Fatos inúteis sobre mim:
1. Eu só sei escrever quando meu coração está cheio. Ou quando está cheio de amor, ou quando está cheio de dor.
(infelizmente, hoje é a segunda opção)
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Fatos inúteis sobre mim:
1. Eu só sei escrever quando meu coração está cheio. Ou quando está cheio de amor, ou quando está cheio de dor.
(infelizmente, hoje é a segunda opção)
Bom, aqui é uma espécie de diário pra mim, então vou só escrever o que estou sentindo, e depois revisar (ou não). Eu estou cansada de não ser o suficiente. Tão cansada. São muitas pressões por todos os lados e eu estou simplesmente cansada de não atender às expectativas das pessoas. Não, eu não sou uma filha exemplar. Nem uma funcionária exemplar, uma aluna exemplar, uma amiga exemplar e muito menos uma namorada exemplar. Muito menos uma namorada exemplar. Eu não sei agir da forma que as pessoas esperam e eu sempre acabo fazendo tudo errado enquanto estou tentando fazer o que é certo. Eu tô cansada de não ser o suficiente. Eu tô cansada dos padrões de beleza, tô cansada de ser julgada, tô cansada do capitalismo, tô cansada do mundo. Tô cansada de decepcionar as pessoas. Hoje eu me cortei de novo. Tenho feito isso com frequência, e estou com medo. Tô cansada, e com medo, e não sei se amanhã vai ser melhor ou pior.
Sobre (não) desistir
Você provavelmente sabia que eu era meio louca, né? Afinal, quem em sã consciência atravessa a cidade para encontrar com alguém que só conhece pela internet? É, sinceramente, eu assumo: não sou muito normal mesmo.
Você sabe que sou fresca pra comer. E que sou muito indecisa. E que tenho toc com limpeza, mas depende do local. Eu posso acordar e deixar a cama baguçada o dia todo, mas quando for dormir eu preciso arrumá-la. Eu preciso verificar se as portas estão trancadas, se as luzes estão apagadas, se o cobertor está cobrindo meu pé e não está arrastando no chão. A porta do banheiro não pode estar aberta, nem as janelas, e eu não gosto de escuridão completa. Antes eu gostava, agora não. Meus medos tomaram uma proporção maior do que eu pude controlar. Eu fico nervosa fácil, não tenho saco para algumas coisas, e sinto vontade de chorar de repente. Pode parecer que eu odeio algo pela forma que eu me falo sobre aquilo (p.e. crianças), mas não é assim, eu só não sei me expressar direito.
Eu sou grossa sem querer ser. Quando eu quero, então... Ah, eu uso bastante reticências, ironia e sarcasmo. Ás vezes é difícil concluir um pensamento, então eu acabo deixando ele em aberto, seja na fala ou na escrita. Eu faço piadas quando fico desconfortável, eu sempre tento deixar o clima leve, e tenho muita dificuldade em receber críticas, mesmo as construtivas. Pode parecer algo banal, mas ao ouvir “você poderia ter feito X ao invés de Y”, eu já me sinto uma total incompetente por ter passado tanto tempo indecisa entre X e Y e ter tomado a escolha errada. Já falei que sou muito indecisa né? Você sabe, principalmente quando vamos comer. A gente fica meia hora pra eu escolher entre pizza ou lanche, e quando finalmente escolho lanche, depois me arrependo achando que deveria ter escolhido a pizza (ou vice versa).
Eu sou muito observadora, crítica e sincera quando vou falar algo. Quando acho que algo deve ser dito, digo sem muitos rodeios e diretamente. Isso entra na questão de ser grossa sem querer. Mas eu penso muito antes de falar algo, então se eu falo é porque aquilo já estava rondando minha mente há tempos. Algumas coisas, ainda, falo apenas para o travesseiro, e essas obviamente você nunca saberá quais são. Outras vezes ainda eu prefiro ficar em silêncio do que falar algo que possa me arrepender depois. Mas isso não tem nada a ver com você. Sou apenas eu, sendo eu.
