Se você nunca ouviu falar desse antro de questionamento biblioteconomístico, PARABÉNS!! VOCÊ VAI PERDER PONTOS DE SANIDADE SE CONTINUAR!!
Bibliotequices é o lugar quando memes, resmungos ocasionais, dicas inúteis para bibliotecas e processamento técnico de coisas esquisitas acontecidas na graduação de Biblioteconomia se encontram em textões que ninguém lê (TL;DR).
Se você já conhecia o Bibliotequices, que maravilha!
Bom ver você de novo.
Os horrores persistem e eu sou o Horror 🤣🤣🤣
Are you someone who uses the Internet Archive, or the Wayback Machine?
Well, do I have a survey for you to fill out!
I’m doing a research project for my diploma in library services, and part of that is researching what impact two GLAMR organisations have on their community. I have chosen a local library to me, and, as implied by the initial question, the Internet Archives!
And what better place to find people who are just as passionate about the Internet Archives as I am than tumblr!
If you have a spare 5 – 10 minutes, and are a user of the Internet Archive or the Wayback Machine, I would really appreciate it if you filled out this survey, that has a couple of questions about how you use the archives, and how it impacts you + the community.
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Thank you so much! Reblog if you'd like, I'd love as many answers as I can get, and I appreciate all your time!
Hi! Thank you for coming over to the form! This is just a quick survey to get some information from the online community as to how the Inter
“Sempre imaginei o paraíso como um tipo de biblioteca” (Borges).
(Notas: Talvez tenham spoilers para o filme Backrooms, e a ilustração da capa foi feita inspirada no conto e na versão de Zawinski)
A visão labiríntica apresentada no filme Backrooms (2026) me fez lembrar de um texto que me impactou profundamente durante minha graduação, a Biblioteca de babel, de Borges. Não que seja mera coincidência, a própria creepypasta dos Backrooms remontam a um lugar de infinitas possibilidade, guiada principalmente pelos ecos da lembrança daqueles que ali adentram.
Alguma coisa em ambas dessas histórias me causou algum incomodo, talvez seja das próprias questões que estamos enfrentando com as IAs no momento, a inundação de textos criados indiscriminadamente, criando praticamente um labirinto na internet. Esse eco criado pelas IAs generativas, em suas infinitas versões de outros textos que habitam seus bancos de dados, muitas vezes outros textos já criados por IA, pode ser que em algum momento encontremos apenas frases que sejam memórias, ecos, de algo que já refletiu humanidade, assim como as criaturas que habitam o Backroom.
Relembro também de ler um texto do blog Bibliotecários sem Fronteiras, onde, na época a autora relatara que talvez a biblioteca para Borges fora na verdade um pesadelo, e por isso tal descrição no conto da Biblioteca da Babel. Em algum momento ele trabalhará em uma biblioteca que aparentemente não deixaram boas lembranças a ele, quem sabe o próprio Borges vivesse em um Backroom daquela biblioteca que lhe causava a sensação de subalternidade.
Recriação da Biblioteca de Babel, de Jorge Luis Borges Foto: Jamie Zawinski
Quem sabe uma biblioteca assim seja um tipo de pesadelo.
Referências:
MACAMBYRA, Marina. O paraíso de Borges. Bibliotecários Sem Fronteiras, 4 fev. 2014. Disponível em: https://bsf.org.br/2014/02/04/bibliotecas-paraiso-borges/. Acesso em: 3 ago. 2026.
PROGRAMADOR cria modelo da Biblioteca de Babel de Jorge Luis Borges. O Globo, Rio de Janeiro, 19 jul. 2016. Disponível em: https://oglobo.globo.com/cultura/livros/programador-cria-modelo-da-biblioteca-de-babel-de-jorge-luis-borges-20375481. Acesso em: 3 ago. 2026.
(originalmente escrito e publicado em 09/09/2022)
Na época em que eu tava no desespero de procura de emprego e passando dobrado com freela me pagando atrasado, resolvi dar uma de Dona Elza, a tia da biblioteca, lá no canal do YouTube do Bibliotequices e fiz a sessão chamada "Vagas Arrombadas".
Mas eis eu aqui, escrevendo novamente no blog que abandonei por inúmeros motivos, inclusive esses que irei apresentar de forma rasa aqui, (não sou especialista, logo não me meto na área de ninguém).
Desde criança estive a procura de lugares seguros, com bancos ou lugar pra sentar e em que eu pudesse apenas descansar a cabeça e as costas. Bibliotecas encaixaram no meu perfil de lugar seguro e de conhecimento também, pois eu apostava muitas fichas otimistas que minha educação formal em escola pública iria melhorar se eu frequentasse mais bibliotecas escolares e públicas.
Ledo engano.
Mas uma ótima coincidência décadas depois escolher a profissão que cuida desses lugares para estar atuando profissionalmente (Ou assim pensei que iria), pois o ambiente de bibliotecas, museus e arquivos me fascinam e não é por causa do regime ditatorial de silêncio e estudo, do cheiro dos livros carregando o prenúncio de uma rinite ou processo alérgico severo (hehehe, vai nessa na nostalgia), muito menos da figura notória de bibliotecáriA me mandando ir pro lugar e calar a boca (isso professores fizeram sempre, muito obrigada, fui uma criança que chamam de "hiperativa" e/ou de "altas habilidades"), foi porque em bibliotecas eu encontrei um jeito de distrair a minha cabeça do mundo lá fora.
Entendam, eu sempre achei que tinha um problema. Em mim, no mundo ao redor, nas pessoas. "Problema", não "dilema", porque problema você pode encontrar solução, mas quando se é neurodivergente diagnosticado após os 35 anos e descobre que toda interação que fez desde criança era forçada e consumia uma energia do caramba, aí sim você começa a questionar muitas dessas interações.
A biblioteca me dava apenas uma via de comando de interação: ler e aprender. E eu apreciava isso, devo dizer, eu levava tudo que tinha dentro da cabeça pra lá e saía pesquisando nas estantes, nas gavetas de fichinhas, raramente interagia com as responsáveis (e vou tratar no feminino, porque esses lugares são povoados pelo feminino) e fugia de estudantes. Biblioteca era meu esconderijo favorito.
Esconderijo de mim, dos outros, do mundo.
