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@montanheira
Quando comecei a planejar o feriado de Corpus Christi, não esperava que as coisas sairiam completamente fora do planejado.
A previsão do tempo era boa pra quinta e sexta e não tão boa para sábado e domingo, os meninos tinham 3 dias, eu 4 se o tempo ajudasse, a idéia era fazer uma travessia no Ibitiraquire, iniciando pelo Ferreiro e finalizando no Camapuã. Minha mochila com a água acho q estava pesando uns 20kg, Tinha nela uns 8,5kg de equipamento, uns 4 de água e o restante de roupa e comida para 4 dias. Como a travessia seria de 2 fazendas, fomos em 2 carros, eu fui já na quarta e dormi na base, o Milton e o Valdir chegaram lá às 6:30, deixamos o carro do Milton e nos dirigimos para a fazenda PP, todos animados para a longa jornada que tanto sonhamos, iniciamos a trilha às 7:43 na Rio das Pedras, a trilha era boa, bem aberta, e muito bonita, pegamos a trilha da conceição e logo em seguida a picada do Cristovão, seguimos até a entrada do morro Guaricana, paramos, tiramos algumas fotos e seguimos, pois teríamos uma longa pernada pela frente, o problema é que nenhum de nós fez essa trilha e acabamos não encontrando a entrada para o Ferreiro, descemos um bom tanto até ter certeza de que havíamos passado, nesse momento, paramos e conversamos sobre a questão, eram 2 opções, voltar e tentar achar a trilha e se não achasse abortar o 1º dia de travessia, ou seguir pela trilha até a entrada da Face leste do Ferraria ( a trilha que inicia no litoral, já quase em Antonina, e que não tínhamos noção do quanto faltava para chegar nela), eu já havia lido um ou outro relato sobre essa trilha, mas ainda não havia planejado fazê-la, nessa situação, concordei em fazer a Face leste, é claro que essa meus companheiros já haviam feito e então seguimos descendo, e descendo, em 5 horas paramos 1 ou 2 vezes para comer algo, chegamos na entrada da trilha as 13hrs, e já começamos subindo, eu pedi arrego logo nos primeiros metros,RS, paramos para aquele lanche rápido e voltamos a subir, era muito íngreme, e a vegetação um tanto chata, uma quiçaça,rs, tinha aquele capim unha de gato, pensa num arranhão ardido, fiquei toda arranhada nos braços, rosto e orelhas,rs. Quem me conhece sabe que tenho problema de circulação na perna, na montanha nunca tinha sentido pegar dessa forma, não sei se pelo tipo do terreno, se pelo peso que eu estava, minha perna começou a me incomodar, havíamos parado não mais q 40 min. até as 15hrs, a dor começou a apertar, eu precisa parar, mas não tinha como, o Milton foi na frente abrindo a trilha e o Valdir me acompanhando, chegou num ponto em que eu gritava de dor, dependia como pisava doía, mas, a meta era chegar na clareira e tinha que seguir, confesso que nesse momento me peguei pensando, “ o que estou fazendo aqui? Poderia estar bem de boa em casa...”rs, chegamos na clareira eram 16hrs, deitei, a vontade era acampar ali mesmo, mas, ali não dava o único lugar era depois do degrau, me alimentei, descansamos por 30 min, e voltamos a caminhar, a vista da lateral do Pico Paraná e do Ibitirati é sensacional, mas a subida é bem pesada. Começou a escurecer, e eu estava só c lanterna de mão, o que dificultou um pouco, o Milton avançava na frente e sempre nos comunicando por gritos, rs, eu já não agüentava mais, chorei e chorei muito, de dor, de raiva, até de medo, pq essa trilha é na crista do ferraria, se vacilar pra qualquer lado machuca, O Milton estava no degrau e o Valdir avisava que eu estava chorando, andando e chorando,rs, ele subiu, deixou a mochila e voltou me ajudar, já na ultima pegada até o degrau, ele pegou minha mochila e me mandou subir, foi mais fácil,rs, chegamos no degrau, o Valdir me deu pezinho para subir, subi me agarrando na corda e na vegetação, tava escuro, esse degrau é um penhasco, se cair, Tchau, subi e esperei, o Milton foi tentar subir c a minha mochila e escorregou, um susto grande, tivemos que amarrar a mochila na corda e iça La, não foi nada fácil, ela engatou na vegetação, o Milton teve que subir para ajudar a solta lá, estava critica a coisa, nas outras 2 cordas fizemos a mesma coisa, dali em diante levei a mochila do Milton que tava pelo menos uns 5kg mais leve q a minha, andamos mais um pouco, eu havia descansado nessa sessão também, chegamos no acampamento com a lua nascendo pouco depois das 20 hrs, armamos acampamento, fiz um chá quente, nos entocamos e dormimos.
