As flores são tudo pra mim.
Quem eu sou, quem eu fui, quem eu era e quem eu ainda vou florescer.
-eu abismo /YH
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@pseudonimobeijaflor
As flores são tudo pra mim.
Quem eu sou, quem eu fui, quem eu era e quem eu ainda vou florescer.
-eu abismo /YH
“Quando a gente não diz o que sente, o outro vai embora sem saber que talvez tivesse um motivo para ficar.”
— Apenas Sinto
Qual foi a última vez que você gargalhou tanto de doer a barriga que até esqueceu que um dia já chorou de doer o coração ?
@merciapoeta | livro primavera em mim 🌹 AQUI
E se eu tivesse virado pra outro lado?
dito o não que ficou entalado,
feito morada no talvez,
escolhido o silêncio que me assustava menos?
e se eu tivesse partido antes de me perder?
ou chegado só um pouco mais tarde...
As vezes penso que bastava um passo torto
pra tudo desdobrar diferente...
um gesto, uma frase,
um desvio pequeno no tempo.
mas eu fiquei.
engoli palavras inteiras,
acordei dias que não vivi.
e agora carrego esse vazio pequeno
cheio de tudo que não aconteceu.
tem dias em que a vida pesa
como se soubesse
que faltou um pedaço de mim em mim.
o que não foi segue aqui,
sem nome,
sem data,
mas com um silêncio tão alto
que quase me ouve de volta.
– Beija-Flor.
Beija-flor, você tá sumida. Tá tudo bem?
é o que Julia pergunta, com aquele cuidado que só quem já quase afundou sabe ter.
E eu queria dizer que sim.
Mas o que mora aqui não cabe em sim ou não.
Tem dias que eu acordo com o peito leve como se tivesse sonhado com a infância.
E tem outros que o meu corpo inteiro parece um campo de guerra abandonado,
nem eco, nem vida.
Só terra batida por dentro.
A tristeza em mim tem um dom esquisito:
ela vira o que quiser.
Às vezes é um cabelo fora do lugar que estraga o dia.
Às vezes é o dia inteiro que não faz sentido nenhum, mesmo com tudo no lugar.
Você ainda escreve? Ela pergunta.
E eu minto com um "sim" pequeno.
Porque escrever virou perigoso.
Tem palavras que me desnudam mais do que eu aguento.
Tem frases que só fazem sentido quando estou no fundo.
Eu tenho evitado as palavras como quem evita um espelho.
Como quem sabe que, se olhar demais, quebra.
Tem noites que a insônia me faz companhia,
e a luz da geladeira vira meu santuário.
Fico lá, parada, tentando lembrar quem eu era antes da dor me refazer em pedaços pequenos demais pra segurar com a mão.
Julia diz: a vida é bonita! Mas, beija-flor, tem beleza que só dá pra enxergar de longe...
E eu tô tão dentro de mim que às vezes esqueço como sair.
Tento me manter ocupada pra não sentir demais.
Me encho de tarefas, só pra me convencer que tô aqui.
Mas o vazio me acha até nas notificações.
A verdade?
Eu tô tentando.
Tô tentando existir num corpo que nem sempre me reconhece.
Tô tentando achar alguma paz no silêncio barulhento que é ser eu.
E se um dia eu não responder,
se a minha ausência doer em você,
lembra:
não é falta de amor.
É só que às vezes eu fico presa entre a dor e o mundo,
e não encontro a porta.
De: Beija-Flor
Para: Julia's
A luz do fim da tarde bate diferente,
mais cansada, mais lenta,
como se o mundo já soubesse que o sol vai embora,
mas ainda insista em brilhar por mais um minuto.
Sento na beirada do tempo,
onde o silêncio tem gosto de terra molhada,
e a saudade pesa no peito
como se já fosse parte do meu corpo.
Me alimento dela, de pedaços pequenos,
como quem mastiga os restos de um dia que não quer terminar.
No fundo, tudo é apenas isso:
o acúmulo de lembranças que se misturam com o que ainda não aconteceu.
E entre esses dois mundos,
me perco tentando entender
onde começa a dor e onde termina o amor.
Meu coração,
que já foi fogo,
hoje é brasa.