Eu me importo demais com tudo, mas ás vezes, estou sem paciência para me importar com algo. Eu não gosto de conversar sobre assuntos que não tenho uma opinião formada, principalmente com pessoas que são tão seguras sobre o que estão falando. Daí minha cara de bunda e meu silêncio incômodo. Mas não é que eu não goste de conversar sobre qualquer assunto com você. Sou apenas eu, sendo eu.
Hoje eu posso estar super empolgada para ir em uma festa ou para qualquer outro lugar. Mas daqui cinco minutos minha mente criará inúmeros empecilhos e minha vontade de sair vai ser 0. Isso não tem nada a ver com você, nem com ninguém. Sou apenas eu, sendo eu.
Eu vivo em uma constante travessia entre sentir demais e não sentir nada. Geralmente, quando percebo que uma crise de ansiedade se aproxima, prefiro me isolar para que isso não atinja quem estiver ao meu redor. Não pense que quando estou com raiva ou chateada seja por culpa sua. Mesmo eu mesma achando que é, não é não. Sou apenas eu, sendo eu.
Eu posso parecer muito crítica com os outros, mas pode acreditar, sou mil vezes mais comigo mesma. Eu me sinto muito sozinha, sempre. E isso não tem nada a ver com você. Sou apenas eu, sendo eu.
Por que eu estou escrevendo sobre tudo isso agora? Sei lá, só estava pensando nisso. Eu devia ter dito isso tudo antes. Devia ter te alertado que sim, eu não sou uma pessoa fácil.
Mas você me deu liberdade para mostrar esse meu lado. Lado que, sinceramente, eu mesma nunca tinha parado para prestar atenção. Talvez você tenha percebido essas coisas antes que eu.
Por que eu estou escrevendo sobre tudo isso agora? Acho que eu só precisava externalizar isso de alguma forma, e você sabe que eu sou melhor escrevendo do que falando.
Eu me desculpo demais também. Eu me culpo demais, e consequentemente, acabo assumindo culpas que não são minhas e me desculpando por isso. Você disse uma vez que eu não devia pedir desculpas por nada, que são apenas minhas atitudes, e apenas eu sendo eu. Não aceito isso ainda, algumas coisas são na verdade culpa minha e eu preciso me desculpar por elas sim. Mas, de modo geral, estou tentando substituir as desculpas pelo “obrigada”.
Então, na verdade, talvez esse seja mais um agradecimento. Ao invés de me desculpar por ser assim, meio difícil, eu digo “obrigada por ter paciência comigo”. Não me desculparei pelo meu jeito, e por quem eu sou, mas eu digo obrigada, por conhecer esse pior lado de mim e não ter desistido.
Você teve oportunidades, e até motivos talvez, pra ter desistido da gente. Mas você não o fez. E por mais que ás vezes aquele bichinho chamado ansiedade se instale em meus pensamentos e me convença que eu não sou boa o suficiente, que eu não mereço ser amada, que eu vou fracassar em tudo... Tem você que me diz exatamente o contrário.
Por que eu escrevi tudo isso agora?
Ainda não sei, mas estou mais leve e melhor depois de ter escrito isso. Faço isso também, eu prefiro escrever e colocar meus pensamentos aqui todos misturados do que falar sobre eles. Eu também não costumo revisar nem mudar muito o que escrevo, então pode não estar fazendo sentido nenhum pra quem lê. Chama digressão isso, é quando você desvia do assunto que está escrevendo (ou falando), e eu faço muito isso. Na escrita e na fala. Ah, eu também escrevo muito. Agora mesmo parei pra ver o tamanho do texto, e acho melhor encerrar por aqui.
Na realidade, acho que escrevi isso para tentar trazer você pra perto de mim. Além dos agradecimentos, e do aviso tardio de que sim, sua namorada é maluca, é mais um lembrete. De que minha vida sempre foi meio bléh, mas agora eu tenho você aqui. Não gosto da escuridão completa, mas posso suportá-la se você estiver comigo. Eu acabo esquecendo de verificar se a porta foi trancada, porque não quero sair do seu lado e perder esses 10 segundos que poderia estar com você. Mas eu faço você levantar para arrumar o lençol na cama e podermos dormir (sinto muito). Meus medos ainda são enormes, mas você está aqui. E afinal, é só isso que importa.
