New Start - Parte II
Lyla serviu o café para os dois homens sentados na sua mesa e saiu logo em seguida, ela achou melhor os dois terem a conversa sozinhos. Pensou que assim Oliver se sentiria mais à vontade para contar sua história, e John merecia um tempo sozinho com seu amigo, ela mais que ninguém sabia como ele sentiu falta do outro nesses meses. Por isso, ela se sentiu extremamente aliviada ao ver Oliver mais cedo, só de imaginar a felicidade do seu John nesse momento já era o bastante para deixa-la feliz e agradecida pela volta do arqueiro.
Oliver observou a fumaça saindo do café fumegante a sua frente, mal podia lembrar a última vez que bebeu a tal bebida. Lembrou de quando voltou depois de 5 anos após o acidente com o Queen’s Gambit, de como sentiu como se redescobrisse os sabores de vários alimentos. O sorvete, por exemplo. Ele lembra de ter comprado e levado à casa de Laurel para apreciarem juntos. Lembrou como foi sentir o gosto adocicado da sobremesa depois de muito tempo. “Até que não seria ruim passar por essa experiência de novo”, ele refletiu consigo, “mesmo tendo ficado fora por um tempo bem menor”. Mas dessa vez ele almejava uma outra companhia. Um sorriso escapou enquanto ele imaginava Felicity tagarelando enquanto saboreavam um big belly burguer, mas tratou logo de disfarçar tal sorriso com um gole do cheiroso café a sua frente. Diggle não precisava saber que ele andava sorrindo à toa ao lembrar da amiga.
- Esse deve ser um dos melhores cafés que já bebi em minha vida! – Oliver comentou apontando para xicara a sua frente.
- É o que eu falo, meu caro, sou um homem de sorte! – Dig respondeu se referindo a Lyla, fazendo Oliver rir.
- Eu estive me recuperando – Oliver começou subitamente – Nesses cinco meses – esclareceu – estive me recuperando do duelo contra Ra's Al Ghul.- finalizou, encarando o semblante sério do homem a sua frente.
- O que aconteceu nesse duelo, Oliver? – Diggle questionou com a postura rĂgida.
Oliver segurou firme a xĂcara a sua frente antes de começar a narrar sua luta naquele monte gelado. NĂŁo era algo que gostava de se lembrar, mas ainda assim seguiu em frente, sentia que devia isso ao amigo - nĂŁo sĂł a ele. Narrou desde o momento em que chegou atĂ© quando foi atingido pela lâmina de Ra’s. Ali, ele quase podia sentir de novo o frio e a dor agoniante de sua carne rompendo contra a espada, mas tentou se focar no calor que o cafĂ© emanava para sua mĂŁo e nos olhos atentos de Dig a sua frente. Precisava focar no presente.
- Caramba, Oliver! – Diggle exclamou atônito – como você sobreviveu? – indagou.
Oliver explicou sobre quem era Maseo e como, mesmo sendo agora membro da Liga, ele o ajudou: o resgatando do penhasco e tratando dos seus ferimentos. Disse como ficou desacordado por semanas e como levou meses para conseguir recuperar suas forças. Explicou que nos últimos tempos, ele treinou, porque acreditava que, para voltar para Starling City, ele precisava estar em forma: Ra’s poderia descobrir que ele estava vivo e procurar por ele, e ele não queria arriscar pôr a vida de ninguém em risco por isso, então decidiu que precisava estar preparado antes de voltar.
- Oliver, eu nunca fui um homem muito religioso, – Dig começou – não depois de tudo que já vi nessa vida, mas se eu tivesse que descrever o que me contou, eu diria que foi milagre. – pontuou.
