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felicity smoak + shades of red
I’ve slept. I’m sober. I’ve talked with @louiseblue1. I’m ready to go fandom. The rage is gone. The zen has dissipated. You guys ready for Logic Jen? Because she’s ready for you. A lot of us are...
O CASAL DE OURO: EU ESTOU ABORDO.
"Muitos de nós estamos nos perguntando porquê os escritores escolheram esse caminho para história de Oliver e Felicity. Por que eles deliberadamente escolheram Oliver para mentir quando havia outras opções? É ilógico.
Quando eu não entendo a história, quando eu não entendo as escolhas que os escritores fazem, eu rapidamente confio em minhas vendas e fundo de marketing. Vendas e marketing são matemática, eu sempre entendi. Sim, a televisão é sobre contar uma história. Sim, a televisão é sobre o exame da condição humana. Nós romantizamos televisão porque não há romance em contar histórias. Essa é a arte.
Mas há um lado pragmático para a televisão e não há nenhuma maneira de ignorar isso. A televisão é um negócio. Ela existe não só para contar uma história, mas para ganhar dinheiro. Essa é a prioridade número um. É um lado mais feio do processo para quem não gosta de reconhecer isso. Negócio, Arte e História estão em um baile do colégio. Principalmente, Negócio apenas se senta de canto enquanto Arte toma uma rotação na pista de dança com a História, a recém-coroada rainha do baile. Mas de vez em quando, história lança um olhar de negócio. Isso é o que está acontecendo agora em Arrow. História e negócio estão dançando. E há uma razão muito boa. Não é bonito. Não é chique. Mas são as porcas e parafusos de Arrow.
Há duas palavras que estão piscando em minha mente durante todo o dia: CASAL DE OURO. Isso é que Oliver e Felicity são para DC TV. Oliver e Felicity são a pedra central romântica para DC TV e Rede CW. Isso não é modesto como outros casais. DC TV tem The Flash e Legends vindo. Legends está em sua infância, mas há casais fabulosos em The Flash. Enquanto The Flash tem classificações mais altas que Arrow, os casais não pegaram fogo com o público e mídia da mesma forma que Olicity faz. Olicity é um fenômeno. Agora que Nina Dobrev está desaparecida, a rede CW tem uma abertura para Top Casal. Nenhum outro show na The CW tem um casal que corresponde como Olicity, em termos de popularidade e de imprensa.
A linha de fundo? Olicity faz o dinheiro para Arrow, DC Televisão e The CW Network. É uma relação de negócios, tanto quanto é uma expressão artística do amor. Mas é o aspecto do negócio de Olicity que está impulsionando as escolhas de escrita agora; não a arte.
Quando começamos a debater a Teoria do Casamento, a ideia era insana. Arrow estaria realmente casando Oliver & Felicity tão rapidamente? Mas ao longo da temporada, não havia tempo para isso. Foi certamente plausível. Mas, em seguida, Oliver casou-se com Nyssa. Muitos de nós ficaram coçando a cabeça na mudança ilógica na história. Parece familiar?
Na minha Teoria do Casamento, eu disse que eu estava errada sobre o quando, mas eu não estava errada sobre o quê. Felicity e Oliver vão se casar. Ao discutir seu primeiro encontro no verão antes da terceira temporada, Greg Bertanti deu uma entrevista ao Hollywood Reporter:
Traçar essa relação em particular, tem sido: "Algo que temos vindo a trabalhar em direção a construção e direção desde que ela apareceu pela primeira vez no show", diz ele. "Nós lidamos com isso de frente na premiere, mas não são um monte de super-heróis que são casados. É mais que estamos lidando com o final, do que nós com eles."
Hollywood Reporter foi simplesmente discutir o primeiro encontro de Oliver e Felicity e Berlanti salta para CASAMENTO????? E adivinha quem é um dos poucos super-heróis casados nos quadrinhos? O Arqueiro Verde. Eu NUNCA vou esquecer essa entrevista. Ele me surpreendeu porque eu sabia. EU SABIA Arrow tinha toda a intenção de casar Oliver Queen e Felicity Smoak. CADA. INTENÇÃO. Era apenas uma questão de quando.
Eu nunca previ onde terceira temporada seria até Marc lançar o spoiler sobre o segundo casamento. Todos sinais estavam lá, mas fomos demasiadamente rápidos sobre a arma. Em vez de se casar com Felicity, Oliver se casou com Nyssa. Foi um extremamente ilógico, fora do personagem, completamente um enredo de merda. Drama por uma questão de drama. Isso não fez nada para mover a história adiante. O objetivo era explodir Oliver e Felicity pós episódio de sexo.
E nada disso soa familiar? Deveria. Oliver e Nyssa foram drama por causa de drama, as consequências desta escolha foi resolvida em poucos episódios. Ou melhor, as conseqüências não tinham impacto durador. O pêndulo oscilou para a miséria, mas, em seguida Arrow endireitou o barco e fez girar ao feliz com Oliver e Felicity fugindo juntos. (...)
Então, eu estava errada sobre o quando. DE. UM. EPISÓDIO. 4x01 premiere e Oliver está puxando o anel para fora.
É claro que a proposta seria frustrada na premiere, mas não significa que isso não vá acontecer. Podemos ter uma proposta na mid season finale (de fato tivemos) ou o finale. Poderíamos até obter um CASAMENTO no final da temporada. O momento era certo. Oliver e Felicity são um casal fantástico. O que mais eles estão sendo escritos como TÃO CASADO. Eu digo isso em cada review. É ridículo que eles não são casados. Salve para o vestido e um contrato assinado, eles agem como eles são.
É isso. Esse é o problema. O Casal de Ouro está essencialmente casado agora SEM UM CASAMENTO. Os escritores lançam outro ilógico, fora do personagem, merda, enredo preguiçoso para Oliver e Felicity. Oliver mente para Felicity sobre a existência de seu filho. É Nyssa 2.0, mas em uma escala muito maior. Os escritores não estão interessados em explodir Oliver e Felicity para um episódio ou dois. Eles precisam dela para durar vários episódios. Eles estão balançando o pêndulo de volta para o caminho da miséria.