Bom, não sei se vou te mostrar isso, ou se você vai acabar vendo mesmo, mas se estiver lendo: obrigada novamente por não desistir. Amo você.
...
Ela sempre acorda após as 22h00. Geralmente, depois que me deito, me cubro e tento limpar a mente para ir dormir cedo e conseguir acordar cedo no outro dia. Mas ela sempre acorda, e não me deixa dormir. Ela costuma acordar quando estou sozinha, com a guarda baixa, porque sabe que nesses momentos ela pode levantar com muito mais força, apesar de causar muitos estragos quando ela aparece e eu estou com outras pessoas. Toda noite, agora, eu fico esperando que ela venha. Ela não me atinge mais como antes, apesar de ainda ser difícil. Ela ainda me sufoca, me congela, mas estou aprendendo a viver com ela. Ansiedade, não vai ser nessa vida que você vai acabar comigo ;)
Desprevenida
Eu nem vi quando ele chegou. Só sei que entrou pela casa, por todas as frestas possíveis, escancarando as janelas e as portas. Trouxe junto uma leve brisa de verão, varrendo a casa toda, silencioso como sempre foi. Pensei que seria passageiro, apenas mais uma daquelas visitas indesejadas que se você não der atenção ela vai embora logo. Mas ele se instalou aqui, não só no sofá da sala, mas também no box do banheiro, na pia da cozinha e dentro do meu guarda roupa. Quando eu menos espero, ele está lá me encarando. Eu soube que ele não iria embora quando me acompanhou até o serviço. Em cada tecla que eu digitava, ele estava lá também. Sei que não partirá tão cedo. Também não desejo que vá. Espero que minha rotina maçante não o afaste. Ouço sua voz no meio da noite e vejo sua face iluminada pelos trovões lá de fora. Perambulando pela casa durante a madrugada, observando todos os meus passos, acariciando meus cabelos no travesseiro e enxugando minhas lágrimas que nada tem a ver com ele. Ele se alojou em partes desconhecidas do meu ser. Nesse instante, espia sobre meu ombro para ver o que escrevo. Sim, Amor, mais uma vez eu escrevo sobre você. E sobre como estou mais feliz desde que você chegou.
O que é preciso pra ser uma mulher forte?
Eu acho lindo mulheres fortes. Conheci várias ao longo da vida, minha mãe mesmo é a primeira referência de mulher forte que eu tenho. Eu acho lindo mulheres que tem o controle da sua vida, mulheres que se amam e que tem auto estima lááá em cima. Acho lindo de verdade. Eu tentei ser uma mulher forte por muito tempo, e acredito que eu tenha sido. Não me lembro de uma vez que eu tenha visto a minha mãe chorar. Chorar de desabafo, de desconsolo, de tristeza. Não lembro mesmo. Mas ela é uma mulher forte, ela não chora. Chorar é sinônimo de fraqueza.(?) Minha mãe é batalhadora, guerreira, corajosa, sempre se virou sozinha, independente, realmente é uma mulher forte. Eu já sabia disso antes de qualquer um me falar, e olha que as pessoas falam muito isso. Ela sempre foi meu espelho de vida, a inspiração para a mulher que eu queria me tornar, minha Mulher Maravilha. Eu tentei ser uma mulher forte, mais por ela do que por mim mesma. Eu tentei ser igual a ela, tentei ser uma mulher que pudesse deixá-la orgulhosa, eu tentei… Mas hoje eu não quero ser uma mulher forte não. Hoje eu quero deitar a cabeça no colo dela e chorar por tudo que tem dado errado. Hoje eu quero mostrar que também sou sensível, frágil, e que estou totalmente quebrada por dentro. Ser forte cansa e eu não aguento mais. Ser forte é chorar apenas debaixo do chuveiro, quando ninguém está vendo, ou com o rosto abafado pelo travesseiro a noite, e hoje eu quero alguém pra limpar minhas lágrimas. Hoje eu não quero ser forte… Querer alguém pra cuidar de mim é sinônimo de fraqueza? Hoje eu ouvi da pessoa que mais amo que eu não tenho isso em mim. E doeu demais, porque ele tem razão. Eu acho lindo mulheres fortes, mas eu baixei a guarda e deixei ele ver minhas inseguranças e meus medos, agora ele percebe que eu também sou humana. Eu permiti que ele visse o lado que eu sempre escondi de todos, e hoje ele me disse que eu não tenho essa segurança, esse controle, essa auto estima