Oliver apenas assentiu e se ajeitou na cadeira para se aproximar do amigo, em seguida, com uma fisionomia concentrada, ele começou:
- Dig, vocĂŞ lembra quando eu lhe disse que eu nĂŁo queria morrer naquele porĂŁo? – Oliver indagou e recebeu um sinal afirmativo como resposta – Eu ainda nĂŁo quero. - sentenciou- Nesses cinco meses, eu achei por várias vezes que eu iria morrer naquele lugar e a Ăşnica coisa que eu conseguia pensar era como eu estava sozinho – ele refletiu olhando para suas mĂŁos – como a Ăşnica famĂlia que eu tenho Ă© uma irmĂŁ, que apesar de eu amar da melhor maneira que posso, o que nos restou foi um relacionamento baseado em mentiras; e a mulher que eu amo..- ele riu em descrença ao se pegar dizendo isso em voz alta – a mulher que eu amo – repetiu olhando para o amigo – eu mesmo a afastei.- se culpou – Naquele inferno, John, eu achei que ia morrer como eu mais temia. – terminou.
- É o que eu lhe disse naquele dia, Oliver, então não morra! – Diggle repetiu – Você recebeu uma nova chance, faça diferente! – continuou – E você está errado, você sabe, nunca está sozinho – ele disse sorrindo – Agora, por exemplo, eu consigo pensar em alguém que vai gostar de te ver de novo. – sugeriu, fazendo o outro abrir um sorriso.
- Eu preciso vê-la. – confessou.
- Você vai, mas antes, preciso devolver algo que te pertence. – Diggle disse se levantando, deixando um Oliver confuso para trás.
Dig voltou com uma enorme caixa e colocou na outra extremidade da mesa e, com um aceno de cabeça chamou o outro para se aproximar. Oliver se levantou e andou atĂ© a caixa, ainda incerto sobre o que se tratava. Ele a abriu e o que encontrou foi tĂŁo Ăłbvio que ele se perguntou porque nĂŁo pensou nisso imediatamente. Sua mĂŁo foi de encontro ao tecido verde e ele deixou que seus dedos passeassem sobre ele antes de tirar o capuz de dentro do recipiente. Ele admirou o seu capuz por um instante atĂ© devolve-lo de onde tirou e pegar sua máscara. A observou atĂ© seus olhos caĂrem sobre o fundo da caixa: seu arco e sua aljava. Colocou a máscara no lugar e alcançou, entĂŁo, uma de suas flechas. Ao passar o dedo sobre a ponta afiada, um sorriso formou em seu rosto.
- Acho que está na hora do verdadeiro Arrow voltar. – Dig comentou divertido.
Oliver sorriu pro amigo concordando. É, está na hora dele voltar.
-
Felicity acordou naquela manhã com uma vontade enorme de ficar um tempo a mais na cama, mas o despertador tocando insistente do seu lado a fez levantar mal-humorada. Depois de silenciar o irritante barulho, ela se arrastou ainda sonolenta até o banheiro e tratou de começar sua higiene matinal. Ali, encarando seu reflexo descabelado enquanto escovava os dentes, ela desejou que aquela sexta se tornasse sábado num piscar de olhos, em que ele pudesse deitar sobre seu delicioso travesseiro e permanecer ali até dormir todo o sono que, ela tinha certeza, merecia. Mas isso não iria acontecer: ela sabia que a realidade estava longe de seu travesseiro e bem próxima de um Jerry lhe informando um monte de trabalho.
Ela seguiu para cozinha e pegou uma maça para o desjejum: estava tentando uma vida saudável e isso significava comer frutas, mesmo que ela nĂŁo fizesse isso de fato todos os dias, mas estava tentando, já era alguma coisa, certo? Certo. Depois de uma mordida, tratou entĂŁo de preparar um cafĂ©: um dia nĂŁo se inicia sem cafĂ©, afinal. Mas antes que pudesse começar, seu celular começou a tocar. O rosto de Ray Palmer aparecia sorridente na tela a fazendo franzir o cenho: o que ele queria a essa hora da manhĂŁ? Da Ăşltima vez que ele a surpreendeu a essa hora, sua mĂŁe apareceu do nada e ela acabou sequestrada no final do dia por seu ex-namorado-morto nĂŁo tĂŁo morto. Â
- Alô? – ela respondeu e mordiscou a maça em seguida.