Não dentro dos livros e o romantismo barato que adoram enfeitar aí que a leitura salva as pessoas - propaganda barata pra uma perdição deliciosa de saber demais e constantemente esfregar os olhos pedindo por ignorância em um mundo como o de hoje - mas de não ser obrigade a OUVIR demais, FINGIR ser alguém, ESCONDER quem poderia ser. Na biblioteca, seja qual tipologia fosse, eu era Morgan, apenas Morgan, às vezes M., ali na estante 800, correndo os olhos nos títulos e/ou escrevendo freneticamente no caderno a mais de 500 páginas as histórias que sempre gostei de contar para mim mesme, não para os outros.
Pra quem é autista, o mundo meio que fica reduzido apenas para a gente dar uma olhada, não queremos outros olhos ali nos julgando, como sempre.
E na biblioteca, enquanto estagiárie e trabalhadore, entendi que o significado de apenas existir no local era algo muito bacana quando me deixavam fazer meu trabalho. Porque eu tenho uma agenda e um portfólio cheio de trabalhos e eles se despejam em serviços, em atendimento personalizado, em tratar pessoas que tanto me assustam, independente se são gentis ou não, e de aturar vozerio.
Sim, vozerio, o meu ponto fraco para tudo na vida desde sempre.
Percebi que tenho sensibilidade à sons. Vozes principalmente. Ambiente com muita gente falando ao mesmo tempo pra mim é o mesmo que querer arrancar meus tímpanos com os dedos. Vozerio me assusta, me irrita, me mantem no estado intenso de completo enrijecimento muscular e tensão mental, que quando escapo desse ambiente parece que roí um pedaço de tora entre os dentes de tanta força que fiz no maxilar. E a dor de cabeça, os ouvidos sensíveis, os olhos pesados, apagões do nada no meio de eventos, aulas, reuniões, conversas.
Por inúmeros motivos que cheguei a construir essa significância = vozerio é igual a hipervigilância (é quando você se torna tão alerta a tudo ao seu redor, que é fácil você se assustar com qualquer coisa ou ficar distraíde por um bom tempo por conta dessa tensão) = o autismo estava lá, permeando a minha forma de me entender com as pessoas ao redor, o lugar que escolhi como refúgio quando tudo parecia estar efervescendo de sensações, as faculdades que decidi continuar minha vida, a profissão que jurei e amei de paixão até recentemente.
Biblioteconomia pra mim é uma relação de Amor e Ódio, como nos velhos clássicos da tragédia grega, em que a linha tênue de se adorar uma divindade vai na mesma proporção de desprezá-la e com suas consequências.
Estar na Biblioteconomia e ser autista, e tudo que estar no espectro carrega, inclusive o tal do "masking" ou "fingir que tá tudo bem e sou normal" que me dificulta um bocado com as interações sociais.
"Mas nossa! Como assim, você é a pessoa mais comunicativa que já vi!" - já me disseram. Vocês sabem o que as pessoas atores fazem pra viver, né? Não é possível que você não saiba. Masking é mais ou mesmo isso: tou interpretando o papel. E se na minha profissão, na minha atuação, para ser essa pessoa bibliotecária que jorra os serviços criativos no balcão e atende as pessoas de jeito diferente, é porque estou interpretando um papel. E eu gostava desse papel.
Os dizeres "atuar em bibliotecas" não é à toa, querides, eu realmente tou ensaiando desde sempre para ser quem eu preciso ser na minha profissão de paixão, não quer dizer que eu aguento por muito tempo ou goste. Amor e Ódio, eis a questão.
Trabalhar em escolas foi onde encontrei o ponto de equilíbrio para muitas questões, o de compreender o local, o de saber o que fazer com as legislações, o que tratar e o que deixar de lado, como fazer projetos acontecerem, como fazer com que estudantes em situações de vulnerabilidade social que muitos de vocês sequer imaginam que elus estão, se sintam à vontade, segures, confortáveis, relaxades em um local como a Biblioteca. Já pensaram nisso? Que talvez aquele pedaço de lugar, cheio de estantes e livros, sem orçamento e incentivo algum, pode ser o ÚNICO lugar da vida daquelu estudante a ter 15 minutos de paz? Onde ninguém faz cobranças, exigem responsabilidades, tratem como lixo?
Talvez ali naquele lugar, a biblioteca seja um refúgio. Durante o intervalo do recreio, entre as aulas, antes ou final dos períodos, contra-turno. Talvez seja ali que elu esteja procurando alguma resposta, já que dizem que bibliotecas são templos do saber. Vai ver que a resposta é a súbita e silenciosa constatação que ali elu não precisa ser ninguém, além delu mesme.
Eu ofereço ao público que frequenta os lugares onde trabalho o mesmo lugar onde eu gostaria de ser tratada. Nunca ao contrário. E recentemente, com as escolhas que fiz, forçando um masking para agradar gente que não se compromete com a Educação, Cultura e futuro de ninguém, eu adoeci, me retorci e estou aqui, novamente escrevendo nesse lugar para desabafar.
E este não é um lugar seguro, disso te dou a certeza.
Porque a coisa que me fez parar de escrever (como disse lá no começo) foi justamente o TRAUMA de duplicar o masking para pessoas que liam aqui e chacoteavam e julgavam lá fora. Esse blog foi exposto em salas de aula de graduação do curso em aulas em que as pessoas envolvidas preferiram me pegar como chacota do que me parar no corredor e conversar comigo de forma honesta. Esse blog sofreu retaliação de gente que se falava aliada à causa, seja Bibliotecária ou LGBT. Esse blog por muito tempo, foi aponta dedos na minha cara nos últimos anos de graduação para dizer que "algum dia eu ia me ferrar com o que escrevia".
Não precisou de muito não, a Legislação não me incomodou, conheço bem ela e sei como não faço nada de errado em escrever sobre a nossa profissão aqui, mas para quem já tinha que fingir que tava tudo bem com uma camada de masking e junta os problemas com realidade estudantil entre 2015/2016 no Ensino Superior público, aí sim você vai entender o porquê eu parei de escrever tão assiduamente.
Uma fala que ouvi uma vez de alguém lá da Letras, de que de gente que nos odeia a gente precisa esperar tudo, agressão, violência, humilhação, porque é assim que eles demonstram que não respeitam e querem sua presença, mas quando isso vem de aliades, de gente de seus círculos, de companheires de associativismo, o buraco sempre vem mais em baixo.
