A prática da magia deveria ser, em sua essência, um caminho de autodescoberta, transformação e responsabilidade. No entanto, muitos magistas do TikTok (ou outras plataformas) parecem se perder na busca por validação externa e atenção, transformando a espiritualidade em um espetáculo. Há uma tendência preocupante em querer “pagar de fodão” ao ostentar alianças com entidades, mostrando rituais e conquistas espirituais como troféus para impressionar os outros. Essa atitude revela mais sobre a necessidade de alimentar o ego do que sobre um compromisso real com a evolução espiritual.
Esse comportamento é reflexo de vícios modernos: o impulso constante de se exibir nas redes sociais, de ser notado e aplaudido. Muitos esquecem que a magia tem, em sua raiz, o ocultismo – aquilo que deve permanecer escondido, íntimo, sagrado. Mostrar tudo, falar apenas o que convém e querer provar que está mais avançado do que outros magistas não apenas trai o propósito da prática, mas também alimenta comparações tóxicas e ilusórias, criando uma competição vazia.
Além disso, há uma tendência perigosa de delegar toda a responsabilidade da vida às entidades ou ao universo, como se o trabalho espiritual fosse uma espécie de solução mágica para os problemas do amanhã. Ao fazer isso, o magista abandona seu papel ativo no processo de evolução. A magia não é um atalho para escapar das responsabilidades, mas sim uma ferramenta para compreender, enfrentar e transcender os desafios da vida. O dinheiro, o status e a validação não devem ser o objetivo; a simplicidade, o foco e a busca pelo autoconhecimento devem ser os pilares de qualquer prática verdadeira.
A verdadeira evolução espiritual vem da humildade e do silêncio, não do alarde. Trabalhar com entidades, ter poder ou alcançar resultados visíveis não faz ninguém melhor ou mais especial. O caminho da magia exige introspecção, disciplina e um compromisso genuíno com o crescimento pessoal. Quando o ego toma conta, a espiritualidade perde sua essência e se transforma em um espetáculo vazio. A magia real começa quando deixamos de buscar aplausos externos e enfrentamos, com sinceridade, o espelho de nossa própria alma.
















