One Nice Bug Per Day

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I'd rather be in outer space đž

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Origami Around
Alisa U Zemlji Chuda

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@eternismo
âMas a verdade Ă© que eu odeio o equilĂbrio. Porra, se eu tĂŽ puta, eu tĂŽ puta! Se eu tĂŽ com ciĂșme, nĂŁo vou sorrir amarelo e mostrar controle porque preciso parecer forte e bem resolvida.â
â Tati Bernardi.
âSempre gostei dessas pessoas que dizem logo de cara quem sĂŁo, talvez por isso meus melhores amigos sejam os mais filhos-da-puta, idiotas, cretinos e honestos. NĂŁo sei, com eles aprendi ser mais fĂĄcil, antes de qualquer conversa, contar seu nome, seu signo, onde nasceu e seus piores defeitos. Se a pessoa gostar mesmo assim, vai gostar mesmo, verdadeiramente.â
â Gabito Nunes. Â
âEla sabia que precisava dele. Mas tinha medo da compulsĂŁo. De querer ele sempre e sempre e pra sempre. E amanhĂŁ e depois. E de dia, de tarde, de madrugada.â
â Tati Bernardi.
âPuxe meu quadril, morda meu queixo, bagunce meus cabelos, esfregue seu peito em minhas costas⊠Toque minha lombar, aperte minhas vĂ©rtebras, me dĂȘ a mĂŁo, respire perto de mim, me faça rir, um omelete, um cafunĂ© no sofĂĄ. NĂŁo sou uma floresta intocada. Sou uma mulher novamente virgem minutos depois que sua mĂŁo me abandona. Deguste meus cheiros, fareje meus gostos, beije minhas cores.â
â Gabito Nunes. Â
âMas agora, vem e beija a minha boca. Eu ando meio cansada da vida e quero esquecer de tudo com vocĂȘ, jogar essas coisas que me tormentam pra fora e colocar vocĂȘ dentro de mim. Vai. Esquece da hora e entrelaça seus dedos nos meus, vamos lĂĄ fora olhar o cĂ©u e me deixe pegar no sono enquanto tenta ajeitar minha franja atrĂĄs da orelha. Deu no jornal que ia chover, mas com vocĂȘ do lado, eu nĂŁo âchovoâ mais.â
â Chicago, 1992.
âNĂŁo Ă© difĂcil, Ă© que eu tenho facilidade em complicar tudo. Tudo me parece impossĂvel, mas mesmo assim vou lĂĄ e tento. E quando consigo, sou um pouquinho mais feliz.â
â Chicago, 1992.Â
âNĂŁo garota, vocĂȘ estĂĄ fazendo errado! Olhe pro outro lado. NĂŁo olhe pra ele com aquele olhar que entrega que estĂĄ morrendo de saudade. A vista tĂĄ tĂŁo bonita ali, olha, tem algumas flores e um pĂŽr-do-sol. Nesse lado aĂ estĂĄ chovendo. Mas Ă©, eu sei, vocĂȘ sempre preferiu chuva ao invĂ©s de sol.â
â Chicago, 1992.
âDesacreditar nas pessoas nĂŁo Ă© uma opção, Ă© apenas uma defesa que se ativa sozinha. Ă um alarmezinho que soa alto quando alguĂ©m te olha nos olhos louco pra olhar pra outro lugar. Ă aquela certeza de que algo estĂĄ errado e que depois, vocĂȘ irĂĄ sentir algo cutucar o seu coração com a unha. Vai doer, sangrar e automaticamente vocĂȘ irĂĄ chorar. Mentiras e mais mentiras virĂŁo, e aĂ, ele ativa, do nada, ou exatamente na hora certa.â
â Eternismo.