MAS POR QUE??????? Oliver e Felicity são um casal perfeito. Por que eles estão sendo escravos de DRAMA DE TV????? ELES SÃO MELHORES DO QUE ISSO. Eles com certeza escrevem melhor que isso. Os escritores sempre tiveram a intenção de casar Oliver Queen. O plano original era Laurel, eu não tenho nenhuma dúvida. Mas quando eles mudaram a história de amor eles mudaram o cônjuge para Felicity. Então, qual é o seu problema? O que há com a porcaria de enredo? O que há com o drama por causa do drama? Pela segunda vez, eu poderia acrescentar.
Ele estava me olhando no rosto o tempo todo. Claro como o dia. Na verdade, eu tenho batido na mesma tecla desde 4x01, quando a morte iminente de um personagem foi revelado. Todo mundo está enlouquecendo que é Felicity ou Diggle na sepultura. Eu disse a todos para remover a emoção da equação. Olhe para ele a partir de uma perspectiva de negócio. Arrow tem um marco enorme chegando. Algo de sucesso para programas ou redes de TV.
SYNDICATION.
Syndication é o termo em inglês que se refere ao sistema de vendas de programas e séries para diferentes canais, seja para a transmissão ao vivo ou gravada, tanto no rádio quanto na televisão. É um sistema comum em países onde a televisão é composta por cadeias com emissoras locais afiliadas, como é o caso dos Estados Unidos e da Holanda, na União Européia. Nos países com redes nacionais sem afiliadas locais, a prática é pouco comum. (...) Quando trata-se de seriados, pode se dizer que é permitido a reprise quando o seriado ultrapassa os 100 episódios independentes do número de temporadas.
Não há absolutamente nenhuma maneira de Arrow estar matando Felicity ou Diggle antes de fazer um acordo de distribuição. Eles não vão ferrar com os dois elementos de maior sucesso da história - Olicity e Team Arrow Original. (...) Então, o que syndication tem a ver com o casamento Olicity? Bem... tudo. Eu finalmente descobri o ritmo. Assim como Arrow não vai matar Diggle ou Felicity antes de fazer um acordo syndication, Arrow nunca vai casar Oliver e Felicity antes syndication.
(...)
Então, a produção de Arrow tem duas escolhas. Vender Arrow syndication em 88 episódios (o mínimo) ou vender Arrow syndication em 100 episódios.
Episódio 88 de Arrow é 4x19. Por 4x19, Arrow terá os episódios mínimos requer uma estação para distribuição. Eles poderiam vender Arrow em syndication com 4 temporadas? Sim, mas 88 episódios não é a norma. 100 episódios é. E a quarta temporada é apenas tímida de 100 episódios. Ainda assim, eu pensei que era absolutamente possível a produção estar vendendo Arrow syndication no final da quarta temporada. Que melhor maneira de coroar isso com um casamento Olicity?
Ao lançar esta chave nas obras de um casamento Olicity, eu posso ver o objetivo final. Eu posso ver que marca Arrow está tentando bater para o negócio de distribuição. Os típicos 100 episódios. O que faz sentido total. Então, Arrow será vendida em syndication com cinco temporadas. Não quatro.
A rede seria AMOR para Arrow tendo uma das suas mais fortes temporadas classificações no ano que está sendo vendida para syndication. Torna-se mais atraente para os compradores. Se Arrow está sendo vendido nos mais tradicionais 100 episódios, então é ainda mais importante Emily Bett Rickards e David Ramsey ficarem. É por isso que esses personagens não vão morrer nesta temporada.
Mas isso também significa Arrow não vai desempenhar o seu cartão de maiores varreduras/classificações de sempre, salvo exceto para o final da série. ANTES de um acordo syndication bloqueado. Isso significa que. NÃO TERÁ CASAMENTO OLICITY ATÉ A QUINTA TEMPORADA. E que melhor maneira de comemorar o marco do episódio 100, do que com um casamento Olicity? Que melhor para fazer uma boa, muito confortável syndication?
E quando é o episódio 100 de Arrow? 5x08. Hmm... Não é que em torno do crossover tradicional Flarrow?
Arrow criou ENORMES enredos Olicity durante o crossover Flarrow. Baby mama ressurge em Arrow #1 e Oliver descobre que é pai e mente para Felicity em Flarrow #2. TALVEZ Flarrow #3 é o casamento Olicity. Há uma agradável simetria com isso e todos nós sabemos como os escritores amam simetria.
Então é isso. Essa é a estimulação. Eu sabia que o casamento Olicity iria acontecer, mas eu nunca poderia descobrir quando. Eu acho que talvez eu faça agora. O 100º episódio.
Então o que diabos isso tem a ver com um enredo completamente de merda? Bem... O fato de que é uma história completamente de merda. Não estou defendendo o enredo. Os escritores de Arrow podem escrever melhor do que isso. Esta é uma maneira de contar histórias preguiçosa. Não é diferente do casamento de Oliver e Nyssa. Drama por uma questão de drama. Sim... Exceto, talvez, esse é o ponto. Como eu disse, isto se sente como Nyssa 2.0 em uma escala maior.
O casamento com Nyssa era apenas um solavanco na estrada para diminuir a relação, o trem um pouco para baixo, para que eles pudessem se reunir no final e obter a sua grande surpresa de fugir juntos. O casamento com Nyssa era ilógico? SIM. Merda total. Mas... Se queremos realmente um obstáculo entre Oliver e Felicity que era orgânico? Será que realmente queremos um obstáculo que seria difícil para os escritores navegarem seu caminho para fora?
Ou queremos um obstáculo que os escritores podem mover o passado razoavelmente fácil? Queremos um obstáculo que é corrigível? SIM, o foco está passeando e não história.
Olicity é o casal de ouro e a produção é dirigido em direção ao paraquedas dourado syndication uma vez que atingiu 100 episódios. Mas eles têm que andar nesse trem. Na taxa Olicity indo, seria ilógico para eles não se casarem no final deste ano. Inferno, é um pouco ilógico que eles não vão se casar na mid season finale, eles estão agindo assim tão malditos casados. Oliver foi girando ao redor com o anel em sete episódios. Estamos todos perguntando o que é a espera e a resposta é simples. Ainda não é a mid season finale. (Ela escreveu o texto antes da mid gente, só pra constar).
(...)
O problema é que eles têm que jogar uma chave enorme em Oliver e Felicity. O problema é que eles têm que quebrar o seu Casal de Ouro. Exceto, é ilógico separá-los porque eles já devem ser casados. Assim, faz Arrow realmente criar uma razão legítima para quebrar Oliver e Felicity? Ou será que eles criam uma besteira de razão? (...) É a maneira mais fácil de limpar, no tempo disponível. Um enredo legítimo que realmente faz sentido a respeito de porque essas duas pessoas não devem ficar juntos só cria mais desafios para os escritores de corrigir.
