhou finalmente uma grande desimportância. Quase um alivio. I don’t care.”
— Tati Bernardi.
“Eu quis tanto ser feliz. Tanto. Chegava a ser arrogante.”
quando eu não for mais carne, quando eu não for mais pele,
alguém ainda pensará em mim?
tu foi uma das coisas mais bonitas que o meu coração se atreveu a guardar.