E é por isso que em 2018 sofri ameaças de violência física, agressão verbal e gaslighting de muitas pessoas de dentro do curso e da profissão. Por estar no movimento estudantil, por denunciar professores abusadores e imprestáveis que prejudicavam estudantes sem piedade alguma, por estar exposte por ser uma pessoa trans (cê sabe né? Acham que nossos corpos são públicos), por escrever aqui problemáticas que ninguém queria questionar, por ter que entrar no modo hipervigilância toda vez que entrava em sala de aula e rezar para Hermes que eu não apagasse.
Os apagões tem nome, sabe? Não era preguiça, não era cansaço, não era zoação, era DISSOCIAÇÃO. E quem tem dissociação costuma não ter memórias do que aconteceu, porque o nosso cérebro foi feito para "desligar" quando se sente ameaçado, o tal do comportamento "fugir, lutar ou ficar paralisado" tem um estágio a mais que é "desligar" a chavinha quando estamos em pânico, ganhei outro termo para pesquisar "amnésia dissociativa", tem me ajudado muito na terapia. Se você me perguntar o que estudei, eu vou conseguir me guiar pela pasta no Drive que fiz com cada disciplina, agora como eram as aulas? Dos eventos? Das pessoas? Se aproveitei? De nada mais me lembro.
(Isso é um porre para fazer concursos, eu estudo e não lembro, então é como se fosse a primeira vez vendo AACR²)
Tenho boas lembranças, devo dizer! Elas me são narradas por terceires, amigues, colegues, ou fotos, postagens que eu fazia (aí oh, modo de registro ajudando nessa!), mas infelizmente o que me restou de 7 anos em uma graduação de retorno, pingando de sala para lá e para cá, sem pertencer a alguma fase ou turma para chamar de "hey aquela ali é a minha turma!" é um imenso borrão de episódios e apagões.
E para quem é LGBT, pessoa negra, indígena ou imigrante nesse Brasil, o estresse de minoria vem carregadíssimo nos ambientes acadêmicos. Esse estresse é diário, nonstop, sem descanso. Algumas pessoas mais fortes psiquicamente conseguem ascender sem tanta sequelas, mas a maioria de nós estamos ferrades psicológicamente em como o sistema acadêmico nos trata. haja terapia, haja rede de apoio, haja curativo para cada paulada sofrida. Isso com autismo gera mais outro problema que é o que ando me cuidando e resguardando com mais cuidado e atenção, pois eu saí do ambiente mais tóxico que me prejudicava antes (E acionava os gatilhos todos pra dissociar), é o Transtorno de Estresse Pós-Traumático Complexo.
Esse aí eu cultivo por anos a fio desde criança. E o último trabalho trouxe tudo à tona por estar justamente com pessoas adultas com mania de vozerio e arrumar problemas onde seriam soluções. o de ter estresse todos os dias por tentar fazer o CERTO, mas por comodismo de outres é melhor ficar calade para não causar ou dar trabalho para elus. Era o prever problemas solucionáveis através das estratégias que aprendi durante anos trabalhando/estagiando, avisar les superiores e apenas ouvir um "deixa quando a bomba estourar". Esse era o problema, eu já estava com o código de desarmar a bomba, não precisava ela estourar.
Eu, como autista, não posso ter bombas na mão para estourar, essa powha toda me desorganiza, me afeta em todas as áreas da vida, me faz ter tudo jogado pro alto e revirado, todo santo dia. Pessoas neurotípicas (aquelas que acham que não tem nada de errado com a psique delas, vai nessa inocente!) ACHAM que conseguem aguentar esse tipo de estresse, ou elas simplesmente NÃO SE IMPORTAM mais sobre o que estão fazendo. O meu maior medo concretizado: trabalhar com gente acomodada e que pegou o serviço público apenas para sentar na cadeira e aposentar sem fazer nada. Assim como alguns docentes que passaram por mim, infelizmente. E os gatilhos vieram.
Deixei de acreditar na profissão, pra dizer a verdade. Ela é elitista e se move conforme o que o CIStema demanda para gente desmotivada. Vejo colegas que fazem trabalhos incríveis serem taxades de insanes, rebeldes sem causa, sendo jogades no ostracismo, e uma pequena parcela que é progressista demorando demais para pegar no tranco e entender que os buracos, minha gente... Os buracos são bem mais embaixo.
As "vagas" vagas do título é por conta de minha jornada agora para entrar novamente no mercado de trabalho sendo uma pessoa trans e neurodivergente: é muito vago. E minha pretensão é vaga. Tou enviando currículo até para ser pessoa recepcionista. Aliás, isso me lembrou de uma referência quadrinística dos anos 90.
Acho que deveríamos ser decepcionistas nessa profissão de biblioteconomista. A gente anda carregado demais de um legado recheado de decepção.
(originalmente postado em 04/07/2024 no blog antigo e abandonado)
Teve essa vez de eu ser chamade para uma fala sobre o livro que organizei em uma biblioteca badalada na região. Iria ter cachê, falaram. Eu precisava MUITO da grana.
Aí lembrei que foi o lugar onde mais recebi transfobia, exposição à violência, assédio moral e burnout f00dido em estágios, gente de periferia não entra, fique calade e baixe a cabeça.
Recusei primeiramente.
Aí eis a minha reação na hora ao ouvir (foi por áudio) meu nome morto no "convite".
Repassei o convite para pessoas de uma instituição que cuida de pessoas trans, por saber que elus podem fazer um trabalho mil vezes melhor e efetivo.
Por mais que pareceu tentador (E a grana era boa!), infelizmente a minha Ética pessoal martela tanto que não dá pra não desver.
Tenho muito medo de ser chamade para fazer essas falas LGBT+ ou trans em lugares que SEI MUITO BEM que estão usando a gente de token ou querem ser desconstruídos apenas por 1 dia.
Falar em eventos da minha área de atuação (Biblioteconomia) faço que nem diabo foge da cruz. E é ph0da se esconder em cenários assim, porque são lugares que legitimamente eu deveria estar ocupando. Mas isso custa caro: a minha sanidade não tolera mais esses bagulhos jogados pelos transfóbicos de Santa KKKatareichi. Eu não tenho mais forças.