que eu tanto admiro em outras mulheres. E novamente, a culpada sou eu por deixar que ele conheça além da mulher forte que eu tento aparentar. Talvez ele não entenda que eu tenho segurado tanto tempo essa outra mulher, essa que esteve abandonada, que precisa de carinho, essa outra que se machuca por tudo. Tenho mantido ela presa por tanto tempo, e agora nao tenho mais controle sobre ela. Ela nunca sentiu confiança em ninguém dessa forma antes, ela até me ajudava a mantê-la em segredo pois sabia que poucos iriam entendê-la. Ela escapava, às vezes, mas ultimamente ela tem tomado conta de mim quando eu menos espero. Talvez ela tenha achado que ele entenderia. Talvez ela achasse que ele fosse cuidar dela, que ela poderia falar sobre tudo, todos seus medos, tudo que ela sempre expressou apenas em seu diário ela poderia falar pra ele e ele entenderia. Ah, garota boba… Ela mostrou seu lado mais íntimo, e ele a julgou fraca. Logo ela, que sempre quis ser e aparentar uma mulher forte. Logo ela, que sempre teve tantos bloqueios emocionais, logo ela que sempre demorou tanto para confiar nas pessoas, logo ela que sempre chorou escondido para não parecer fraca… Logo ela, que hoje resolveu que não queria ser forte. Só por hoje, ela pensou. Só por hoje eu quero uma palavra carinhosa, só hoje eu quero um chamego, só hoje eu quero mostrar que não sou de ferro. Só hoje ela decidiu não ser forte. Querer que alguém cuide de mim é sinônimo de fraqueza?
The show must go on
Fui assaltada. Não foi hoje. Nem ontem, nem recentemente. Mas fui. Da primeira vez, estava sozinha e um cara armado levou apenas meu celular. Na segunda, estava sozinha também, e quatro caras com duas motos me cercaram, dois armados e levaram minha bolsa preferida. Da última vez, não estava sozinha, exceto na hora que eu apanhei. Apanhei sozinha quando não deixei levarem minha bolsa que só tinha meu figurino de importante. Acho que poucas pessoas sabem como é estar derrubada no chão, olhar pra cima e ver cinco marmanjos ao seu redor, dando chutes e socos ou como é no momento não sentir nenhuma dor por causa da adrenalina, mas no dia seguinte quase não conseguir levantar e achar que está com as costelas quebradas. Enfim, tô pensando nisso de novo porque vi hoje a tarde que rolou um arrastão em um dos ônibus que vai pra minha faculdade, entraram armados e roubaram os celulares de todo mundo. E dias atrás também rolou uns arrastões no trem que eu pego pra vir pra casa. E eu morro de medo de ser assaltada de novo. E eu tô cansada disso. É foda viver com medo, andar olhando pra trás a cada dez passos, suspeitar de cada pessoa que atravessa seu caminho. E eu tô cansada de viver com medo. E tô cansada de julgar as outras pessoas. E tô cansada dos discursos prontos, e de usar meus sentimentos de vingança pra analisar problemas sociais. E ai eu fico pensando se vale a pena. Se vale a pena viver com medo. Se valeu a pena renunciar ao emprego pra ir pra faculdade num horário mais seguro, sendo que não é mais seguro merda nenhuma. Porque não tem hora nem lugar seguros mais. E se valeu a pena todo o tempo que eu fiquei estudando pra passar numa facul pública onde a permanência é tão difícil. E se vale a pena ficar cinco horas por dia no transporte pra ir e voltar da faculdade. E se vale a pena tanta coisa que eu faço pra tanta gente que não faz nada por mim, porque ai eu já penso em outras mil coisas que também não valem a pena. E se vale a pena eu ficar chateada e desanimada por todas essas situações difíceis. E ai eu só começo a ouvir no fundo da minha mente aquela música do Queen, mas não na voz do Freddie Mercury e sim na voz daquele cara do filme Moulin Rouge, e ele fala “On and on, does anybody know what we are living for?” e aí então eu lembro das coisas pelas quais vale sim a pena viver e porque eu aguento tudo isso, e lembro da outra música da Ana Carolina que ela fala “tudo que sofri me fez mais forte, pronta pra sofrer de novo”. E então eu foco nisso e tento dar uma controlada na minha mente que já viajou demais.
