Terça-feira, 24 de janeiro.
Eu não sei realmente o que se passa naquela mente, não sei se gostaria de saber também. Eu não me pergunto se no cair da noite ele está com pensamento em mim ou em algo inútil qualquer. Só sei que ao passar das horas pego-me tentando convencer a mim mesma que nada do que estamos tendo será amor. Isso não é bom, não é nada bom! Tentar me convencer disso apenas me dá mais certeza do rumo que estou caminhando. O rumo no qual eu prometi a mim mesma que não caminharia tão cedo. Evito olhar-te nos olhos e evito ao máximo que você enxergue o que se passa por de trás dos meus.
Em uma conversa qualquer, em uma noite qualquer, num “encontro” qualquer, ouvi sair de tua boca que gostaria de ficar só, ser livre. Sem alguém do lado a se acarinhar. Gostaria apenas de uma troca de carência, uma amizade intima o suficiente para cia em noites vazias de que não há nada mais a se fazer... Nada mais a se lembrar. Engraçado que essas “noites à toa” vem se tornando diárias e o que mais me impressiona é que a intimação não vem de minha parte. Fico confusa, não entendo o que se passa, é muito imprevisível para mim. Risadas e fumaça tomam conta dos nossos encontros e a ideia compatível me faz temer mais ainda. Perco-me nas horas e me acho assim que fecho a porta do teu carro e digo “nos falamos, se cuida”! Fico por horas olhando freneticamente meu celular esperando qualquer sinal de que você está por perto, ou apenas que ainda vai querer me ver no dia seguinte.
Estou me afogando novamente! Preciso voltar para a superfície o mais rápido possível. Preciso tirar as vendas dos meus olhos e reconstituir o ar em meus pulmões. Quando me reencontro, tudo o que eu sinto é a água sugando o resto do folego que ainda me resta. Preciso da indiferença! Preciso querer, sem sentir! Preciso apenas querer, os pecados da pele, da carne, mas como faço isso? Por onde começo?
As tatuagens que contornam tua pele enlouquecem até os fios de meu cabelo e aquela noite, a única noite que passamos “juntos”, depois de muitos roles e muitas noites apenas com conversas jogadas pro ar, sem nenhuma intenção, sem nenhuma linha ultrapassada e sem nenhuma tentativa se quer, me deixei levar na dança do teu corpo... Me faz arrepiar os sentidos num ponto de elevação que consigo até sentir o teu toque em mim novamente. Eu amo esse sentimento, ah! Como eu queria não amar! Como eu queria não sentir saudade e não sentir a necessidade de te ver todos os dias.
Estou indo contra a minha razão, estou indo contra o que todos acham certo! Estou indo contra a mim mesma, mas tão rapidamente ele se tornou dono dos minutos aqui, em mim, que nem sei mais se posso distinguir o correto!
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