Eu disse na minha review que os escritores tiveram o cuidado de mostrar o lado de Oliver das coisas. Sua decisão, enquanto imbecil, foi feita a partir de um lugar de medo. Ele quer desesperadamente dizer Felicity, mas sente que não pode.
A regressão "fora do personagem/no personagem" também é importante. "Novo" Oliver, o homem que os escritores apresentaram nos últimos sete episódios, nunca iria mentir para Felicity.
Assim, sua decisão de mentir para ela sobre William sente fora do personagem. É uma regressão de seu crescimento do personagem, porque "velho" Oliver manteve segredos.
Os escritores precisam que o comportamento de Oliver seja ruim o suficiente para justificar um término, mas não tão ruim que eles nunca possam reunir o casal de ouro (e razoavelmente rápido). Então, quando você está olhando através das opções de enredo "MENTIRA" funciona. É de acordo com o "velho" Oliver, então Felicity será chateada o suficiente para romper com ele. Mas é fora do personagem para "Novo" Oliver, por isso é compreensível que Felicity o perdoa.
Então você atirar em um fator X, como já discutido na review. Algo que iria acelerar o perdão de Felicity. Algo que é mais doloroso do que a traição e permitiria Felicity para deixar ir a dor e mostrar Oliver misericórdia. Algo como uma morte de um personagem. E honestamente, qual a melhor maneira para a reabilitação da imagem de Laurel e KC do que por sua morte a desempenhar um papel em reunir Olicity.”
OBS: Troquei besteira por merda em grande parte.
Não esta totalmente correto.
Não esta completo.
Mudei algumas palavras para fácil entendimento.
Inclui explicação de Syndication via Wikipedia.
O link original do texto esta no post.
New Start - Parte II
Lyla serviu o café para os dois homens sentados na sua mesa e saiu logo em seguida, ela achou melhor os dois terem a conversa sozinhos. Pensou que assim Oliver se sentiria mais à vontade para contar sua história, e John merecia um tempo sozinho com seu amigo, ela mais que ninguém sabia como ele sentiu falta do outro nesses meses. Por isso, ela se sentiu extremamente aliviada ao ver Oliver mais cedo, só de imaginar a felicidade do seu John nesse momento já era o bastante para deixa-la feliz e agradecida pela volta do arqueiro.
Oliver observou a fumaça saindo do café fumegante a sua frente, mal podia lembrar a última vez que bebeu a tal bebida. Lembrou de quando voltou depois de 5 anos após o acidente com o Queen’s Gambit, de como sentiu como se redescobrisse os sabores de vários alimentos. O sorvete, por exemplo. Ele lembra de ter comprado e levado à casa de Laurel para apreciarem juntos. Lembrou como foi sentir o gosto adocicado da sobremesa depois de muito tempo. “Até que não seria ruim passar por essa experiência de novo”, ele refletiu consigo, “mesmo tendo ficado fora por um tempo bem menor”. Mas dessa vez ele almejava uma outra companhia. Um sorriso escapou enquanto ele imaginava Felicity tagarelando enquanto saboreavam um big belly burguer, mas tratou logo de disfarçar tal sorriso com um gole do cheiroso café a sua frente. Diggle não precisava saber que ele andava sorrindo à toa ao lembrar da amiga.
- Esse deve ser um dos melhores cafés que já bebi em minha vida! – Oliver comentou apontando para xicara a sua frente.
- É o que eu falo, meu caro, sou um homem de sorte! – Dig respondeu se referindo a Lyla, fazendo Oliver rir.
- Eu estive me recuperando – Oliver começou subitamente – Nesses cinco meses – esclareceu – estive me recuperando do duelo contra Ra's Al Ghul.- finalizou, encarando o semblante sério do homem a sua frente.
- O que aconteceu nesse duelo, Oliver? – Diggle questionou com a postura rígida.
Oliver segurou firme a xícara a sua frente antes de começar a narrar sua luta naquele monte gelado. Não era algo que gostava de se lembrar, mas ainda assim seguiu em frente, sentia que devia isso ao amigo - não só a ele. Narrou desde o momento em que chegou até quando foi atingido pela lâmina de Ra’s. Ali, ele quase podia sentir de novo o frio e a dor agoniante de sua carne rompendo contra a espada, mas tentou se focar no calor que o café emanava para sua mão e nos olhos atentos de Dig a sua frente. Precisava focar no presente.
- Caramba, Oliver! – Diggle exclamou atônito – como você sobreviveu? – indagou.
Oliver explicou sobre quem era Maseo e como, mesmo sendo agora membro da Liga, ele o ajudou: o resgatando do penhasco e tratando dos seus ferimentos. Disse como ficou desacordado por semanas e como levou meses para conseguir recuperar suas forças. Explicou que nos últimos tempos, ele treinou, porque acreditava que, para voltar para Starling City, ele precisava estar em forma: Ra’s poderia descobrir que ele estava vivo e procurar por ele, e ele não queria arriscar pôr a vida de ninguém em risco por isso, então decidiu que precisava estar preparado antes de voltar.
- Oliver, eu nunca fui um homem muito religioso, – Dig começou – não depois de tudo que já vi nessa vida, mas se eu tivesse que descrever o que me contou, eu diria que foi milagre. – pontuou.
Oliver apenas assentiu e se ajeitou na cadeira para se aproximar do amigo, em seguida, com uma fisionomia concentrada, ele começou:
- Dig, você lembra quando eu lhe disse que eu não queria morrer naquele porão? – Oliver indagou e recebeu um sinal afirmativo como resposta – Eu ainda não quero. - sentenciou- Nesses cinco meses, eu achei por várias vezes que eu iria morrer naquele lugar e a única coisa que eu conseguia pensar era como eu estava sozinho – ele refletiu olhando para suas mãos – como a única família que eu tenho é uma irmã, que apesar de eu amar da melhor maneira que posso, o que nos restou foi um relacionamento baseado em mentiras; e a mulher que eu amo..- ele riu em descrença ao se pegar dizendo isso em voz alta – a mulher que eu amo – repetiu olhando para o amigo – eu mesmo a afastei.- se culpou – Naquele inferno, John, eu achei que ia morrer como eu mais temia. – terminou.