É que você é um tipo de cara que eu nunca tive antes. Você é o cara que desistiu. Desistiu de tentar arranjar motivos banais para não estarmos juntos, mesmo que as vezes pareçam existir muitos. Desistiu de tentar lutar contra esse sentimento que nos invadiu de repente, desistiu de resistir a isso que se alojou na gente. Desistiu de me afastar e aceitou junto comigo essa nova fase pra nós dois, sabendo que juntos somos mais fortes que qualquer coisa. Você é o cara que desaparece. Desaparece com todas as minhas inseguranças e medos. Com o meu ciúmes desnecessário, quando renova a minha confiança a cada dia. Você desaparece com as minhas angústias e com as lembranças ruins das minhas experiências anteriores. Você desapareceu com meus receios de tentar novamente. Desapareceu com os sentimentos negativos que eu alimentava em relação a mim mesma. Você é o cara que enche. Me enche de alegria a cada manhã, apenas com uma mensagem de bom dia. Enche meus dias de alegria, de planos para o futuro e de certezas de que por mais que as coisas estejam difíceis, estando ao seu lado vai dar tudo certo. Você me enche de beijos, abraços apertados e carinhos amorosos, me enche de amor e segurança. Você é o cara que reclama. Reclama do pouco tempo que temos juntos, reclama se eu apago a luz a noite, porque você quer explorar um pouco mais meu corpo, meu rosto. Você é o cara que mente. Mente pra todo mundo que olha pra gente de fora, afirmando que não vamos durar, já que não temos fotos nem "um relacionamento sério" no Facebook. Você mente por não fazer declarações gigantescas de amor nas minhas redes e nem com testemunhas ao nosso redor, mas faz isso baixinho a noite, no escuro do quarto quando estamos apenas nós dois, dizendo que me ama ao pé do ouvido. Porque você, assim como eu, sabe que não devemos dar satisfação do nosso amor para ninguém além da gente. É, você é um cara que eu nunca imaginei que existia de verdade. Ainda bem que, às vezes (só as vezes), eu me engano.