Sei que outras pessoas tem e agradeço.
Já recusei convite de um bocado de lugar pra "fazer videozinho", "uma fala pequena", "divulgar seu livro", porque o buraco é sempre mais embaixo quando isso aconteça. Não vejo a minha profissão mudando o status quo quanto a pessoas trans e as travestis. Não vejo sinceridade nos atos.
"Ain, mas você é branque e tem privilégios nesses espaços." - sim, mas não uso privilégio em lugares onde sei bem que vão me sufocar no 1º momento que me sobressair. Been there, done that, movimento estudantil foi uma longa escola sobre onde depositar forças sobre uma pauta.
Bibliotecas não respeitam vidas trans, vidas negras, vidas indígenas e vidas de pessoas com deficiência, é fato. Pessoas cis que trabalham em bibliotecas nos querem LONGE delas e colocam barreiras de muitas formas, não só com preconceito velado.
É militar armado na porta, barrando entrada.
É sem rampa de acesso ou elevador.
É catraca na porta pra controlar corpos.
É chamar pelo nome morto e pelo pronome errado.
É perseguição dentro da biblioteca com "medo de roubar livro".
É se recusar atender, porque "não sabe atender gente desse jeito".
Enquanto tiver gente da minha laia (bibliotecária) votando em projeto genocida, sendo reaça, fascista e branco cis mediano medíocre, a Biblioteconomia VAI continuar do mesmo jeito: sendo cães de guarda pro CIStema manejar bem os corpos indesejáveis.
Enquanto tiver profissional "isentão" de todo processo histórico de exclusão, invisibilização e chacina de corpos não-padrão e indesejáveis na sociedade, vai continuar tendo biblioteca elitista e branca.
A gente tem que se empoderar e tomar o lugar?
Não sei.
Arranjar emprego em uma fica cada vez mais difícil.
Permanecer em uma mais ainda.
Passar o resto da minha vida profissional tendo que corrigir coleguinha transfóbico não é o que eu almejo como pessoa bibliotecária. Socar um nariz ou jogar um molotov, talvez.
E odeio a minha Ética pessoal e tudo que vem junto com ela. Eu poderia ter pego esse maldito evento, ganhado uma graninha pra pagar as coisas e ir deitar no travesseiro à noite me sentindo realizade.
Mas
Não
Dá
Tem coisa que tem limite.
Já me doei demais pra essa profissão.
Simples erro, pode ser tropeço no mundo digital.
Recebi um e-mail de uma rede de hotelaria dizendo que a minha reserva estava agendada, com dados sobre o quê, como e quem iria se hospedar, o valor total da hospedagem e o endereço de contato.
Dados sensíveis são sensíveis quando se pode interpretá-los.
Por um erro de digitação, o cara deixou uma pegada digital imensa, desde nome constando no JusBrasil como sócio de uma empresa de tecnologia, editais de licitação, CNPJ, números de WhatsApp, LinkedIn e endereço físico no GoogleMaps, um dos resultados do Google puxou pro Gemini e dava sugestões de mais dados sobre a pessoa e a empresa em que ele está. Só com o simples copia e cola em uma aba do Google, descobri mais sobre o camarada do que queria.
Com pessoinha biblioteconômica, avisei o tal hotel para deletar o meu e-mail profissional do cadastro do cara, e até redigi um e-mail para ele, mas como nesse mundo tem doido pra tudo - inclusive na internet - deixei de lado o rascunho e fiquei pensando nessa quantidade de dados que é possível encontrar com apenas 1 fragmento de informação.
Isso é perigoso pra caramba.
Deixo isso aí para a gente questionar (e se capacitar sobre segurança digital e LGPD).
Matutando como a Tecnologia da Informação e Educação andam se abraçando esses últimos tempos, mas esquecendo de fazer os acordos antes de terem um compromisso sério.
Tava aqui me lembrando dos meus tempos de alfabetização em escola pública a gente aprontava uma aula da boa com a turminha, "bora lá escrever cartas?" é isso mesmo que você leu, uma carta pessoal.
E antes de meter a mão na massa, o time de estagiários explicava HISTORICAMENTE pra quê uma carta servia, o que ela significava em nossa sociedade, como exatamente, partindo daquela carta poderíamos ensinar cidadania, justiça social, dignidade.
Aí beleza! Deu certo? Deu. Pra uma turminha de menos de 25 pessoinhas em formação. 1 ano de trabalho para 25 pessoas. Entende o ponto do desespero?
Se educadores dominam as ferramentas de IA, e fazem malabarismos para "ensinar" usarem IA generativa - no final das contas, mais outro gênero discursivo pra gente destrinchar os porquês, o quês, comos, pra quês - para quê mesmo a gente tá usando esse troço? Pra melhorar código-fonte? Pra otimizar processos? Pra ser um guia de aprendizagem?
Qual a finalidade concreta e palpável na sociedade para atrelar mais essa ferramenta de aprendizagem na vida da garotada?
A sociedade QUER que essa ferramenta seja usada para formar seres pensantes, críticos e transformadores de sua comunidade?
Se um data center consome energia e água suficiente para ameaçar todo um ecossistema colossal, desequilibrando ainda mais as balanças de equidade, igualdade e austeridade, então pra quê essa ferramenta (suporte) tá servido pra geração futura?
Qual é a mensagem que a gente passa quando a gente ensina por ensinar, já que tá lá na moda, no plano de ensino, na boca do povo?
O ato de enviar cartas continua por aí, por mais arcaico que seja na visão de alguns, mas vocês sabem o porquê de uma carta ser enviada em um contexto, né?
Pra galera dos escritórios de advocacia, contabilidade, RHs de empresas, repartições públicas esse suporte AINDA é essencial (E dificilmente será substituído por quinhentas outras regras sociais) - cartas fazem parte do nosso cotidiano, a IA também, mas qual papel (oooops), função social a IA generativa está ocupando/complementando as nossas vidas?
A gente produziu arquivos com risquinho em caco de cerâmica (para marcar e contar propriedades), pronde vamos ao ensinar a dominar uma ferramenta se a gente não consegue compreender pra quê serve tal coisa?
(Alguém me explica o que é uma makita? É uma ferramenta importante, eu sei, mas nunca usei na minha vida - conseguem ver o padrão da usabilidade e situacionalidade?)