- É o que eu lhe disse naquele dia, Oliver, então não morra! – Diggle repetiu – Você recebeu uma nova chance, faça diferente! – continuou – E você está errado, você sabe, nunca está sozinho – ele disse sorrindo – Agora, por exemplo, eu consigo pensar em alguém que vai gostar de te ver de novo. – sugeriu, fazendo o outro abrir um sorriso.
- Eu preciso vê-la. – confessou.
- Você vai, mas antes, preciso devolver algo que te pertence. – Diggle disse se levantando, deixando um Oliver confuso para trás.
Dig voltou com uma enorme caixa e colocou na outra extremidade da mesa e, com um aceno de cabeça chamou o outro para se aproximar. Oliver se levantou e andou até a caixa, ainda incerto sobre o que se tratava. Ele a abriu e o que encontrou foi tão óbvio que ele se perguntou porque não pensou nisso imediatamente. Sua mão foi de encontro ao tecido verde e ele deixou que seus dedos passeassem sobre ele antes de tirar o capuz de dentro do recipiente. Ele admirou o seu capuz por um instante até devolve-lo de onde tirou e pegar sua máscara. A observou até seus olhos caírem sobre o fundo da caixa: seu arco e sua aljava. Colocou a máscara no lugar e alcançou, então, uma de suas flechas. Ao passar o dedo sobre a ponta afiada, um sorriso formou em seu rosto.
- Acho que está na hora do verdadeiro Arrow voltar. – Dig comentou divertido.
Oliver sorriu pro amigo concordando. É, está na hora dele voltar.
-
Felicity acordou naquela manhã com uma vontade enorme de ficar um tempo a mais na cama, mas o despertador tocando insistente do seu lado a fez levantar mal-humorada. Depois de silenciar o irritante barulho, ela se arrastou ainda sonolenta até o banheiro e tratou de começar sua higiene matinal. Ali, encarando seu reflexo descabelado enquanto escovava os dentes, ela desejou que aquela sexta se tornasse sábado num piscar de olhos, em que ele pudesse deitar sobre seu delicioso travesseiro e permanecer ali até dormir todo o sono que, ela tinha certeza, merecia. Mas isso não iria acontecer: ela sabia que a realidade estava longe de seu travesseiro e bem próxima de um Jerry lhe informando um monte de trabalho.
Ela seguiu para cozinha e pegou uma maça para o desjejum: estava tentando uma vida saudável e isso significava comer frutas, mesmo que ela não fizesse isso de fato todos os dias, mas estava tentando, já era alguma coisa, certo? Certo. Depois de uma mordida, tratou então de preparar um café: um dia não se inicia sem café, afinal. Mas antes que pudesse começar, seu celular começou a tocar. O rosto de Ray Palmer aparecia sorridente na tela a fazendo franzir o cenho: o que ele queria a essa hora da manhã? Da última vez que ele a surpreendeu a essa hora, sua mãe apareceu do nada e ela acabou sequestrada no final do dia por seu ex-namorado-morto não tão morto.
- Alô? – ela respondeu e mordiscou a maça em seguida.
- Eu simplesmente não pude esperar mais – a voz sempre enérgica de Ray soou do outro lado- preciso saber o que achou do novo projeto. E então? Brilhante? – requisitou urgente – Eu tenho certeza que, se nós dois trabalharmos nele, podemos revolucionar e tornar Star City uma realidade em menos de 3 semanas! – disse empolgado.
- Espera – Felicity disse confusa – que projeto?
- Hun... eu pedi Jerry para levar para você ontem, achei que ele havia entregado... – Ray disse incerto.
E então, Felicity deixou sua maça cair no chão e seus olhos arregalaram, enquanto sua mão livre ia inconscientemente até sua testa. Ela havia esquecido completamente. Saiu desesperada atrás da sua bolsa no sofá e passou a procurar os papeis que seu assistente a entregou no dia anterior, equilibrando o telefone entre sua orelha e o ombro;
- Claro, ele entregou o projeto – disse por fim o encontrando na bolsa – Oh, meu Deus, Ray, eu não li. – ela disse apertando os olhos como se esperasse um ataque de fúria dele- me desculpe! - pediu.
- Oh – Ray exclamou – Você não leu. – repetiu- Bom, era meio que importante, você sabe...
- Claro que sim! – ela reafirmou o interrompendo – Você está na empresa? Eu estou indo pra aí agora mesmo! Então vou ler tudo e estarei daqui há uma hora na sua sala com uma opinião – garantiu – só me dê cinco minutos para me arrumar. Tchau!
Ela se pôs a correr em direção ao seu quarto, quando a campainha tocou. Então ela paralisou no meio do caminho: O que faria? Fingir que não ouviu e deixar a pessoa ir embora ou atender e perder preciosos minutos do seu tempo que poderia ser usado para ler o bendito projeto?
Murmurando um “droga!”, ela fez sua opção e se pôs a ir atender a campainha, não podia deixar quem é que fosse sem resposta, só torcia para que não fosse a Sra, Fernandes atrás daquele gato de novo. Abriu a porta e lá estava John Diggle parado.
- John! – ela exclamou surpresa – Você! Eu esqueci alguma coisa na sua casa ontem? – perguntou confusa.
- Não, Felicity, mas preciso que venha comigo, tenho que te mostrar algo que você vai gostar de ver. – ele disse contente.
- Não é uma boa hora, John – ela disse andando para dentro da casa e deixando a porta aberta para que ele entrasse, o que ele prontamente fez, fechando a porta em seguida – Aliás, não querendo ser grossa, mas é uma péssima hora – gritou já dentro do quarto – Acho que bebi muito vinho ontem e acabei me esquecendo de que ainda tinha trabalho para fazer – disse voltando para sala como um pente na mão – agora meu chefe me ligou e eu não faço ideia do que ele estava falando – ela continuou penteando o cabelo – então, preciso chegar o mais cedo possível na Palmer Technologies e acabar logo com isso. Prometi que teria uma opinião em uma hora. - explicou – mas nem sei se isso é possível e, sabe, eu gosto muito do meu emprego, não posso perde-lo – prosseguiu – onde mais eu teria uma sala daquela? E, Deus, eu amo aquela sala! –exclamou- E ainda tenho um assistente, você sabe, o Jerry, que é realmente bom em preparar latte, e eu amo latte. –disse por fim para um John que mantinha seus braços cruzados e um sorriso divertido no rosto. – Preciso ir pra Palmer Technologies agora. – reafirmou.