Eu sei que preciso ser forte. Eu sei, quando sento no banco encostado a janela no metrô, e vejo de relance um homem se sentando ao meu lado. Tem outro sentado a minha frente. Eu sei que preciso ser forte quando me sinto encurralada. Olho pela janela para conseguir voltar a respirar. Eu preciso ser forte, quando saio de casa de saia e tenho que encarar os olhares animalescos que sobem pelas minhas pernas. Eu preciso ser forte quando sento no trem e ouço um rapaz comentando com o amigo que ele "também adoraria dar uma escalada", ao ver minha tatuagem. Quando subo as escadas da estação ou do shopping e alguém me deixa passar e eu tento me convencer de que não foi apenas uma atitude pra ficar olhando minha bunda. Preciso ser forte pra não chorar na frente dele, não quando ele acabou de me falar que nenhum homem nunca vai se apaixonar por mim porque eu estou tão fora do padrão de beleza. Ou quando ele diz que eu não preciso expor tanto meu corpo e me rebaixar pra conseguir o que quero. Que preciso me valorizar mais. Me lembro de todas essas situações enquanto estou olhando pela janela, buscando minha força novamente enquanto me sinto encurralada. Então ela vem. Quando vejo outra garota sentada do outro lado do vagão pelo reflexo do vidro. E eu me vejo nela. Sei o que ela está pensando. "Não devia ter saído de saia hoje". " essa blusa talvez esteja muito decotada". "Por que diabos eu passei esse batom vermelho que chama tanta atenção pra mim?". Eu sei, porque também penso isso. Mas não agora, que preciso ser forte. Eu levanto, como se fosse sair do trem, e esbarro a perna com força quando o homem ao meu lado não me dá passagem. Paro na sua frente, e vejo seu olhar aterrorizado ao pensar que eu vou sair do vagão e ela vai ficar sozinha com todos esses homens. Eu a olho, e digo bem alto: " Oi, Mari! Nem reconheci você! Como você está? Vem, vamos sentar ali!" sem nem ao menos esperar a sua reação e a puxando pela mão. Vamos para o final do vagão, e ela diz "obrigada" baixinho, mais com os olhos do que com a voz. Descemos na próxima estação e nos separamos. Não sei qual o nome dela, nem falei o meu. Ela me ajudou da mesma forma, e eu esqueci de agradecer tambem. Não sei quantas vezes na vida fui forte. Acho que eu apenas finjo ser. Preciso ser forte, mas tenho tanto medo. Só penso em ser forte, e de repente me lembro da pixação na parede em algum lugar: "moça, faz da sua dor a sua luta". É lindo, mas muito difícil na prática.
Sobre dizer "eu te amo"
Eu sempre demorei pra falar “eu te amo” pra alguém. Inclusive, existem pessoas que nunca ouviram isso da minha boca. Sempre quis ter certeza desse sentimento antes de falar para alguém, mas sempre fui muito confusa em relação ao amor. E sempre tive medo de não ser correspondida, por isso guardava o amor dentro de mim. Até agora. Falar sobre o amor nunca foi tão fácil depois de você. É tão natural dizer “eu te amo”, que a cada fala eu quero encaixar isso pra que você saiba. “ Bom dia, eu te amo”. “Você tá bem? Eu te amo”. “Boa noite, eu te amo”. Você me trouxe uma certeza que nunca tive antes. E eu sei que é verdadeiro, porque quando eu falo isso pra você, uma coisa diferente toma conta de mim, as borboletas no estômago e um sorriso brota no meu rosto sem que eu perceba isso. Eu sei que te amo, por falar com você pelo telefone e ficar ofegante de repente como se você estivesse aqui, ou quando a saudade é tão forte que chega doer e rola uma lágrima discreta pelo meu rosto. Mas principalmente, eu sei que é verdade porque eu digo que te amo porque eu quero dizer, e não apenas para retribuir o que você disse. Eu te amo.
O melhor tipo de relacionamento é aquele onde você pode continuar saindo pra onde você quiser, mas com a certeza de que vai ter alguém pra quem voltar.
Confesso, nunca fui muito a favor dos relacionamentos monogâmicos. Até você aparecer, e me fazer sentir que não preciso de mais ninguém, porque você me basta, me transborda e me satisfaz em todos os sentidos.