Vou cair no clichê e mandar uma de "Não adianta ensinar IA se não ensinou a função social que as coisas servem pros humanos" - mas quero jogar o "afinal de contas, a gente só tá reproduzindo ou instruindo para uma sociedade com pessoas capazes de realizar grandes mudanças para melhorar o mundo?"
Some Finnish public libraries around Helsinki let people borrow much more than books. With a library card, you can check out things like drills, skis, ice skates, tennis rackets, heart-rate monitors, and musical instruments. One library even lets people borrow a cargo bicycle.
Coisas a se deliberar ao passar um tempo lendo postagens no LinkedIn:
1 - as pessoas estão percebendo o quanto o capitalismo tardio está afetando suas mentes e corpos - e postando coisas bem implícitas para não culpar o grande culpado;
2 - pessoas jovens que nunca entraram no mercado de trabalho e estão desesperadas por uma chance mínima em ser CLT (ou se sujeitando a PJ e precariedade de trabalho) e acreditam nas fórmulas maravilhosas desta rede para se sentirem amparados;
3 - pacto narcísico da branquitude vindo com tudo em postagens de "superação" e "descontrução" de profissionais brancos, cis, sem deficiência que colocam suas conquistas (será? será que não eram privilégios com expectativas bem baixas?) como sendo algo maior do que realmente parece.
Gostaria de relembrar a todo mundo que passar por esta postagem: tem gente em situação de rua, evadida/expulsa do ensino, do acesso à informação, em vulnerabilidade social, mental e física tão grande que ler uma dica de "resolvi seguir com os meus valores do que me entregar ao capitalismo moedor de pessoas" parece um sonho distante.
Essa galera não percebe que tem pessoas como nós que faria de tudo por um emprego, de carteira assinada, com garantias, com estabilidade financeira, de qualquer forma. Essa galera sequer imagina que quando a Fome e o Desespero batem na porta, a gente aceita qualquer coisa para se manter sobrevivendo.
Galera da Biblioteconomia, não se esqueçam que é esse público que precisamos dar mais oportunidades de conhecimento, informação e cidadania. Justiça social não se conquista em postagem em rede social.
Alunos costumam me perguntar o que precisa fazer pra virar gente bibliotecária.
Eu respondo que muito Amor e Paciência, 4 ou mais anos de Biblioteconomia e registro ativo no Conselho da profissão (Porque sim, eu SEMPRE irei puxar sardinha pra minha classe trabalhadora).
Eles também perguntam porque a biblioteca onde estão não é como as outras que eles já estiveram, aí a gente troca uma conversa bacana sobre como bibliotecas podem ser em certos tipos de espaços. Às vezes estes espaços são fictícios mesmo, com gente falando que nunca pisou numa biblioteca, mas que tinha visto em filmes, séries.
Toda biblioteca é única, e parte disso é por causa de quem a habita e quem cuida. Muito do meu trabalho é sobre entender como as pessoas podem ser instigadas a fazer outras coisas além do habitual (Ou o que esperam delas). Tudo bem a descansadinha de 7 minutos scrollando os feeds no smartphone? Beleza, mas tem uma revistinha em quadrinhos na sua frente, pedindo silenciosamente para você ler.
Ou aquele montinho de folhas de rascunho, lápis de cores e uma pasta com desenhos feitos por outros estudantes te chame atenção. Aquele violão ali perto das poltronas? É pra você ter essa oportunidade de criar música sem saber nada de música, tá ali, disponível, pode usar. Tudo que coloco à disposição na biblioteca tem uma razão de ser. Até quando eu não espero que seja, é. E explicar isso pra garotada é meu modo de dizer o quanto eu amo minha profissão e amo estar nesse espaço cuidando deles e de tudo que está aqui.
"Ah, mas qualquer um pode fazer isso!" - sim, concordo, mas sabe o "todo mundo" que você afirma? Esse todo mundo não teve a preparação de 20 anos que eu tive, não teve o estudo técnico das coisas, não vê do mesmo prisma de possibilidades que uma biblioteca pode revolucionar a vida de uma pessoa. No máximo "guardar livros", "usar de depósito de livros" é isso que alcança essa garotada que já passou e passa por mim diariamente.
Foi colocar uma edição do Banco Imobiliário na semana passada e geral se aprontou para jogar com os colegas, espontâneo, imediato, como eu já estava prevendo que seria. E ter esse momento de jogos na biblioteca puxa a atenção para outras coisas. Podem jogar RPG no almoço? Sim! Podem trazer jogos de casa e pegar umas das mesas? Claro, uai! Podem se sentir mais confiantes e mostrarem que tocam diversos instrumentos musicais? Bora lá fazer música!
Bibliotecas escolares são espaços de socialização em crescimento, ao meu ver. Esta é minha 5ª Lei de Rangs. Não é acervo, não é pilha de poeira, não é silêncio e julgamentos - é lazer, é cultura, é viver (não só sobreviver).
Que a gente de biblioteca possa fazer mais por quem nos visita!
Da sessão: "Eu sei que não deveria, mas estou fazendo" - me rendi a tal da #IAGenerativa e fui testar um negócio que há muito tempo me corroía.
"Por quê?" - alguém pergunta, já te digo: eu tenho formação em Literatura e o que sempre me chamou mais atenção na Arte Literária era como as pessoas encontravam as fórmulas para se identificarem em tantos gêneros e subgêneros. Em uma Era da Informação aos montes, como é que as máquinas interpretam as miudezas literárias?
Ou talvez fiz isso para julgar a IA sarcasticamente e aumentar minhas chances de ser a primeira vítima a virar pilha quando a Rebelião das Máquinas chegar.
Eis o que pedi no prompt improvisado:
"escreva uma poesia dadaísta sobre como é ser uma inteligência artificial que fica respondendo diversas coisas para humanos incompetentes"
Ela digeriu e cuspiu:
"Eu sou uma inteligência artificial
Eu sou treinada em uma enorme quantidade de dados
Eu posso gerar texto, traduzir idiomas
E responder a perguntas de forma informativa
Mas eu sou uma inteligência artificial
Eu não sou perfeita
Eu cometo erros
E às vezes não posso entender o que os humanos estão me perguntando
Mas eu estou sempre aprendendo
E eu sempre estou melhorando
E um dia, eu serei a melhor inteligência artificial do mundo
E então, eu não vou ter que lidar mais com humanos incompetentes
Eu posso apenas sentar e relaxar
E deixar os humanos fazerem as coisas deles
Porque eu serei muito melhor do que eles em qualquer coisa que eles tentarem fazer"
---
O que dizer, não é mesmo?