- Eu simplesmente não pude esperar mais – a voz sempre enérgica de Ray soou do outro lado- preciso saber o que achou do novo projeto. E então? Brilhante? – requisitou urgente – Eu tenho certeza que, se nós dois trabalharmos nele, podemos revolucionar e tornar Star City uma realidade em menos de 3 semanas! – disse empolgado.
- Espera – Felicity disse confusa – que projeto?
- Hun... eu pedi Jerry para levar para você ontem, achei que ele havia entregado... – Ray disse incerto.
E então, Felicity deixou sua maça cair no chão e seus olhos arregalaram, enquanto sua mão livre ia inconscientemente até sua testa. Ela havia esquecido completamente. Saiu desesperada atrás da sua bolsa no sofá e passou a procurar os papeis que seu assistente a entregou no dia anterior, equilibrando o telefone entre sua orelha e o ombro;
- Claro, ele entregou o projeto – disse por fim o encontrando na bolsa – Oh, meu Deus, Ray, eu não li. – ela disse apertando os olhos como se esperasse um ataque de fúria dele- me desculpe! - pediu.
- Oh – Ray exclamou – Você não leu. – repetiu- Bom, era meio que importante, você sabe...
- Claro que sim! – ela reafirmou o interrompendo – Você está na empresa? Eu estou indo pra aà agora mesmo! Então vou ler tudo e estarei daqui há uma hora na sua sala com uma opinião – garantiu – só me dê cinco minutos para me arrumar. Tchau!
Ela se pôs a correr em direção ao seu quarto, quando a campainha tocou. Então ela paralisou no meio do caminho: O que faria? Fingir que não ouviu e deixar a pessoa ir embora ou atender e perder preciosos minutos do seu tempo que poderia ser usado para ler o bendito projeto?
Murmurando um “droga!”, ela fez sua opção e se pôs a ir atender a campainha, não podia deixar quem é que fosse sem resposta, só torcia para que não fosse a Sra, Fernandes atrás daquele gato de novo. Abriu a porta e lá estava John Diggle parado.
- John! – ela exclamou surpresa – VocĂŞ! Eu esqueci alguma coisa na sua casa ontem? – perguntou confusa.Â
- Não, Felicity, mas preciso que venha comigo, tenho que te mostrar algo que você vai gostar de ver. – ele disse contente.
- NĂŁo Ă© uma boa hora, John – ela disse andando para dentro da casa e deixando a porta aberta para que ele entrasse, o que ele prontamente fez, fechando a porta em seguida – Aliás, nĂŁo querendo ser grossa, mas Ă© uma pĂ©ssima hora – gritou já dentro do quarto – Acho que bebi muito vinho ontem e acabei me esquecendo de que ainda tinha trabalho para fazer – disse voltando para sala como um pente na mĂŁo – agora meu chefe me ligou e eu nĂŁo faço ideia do que ele estava falando – ela continuou penteando o cabelo – entĂŁo, preciso chegar o mais cedo possĂvel na Palmer Technologies e acabar logo com isso. Prometi que teria uma opiniĂŁo em uma hora. - explicou – mas nem sei se isso Ă© possĂvel e, sabe, eu gosto muito do meu emprego, nĂŁo posso perde-lo – prosseguiu – onde mais eu teria uma sala daquela? E, Deus, eu amo aquela sala! –exclamou-  E ainda tenho um assistente, vocĂŞ sabe, o Jerry, que Ă© realmente bom em preparar latte, e eu amo latte. –disse por fim para um John que mantinha seus braços cruzados e um sorriso divertido no rosto. – Preciso ir pra Palmer Technologies agora. – reafirmou.
- Felicity, não faço ideia do que está falando, mas eu tenho certeza que Ray Palmer não irá te despedir se atrasar um pouco. – garantiu – mas eu preciso que venha comigo agora. Você irá me agradecer depois. – conclui. – Por favor. – pediu.
 - Mas...- ela pensou em argumentar, mas ela nĂŁo podia negar um pedido de John, podia? Seus olhos caĂram pesarosos nos papeis em cima do sofá e voltou para o homem a frente. Oh, Deus, ela ia se meter em problemas. – ok, pra onde vamos? – perguntou.
