Quando Kol escutara do irmão que tinham uma nova presa — uma virgem, santa virgem, de acordo com suas palavras —, Kol inicialmente relutara em acreditar nas palavras do Malkavian; era um lunático, predisposto a teatralizações nada exigentes e tipicidades ortodoxamente reprováveis. Como sempre, precisava consertar as besteiras feitas pelo mais novo, resultado de uma promessa que fizera ao próprio pai no leito de morte e sequer o laço de sangue que estabelecera com os Tremere fora capaz de dissociá-lo do instinto protetor para com o doente a quem chamava irmão. Reparar as burradas que fazia era essencial para que pudesse viver o restante de sua não-vida com um pouco mais de decoro — tinha muito a perder por se associar com um vampiro como ele, mas simplesmente não conseguia cortar o laço que o prendia ao loiro. Irritante não chegava a definir verdadeiramente como aquela situação era vista aos seus olhos, pragmáticos e cansados por mais de meio milênio convivendo daquela forma. Por aquele motivo, quando o Malkavian trouxe a presa, pronta para o abate em sua mansão, Kol fizera de tudo para deixá-la longe da influência do irmão — considerava que, ao entrar pelas portas de sua mansão,a gora pertencia a ele, e estava prestes a coletar seu mísero imposto; o sangue de virgens sempre o apeteceu anormalmente. Algo sobre a pureza e ingenuidade o excitava e tornava todos os sentidos mais aguçados. A vitae da menina seria mandatória, se Vladislav desejava que o irmão continuasse o protegendo.
Ao adentrar no quarto escuro, mais parecido com uma cela aonde manteria as bestas mais odiosas que Caim tivera a capacidade de criar, não foi capaz de ignorar a presença diminuta, temerosa e, por falta de palavra melhor, deliciosa a qualquer paladar. Kol teve que se conter para não atacá-la, drenando toda a vitae que a morena — ele conseguia perceber — possuía no corpo miúdo. Escutava o coração da morena bater, praticamente podia degustar o sabor do seu sangue, umedecendo os lábios suavemente antes que a outra começasse a falar, amedrontada. Por alguns segundos, Kol manteve-se parado, imaginando que ela não notaria sua presença, sendo a mera humana que era — não foi o que aconteceu. Com um mero muxoxo, estalou dois dos dedos, iluminando o quarto imediatamente, certo de que a humana precisaria de tempo para se ajustar, aproveitando aqueles singelos segundos para que se sentasse cavalheirescamente em uma das poltronas dispostas no ambiente, longe da cela em questão. Entrelaçar os dedos um nos outros foi inevitável, agora que podia analisar verdadeiramente a morena, quão parecida parecia com um animal acuado. Patético, ainda que tivesse a sua beleza irônica. Um meio sorriso tomou conta dos lábios de Kol antes que pudesse se segurar, e ele se apoiou nos cotovelos, aproximando o rosto da gaiola de ouro onde mantinha seu mais novo saco de sangue — chame de imposto. ❛❛ Temo que não possa suprir essa necessidade, srta… ❜❜ Moveu a mão, em sinal de desimportância. Não era como se importasse realmente qual era seu sobrenome. ❛❛ Não houve confusão. Não estava esperando por nenhuma hóspede— ❜❜ Não conteve a risada lacônica, fraca, escapar de seus lábios, massageando a região do maxilar levemente enquanto sentia a barba por fazer pinicar sua pele, a palavra utilizada caindo na conversa de forma cínica e como se pertencesse a uma piada interna que apenas uma pessoa naquela saleta entenderia. ❛❛ Mas vejam só, aparentemente Caim foi generoso. Não se preocupe com Vladislav — sei que ele já lhe prestou uma visita. Não será ele quem irá tocar em você. ❜❜ Assegurou, de maneira cavalheiresca, ainda que o cinismo fizesse parte de cada uma das palavras educadas do Macanthos. Morgana estava amaldiçoada, e não sairia daquela mansão com vida, todavia Kol não iria deixar aquilo claro, ao menos não inicialmente. Sempre preferira o sangue que continha esperança em sua composição — mais saboroso, em sua concepção.
Morgana não gostou o tom daquele homem, se o anterior parecia completamente louco, esse parecia contido demais, como se possuísse todo o domínio da situação, parecia com o seu avô de criação, falava de forma extremamente polida e correta, chegava a ser frustrante. Não conteve um instinto de completar a frase ao ouvir seu tom de descaso. "Bastéri" respondeu instantaneamente, não sabia se devia falar seu nome, mas ao menos, quando ela morresse teria uma lápide com seu nome. "Morgana Bastéri" Repetiu, se encolhendo. Ao menos era com isso que ela contava.
Sempre soube da existência do Diabo, aquela criatura que sempre rondava os mortais, pronto para te tentar e levar o maior numero de almas para a danação eterna. Quando ele se referiu a Caim, teve a certeza de que ele era o Diabo, não havia outra explicação, ele deveria ser a personificação do mal, sentia exalando dele, seu tom arrogante compunha uma perfeita imagem de como Lúcifer deveria ser em sua forma carnal. (Mentira que o Luci é o JoMo)
Morgana foi próximo a grade dourada, e sentiu-se irada por lembrar do que a poucas horas havia acontecido. Vladislav, Odessa... Todos eles fizeram coisas com ela das quais ela acreditava ser impossível, eram desumanos, criaturas diabólicas e ao encarar o moreno. Não sabia quanto tempo havia se passado, será que seus conhecidos estariam a procurando? Será que eles sabiam que ela estava desaparecida? Não podia ter certeza de nada, sequer tinha certeza de que estava viva, talvez Deus estivesse a testando, talvez ainda estivesse no purgatório, ou talvez já estivesse nos portões do inferno. ela sentiu tamanho ódio que foi impossível de controlar suas próximas ações. "Acho que você está por fora dos acontecimentos, meu velho." Morgana riu, estava fraca e deduziu que foi devido a Odessa que a atacou e também por Vladislav – que o homem acabara de citar, não sabia ao certo o que eles eram, mas sabia o que eles queriam. "O seu tal Vladislav acabou de levar parte de minha alma, não ouse me assegurar a segurança, sua criatura abominável e hipócrita" Gritou as frases, desesperada por qualquer coisa, desesperada por morte. O homem a sua frente continuava impassível, uma mascara, totalmente cinza, sem cor alguma. Morgana gritou, sacudiu as grades e sem nenhum sucesso, continuou no mesmo estado de antes. "Seu desgraçado, me liberte! Por favor! Eu não fiz nada para vocês." Disse ficando rouca. "Ou será como os outros? Irá assegurar que tudo vai ficar bem até que então você me ataque como a besta que vocês são, por que não termina logo o que eles começaram?" Falou contra a grade. Gritou por ajuda, gritou até que foi obrigada a parar.