“Olha esse sorriso tão indeciso tá se exibindo pra solidão.”
— Los Hermanos.
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“Olha esse sorriso tão indeciso tá se exibindo pra solidão.”
— Los Hermanos.
Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim, que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo. Repito sete vezes para dar sorte: que seja doce, que seja doce, que seja doce, e assim por diante.
Caio Fernando Abreu. (via inverbos)
Adoro dormir com o som da chuva reboando nas calhas. Adoro o criptar do fogo no inverno, em que as chamas ficam conversando alto o que eu não entendi. Adoro o vento cochichando sobre o mar no verão. Somos feitos de som. Precisamos de pouco para levar o ouvido a dançar, muito pouco.
Fabricio Carpinejar. (via sapatear)
Seus olhos e seus olhares, milhares de tentações.
Leoni (via descritivel)
Eu sou uma bagunça, difícil de lidar. Eu me afasto do nada, mudo de uma hora pra outra e você fica se perguntando o que aconteceu. E depois disso ainda volto como se nada tivesse acontecido. Eu faço você se desculpar, quando fui eu que errei. Eu não sei quais são os limites quando se trata do que eu quero e eu sou egoísta quando o assunto é quem eu amo. Pequenas coisas me machucam. Eu adoro receber elogios, mas fico sem graça e desvio o assunto quando recebo algum. Eu faço tudo ao contrário, só pra te irritar, quando você tenta mandar em mim. Sempre acho que não sou bom o suficiente. Eu sou idiota por natureza, e fico ainda mais ao lado dos meus amigos. Resumindo: você não vai querer ficar perto de mim.
Vinícius Kretek. (via versificar)
O Poeta é Desinteressante
O poeta leu a expressão de descontentamento em minha face como recado de que eu vinha imaginando-o de forma diferente. Pedi perdão. Eu esperava asas, uma voz de passarinho, penas bonitas e longas, tão azuis quanto um céu ensolarado e sem nuvens. Eu imaginava que todos os poetas fossem pássaros e, estando frente a um, não consegui esconder a minha insatisfação. Ele riu seu riso tímido, alisou o bigode e pôs a mão no queixo. Preparei a minha mente para guardar palavras fantásticas, a poesia não escrita, a poesia nascida de um fio da voz…
— Os poetas são desinteressantes, esqueça-os… A poesia é a única coisa que interessa.
Disse o poeta. Meu rosto refletiu nos óculos dele. Eu quis conhecer um poeta, não por meio de livros ou trechos rabiscados em cadeiras de ônibus; quis vê-lo em carne e osso, mais corpo e menos páginas. Disseram, simplesmente, que eu lesse alguma poesia: a poesia tinha o poeta e vice-versa. Lendo as palavras, eu conheceria o palavreador. Mas eu o queria fronte a fronte: um poeta que acordasse, respirasse e dormisse poesia. Aquele idoso de cabelo e bigode branco, óculos grossos e velhos não possuía nada de interessante: e ele mesmo se definia como desinteressante. A decepção estava estampada nos meus olhos e em minhas mãos, era impossível escondê-la.
Como se os olhos do poeta pedissem explicação, falei que esperava um humano transmutado para passarinho. Ele riu e calou. Esperei por mais pensamentos falados. Esperei. Esperei uma tarde de voos e poesia, mas o que poeta fez foi… Nada.
O poeta é desinteressante, realmente. O poeta não tem asas, não voa, não viveu casos extraordinários, não teve moças e rapazes belos, não possui uma vasta biblioteca… Não se enganem: o poeta é como qualquer um. Ele acorda e vai ao banheiro, escova os dentes, toma um banho e sai para o banco. Também paga contas e reclama da vida. Come, mas não alpiste; poetas não são passarinhos…
Poetas são humanos falhados. Falhados porque o ser humano (ou a maioria deles) não nasce para ser poeta. O ser humano nasce para morrer. No entanto, o poeta não morre. O poeta não morre. Azar o dele — sorte da morte. O poeta não fala apenas sobre poesia: ele fala sobre futebol, sobre guerras, sobre palavrões, sobre pornografia, sobre o tempo, sobre o trânsito, sobre comida, sobre política. O poeta também conversa assuntos chatos. O poeta também erra no português. Ele dorme e dorme, silencia, gosta de quarto escuro, de música clássica e do nada. Do nada, principalmente.