- Felicity, não faço ideia do que está falando, mas eu tenho certeza que Ray Palmer não irá te despedir se atrasar um pouco. – garantiu – mas eu preciso que venha comigo agora. Você irá me agradecer depois. – conclui. – Por favor. – pediu.
- Mas...- ela pensou em argumentar, mas ela não podia negar um pedido de John, podia? Seus olhos caíram pesarosos nos papeis em cima do sofá e voltou para o homem a frente. Oh, Deus, ela ia se meter em problemas. – ok, pra onde vamos? – perguntou.
- Verdant. – ele disse apenas e ela sentiu seu estomago afundar.
- Achei que concordamos em não voltar lá. – disse.
- Sim, eu sei, mas eu realmente preciso da sua presença lá, não estaria te pedindo isso se não fosse importante. – ele afirmou – Por favor, Felicity – pediu novamente.
Felicity mordeu os lábios se sentindo apreensiva com a ideia de retornar àquele lugar. Não se sentia bem lá, tudo lembrava Oliver, e ela ainda não havia aprendido a lidar bem com as lembranças dele. Precisava de mais tempo, mas Diggle estava ali na sua frente a olhando daquele modo que ela não podia dizer não. E ela não podia se esconder pra sempre, ela ponderou, precisava encarar seus fantasmas eventualmente e aquela parecia uma boa oportunidade para isso.
- Tudo bem – disse decidida – Já estava com saudades dos meus computadores mesmo – brincou – só me dê um minuto para me arrumar.
- Eu espero. – John disse com um sorriso satisfeito se sentando no sofá.
-
Oliver estavam no porão, o ajeitando com a ajuda de Roy. Depois de meses fechado, aquilo parecia um depósito abandonado, o que o fazia lembrar de como realmente era antes de Felicity o aprimorar e transforma-lo em uma base de operação. Em um lar, na verdade. Pensando nisso, ele perguntou:
- Onde está a samambaia? – se virou para Roy, que estava abaixado retirando alguns armamentos de uma caixa.
- Felicity levou para casa – ele respondeu – ela disse que, se deixasse aqui, ela acabaria morrendo –esclareceu dando de ombro.
- Claro. – Oliver concordou voltando a prestar atenção nas flechas que organizava com um sorriso no rosto.
É claro que ela não a deixaria morrer. Felicity era adorável o suficiente para não permitir isso. Uma parte dele ficou feliz por isso: ele meio que tinha um apego àquela planta. Gostava como ela teve o cuidado de comprar para fazê-lo sentir em casa naquele lugar.
- O que você acha que vai acontecer com a Thea? – Roy lhe perguntou – Quero dizer, agora que você está vivo, você acha que ela pode estar em perigo? – ele se aproximou.
- Não – Oliver garantiu – Ra's Al Ghul jamais saberá de nada e, se souber, eu nunca o deixaria tocar nela – ele disse encarando o garoto- Thea é minha família, eu a protegerei sempre, nem que eu tenha que morrer de vez fazendo isso. – afirmou decidido.
- Você pode contar comigo. – Roy o informou- eu faço qualquer coisa para a manter a salvo. – falou sério.
Oliver pousou a mão no ombro do outro e assentiu.
- Obrigado. – ele disse sincero, voltando a dar atenção a suas flechas em seguida.
E ele realmente se sentia agradecido, por tudo que o rapaz tinha se mostrado desde que se juntou ao seu time. Ele sentia aliviado por poder contar com Roy para defender Thea. Por saber, que Roy a amava e o entendia como ninguém em relação a ela. Ele não podia imaginar o que faria se alguma coisa acontecesse com sua Speedy. Ele já havia perdido muito, não podia arriscar perder a sua amada irmã.
-
Felicity tentava ler as primeiras páginas do projeto de Ray Palmer no banco de carona do carro de Diggle, mas não estava sendo bem sucedida. Primeiro, porque seu cabelo solto insistia em cair em seu rosto, a fazendo praguejar por não ter o prendido como costumava; segundo, porque se sentia apreensiva por estar indo a Verdant e ainda sem nem sequer saber o por quê: Dig estava sendo todo misterioso sobre a necessidade da sua presença lá. Felicity não gostava de mistérios, eles a incomodava e a fazia querer desvendá-los, por isso não se conteve antes de questionar Diggle outra vez:
- Tem certeza que não vai contar o que preciso ver lá?
- Nop!- ele respondeu se divertindo com a curiosidade dela.
- Ok, então – ela disse – não pergunto mais. - completou como uma garota mimada.
- Eu agradeço. – ele confessou – De qualquer forma, você não acreditaria se eu contasse... – ele provocou, segurando o riso.
- Oh, John, você está fazendo de propósito! – ela acusou, fazendo-o rir como resposta.
John estacionou o carro na frente da boate e ela desceu ainda segurando seus preciosos papeis. Ela ergueu os olhos para a fachada do prédio e sentiu uma onda de nostalgia a alcançar, mas antes que pudesse se perder em lembranças, a voz de Diggle a atingiu.
- Você pode soltar esses papeis, Felicity, não vai precisar deles lá dentro.
- Você está certo. – ela concordou, guardando-os na bolsa – como sempre! – concluiu o fazendo sorrir.
- Vem, vamos entrar – ele convidou, passando os braços pelos ombros dela, a conduzindo.
-
Felicity desceu as escadas do porão seguida por Diggle e a primeira visão foi Roy colocando seu uniforme no manequim antes vazio. Seus olhos foram até o uniforme de Oliver que já estava no seu devido lugar, assim como seus computadores estavam devidamente ligados.
- O que está acontecendo aqui? – ela perguntou assim que desceu toda a escada, fazendo Roy a olhar sobressaltado – Vocês estão reativando esse lugar? – ela indagou, assim que Dig parou ao seu lado.
- Bom, acho que depois de cinco meses, já estava na hora. – uma voz disse atrás dela.
Aquela voz. Ela sentiu seu corpo paralisar. Ela olhou para Dig ao seu lado, ela precisava confirmar de que aquilo não era sua imaginação, de que alguém mais também o ouviu. O sorriso de Diggle confirmou. Ela sentiu o ar sumir de seus pulmões, mal conseguia se mover. Oliver. Era ele. Deus, era ele! Ele estava vivo. Ela se virou, enfim, tão fascinada pela ideia de tê-lo de volta que nem percebeu Dig e Roy saindo.