E eu me sento aqui,
esperando que ele me queime de novo.
Mas sem pressa.
O tempo já me ensinou que, às vezes,
a dor demora,
mas o calor também.
— Beija-Flor.
Mente pra mim.
Diz que você adora o meu humor quebrado,
esse riso torto que vem sem hora marcada,
e às vezes nem chega.
Finge que se encanta pelas minhas crises sobre coisas pequenas,
como se uma meia sem par fosse o fim do mundo
e você achasse isso…
um charme.
Mente pra mim, só hoje.
Finge que entende meu português embolado,
meio nascido no peito, meio atravessado na garganta,
esse idioma esquisito que só eu falo,
mas que você ouve como música lenta,
daquelas que a gente não entende a letra,
mas sente tudo.
Finge que gostou da minha comida —
a que queimei no fundo da panela,
mas temperei com esperança.
Diz que o gosto tá bom,
que é exótico, que é “autoral”.
E sorri, como se tivesse amado,
porque, pra mim, seria o suficiente.
Concorda comigo que meu guarda-roupa faz sentido,
mesmo com os sapatos jogados,
e as blusas enfileiradas por frequência de uso
e não por cor.
Diz que isso é genial,
que você nunca pensou assim,
e que isso revela algo “profundamente meu”.
Me ilude com carinho.
Finge que você entende quando eu conto meu dia com empolgação demais,
como se tivesse vivido a melhor terça-feira da história da humanidade
só porque o café tava na temperatura certa
e eu vi um passarinho azul no fio do poste.
Mente pra mim,
com esse cuidado que só quem gosta sabe ter.
E diz que você ficaria aqui,
mesmo sabendo que tudo em mim é meio improviso,
meio dúvida, meio bagunça.
Mas que é justamente isso que te dá vontade de ficar.
— Beija-Flor.
Tô esbarrando em mim mesma
com uma frequência que machuca.
fico frente a frente com a versão
que eu mais queria esquecer
aquela que se arrasta quando tudo pede silêncio.
Queria esconder o que me tornei
ou talvez, só não ter me tornado isso.
não mostrar a ninguém essa parte
que transforma qualquer abraço
em espinho disfarçado.
me dói ser mais dor que corpo,
mais ausência do que presença,
mais ruído do que palavra.
há tanta coisa que carrego em mim
e que eu nunca pedi pra carregar.
sou feita de vontades contrárias
e de um cansaço que ninguém consegue enxergar.
e às vezes: nem eu.
mas sinto.
sinto tudo demais.
e isso também cansa.
e o pior é saber
que amanhã talvez doa igual —
e mesmo assim vou levantar,
encarar a vida sorrindo,
pra disfarçar toda essa covardia
com a essência de uma poesia.
— Beija-Flor.
Tudo me parte, porque parto.
Eu volto aqui para falar de mim. Para deixar as lágrimas que já não derrubo se esvaírem nas palavras, como se elas fossem a única forma de expressar o que há muito tempo ficou retido. O abandono não é algo que me fizeram, é algo que fui deixando acontecer, é a falta de habilidade para cativar o que, no fim, se foi. A dor de perder o que nunca consegui realmente segurar. Tento preencher esse vazio, mas ele cresce mais à medida que eu busco formas de evitá-lo.
Sempre sou eu quem parte. Sempre sou eu quem me parto, como se todo pedaço meu que se perde fosse uma forma de me proteger, de me distanciar daquilo que me faria inteira. Mas a verdade é que, desde que nasci: foi parto.
O nascimento é uma separação. Uma partida. Desde o começo, meu corpo foi dividido entre o que sou e o que não consigo ser. A cada momento de transformação, sinto como se tivesse que deixar uma parte de mim para trás, como se estivesse condenada a fazer rupturas para me reconstituir, mas nunca completamente. E eu nunca aprendi a preencher os espaços que deixo vazios. A vida, ela me reconfigura e me rasga, e eu, em um ciclo que nunca se acaba, parto-me e parto tudo ao meu redor.
É como se o vazio fosse um espaço que fui aprendendo a habitar, mas ao mesmo tempo, nunca me sinto em casa. Sempre busquei entende-lo, mas talvez o problema seja que, no fundo, ele seja a única coisa que nunca parte.