- Verdant. – ele disse apenas e ela sentiu seu estomago afundar.
- Achei que concordamos em não voltar lá. – disse.
- Sim, eu sei, mas eu realmente preciso da sua presença lá, não estaria te pedindo isso se não fosse importante. – ele afirmou – Por favor, Felicity – pediu novamente.
Felicity mordeu os lábios se sentindo apreensiva com a ideia de retornar àquele lugar. Não se sentia bem lá, tudo lembrava Oliver, e ela ainda não havia aprendido a lidar bem com as lembranças dele. Precisava de mais tempo, mas Diggle estava ali na sua frente a olhando daquele modo que ela não podia dizer não. E ela não podia se esconder pra sempre, ela ponderou, precisava encarar seus fantasmas eventualmente e aquela parecia uma boa oportunidade para isso.
- Tudo bem – disse decidida – Já estava com saudades dos meus computadores mesmo – brincou – só me dê um minuto para me arrumar.
- Eu espero. – John disse com um sorriso satisfeito se sentando no sofá.
-
Oliver estavam no porão, o ajeitando com a ajuda de Roy. Depois de meses fechado, aquilo parecia um depósito abandonado, o que o fazia lembrar de como realmente era antes de Felicity o aprimorar e transforma-lo em uma base de operação. Em um lar, na verdade. Pensando nisso, ele perguntou:
- Onde está a samambaia? – se virou para Roy, que estava abaixado retirando alguns armamentos de uma caixa.
- Felicity levou para casa – ele respondeu – ela disse que, se deixasse aqui, ela acabaria morrendo –esclareceu dando de ombro.
- Claro. – Oliver concordou voltando a prestar atenção nas flechas que organizava com um sorriso no rosto.
É claro que ela não a deixaria morrer. Felicity era adorável o suficiente para não permitir isso. Uma parte dele ficou feliz por isso: ele meio que tinha um apego àquela planta. Gostava como ela teve o cuidado de comprar para fazê-lo sentir em casa naquele lugar.
- O que você acha que vai acontecer com a Thea? – Roy lhe perguntou – Quero dizer, agora que você está vivo, você acha que ela pode estar em perigo? – ele se aproximou.
- NĂŁo – Oliver garantiu – Ra's Al Ghul jamais saberá de nada e, se souber, eu nunca o deixaria tocar nela – ele disse encarando o garoto- Thea Ă© minha famĂlia, eu a protegerei sempre, nem que eu tenha que morrer de vez fazendo isso. – afirmou decidido.
- Você pode contar comigo. – Roy o informou- eu faço qualquer coisa para a manter a salvo. – falou sério.
Oliver pousou a mĂŁo no ombro do outro e assentiu.
- Obrigado. – ele disse sincero, voltando a dar atenção a suas flechas em seguida.
E ele realmente se sentia agradecido, por tudo que o rapaz tinha se mostrado desde que se juntou ao seu time. Ele sentia aliviado por poder contar com Roy para defender Thea. Por saber, que Roy a amava e o entendia como ninguém em relação a ela. Ele não podia imaginar o que faria se alguma coisa acontecesse com sua Speedy. Ele já havia perdido muito, não podia arriscar perder a sua amada irmã.
-
Felicity tentava ler as primeiras páginas do projeto de Ray Palmer no banco de carona do carro de Diggle, mas não estava sendo bem sucedida. Primeiro, porque seu cabelo solto insistia em cair em seu rosto, a fazendo praguejar por não ter o prendido como costumava; segundo, porque se sentia apreensiva por estar indo a Verdant e ainda sem nem sequer saber o por quê: Dig estava sendo todo misterioso sobre a necessidade da sua presença lá. Felicity não gostava de mistérios, eles a incomodava e a fazia querer desvendá-los, por isso não se conteve antes de questionar Diggle outra vez:
 - Tem certeza que não vai contar o que preciso ver lá?
- Nop!- ele respondeu se divertindo com a curiosidade dela.
- Ok, então – ela disse – não pergunto mais. - completou como uma garota mimada.