âSentei no banquinho do meu quarto que fica de frente ao espelho da parede e comecei a olhar cada canto de mim. Vi que meus olhos eram fundos, e eu sabia o porque de cada dedo fino. Eu me entendia melhor do que qualquer outra espĂ©cie do planeta. Melhor do que minha mĂŁe, meu pai, o professor de filosofia e a psicĂłloga do postinho. Eu sabia porque cada lĂĄgrima escorria. O motivo poderia ser o mais ridĂculo da face da terra, mas aquilo me doĂa, e ninguĂ©m tiraria aquilo de mim, quanto menos entenderia. Mas uma coisa eu nunca perdi no meio de tanta lĂĄgrima: o brilho dos meus olhos. Ă como se fosse uma lanterninha acesa pra que possam ver que ainda tem alguĂ©m aqui dentro, alguĂ©m que pode muito bem gritar quando nĂŁo suportar, que pode sorrir feito louca porque o passarinho resolveu brincar na poça de ĂĄgua, ou simplesmente, que pode atravessar a rua sem olhar. AlguĂ©m que ama e que suporta todo amor dentro de si. E eu tinha todo o amor do mundo em mim. E se eu podia amar alguĂ©m, eu podia muito bem me amar tambĂ©m. Aceitar cada defeito como se fosse a mais fascinante qualidade. Porque se eu nĂŁo fizer isso, quem farĂĄ por mim?â
â Chicago, 1992.
âPessoas boas nĂŁo perdem sua essĂȘncia, apesar das cicatrizes.â
â Chicago, 1992.
âO que eu nĂŁo entendo, criatura, Ă© como vocĂȘ continua estacionando seu coração em local proibido. VocĂȘ jĂĄ nĂŁo foi multada que chega? Onde mais precisa doer pra vocĂȘ levar jeito? Uma garota tĂŁo bonita e gente boa. Se eu nĂŁo fosse seu melhor amigo, se eu nĂŁo fosse pateticamente louco de amor por aquela uma, se eu fosse outra pessoa, sei lĂĄ, um cara num bar qualquer ou no McDonaldâs, eu ia deixar vocĂȘ mexer nas minhas batatinhas. SĂł estou dizendo que vocĂȘ desperta minha atenção, justamente pelo que vocĂȘ mais se desdenha, como seus ombros franzinos de carregar o continente inteiro nas costas ajudando todo mundo, e seu queixinho geneticamente meio torto, que dĂĄ a entender que vocĂȘ estĂĄ sempre invocada da vida, seu jeito tĂmido de andar, as mĂŁos no bolso do jeans apertado, toda erradinha, como se tivesse sempre alguĂ©m apontando e rindo de vocĂȘ.â
â Gabito Nunes.Â
Muito real,isso.
âO relĂłgio mostrou que mais um dia começava, e vocĂȘ ainda estava ali comigo. Te abracei, e vocĂȘ começou a fazer um carinho em meu cabelo, e eu queria que aquele tempo parasse. Porque vocĂȘ me protege com força e sem medo do que possam pensar de vocĂȘ. Porque vocĂȘ divide comigo o Ășnico pedaço de doce, e se ele for o meu preferido, vocĂȘ deixa inteirinho pra mim. Porque vocĂȘ me faz perguntas em hora errada e me beija na hora certa. Porque vocĂȘ nĂŁo faz escĂąndalos, e me pega no colo, e me gira, e diz que nĂŁo hĂĄ outra coisa no mundo que o faça ficar tĂŁo encantado, quanto o fato dos meus olhos fecharem quando dou um sorriso.â
â Chicago,1992.Â
âNĂŁo sou uma pessoa ruim, mas sinto que deixo a desejar com meu lado bom.â
â Chicago, 1992.Â
âQueria dizer o quanto a chuva me fascina. Sua capacidade de se espelhar na dor humana, sua forma, sua intensidade e seu cheiro. Quando se estĂĄ calmo, ela vem mansa, leve, carregada pelo vento. Quando se estĂĄ bravo ou irritado com algo ou alguĂ©m, ela sente sua irĂŁ e grita. Berra aos quatro cantos do mundo para que todos sintam o mesmo que vocĂȘ. Quando se estĂĄ triste, ela vem de lado e bate em sua janela te chamando para passear com ela. Quando se estĂĄ feliz, a nuvem Ă© passageira. Mas de uma forma ou de outra, a chuva Ă© aquela vontade de ser lavado por dentro. Queria que ela soubesse o quanto gosto dela, e entĂŁo no dia que ela me chamou para sair, aceitei seu convite e sentei-me em um banco. Deixei com que ela tocasse minha pele. E nĂŁo tem demonstração melhor que essa.â
â Eternismo. Â