- Oliver. – ela sussurrou, só então percebendo como seus olhos estavam cheios de lagrimas.
E ele estava lá, sorrindo para ela como ela sonhou em várias noites. Ele era tão lindo! Ela o observou por um momento, guardando cada detalhe dele, como se ele pudesse desaparecer em qualquer minuto, como se a qualquer instante ela fosse acordar e descobrir que tudo não passou de um sonho. Ela queria guardar aquele momento, ela queria se prender pra sempre na possibilidade de vê-lo de novo. Ela não queria perder nenhum movimento dele.
- Você pode ao menos dizer que está feliz em me ver? – ele começou divertido – Eu passei meses fora, você podia pelo menos me oferecer uma água... ou um coco. – ele repetiu a frase dela de há mais de dois anos atrás, a fazendo rir.
- Oh, Oliver... – ela exclamou se jogando nos braços dele a seguir.
Abraça-lo era como encontrar seu lugar no mundo, ali, ela se sentia segura, sentia como se todos seus medos desaparecessem. Os dois pareciam tão certo. Ela apertou o abraço, precisava senti-lo mais perto, precisava sentir sua respiração, seu coração batendo no seu peito, precisava senti-lo vivo.
Oliver a abraçou como se sua vida dependesse disso, deixou se afundar no perfume que ela emanava. Ah, como ele a amava! Como era bom tê-la em seus braços! Sua Felicity.
- Eu disse que voltaria. – ele sussurrou.
Felicity se afastou e observou por um instante, ali de perto, ele era ainda mais bonito. Era tão bom poder vê-lo de novo, poder ouvi-lo.
- Pensei que eu tinha te perdido, Oliver. – ela confessou com voz baixa.
- Eu lhe disse uma vez que você não iria me perder. – ele lembrou.
- Eu sei – ela responde- mas eu tive tanto medo – ela contou – Oliver, eu tive tanto medo de nunca mais te ver, de nunca poder lhe dizer tudo que eu queria, quero dizer, você disse que me amava e eu...
- Felicity – ele interrompeu e ela deu pequeno sorriso involuntariamente, ela tinha esquecido como amava o jeito que ele pronunciava seu nome – Quando eu lhe disse que te amava – ele disse tocando uma mecha do cabelo dela – eu não disse para ouvir você dizer de volta – ele a olhou com carinho – lhe disse porque eu precisava que você soubesse. Não importava o que fosse acontecer comigo, eu queria que você nunca duvidasse disso. – ele disse a fitando nos olhos.
- Oliver Queen, eu te amo – ela declarou – eu também preciso que você saiba disso. – ela decretou enquanto ele abria um sorriso.
- Eu sei. – confessou, a beijando em seguida.
Beija-la era uma das melhores sensações que Oliver já experimentou. Ele já esteve com várias mulheres, mas nenhuma parecia fazer com que seu corpo explodisse em sensações como Felicity fazia. Ele não sabia explicar. Sentia como se houvesse milhões de borboletas em seu estomago, como se o tempo parasse, como tudo ao redor desaparecesse. Era como se seu corpo explodisse em adrenalina, mas ao mesmo tempo de uma calmaria que o fizesse querer ficar só ali, nos braços dela para sempre. Ele se sentia completo, mas ao mesmo tempo com uma sensação de que precisava dela sempre mais perto para se completar. Era uma felicidade estrondosa, uma necessidade dela, como se fosse um viciado e seu maior vicio fosse aquele cheiro, aquele toque, o gosto do seu beijo.
O beijo era calmo e intenso. Precisavam prolongar o contato um com outro, precisavam mostrar toda a saudade que haviam guardado por tanto tempo, precisavam declarar todo o amor que sentiam transbordar dentro de si mesmos.
- Eu sonhei com esse momento por meses – ele confessou ao final do beijo, encostando a testa na dela – eu senti tanto sua falta. – disse sorrindo pra ela.
- Não tanto quanto eu senti a sua. – ela respondeu, selando seus lábios.
- Duvido disso – ele se opôs – Em fala nisso, soube que está com algo meu – ele disse divertido, a fazendo o olhar com uma expressão confusa – a minha samambaia – esclareceu fazendo rir.
- Tecnicamente ela não é sua, ela é um enfeite desse lugar – ela revidou – mas se você a quer de volta, você terá que ir ao meu apartamento buscar. – desafiou.
- Isso é um convite, Srta. Smoak? – ele disse malicioso.
- Se fosse, você aceitaria, Sr. Queen?- ela provocou.
- Pode apostar que sim. – ele disse a beijando em seguida.
E tudo parecia no seu devido lugar.
Depois disso, Felicity recebeu uma ligação de um Ray Palmer ansioso, a quem ela, depois de se desculpar, pediu o dia de folga, que foi cedido após ele ter ouvido que era “uma longa história”, mesmo não tendo ficado muito contente com isso. Felicity e Oliver passaram o dia no apartamento dela, e o que se pode dizer é que Oliver conheceu de forma satisfatória o apartamento e sua última preocupação foi resgatar a samambaia.
O esconderijo da Verdant foi reativado e o Arrow e seu time voltaram a passar as noites lá como nos velhos tempos.
Oliver não sabia o que o aguardava a frente, se enfrentaria a fúria de Ra’s Al Ghul ou mais um ataque a sua cidade, mas sabia que seja o que for, ele enfrentaria ao lado daqueles que o amavam. Ele compreendeu que não precisava carregar o peso do mundo nas costas, que ele podia compartilhar e deixar com que as pessoas que se importam com ele se aproximassem. E isso o tornava mais forte.
Depois de muito tempo, estava tudo bem, ele estava feliz e vivia uma vida tranquila até onde sua identidade secreta permitia: ele tinha sua irmã sempre por perto, possuía Diggle e Roy que o apoiavam sempre e eram os melhores parceiros que ele podia pedir, sua cidade estava segura graças a seu arco e a ajuda do Capitão Lance, e ele tinha sua Felicity, que iluminava sua vida e preenchia seus dias de alegria.
Starling City nunca lhe pareceu tanto como um lar. Oliver Queen estava, finalmente, em casa. Tinha encontrado seu novo começo.
New Start - Parte I
“Oliver Queen está morto”. Aquelas malditas palavras rondavam sua cabeça. Cinco meses. Cinco meses desde a última vez que ela viu seu rosto. Cinco meses desde que ouviu sua voz pela última vez. Cinco meses se passaram desde o momento que ele disse que a amava.