- Eu agradeço. – ele confessou – De qualquer forma, você não acreditaria se eu contasse... – ele provocou, segurando o riso.
- Oh, John, você está fazendo de propósito! – ela acusou, fazendo-o rir como resposta.
John estacionou o carro na frente da boate e ela desceu ainda segurando seus preciosos papeis. Ela ergueu os olhos para a fachada do prédio e sentiu uma onda de nostalgia a alcançar, mas antes que pudesse se perder em lembranças, a voz de Diggle a atingiu.
- Você pode soltar esses papeis, Felicity, não vai precisar deles lá dentro.
- Você está certo. – ela concordou, guardando-os na bolsa – como sempre! – concluiu o fazendo sorrir.
- Vem, vamos entrar – ele convidou, passando os braços pelos ombros dela, a conduzindo.
-
Felicity desceu as escadas do porão seguida por Diggle e a primeira visão foi Roy colocando seu uniforme no manequim antes vazio. Seus olhos foram até o uniforme de Oliver que já estava no seu devido lugar, assim como seus computadores estavam devidamente ligados.
- O que está acontecendo aqui? – ela perguntou assim que desceu toda a escada, fazendo Roy a olhar sobressaltado – Vocês estão reativando esse lugar? – ela indagou, assim que Dig parou ao seu lado.
- Bom, acho que depois de cinco meses, já estava na hora. – uma voz disse atrás dela.
Aquela voz. Ela sentiu seu corpo paralisar. Ela olhou para Dig ao seu lado, ela precisava confirmar de que aquilo não era sua imaginação, de que alguém mais também o ouviu. O sorriso de Diggle confirmou. Ela sentiu o ar sumir de seus pulmões, mal conseguia se mover. Oliver. Era ele. Deus, era ele! Ele estava vivo. Ela se virou, enfim, tão fascinada pela ideia de tê-lo de volta que nem percebeu Dig e Roy saindo.
- Oliver. – ela sussurrou, só então percebendo como seus olhos estavam cheios de lagrimas.
E ele estava lá, sorrindo para ela como ela sonhou em várias noites. Ele era tão lindo! Ela o observou por um momento, guardando cada detalhe dele, como se ele pudesse desaparecer em qualquer minuto, como se a qualquer instante ela fosse acordar e descobrir que tudo não passou de um sonho. Ela queria guardar aquele momento, ela queria se prender pra sempre na possibilidade de vê-lo de novo. Ela não queria perder nenhum movimento dele.
 - Você pode ao menos dizer que está feliz em me ver? – ele começou divertido – Eu passei meses fora, você podia pelo menos me oferecer uma água... ou um coco. – ele repetiu a frase dela de há mais de dois anos atrás, a fazendo rir.
- Oh, Oliver... – ela exclamou se jogando nos braços dele a seguir.
Abraça-lo era como encontrar seu lugar no mundo, ali, ela se sentia segura, sentia como se todos seus medos desaparecessem. Os dois pareciam tão certo. Ela apertou o abraço, precisava senti-lo mais perto, precisava sentir sua respiração, seu coração batendo no seu peito, precisava senti-lo vivo.
Oliver a abraçou como se sua vida dependesse disso, deixou se afundar no perfume que ela emanava. Ah, como ele a amava! Como era bom tê-la em seus braços! Sua Felicity.
- Eu disse que voltaria. – ele sussurrou.
Felicity se afastou e observou por um instante, ali de perto, ele era ainda mais bonito. Era tĂŁo bom poder vĂŞ-lo de novo, poder ouvi-lo.
- Pensei que eu tinha te perdido, Oliver. – ela confessou com voz baixa.
- Eu lhe disse uma vez que você não iria me perder. – ele lembrou.
- Eu sei – ela responde- mas eu tive tanto medo – ela contou – Oliver, eu tive tanto medo de nunca mais te ver, de nunca poder lhe dizer tudo que eu queria, quero dizer, você disse que me amava e eu...