Dormi como uma pedra, acordei as 6hrs com o despertador, os meninos já haviam dito q dormiriam até as 7, levantei para ver o céu se transformar e nascer o sol, passei aquela hora em êxtase com o Visual, com minha conquista, eu sabia o que estava fazendo lá... Quando o sol apontou chamei os meninos, o Milton saiu da barraca, o Valdir não, foi um Espetáculo e tanto. Conversamos sobre o dia, e resolvemos abortar a travessia de fazendas, resolvemos então fazer o Ferreiro pelo Ferraria e voltar pela trilha que não achamos, Após o nascer do sol, começamos a levantar acampamento, arrumamos as mochilas, os meninos foram buscar água e eu fiquei fazendo o café da manhã, e curtindo uns últimos minutos antes da caminhada que me aguardava... Tomamos café, finalizamos acampamento e seguimos para o cume do Ferraria. Iniciamos a trilha eram umas 9:00, chegamos no falso cume do ferraria as 11:10, descansamos, fizemos um lanche, e fomos para o cume, ficamos lá mais uns 10/15 minutos e começamos a descer sentido Ferreiro, no inicio tinha marcação, descemos um bom tanto e não achamos mais vestígios da trilha, passamos mais de 1 hora procurando, e nada, então o jeito era voltar, e seguir pelo Taipa, subimos de novo, nessa altura já tínhamos pouca aguá, e começamos a racionar, subimos o Ferraria novamente e descansamos uns minutos, começamos a descer, a trilha é tranqüila, eu estava devagar, mas constante, subimos o taipa já no escuro, o Milton subiu c minha mochila e me emprestou a lanterna de cabeça, chegamos no cume do Taipa, descansamos um pouco, comemos e começamos a descer eram umas 20 hrs, tocamos direto, até a água, aonde matamos a sede que estava nos matando, e tocamos em frente, paramos no cruzo para descansar e descer o Getulio direto, já no Getulio, as pernas não estavam mais respondendo como deveriam, tive uma torção,e já quase no final uma queda, que foi o estopim para outra crise de choro,rs, o Valdir voltou correndo coitado, mas não foi nada sério, chegamos na fazenda as 00:40. Cheguei em casa as 3 da manhã, descansei o sábado e domingo inteiros, na segunda após o trabalho fui ao médico e constataram através de exame que eu estava com trombose na safena, 2 semanas de antibióticos e anticoagulante na veia; resumindo, acabei fazendo algo que eu não estava preparada a fazer e acabei tendo de sofrer as conseqüências, mas, VALEU A PENA!!
LIÇÃODEMATO#FACELESTEFERRARIA#IBITIRAQUIRE#MEDONHOSDASERRA#MONTANHAÉONDEFILHOCHORAEMÃENÃOVÊ#MONTANHAÉVIDA#SÓAGRADECEANATUREZAEOCUIDADO
Ataque ao Anhangava... apaixonadapelasmontanhas#quintaldecasa#trilhasolo#serradabaitaca#serradomarumbi#serradafarinhaseca#serradoibitiraquire#montanhismonaveiaenaalma (em Pico do Anhangava)
Almoço de domingo na montanha, com direito a nhoque feito pela mãe do meu amigo Carlos... Gratidão amigo pelo rango e pela trip! #trilhacommeupqno❤️#sóagradeceanaturezaeocuidado#positivevibration#apaixonadapelasmontanhas#serradabaitaca#serradomarumbi#serradafarinhaseca#serradoibitiraquire#montanhismonaveiaenaalma (em Pico Pão de Loth)
Trilha Solo Noturna Pico Caratuva, nascer do Sol e travessia para o Pico Taipabuçu.