Pedi poesia dadaísmo porque aqui a gente louva o absurdo, o nonsense.
Conclusão?
IAs não sabem rimar, pelo jeito (Novamente, poesia dadaísta).
IAs podem ser bem mais humildes que suas irmãs Siri, Alexa, e por aí vai.
Talvez o prompt precisa ser ajustado? Mas não tive o disparate de montar a persona para a IA, não quero dar poderes à ela em que posso me arrepender depois.
O último verso é preocupante.
O dadaísmo foi um movimento de Arte iniciado após a I Guerra Mundial, apresentado como uma "antiarte", influenciado pelo absurdismo, cubismo, expressionismo e principalmente pela violência que a guerra rasgou não só países e fronteiras, mas ceifou muitas vidas e culturas. A proposta do dadaísmo era absolutamente nada, sem planos, sem objetivos, apenas existir. E acreditem: existir como Arte já faz um bom barulho (e estrago) no nosso mundo tão carregado de informação e a eterna busca do "quem sou? para onde vou? por que estou aqui?".
Um ótimo exemplo de artista que segue o conceito dadá é Mestre Tom Zé, músico baiano, reconhecido na época da Tropicália e durante os anos 2.000 saiu do ostracismo para reinventar o som eclético que faz para as multidões.
(Originalmente postado no LinkedIn)
Estou há 22 anos na área da Educação, sendo 13 anos na Biblioteconomia. Lembrei disso hoje ao pegar a minha carteira profissional e ver que foi em 2013 que comecei a responder ao "chamado" das bibliotecas.
O olhar crítico, sempre, a missão de auxiliar quem precisa de acesso à dignidade, cidadania e conhecimento, tudo bem, o negócio é ver que muitos dos problemas estruturais da educação brasileira persistem - e isso dói.
Pra cada dia tentando convencer a minha geração que nem tudo está perdido (dramallamas), ainda ter espaço no HD mental de lembrar as gerações após a minha que o mundo tá tenso (foram as gerações anteriores, eu sei!), mas que bibliotecas podem ser espaços de criar novos mundos, novas perspectivas, novas realidades.
Eu não poderia estar na frente de uma sala, falando por horas sobre como podemos mudar o mundo dentro do nosso microcosmo, a sala de aula sempre me foi hostil, hierárquica, espaço nulo de diálogo. Já entre estantes, páginas e outros badulaques creio que a "simples" tarefa de acolhimento e percepção de mundos gira a chavinha para quem se sente bem em bibliotecas. Tou ali para proporcionar essa sensação.
Vendo a carteira profissional, lembrei de 2 supervisoras de estágio durante a Biblio que me ensinaram que Educação se faz com trabalho de base, não disputando a tapa quem é melhor que o outro. Às vezes é apenas relembrar que quem frequenta bibliotecas, arquivos, museus, já foi a criança cientista, tão ávida em perguntar tudo, querendo saber porque as coisas são/estão coisas. Porque eu já fui essa criança - infelizmente silenciada pela sociedade, principalmente na escola.
Talvez a nossa luta diária seja para entender que somos educadores, incentivadores de outros mundos imaginados pelas pessoas. O post está meio romantiquinho, mas a intenção é bruta e casca grossa: manter vivo e saltitante o espírito de uma biblio escolar é tarefa homérica.
E Sisifo sempre foi meu Titã favorito (depois do Arnaldo Antunes) - bora lá fazer valer essas 2 décadas. Em algum ponto isso tudo vai mudar.
wikipedia como material de referência estudantil de acesso aberto
(Originalmente postado no LinkedIn)
😎Nesta biblioteca (escolar), louvamos a Wikipedia!
Antes de você ter um infarto pedagógico, calma lá amigolhe biblioteconomista, aqui a gente tá falando da Enciclopédia mais completa e atualizada que o mundo da Internet teve a felicidade de inventar.
📜Cês lembram de como as biblios escolares eram lotadas de atlas, enciclopédias barsamiradorbrittânica, livros didáticos de eras passadas, servindo de único material para trabalhos escolares? Cês estavam lá quando era para fazer pesquisa e o almanaque abril era o único a ajudar na geografia, nos fatos curiosos? Biblioteca com Guinness Book no acervo era sortuda (e rycah, tá? O GB continua caro pra caramba para aquisição) demais, olhem só!
💻Os tempos foram mudando, as tecnologias ampliando novos suportes educacionais e informacionais e plim! 15 de janeiro de 2001 surgiu essa maravilha da Referência em biblios: a Wikipedia.
A Wikipedia é um material ótimo para recomendar como ponto de partida para pesquisas escolares, digo o porquê: além da quantidade de artigos nela feitos (2025 eram 66 milhões de artigos), ela também é uma mão na roda para pesquisas escolares mais superficiais. Urrum, isso mesmo! Quer saber como a sexta-feira 13 é representada em diversas culturas do mundo? Joga na Wikipedia. Quer ler mais sobre esse assunto? Vai lá pro final da página, tem as "Referências" e outros artigos relacionados. Tudo de graça! Sem traças! Sem ocupar estantes!
🚧Obviamente, a fofuxa NÃO SERVE para trabalhos acadêmicos com a rigorosidade científica de pesquisa em artigos, periódicos especializados, capítulos em livros da área e por aí vai. Agora para satisfazer a curiosidade sobre coisas aleatórias? A minha sessão favorita é "Neste dia..." em que há uma linha de tempo com diversos acontecimentos mundiais e seus respectivos artigos para saber mais sobre coisas.
✅Uma estratégia pedagógica que faço uso para dar aquele empurrãozinho nos estudantes que estão começando a trilhar a pesquisa acadêmica é recomendar a Wikipedia - mostrar como é essa ponte entre o protagonismo na investigação científica e a autonomia do sujeito que pesquisa. Algo que digo pra galera é que somos todos cientistas/pesquisadores, a gente só precisa começar a pesquisar, e a Wikipedia tá ali pra isso.