- Felicity – ele interrompeu e ela deu pequeno sorriso involuntariamente, ela tinha esquecido como amava o jeito que ele pronunciava seu nome – Quando eu lhe disse que te amava – ele disse tocando uma mecha do cabelo dela – eu não disse para ouvir você dizer de volta – ele a olhou com carinho – lhe disse porque eu precisava que você soubesse. Não importava o que fosse acontecer comigo, eu queria que você nunca duvidasse disso. – ele disse a fitando nos olhos.
- Oliver Queen, eu te amo – ela declarou – eu também preciso que você saiba disso. – ela decretou enquanto ele abria um sorriso.
- Eu sei. – confessou, a beijando em seguida.
Beija-la era uma das melhores sensações que Oliver já experimentou. Ele já esteve com várias mulheres, mas nenhuma parecia fazer com que seu corpo explodisse em sensações como Felicity fazia. Ele não sabia explicar. Sentia como se houvesse milhões de borboletas em seu estomago, como se o tempo parasse, como tudo ao redor desaparecesse. Era como se seu corpo explodisse em adrenalina, mas ao mesmo tempo de uma calmaria que o fizesse querer ficar só ali, nos braços dela para sempre. Ele se sentia completo, mas ao mesmo tempo com uma sensação de que precisava dela sempre mais perto para se completar. Era uma felicidade estrondosa, uma necessidade dela, como se fosse um viciado e seu maior vicio fosse aquele cheiro, aquele toque, o gosto do seu beijo.
O beijo era calmo e intenso. Precisavam prolongar o contato um com outro, precisavam mostrar toda a saudade que haviam guardado por tanto tempo, precisavam declarar todo o amor que sentiam transbordar dentro de si mesmos.
- Eu sonhei com esse momento por meses – ele confessou ao final do beijo, encostando a testa na dela – eu senti tanto sua falta. – disse sorrindo pra ela.
- Não tanto quanto eu senti a sua. – ela respondeu, selando seus lábios.
- Duvido disso – ele se opôs – Em fala nisso, soube que está com algo meu – ele disse divertido, a fazendo o olhar com uma expressão confusa – a minha samambaia – esclareceu fazendo rir.
- Tecnicamente ela não é sua, ela é um enfeite desse lugar – ela revidou – mas se você a quer de volta, você terá que ir ao meu apartamento buscar. – desafiou.
- Isso é um convite, Srta. Smoak? – ele disse malicioso.
- Se fosse, vocĂŞ aceitaria, Sr. Queen?- ela provocou.
- Pode apostar que sim. – ele disse a beijando em seguida.Â
E tudo parecia no seu devido lugar.
Depois disso, Felicity recebeu uma ligação de um Ray Palmer ansioso, a quem ela, depois de se desculpar, pediu o dia de folga, que foi cedido após ele ter ouvido que era “uma longa história”, mesmo não tendo ficado muito contente com isso. Felicity e Oliver passaram o dia no apartamento dela, e o que se pode dizer é que Oliver conheceu de forma satisfatória o apartamento e sua última preocupação foi resgatar a samambaia.
O esconderijo da Verdant foi reativado e o Arrow e seu time voltaram a passar as noites lá como nos velhos tempos.
Oliver não sabia o que o aguardava a frente, se enfrentaria a fúria de Ra’s Al Ghul ou mais um ataque a sua cidade, mas sabia que seja o que for, ele enfrentaria ao lado daqueles que o amavam. Ele compreendeu que não precisava carregar o peso do mundo nas costas, que ele podia compartilhar e deixar com que as pessoas que se importam com ele se aproximassem. E isso o tornava mais forte.
Depois de muito tempo, estava tudo bem, ele estava feliz e vivia uma vida tranquila atĂ© onde sua identidade secreta permitia: ele tinha sua irmĂŁ sempre por perto, possuĂa Diggle e Roy que o apoiavam sempre e eram os melhores parceiros que ele podia pedir, sua cidade estava segura graças a seu arco e a ajuda do CapitĂŁo Lance, e ele tinha sua Felicity, que iluminava sua vida e preenchia seus dias de alegria.
Starling City nunca lhe pareceu tanto como um lar. Oliver Queen estava, finalmente, em casa. Tinha encontrado seu novo começo.