E ele não recebeu resposta. Ele estava ali, bem à sua frente a dizendo que a amava e ela não conseguiu responde-lo, ela não disse que o amava. Por que ela não respondeu? Ela se perguntava todos os dias. Por que ela deixou que o homem que ela amava – não, que ela ama- morresse sem saber o que ela sente? Ela devia ter dito, ela devia ter corrido até ele o abraçado forte e o deixado saber que ela o amava e que sempre foi ele, e sempre será ele, o dono de todo seu amor. Mas ela não o fez, ela deixou o ir de encontro a sua morte sem saber. Ela ficou parada, sem nenhuma reação, enquanto ele saia para nunca mais voltar.
Sua cabeça pesava ao pensar nisso, ela sentia uma agonia enorme no peito, ela queria voltar no tempo, ela queria... droga! Ela sempre foi conhecida pela sua capacidade de não controlar as palavras e justo quando ela mais precisou falar alguma coisa, ela paralisou. Ela desejava tanto ter feito diferente.
“Chega, Felicity, para de pensar nisso.”, ela se repreendeu enquanto tirava seus óculos e massageava as têmporas, “você precisa superar!”, se advertiu. Mas ali, sentada na sua mesa na Palmer Technologies, superar parecia a última coisa que ela seria capaz. Ela devia ter sido mais amável quando teve chance, ela pensava enquanto segurava uma caneta vermelha, devia ter aceitado de bom grado sua vaga como assistente quando ele a promoveu, por exemplo, afinal ela ficou mais perto dele. Por que ela ficou tão brava? Agora parecia tão sem importância aquela discussão. Talvez, ela devia ter lhe trago mais cafés...
- Srta. Smoak? – uma voz mais elevada lhe tirou dos devaneios – Me desculpa, tenho lhe chamado há um tempo... – seu assistente desculpou com um pequeno sorriso.
- Jerry – ela respondeu se ajeitando na cadeira – Hun, claro... eu só... estava pensado. Você sabe, pensando na vida, eu faço as vezes... – disse colocando seus óculos – Ultimamente, o tempo todo. – murmurou pra si mesma por fim.
- Eu só vim trazer esses papeis – ele colocou algumas folhas na mesa – O Sr. Palmer disse que talvez você pudesse dar uma olhada em casa, ele disse que saberia do que se trata.
- Em casa? – perguntou confusa, enquanto pegava as folhas.
- Bom, já está tarde, creio que ele achou que já estaria de saída... – ele disse incerto.
Então, ela olhou pela enorme janela do seu lado. Já estava escuro. Quanto tempo ela ficou perdida em pensamentos? Nem sequer notou o entardecer. Aquele, com certeza, era um dos dias difíceis, daqueles que ela queria poder falar com alguém, mas a única pessoa que ela queria, não estava ali.
- Claro! – disse por fim – Jerry, você pode ir, já estou indo também. Com certeza, lerei isso em casa. – ela assegurou lhe mostrando os papéis.
- Já estou indo, então. Boa noite, Srta. Smoak! – ele desejou animado.
Felicity o respondeu com um aceno e um pequeno sorriso, o vendo sair logo em seguida. E lá estava ela sozinha com seus pensamentos de novo, lamentou com um suspiro. Tratou logo de afastar a possibilidade de se afundar em si mesma e se pôs a juntar suas coisas. Precisava se apressar: Diggle tinha lhe convidado para jantar em sua casa. Isso a animava um pouco, sentia falta dos seus amigos. Não passavam um tempo juntos desde... bom, desde quando eles perceberam que não estavam os fazendo muito bem continuar frequentando o esconderijo sem Oliver ali. Não tinha sentido sem o Arrow. Apesar disso, Diggle e Roy ainda faziam a ronda e, ás vezes, até lhe pediam ajuda em algum caso, que ela atendia por telefone, mas ninguém usava mais o porão da Verdant. Por meses, a boate do Glades é exatamente o que todo mundo pensava: só uma boate.
-
Ela esperava na porta do Diggle. Olhou para o vinho em sua mão, se sentia mais animada, como não sentia há tempos. “Talvez não esteja tão mal quanto pensei” comemorou consigo “Talvez já esteja superando”, sorriu pra si mesma. É isso: Só precisava de seus amigos e tudo ficaria bem. Sentiu uma onda de otimismo lhe preencher. “Vai ficar tudo bem” se prendia a isso.
Diggle abriu a porta e lhe deu um sorriso, sendo retribuído imediatamente. Ah, como ela sentia sua falta!
- Não só vim, como trouxe o melhor vinho! – ela disse animada- Não o melhor, o melhor, mas o melhor que eu podia pagar e que eu já bebi, então... – ela explicou em seguida, tirando uma risada do homem em sua frente.
- Senti sua falta! – ele sentenciou a abraçando em seguida. – E falando nisso, fico feliz que tenha cumprido o que disse, estávamos contando com esse vinho. – ele brincou em seguida, depois de pegar o vinho.
- Sempre cumpro, Senhor! – ela disse sorrindo e entrando na casa. “Ao contrário do Oliver” pensou em seguida, ele havia lhe prometido um vinho uma vez, no entanto nunca lhe deu; ele também havia dito que voltaria...
“Para de pensar nisso!” ordenou a si mesma, e se pôs a cumprimentar os demais. Estava decidida a aproveitar a noite: conversar com seus amigos, matar a saudade, mimar a Sara e esquecer seus meses de luto. Ia se permitir viver, afinal.
-
O jantar seguiu tão agradável quanto ela imaginou que seria. Lyla era ótima cozinheira, a massa que ela cozinhou combinou perfeitamente com o vinho. E, como não poderia ser diferente, ali rodeados de boa comida, a conversa fluiu e o clima era leve. Apesar de, no fundo, todos sentirem falta de uma pessoa entre eles, ninguém tocou no assunto. Lyla contava sobre seus dias na ARGUS, Roy e Diggle, sobre casos curiosos que encontravam durante a ronda, o que fez Felicity até sentir falta dos seus dias de hacker ao perceber que seus dias eram todas iguais na Palmer Technologies, mas esse sentimento logo se desfez quando Diggle passou a narrar as novas descobertas de Sara, fazendo todas da mesa sorrirem admirados.