Tempo certo
É o que sempre dizem por aí: "tudo tem seu tempo certo para acontecer". E foi assim mesmo. Eu, tão cansada de relacionamentos falsos, pessoas vazias, sempre fria e distante, nunca me apegando a ninguém, sempre mantendo uma distância segura de todo e qualquer cara que aparecesse em minha vida. Eu sempre com uma resposta na ponta da língua, eu sempre sarcástica, eu que não levo nada a sério, eu sempre buscando novas aventuras noturnas, eu apenas querendo viver, eu porra loca, como tantas vezes ouvi, eu crítica e desconfiada. Eu, que já estava me acostumando a ter vários corpos e nenhuma cama, já me conformando com a ideia de ficar sozinha, achando que o amor não tinha sido feito pra mim... E ai você aparece. Literalmente, de um dia pro outro. E me desarma tão facilmente, coloca todas as minhas certezas a prova. Exatamente como falei, eu passei tanto tempo construindo uma muralha ao redor do meu coração, para me proteger da crueldade do mundo, para que ninguém nunca me machucasse... E você derruba essa muralha como se fosse um castelo de areia na praia. Foi exatamente assim que você chegou na minha vida, repentino e forte como uma onda. E você tão facilmente conseguiu enxergar o que eu sempre tento esconder de todos. Que por baixo dessa frieza, de toda essa ironia e sarcasmo, existe uma garota com medo de amar de novo. Medo da rejeição, medo de sofrer, medo do abandono, de se entregar e não ser correspondida, como tantas vezes aconteceu. Você derrubou todas as minhas resistências, e eu percebi que o meu coração gelado podia arder novamente. Ainda tenho medo, é verdade, mas você me faz lembrar de que a vida só vale a pena se existe aquele frio na barriga que te leva adiante. Você me faz querer tentar de novo, e isso já é tanto pra mim. Eu que há tanto tempo não pensava em um futuro, em ter alguém para dormir comigo, alguém para passar os domingos de pijama assistindo filme e comendo pipoca, sem me preocupar com o meu cabelo bagunçado. Alguém com quem eu possa ser eu mesma. Você tem noção do como isso é grandioso para mim? Não precisar fingir, não ter que encenar ser aquela menina de familia, aquela "moça pra casar", ter a liberdade de falar sobre tudo com você, sem pensar que você vai me julgar. Agora, na madrugada, eu ainda me pego pensando em você. E só a lembrança dos seus beijos me tira o ar, e quando eu fecho os olhos e imagino você, é algo que eu não sei o nome, mas que invade meu corpo e quando eu percebo, lágrimas já estão escorrendo pelo meu rosto. Mas diferente de outras vezes que elas rolaram de mágoas passadas, dessa vez as lágrimas escapam esperançosas, como se até elas pudessem sentir o bem que você me faz. É quando eu me dou conta de que estou completa e totalmente apaixonada por você. Eu, que não acreditava mais no amor, em casamentos e finais felizes, agora vivo como uma romântica incurável, sorrindo pelas ruas, toda boba de amor. Agora sinto que estou em uma corda bamba, mas com a certeza de que seus braços estarão ali para me amparar se eu cair. Minha cabeça não descansa tão bem nesse travesseiro quanto no seu peito. E agora, sem sombra de dúvidas, eu sei que sou sua. Acho que sempre fui, e por isso não deu certo com ninguém antes. Mas se você apareceu agora, é porque essa é nossa hora de sermos felizes. Mesmo parecendo que eu te conheço há anos, e que sempre fui apaixonada por você, é recente e novo o que estamos vivendo. Mas que seja duradouro e belo como tem sido. Essa é a nossa hora de sermos felizes, porque realmente, é como dizem por aí: "tudo tem seu tempo certo para acontecer".
Ela precisa chorar. Só isso. Ela só precisa tirar toda essa mágoa que guarda no peito há tanto tempo, esse sentimento que não consegue explicar pra ninguém. E agora, no frio da madrugada é a hora perfeita pra isso. Ninguém vai ver, ninguém vai ouvir seu pranto, nem vai querer saber os motivos das suas lágrimas. Hoje, mais uma vez, ela renova suas forças desabando tudo no travesseiro, para poder aguentar mais um dia ao acordar. Para poder, no dia seguinte, levantar a cabeça e dizer que está tudo bem.
Diálogos da vida real...
"Mas você desconfia de todo cara que se aproxima de você" "É claro, depois de tantas decepções, como você quer que eu confie em alguém novamente?"
Às vezes, eu quase consigo esquecer sua voz, seu rosto e todas as suas lembranças. Mas você sempre volta, mesmo nos meus sonhos, e traz todas as memórias a tona novamente.