O poeta é desinteressantíssimo. Não há nada de mágico em sua aparência. Ele não sabe voar de verdade, nem é leve como uma pena. Alguns poetas se vestem de mendigos e outros compram ternos elegantíssimos. Uns desnudam os corpos para que a poesia grude neles de tal forma que seja impossível retirá-la. O poeta fitava o nada como se nele estivessem guardados todos os segredos do universo e eu esperei que ele me dissesse o quanto o nada carrega poesia, mas o seu silêncio era maior do que o seu nariz. Os olhinhos pretos pesavam de velhos e alguns de seus dedos já dormiam. Se a poesia era a única coisa que interessava, onde ela estaria?
O poeta não falou e não indicou lugar. Continuou no nada. Só me restou entrar no nada também. O poeta é desinteressante e, assim como o nada, não possui nenhuma beleza extraordinária. Porém, justamente como o nada, carrega um pouco de magia nos dedos das mãos. Enxerguei no nada a discórdia de ser poeta: palavras que voam, mas corpo que não flutua. Palavras que não envelheciam, mas corpo que não resistia à passagem do tempo. Por mais que o poeta nunca chegue a morrer, ele já nasce meio morto.
Foi uma tarde sentenciada ao silêncio e à solidão. Ali estava o poeta em carne e osso; em menos palavras do que eu esperava. Ele era tão desinteressante que o nada encantava o seu silêncio. Naquela tarde, morri de tédio. Mas quando saí de lá, descobri o quanto o desinteressante fazia-se bonito. Por ser desinteressante, era simples. Por ser simples, era bonito. Era bonito, pois carregava magia. Era mágico, porque aquele bigode escondia um pássaro. E o pássaro era aquele nada que o poeta tanto fitou. O poeta era o nada, eu era o nada e a poesia era o nada. Poetas são desinteressantes, concluí, pois são nadas.
A verdade é que aquele poeta é um passarinho, só não se revelou: preferiu ser desinteressante, pois assim são todos eles. A poesia é a única coisa que interessa. O poeta e a poesia são paradoxos feitos para combinarem, apesar dos apesares. O poeta apontou a poesia com os olhos, eu não vi. Hoje entendo o quão interessante foi estar ao lado de seus cabelos brancos, no silêncio de uma tarde, observando e contemplando o nada. O desinteressante é possuído pelo nada. O poeta é o nada. E, se o nada desaparecer, a poesia acaba.
(Thayane Thandra)
O teu sorriso aperta o gatilho do meu próprio.
desbotando. (via compostos)
Oh shit!
Não, não se trata de um texto lamentativo. Nem mesmo aqueles com clima "a vida é bela". É que eu acabo de perceber que esse lugar não acolhe bem quem está somente s a t i s f e i t o. Eu não fui abandonado, pisado, trocado, traído e desprezado por ninguém. Bom, ninguém que importe a essa altura. Nenhum dos meus amores são platônicos nem incorrespondidos. Também não sou tão good vibes. Portanto, sugiro um cantinho pros amenos como eu por aqui.
Você não precisa esperar o último dia do ano pra mudar sua vida. Nem o primeiro. Nem alguma hora em especial, data, ou ano. Você simplesmente precisa abrir seus olhos, se enxergar melhor. Começar uma faxina em seu coração, deixar pra trás o que não traz mais bem algum, deixe com você só o que faz você dormir em paz à noite. Não espere o mundo mudar, porque ele não vai, ele sempre foi e sempre será o mesmo, basta olhá-lo diferente e tudo se transforma. Tudo é lindo se você olhar melhor, tudo muda se você quiser, tudo é possível se você acreditar que é.
A culpa é mesmo das estrelas? (via inverbos)
Qual é? Morrer é um cliché. Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.
Pedro Bial. (via impossibilitei)