- É bom te ver sorrir de novo. – Diggle comentou, enquanto ele e Felicity terminavam de lavar a louça.
- É bom estar entre amigos de novo, John. – ela disse sorrindo para ele.
- Você sabe que ele ia gostar de te ver feliz, não sabe? – ele continuou, enquanto secava um prato – Não passe a sua vida todo chorando, Felicity, não se feche, ser feliz é melhor maneira de honrar a morte dele. – ele lembrou.
- Não choro mais. – ela disse fechando a torneira e se virando pra ele – e não estou me fechando, só tenho trabalhado muito. – deu de ombro.
E era verdade. Há meses ela não chorava, era como se já houvesse chorado todas as lagrimas, agora só restava um vazio, um que parecia que nunca seria preenchido. E uma dor, uma dor que a sufocava em algumas noites quando a saudade parecia insuportável. E a melhor maneira que ela encontrou para escapar de tudo isso era se mantendo ocupada, por isso passava o maior tempo possível trabalhando.
- Claro – Diggle concordou com um sorriso amigável – só não quero que se esqueça que você continua viva.
Lyla entrou na cozinha no momento que ela ia responder, dizendo que Sara estava acordada e que pensou que Felicity ira gostar de ir vê-la. Convite que foi logo aceito por uma sorridente Smoak, que foi mais do que aliviada por poder fugir do assunto.
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- Ela é a coisa mais linda que já vi! – Felicity disse admirada observando a pequena Sara brincar com seus próprios pés.
- O tempo passa tão rápido... – Lyla disse admirando a filha – parece ontem que ela nasceu e olha o tamanho que ela já está...
- O dia que nasceu foi um dia muito especial. – Felicity comentou e suas mãos foram inconscientemente até um pingente feito por pontas de flechas no pescoço da pequena Sara, sendo absorvida por lembranças do tal dia. Sendo absorvida por lembranças de Oliver.
- Felicity – Lyla chamou incerta – eu sei que talvez eu não seja a melhor pessoa a te dizer isso, mas eu ouvi o que o John lhe disse, e eu sei que não quer falar disso, mas eu realmente acho que ele está certo.
- Eu sei. – ela concordou passando a olhar a mulher em sua frente – é só que...- ela começou, mas sua voz se perdeu a seguir.
O que ela iria dizer? É só que ela não se despediu como queria? É só que ela vive com esse monte de “se” rondando sua cabeça? É só que seu tempo era todo dedicado a ele e agora ela já não sabe o que fazer sem ele? O que ela diria?
- Ele esteve aqui uma noite – Lyla começou prendendo a atenção de Felicity – Ele e o Roy vieram jantar conosco. Eu sou boa observadora. – ela garantiu - E se eu posso te dizer uma coisa é que ele sabia o que você sente por ele. Ele sabia, Felicity. Ele só não sabia que a única coisa que impedia vocês de ficarem juntos era ele e não qualquer outra coisa que ele dizia para você e para si mesmo. Mas quanto ao seu sentimento, eu acredito que estava bem claro para ele. – ela terminou.
Felicity a encarou por uns segundos, e então um sentimento bom pareceu crescer um pouquinho dentro dela. Conforto. Talvez ele soubesse, afinal.
- Obrigada, Lyla. – Ela disse sorrindo, se sentindo de fato a vontade ao sorrir como não sentia há muito tempo.
-
Um barulho na sala fez com que Lyla e Diggle acordassem assustados durante a madrugada daquela noite. Diggle tratou logo de pegar uma arma na gaveta do lado da sua cama e deu instruções para que sua mulher fosse ficar com sua filha, pedido que foi atendido prontamente por Lyla, que saiu silenciosamente, mas não sem antes se armar também.
Ao entrar na sala, ele pôde ver a silhueta de homem, fazendo-o apontar a arma quase que imediatamente. O homem rapidamente levantou a mão em sinal de rendenção, ao contrário do esperado pelo dono da casa;
- Dig – uma voz conhecida lhe chamou – Sou eu. Desculpe, não queria assusta-lo.
Diggle abaixou a arma e sentiu como se o chão saísse debaixo dos seus pés. Ele não podia acreditar em seus ouvidos. Depois de cinco meses, ele estava ouvindo aquela voz, ele não podia acreditar! Então, ele disse a única coisa que vinha na sua cabeça:
- Oliver?
Sua voz saiu baixa, como se tivesse incerto se aquilo podia mesmo ser sequer uma possibilidade, mas então o homem se aproximou, e a luz vinda da janela iluminou seu rosto, e ali ele estava: Oliver Queen.
Oliver Queen está vivo.
-
Depois de ser abraçado e ouvir exclamações de surpresa e alívio, Oliver estava sentado no confortável sofá da sala bem decorada, enquanto Diggle e Lyla estavam em pé a sua frente ainda o encarando. Era estranho a sensação de ser olhado com tanto cuidado, mas ao mesmo tempo um alivio estar rodeado por rostos amigos. Ele estava feliz ali, feliz de estar de volta em Starling City. Tão feliz que mal conseguia segurar um pequeno sorriso ao observar Diggle o olhar com tanto cuidado, ele o encarava como se estivesse vendo um fantasma. Oliver se divertia com a ideia. Era exatamente assim que se sentia ultimamente: um fantasma que almejava mais que tudo voltar a vida. E ali ele estava, voltando a vida. Uma onda de alivio e satisfação lhe tomava, mal podia esperar para viver tudo que lhe aguardava. Era bom estar na sua cidade, era bom estar em casa.
- Bem, você é realmente bom em voltar dos mortos, Oliver. – Diggle disse por fim lhe fazendo rir – Bom te ter de volta, cara. – confessou.
- É bom te ver também. – Oliver concordou se levantando – Passei na Verdant, o porão me pareceu abandonado. – ele comentou se aproximando.
- Bom, as coisas não foram muito fáceis sem você aqui – Dig começou com um suspiro – Achamos melhor fechar o lugar. - finalizou, fazendo Oliver abaixar a cabeça e assentir pesaroso.
- Eu sinto muito não ter voltado antes. – se desculpou.
- Bom, você está de volta, cara- Diggle disse colocando uma mão no ombro do amigo – Terá bastante tempo para contar sua história. – sorriu por fim,
- Me parece uma longa história – Lyla pronunciou – vou preparar um café para acompanhar. – disse saindo logo em seguida.
- Venha se sentar, Oliver. – Diggle convidou indo em direção a mesa.