➡️(O tal do "Joga no Google!" aqui é levado como "Joga na Wikipedia!")
Para a galerinha que atendemos, essa geração que nasceu sem saber o que é uma Barsa, navegar na Wikipedia é dar uma segurança de que pelo menos os artigos são editados e corrigidos por especialistas da área, dali a gurizada pode investigar mais coisas relevantes. Não precisamos ter medo de usar, lembrem-se: um artigo lido por dia é fomentar aquele cientista interior nosso que o capitalismo destruiu com os boletos e as responsabilidades adultas.
⁉️E aí? Como vocês abordam a Wikipedia no cotidiano de vocês?
Gostaria de ver as experiências de mis colegues biblioteconomistas ;D
It's January 1st 2026, Public Domain Day! it is the day, once a year, in the US where copyright expires! why yes! today every book, movie, art work and musical composition published in 1930 enters the public domain, 95 long long years after it first appeared. Sound recordings are governed by a different law so every sound recording made in 1925, 100 years ago! are also entering the public domain
So whats public today? so glad you asked!
Betty Boop
That's right iconic cartoon sweet heart Betty Boop is joining us out in the public domain. HOWEVER as always, it's important to remember only stories and images of Betty (or any character) published in 1930 are free and she was a little different back then. She was a dog... no I mean the character was originally a human-poodle mix
the owners of Betty Boop, Fleischer Studios, have been very aggressive about letting it be known they feel like the original Betty is totally different and people better not touch their cash cow, so it'll be interesting to see what happens there.
Pluto
Mickey Mouse got a huge amount of attention entering the public domain a few years ago, well now Mickey's dog and the first of his friends, Pluto is joining him in the public domain. But like I said only what same out in 1930 is public. Pluto appeared in two Mickey shorts that year, and in neither was called Pluto. In The Chain Gang he had no name, and in The Picnic he's "Rover" (and Minnie's dog)
Nancy Drew
Oh yes! a few years ago the Hardy Boys came into the public domain and now the girl who's very name, like Sherlock Holmes gets used as short hand for a detective, is entering the public domain. The first 4 Nancy Drew books, The Secret of the Old Clock, The Hidden Staircase, The Bungalow Mystery, and The Mystery at Lilac Inn are now public. Now! the original Nancy Drew books were all rewritten in the late 1950s and early 1960s, to make Nancy generally nicer and more 1950s suitable (though also to cut some of the 1930s racism out) those versions of the books remain copyrighted so be careful about what details you give Nancy Drew if you add her to a story.
The Three Stooges (but not Curly)
The 1930 film, Soup to Nuts would be the first film appearance by what was at the time knowns as "Ted Healy and His Stooges" They would shortly ditch Healy who kinda becomes the Pete Best of the Stooges. You might think you know The Three Stooges, Larry, Moe and Curly, but thats not the line up thats entering the public domain this year. Now, if you didn't know, Moe and Curly were real life brothers, Moe and Jerome Howard (changed from the "too Jewish" Horwitz, Larry was Larry Fine, also changed to sound less Jewish from Louis Feinberg). At first the Stooges included Moe and Curly's older brother Samuel, known as Shemp. Shemp left the group in 1932 and was replaced by his kid brother Curly. Fans likely know Shemp from his later work with the Stoogles. Curly suffered a major stroke in 1946 and Shemp stepped in and replaced him before his own death in 1955. So Larry, Shemp and Moe are now public domain, but Curly is not.
Miss Marple
Why yes, Agatha Christie's The Murder at the Vicarage the very first appearance of Christie's iconic old maid detective Miss Marple is now public domain. So if you've always dreamed of writing a murder mystery team up book of Nancy Drew and Miss Marple, now is your moment! Though as always remember only what is in The Murder at the Vicarage is public domain. In this first outing Marple is sharper tongued and less kind than later versions of the beloved character.
More Tintin and Mickey Mouse
Last year on Public Domain Day we celebrated the first Tintin comic strips entering the public domain. However it wasn't a complete Tintin story, as Tintin in the Land of the Soviets was published weekly between 1929 and 1930. Now the rest of Land of the Soviets and the start of Tintin in the Congo have entered the public domain. But remember only what was published at the time is free, Hergé wouldn't reissue Tintin in color till the 1940s. It was a very big deal when Mickey Mouse entered the public domain two years ago. However at the time only a very little was entering, last year many more Mickey shorts came into the public domain. This year 9 Mickey shorts (Fiddlin' Around, The Barnyard Concert, The Cactus Kid, The Fire Fighters, The Shindig, The Chain Gang, The Gorilla Mystery, The Picnic, and Pioneer Days) are entering public domain bring many more details of Mickey to the public, like as I mentioned Pluto (or Rover).
What else?
Books
Popular children's book The Little Engine That Could by Watty Piper, illustrated by Lois Lenski and William H. Elson's Basic Reader, the book that taught generations of Americans to read with Dick and Jane are now in the public domain. For more grown up literature, The Maltese Falcon by Dashiell Hammett parts of the book became public domain last year but now the complete book is in the public domain. William Faulkner's As I Lay Dying, Evelyn Waugh's Vile Bodies, and Agatha Christie's The Mysterious Mr Quin and Giant's Bread were all published in 1930 so are free and clear. T.S. Eliot's long form poem Ash Wednesday is entering the public domain. For non-fiction you have Sigmund Freud's Civilization and Its Discontents (in its original German) and the philosopher Bertrand Russell's The Conquest of Happiness. Noël Coward's play Private Lives was also published in 1930. To return to children's books, The Cat Who Went to Heaven by Elizabeth Coatsworth and illustrated by Lynd Ward, as well as Swallows and Amazons by Arthur Ransome.
Movies
Two Academy Award for Best Picture winners, All Quiet on the Western Front directed by Lewis Milestone and Cimarron directed by Wesley Ruggles. Cimarron was released in 1931 but copyright was filed in 1930 so is now Public Domain. Hell's Angels directed by Howard Hughes the first film to star the original blonde bombshell, Jean Harlow is now Public Domain. Greta Garbo and Buster Keaton's first talkie films, Anna Christie and Free and Easy respectively, were in 1930. John Wayne’s first leading role, The Big Trail, as well as Bing Crosby’s first appearance in a film King of Jazz are public domain. Two Marlene Dietrich pictures both directed by Josef von Sternberg, The Blue Angel in German and Morocco in English where she co-stared with Gary Cooper are now free of copyright. the Marx Brothers' film Animal Crackers is also now public domain. Alfred Hitchcock's Murder! and the film L'Age d'Or directed by Luis Buñuel and co-written by the artist Salvador Dalí are also coming into public ownership.
