Socorro! Quem lida comigo sabe que sou uma pessoa que tem uma paciência gigantesca com inúmeras coisas e com quase todos os tipos de pessoas. Entretanto até minha paciência quase infinita tem horas que se esconde um pouquinho e deixa um outro lado meu, nada paciente, aflorar. E foi o que aconteceu quase agora. Vou explicar.
Estou de quarentena, impossibilitado de sair de casa. Meu humor está bastante oscilante por inúmeras questões, não só por me sentir preso, mas também por atenção aos meus "pacientes" aqui. Meu avô e meus pais com Covid me desestabilizam, por mais que os três estejam bem e o único "susto" que tivemos foi a oxigenação do meu avô ter diminuído um pouco agora a noite. Continuaremos monitorando. Explicada essa situação, vamos a outra.
Estou eu conversando a respeito sobre um assunto: tratamento dermatológico, para ser mais específico. Dando todo o apoio e força necessária para que uma pessoa que gosto bastante se sentisse seguro de ir até um médico para dar início a um tratamento de pele que tanto deseja, entretanto, no desenrolar da conversa, por algum motivo que até agora desconheço, a prosa mudou de rumo e desencadeou um pequeno surto em mim.
Quem me conhece a mais tempo sabe que uma das coisas que eu mais odeio é tentar me interpretar ou achar que eu estou achando algo sem me perguntar. O achismo para mim é algo infernal, que me irrita. Me tira do sério. De verdade. E foi mais ou menos isso que rolou.
Enquanto estou dizendo que não posso sair de casa pela minha quarentena, porque não quero colocar ninguém em risco na rua, porque não quero colocá-lo também em risco etc., sei lá de onde ele veio com a história de que já tinha compreendido que eu estava me afastando, que ele já estava me manjando e não era de hoje. Falei que não queria dar sequência ao assunto por ser completamente desnecessário e ter desviado o foco inicial da conversa totalmente. A resposta que tive foi um velho clichê de "quem cala consente".
Posso dizer que essa pequena frase me deixou deveras irritado. Eu queria ficar calado para evitar bate boca, para evitar brigas, para evitar discussões. Jamais por estar concordando com um achismo sem sentido de que estou me afastando, abandonando, fazendo pouco caso ou sei lá o que se passa naquela cabecinha. Só sei que tudo que eu queria era evitar o confronto, mas... pelo visto ele queria confrontar. Como sempre, queria confrontar.
Acabei, por assim dizer, me extrapolando nas minhas respostas, que sempre rolam com uma pitada de ironia, mas ao mesmo tempo cheias de certeza do que estou querendo dizer, principalmente por ter total ciência de que nada de irregular fiz em querer protegê-lo e incentivá-lo. A proteção com relação a Covid. O incentivo sobre o tratamento médico. E nada mais.
Dizer que estou diferente, que não é de hoje, que estou isso ou que estou aquilo e que já entendeu o que eu quero... é, sim, para mim, querer me provocar. Como disse, odeio que achem que eu estou achando alguma coisa. Eu não estou me afastando de nada, nem de ninguém. Mas... para ele eu estou me afastando dele. Que eu não quero nada. Que eu isso ou eu aquilo. Ah, sim, surtei e me irritei.
Me irritei ainda mais porque li outra frase vinda dele que já deveria ter me acostumado, que é que está muito irritado comigo. Como disse, deveria ter me acostumado, mas a vontade é de dar uns gritos de desespero toda vez que eu leio isso. Sério! Me sinto um verdadeiro monstro porque consigo irritar todo dia, toda hora, quiçá todo minuto uma pessoa sem sequer eu ter feito algo sério de fato.
Talvez a irritação de hoje tenha sido... sei lá! Nada. Simplesmente nada. Ficar quieto no meu canto tentando escrever minha monografia é motivo de irritar alguém? Passar o dia em casa tentando organizar as coisas no meio de um monte de gente com Covid é motivo de irritar alguém? Tentar ajudar a minha mãe nas coisas de casa é algo irritante? Ou auxiliar meu pai é irritante? Não saber como estão meus afilhados toda hora é irritante? Não ficar ao lado do meu avô o dia todo é motivo pra deixar todo mundo irritado? Porque basicamente foram esses os fatores que poderiam levar alguém a ficar irritado comigo hoje. Eu não fiquei o dia inteiro do lado do meu avô por questões de Covid. Não fiquei procurando a minha prima pra perguntar como estão as crianças. Fiquei esperando informações que ela costuma mandar sempre no grupo da família. Tentei ajudar meu pai com o lance da água aqui e casa e minha mãe na organização das outras coisas. E só. Tudo é irritante, né? Motivo de deixar alguém chateado ou irritado comigo. Okay! Tudo bem.
Talvez ainda eu não tenha sido claro a respeito de algumas coisas minhas. Eu costumo dizer que a minha vida é um livro aberto. A minha vida, em negrito aqui, para deixar bem claro. Mas quando envolve a vida de outras pessoas da minha família eu sou master discreto, quase não comento e me sinto bastante, como dizer, desmotivado a ficar falando. Da mesma forma que não gostaria que ficassem falando de mim, não costumo comentar a respeito dos outros daqui e casa e talz. Salvo em alguns momentos em que estou um pouquinho irritado. No mais, não.
Da mesma forma muita gente acha meio falta de educação minha não ficar perguntando dos familiares de amigos meus. Não faço isso porque acho invasivo demais fazer. Apenas. Não é não me importar. Só não é um costume meu e ponto final. Cada um tem seu jeito de ser, de agir, de pensar. Esse é o meu.
Mas voltando, estou agora, depois do meu surto, irritado, chateado e... sei lá. Ou melhor, estou decepcionado com essa história. Estou me sentindo estranho. Não estou com sentimento de culpa. Mas é um sentimento de... não sei. De confusão. Talvez seja isso. Estou confuso. Confuso demais. Confuso por nunca conseguir entender o que o outro quer de mim e por mais que eu me esforce ou tente, jamais consigo agradar em nada. Em absolutamente nada.
Enfim, é isso. Talvez se houvesse a compreensão de que... eu tento. Eu tenho um jeito. Tenho uma vida. Tenho meus hábitos. Tenho meus costumes. Meus gostos. Meus sentimentos. E que se alguém adentrar a minha vida terá que lidar com tudo isso sem querer moldar ou transformar... já seria um começo enorme. Porque eu penso exatamente assim. Sei que alguém que está chegando na minha vida tem inúmeras coisas que trará na bagagem. E eu não vou querer e nem poder trocar suas vestes ao meu bel prazer. Tudo é uma questão de adaptação um ao outro e de muito respeito e compreensão. Paciência. Dedicação. Entre outras coisinhas extras.
PS: No mais... agora já sei porque sempre tive restrições severas a alguns signos.