🌹 ‧ ₊ ˚ Por mais dedicado aos estudos que fosse, aquele dia só o que o garoto queria era terminar logo o bendito trabalho de astrofísica para ir pra casa, já sabendo que Hajoon estaria lá quando chegasse; o que, é claro, lhe deixava muito mais inquieto que o normal. Apenas pela ansiedade de passar um tempo com o outro, mesmo - era natural, considerando que era praticamente tão próximo do hyung quanto era dos próprios irmãos. E o considerava assim, também; de certa forma, até sentia um conforto diferente próximo dele - sendo o mais velho em casa, por vezes Harry se percebia tentando se comportar de maneira mais exemplar ou responsável, mesmo que ninguém lhe exigisse isso, e o reflexo apenas não existia com Joon, o que tornava qualquer interação com ele bem leve. É claro que, assim que pode, saiu correndo pra casa, entrando num estardalhaço e quase quebrando uma peça qualquer de decoração dos pais enquanto subia as escadas para seu quarto. ㅡ Oi, hyung! ㅡ Um sorriso largo no rosto era o que acompanhava o cumprimento animado, como sempre; e, com a lerdeza habitual, Harry apenas deu um olhar confuso para o caderno nas mãos do moreno, não entendendo o motivo daquilo e nem sequer se lembrando dos rabiscos frequentes à margem das folhas. Na verdade, mal tinha consciência deles - só aconteciam sempre que estava distraído e com uma caneta na mão. Mas ninguém sabia sobre sua mania boba e adolescente de escrever o nome da garota por quem tinha um precipício uma leve queda, e logo Hajoon achando aquilo foi o suficiente pro rapaz quase ter uma síncope nervosa ali mesmo. ㅡ A-ah, isso… ㅡ Uma das mãos se levantou para apontar para a folha, tentando pensar numa desculpa boa o suficiente, mas a falta de prática em inventar mentiras não trabalhava a seu favor; e, mesmo que a frase final do quase irmão tivesse sido só uma brincadeira, foi o suficiente para ele se entregar - nem sequer levando as palavras no real sentido com que elas tinham sido ditas. ㅡ … Desde o fundamental. ㅡ Rápido assim, a verdade que guardava consigo por tanto tempo pulou pra fora de sua boca, sem pedir maiores permissões ou licenças para fazê-lo; e à Harry só sobrou uma expressão de espanto e o coração batendo tão rápido dentro do peito que tinha certeza que o mais velho conseguiria escutar se prestasse atenção o suficiente. ㅡ M-m-mas isso não significa nada! Quer dizer… Eu… Bem, não é como se eu fosse falar qualquer coisa, eu… Só… Eu não faria isso com você, hyung. ㅡ Desatou a falar, guiado apenas pelo medo de ter desagradado o mais velho de alguma forma, o que ficava explícito na maneira nervosa com que brincava com os próprios dedos à frente do corpo, e o olhar receoso que foi desviado ao outro sem sequer levantar o rosto. Não tinha passado todos aqueles anos quieto e tentando sufocar o sentimento que crescia sem permissão para, no fim, aquilo escapar e causar o que ele mais temia - o medo que o levara a esconder tudo, pra começo de conversa - que era um conflito com alguém que amava tanto. ㅡ E… Bem, look at you, quem é que iria reparar em mim depois de namorar com você? ㅡ Desviou o olhar, um riso curto de pura auto-depreciação e insegurança escapando sem sua permissão, de novo; nada parecia estar funcionando de acordo com seus comandos, hoje. Com um leve mordiscar no lábio inferior, pegou o caderno das mãos de Hajoon, fechando-o e o abraçando contra o peito. Como se isso pudesse fazer o segredo ser guardado de novo, mesmo que soubesse ser impossível. ㅡ Só… Esquece isso, por favor…? Uma hora vai passar, e… A gente finge que essa conversa nunca aconteceu. É isso. Ok? ㅡ Não que acreditasse nas próprias palavras depois de sabe-se lá quanto tempo esperando aquilo passar, mas ao menos esperava que o sorriso ao final da fala fosse convincente o bastante para o irmão.
O sorriso no rosto de Hajoon se desfez com a confissão do mais novo. Pela primeira vez naquela conversa ele tinha entendido do que aqueles rabiscos no caderno se tratavam. Não era uma coincidência ou brincadeira, Harry realmente gostava de sua ex-namorada. Aquele não era um bom sentimento, ele se sentia de certa forma traído, pois sempre contavam um para o outro praticamente tudo o que acontecia em suas vidas, afinal, eram praticamente irmãos. — Como assim não significa nada? É claro que significa. Só porque você preferiu esconder de mim não anula o fato de que você gostava dela todo esse tempo. — Disse decepcionado com as escolhas do amigo. Mesmo que ele decidisse guardar segredo para sempre, aquele sentimento ainda estaria ali, dentro dele. Detestava pensar em como ele se sentia quando via os dois juntos ou quando ouvia Hajoon lamentar sobre a falta que Minah fazia. — Mas que merda. Por que você não me contou? — Perguntou irritado enquanto puxava os fios de cabelo escuros para trás. — Se eu soubesse... — Não conseguiu continuar aquela frase. Queria dizer a ele que se soubesse como ele se sentia não teria namorado a garota, mas não sabia se podia abrir mão dela assim. Não queria que existisse uma mulher entre eles, mas Minah tinha sido a única menina que ele verdadeiramente amou. — Não diga isso! — Socou a parede, escondendo seu rosto por ali. Não tinha coragem de olhar para o mais novo, não porque estava com raiva dele, mas porque detestava aquela situação mais do que qualquer coisa. — Você ainda gosta dela? — Questionou, virando em sua direção com os olhos apertados e a mandíbula travada. Era como se fosse desmoronar a qualquer momento. Hajoon podia parecer alguém forte na maior parte do tempo, mas por ser muito intenso, suas emoções tomavam conta de seu corpo muito facilmente.
Percebeu o caderno ser tomado de suas mãos. A forma como Harry apertava o o objeto contra o peito fazia Hajoon pensar que aquele era um segredo que o amigo tinha guardado por muito tempo e ele havia desenterrado sem qualquer permissão. Não sabia se sentia pena da forma como o mais novo se enxergava ou se aquilo era um alívio, pois não fazia ideia do que seria da amizade deles se seu dongsaeng decidisse que iria lutar por Minah. — Como eu posso esquecer isso? — Perguntou encarando o chão do quarto. — Você acha que eu não estou me sentindo mal com isso? Todas as coias que eu te contei... Isso deve ter te machucado e eu nem percebi. — Engoliu seco, decepcionado consigo mesmo. — Desculpa. — Disse sem olhar nos olhos do mais novo, pois não tinha coragem para isso.