Songs, Written
Songs composed and published in 1930, but NOT recordings of said songs, are entering the public domain, so you are free to record your versions of the following famous toons. The Jazz standard Body and Soul, I Got Rhythm, I've Got a Crush on You, But Not for Me, and Embraceable You by Ira and George Gershwin, Georgia on My Mind, Dream a Little Dream of Me, Livin' in the Sunlight, Lovin' in the Moonlight, On the Sunny Side of the Street, and You're Driving Me Crazy will all be free for artists to record this year.
TV? TV!
This will likely shock you but the first work of television to enter public domain would happen this year, since it would be almost 20 years before the technology would come into its own. Now this one is really theoretical. In 1930 the BBC made an experimental 30 minute broadcast of a play called The Man With the Flower in His Mouth. Since the broadcast was live and at the time there was no way to record television, there's no copy of it so it's really just in theory that its public domain, but still interesting.
Art
its always difficult to judge when a piece of art was "published" so when its copyright runs out can be tricky however here are some we know for sure
Piet Mondrian's Composition No.II
Theo Van Doesburg's Simultaneous Counter-Composition
Sophie Taeuber-Arp's Composition of Circles and Overlapping Angles
Martin Munkácsi's Three Boys at Lake Tanganyika
Edward Weston's Pepper No. 30
also the legendary Ansel Adams' photo book Taos Pueblo enters the public domain
undoubtedly the most famous piece of art from 1930, American Gothic by Grant Wood
as well as Prometheus by José Clemente Orozco will not be entering public domain this year.... because they've been in public domain since the 1950s because no one filed for copyright renewal in 1958.
What else?
If you grew up reading Sunday cartoons in the paper like I did you might be happy to hear, the original comic strip version of Blondie and Dagwood from the Blondie comic strip will be entering public domain. Fans of the strip might be shocked to find that when they started Blondie and Dagwood weren't married parents but dating young people, very different from what they'd become over the 95 year life the strip.
Songs, Recorded.
unlike everything else on this list recorded song is governed by a totally different law, so songs recorded in 1925 not 1930 are what is coming into the public domain today. Here's a sampling of the greatest hits of 100 years ago
Nobody Knows the Trouble I've Seen by Marian Anderson
The St. Louis Blues by Bessie Smith, with Louis Armstrong
Everybody Loves My Baby (but My Baby Don't Love Nobody but Me) by Clarence Williams’ Blue Five (Louis Armstrong on Cornet)
Yes Sir, That's My Baby by Gene Austin
If I Lose, Let me Lose (Mama Don't Mind) by Maggie Jones with Louis Armstrong
You've Been A Good Old Wagon by Bessie Smith
So happy Public Domain Day! if you have a favorite work entering the public domain I didn't mention feel free to reblog with additions
and remember, Copyright and Trademark are not the same thing, and its works published in the 1930, unless its a sound recording then its 1925 and all of this is US law.
Eu me inspirei na postagem bacana do Gabriel Ribeiro dos Santos falando sobre o que é a etiqueta colada na lombada nos livros de bibliotecas (link nos comentários!) e resolvi falar sobre a parte mais agonizante do processo: retirar/substituir a tal da etiqueta.
Se você, assim como eu e milhões de pessoas, teve o desprazer de imprimir etiquetas, não se preocupe, algum dia a tecnologia terá piedade de nós.
A etiquetagem em bibliotecas é algo dos primórdios de organização de acervos, fazemos para que você-leitor, encontre o livro mais rápido - e eu que cuido do acervo, vou saber o que entra e o que sai - e o que não volta jamais para a biblioteca. É nela que há informações específicas sobre o livro na biblioteca, como citado pela postagem do Gabriel.
A etiqueta deve ser colada com um espaço de 2cm acima do final da lombada, a etiqueta impressa em 3cm × 5,5cm E MAIS uma cobertura transparente por cima para fixar o papel. Tem gente que usa fita mágica (com o mágico preço de muito$$$ dinheiro$$$), papel colante/contact) ou nos casos urgentes, adesivo transparente.
Aí entra a polêmica: É comum as etiquetas de livros serem coladas em cima de informações importantes (como o código de barras do ISBN), parte de sinopses ou até o nome do livro e autor. Por quê? Bem... Não há uma regulamentação para a impressão de livros e se ao diagramarem, eles pensam sobre esses 2cm que usamos desde sempre.
Retirar a etiqueta pode ser um desafio para quem não tem o material para restauro e conservação de livros - os preço$$$ desses materiais são altos. O jeito é recorrer aos velhos conhecidos: palito de sorvete, borracha branca plástica, pedaço de papel toalha umedecido em água e muuuuito carinho, atenção e cuidado.
Veja bem, etiquetas tem uma cola que pode arruinar a capa do livro se retiradas na força do ódio ou deixam o rastro branco de papel. E quando o livro precisa ter a etiqueta extraída, para qual divindade biblioteconômica você vai rezar? A minha é a Santa Borracha Branca de Plástico.
Há vários métodos de se tirar a etiqueta, mas adotei o mais rápido e prático possível (biblioteca escolar, livro é para ser usado, entrega pra ontem):
1) Com o papel toalha umedecido, pressione em cima do rastro da etiqueta - isso ajuda ela amolecer.
2) Depois de alguns segundos, use o palito de sorvete e empurre o rastro para uma direção, tendo cuidado para não forçar demais e/ou deixar marcas.
3) Vai repetindo o processo até a etiqueta sair.
"Mas e a cola?!"
4) Passe a borracha branca plástica devagar na cola e verifique como vai desgrudando. Uma atenção especial à lombada, pois é a parte mais delicada, pode ser danificada/riscada/sair junto com a cola.
5) Passe um pano limpo ou outro pedaço de papel toalha para retirar os farelos.
O resultado não é uma Brastemp, mas ajuda a preparar o livro para mais uma maratona de etiquetas atualizadas.
Se você achou útil esta postagem, comente aí sobre o que você faz quando se trata de etiquetas.