— Beija-Flor.
Há dias maria,
em que sobe em mim uma angústia,
seria melhor abandonar isso que chamam de existência?
viver tem-me sido, insuportável.
Tudo me parte, porque parto.
Eu volto aqui para falar de mim. Para deixar as lágrimas que já não derrubo se esvaírem nas palavras, como se elas fossem a única forma de expressar o que há muito tempo ficou retido. O abandono não é algo que me fizeram, é algo que fui deixando acontecer, é a falta de habilidade para cativar o que, no fim, se foi. A dor de perder o que nunca consegui realmente segurar. Tento preencher esse vazio, mas ele cresce mais à medida que eu busco formas de evitá-lo.
Sempre sou eu quem parte. Sempre sou eu quem me parto, como se todo pedaço meu que se perde fosse uma forma de me proteger, de me distanciar daquilo que me faria inteira. Mas a verdade é que, desde que nasci: foi parto.
O nascimento é uma separação. Uma partida. Desde o começo, meu corpo foi dividido entre o que sou e o que não consigo ser. A cada momento de transformação, sinto como se tivesse que deixar uma parte de mim para trás, como se estivesse condenada a fazer rupturas para me reconstituir, mas nunca completamente. E eu nunca aprendi a preencher os espaços que deixo vazios. A vida, ela me reconfigura e me rasga, e eu, em um ciclo que nunca se acaba, parto-me e parto tudo ao meu redor.
É como se o vazio fosse um espaço que fui aprendendo a habitar, mas ao mesmo tempo, nunca me sinto em casa. Sempre busquei entende-lo, mas talvez o problema seja que, no fundo, ele seja a única coisa que nunca parte.
— Beija-Flor.
não se acostume comigo. estou de passagem.
sempre estive.
Talvez quando eu conseguir chorar tudo que eu tenho pra chorar, eu volte a viver.
@merciapoeta
Tem o peso de mil olhos me observando,
Respirando em minha nuca,
Babando em minha cabeça,
Sussurrando em meus ouvidos,
Passeando as mãos pelos meus ombros dizendo: "quero mais".
Me deixando com menos,
cada vez menos.
Me deixando pequena pra sempre
Sem esperanças de recuperar aquilo que me foi tirado
os anos tão passando e eu, envelhecendo.
Inocência a gente não recupera com o tempo
Tem a textura do toque
Tem a dor das marcas
Tem o cheiro
Me causando ânsia.
Tem tudo que eu gostaria de desvincular
com um estalar de dedos,
Queria que fosse simples assim.
Caminho tanto pra concluir que,
a alma que tornaram vazia,
tem mais peso que mil palmos de terra
acima de mim.
— Beija-Flor: o canto triste.
Quando é que a gente para de cansar de pensar? É estranho, porque converso tanto comigo mesma que minha cabeça dói – não é metáfora, é dor real, física. Passei o dia gritando comigo, meus ouvidos estão exaustos, mesmo que tudo tenha ficado apenas dentro de mim. Não tenho forças para responder quando perguntam se estou bem. Porque, por dentro, gritei o tempo todo que não, que está tudo uma merda, mas o que sai no automático, é que está tudo certo. Só para evitar alongar a conversa e acabar mostrando o demônio que carrego, assustando quem está por perto.
Hoje, acho que surtei de verdade: senti tristeza por um instante de felicidade, como se meu corpo rejeitasse algo que há muito esqueceu. Sei dos remédios que, talvez, um dia, suavizem tudo isso. Mas, de forma cruel, eles apenas adiam o inevitável. Cada dose é um lembrete das mini-mortes diárias que me corroem. Minha alma já não tem o que perder. Já esvaziaram tudo há tanto tempo que só restou esse amontoado de ossos e células mal costurado pela existência.
E acabou, eu sei. Quem falta entender? Eu caminho como um equilibrista, minha mente desejando o salto no precipício e meu corpo lembrando que não tenho asas. E se eu pular? Eu já sei como acaba. Não dá mais para fingir que esse teatro tem sentido, que algo me prende a essa existência. Eu finjo tão bem, que até finjo que acredito.
— Beija-Flor.