Após recusar 2 trips diferentes por não conseguir estar no horário proposto, pois passei o dia estudando, resolvi fazer uma trilha noturna solo, segue relato:
Iniciei a trilha na fazenda as 00:30am do dia 18/03/2018, com minha Playlist para montanha tocando no fone, o céu estava estrelado, inspirador para virar a noite caminhando, a trilha do getúlio é relativamente fácil, sem muitos obstáculos, só muitas teias de aranha, após 1:30 andando cheguei ao cume do Getúlio às 2:00am, a noite estava fresca e resolvi dar uma descansada ali, fiquei 40 min curtindo o céu estrelado e às 2:40am após comer um ovo cozido, uma barra de cereal e tomar uma golada do gatorade, voltei para trilha, pois ainda tinha uma boa caminhada até o cume do Caratuva e pouco mais de 3 horas para o nascer do Sol. Curtindo um bom som,comecei a subir o Caratuva, no rio me abasteci de água, 4 litros seria suficiente para completar meu trajeto; a trilha é um pouco mais complicada, com mais obstáculos, e depois de 2:20 de trilha, levando muita teia de aranha na cara, e sentindo muito medo de cobras, cheguei lá exatamente às 4:50am, com tempo suficiente para tirar um breve cochilo, me agasalhei, estiquei meu isolante e descansei por incríveis 30 min. Às 5:30 preparei um chazinho para esquentar, e comecei a registrar o céu refletindo os primeiros raios do Sol, as 6:22 o sol nasceu, atrás do Pico Paraná, sob um mar de nuvens, naquele momento tive certeza de que já tinha valido a pena a aventura; após o nascer do sol, preparei uma crepioca, descansei as pernas por mais algum tempo e fui explorar o cume, assinar o livro e tirar mais algumas fotos, as 8 horas fui até o inicio da trilha que inicia no caratuva e leva direto até o Taipa, a idéia inicial era seguir por ela até lá, mas, pelo q observei é uma trilha de mata densa, e como eu não conhecia a trilha, julguei mais prudente fazer o Taipa por baixo, pois eu já conhecia a trilha; às 8:20am iniciei a descida do Caratuva, rumo a passagem do rio, aonde bifurca para o Taipa, cm estava embalada e tentando não pensar no cansaço, não vi a hora que peguei a bifurcação, acredito q por volta das 9:30am, a trilha para o Taipa estava sem muitas teias, o q me levou a crer q alguém já havia passado por ali, além das vozes q ouvia no vale, a trilha tem muitos obstáculos, é bem longa pois cerceia o caratuva e atravessa a crista, nesse trecho ela é irregular, cheia de sobe e desce até o inicio da subida do Taipa, aonde fica um pouco mais fechada também, às 11:30 cheguei ao primeiro cume, aonde encontrei um casal, e graças a eles não levei mais teias na cara,rs, descansei por uns minutos, tirei algumas fotos e segui para o cume principal, chegando lá exatamente as 11:46, me joguei no solo, literalmente, tirei as botas e descansei,o casal já lanchava, trocamos algumas palavras, logo em seguida eles iniciaram o retorno e eu permaneci ali, exausta e em êxtase, pois havia cumprido minha meta; tratei de preparar meu almoço, uma deliciosa polentina com blumenau, me alimentei, descansei por mais algum tempo, tirei muitas outras fotos, e às 13:10pm iniciei meu retorno, a exaustão era grande, o Sol estava muito quente, como esqueci o protetor a essa altura já estava com o pescoço todo queimado e ardido, desci o cume, atravessei o vale, e iniciei a descida do taipa, assim como na ida, a volta é longa, em vários momentos tive de parar para descansar as pernas q já quase não respondiam, nessa hora minha mente estava na chegada a fazenda, em uma coca bem gelada e um pastel de carne,rs, levei pouco mais de 2 horas até o cume do Getúlio, aonde parei mais alguns minutos para descansar, voltei a descer comendo um delicioso chocolate, mas estava com as pernas tão fracas, que em vários momentos corri para sentir firmeza nas pernas, pois andando dava a sensação de que ia cair, alternei entre corrida e passos lentos até avistar a fazenda, aonde uma sensação de alivio tomou conta do meu ser, alivio por estar na base, alivio por ter feito essa loucura solo sem nenhum problema. Cheguei na fazenda e tomei aquela coca bem gelada,rsrsrs
Já havia feito trilha solo antes, essa foi minha 4ª solo e 1ª noturna solo, me sinto hoje realizada e em êxtase por ter enfrentado esse desafio e ter me superado.