What the f*ck?!
lcljung:
Suspirou um tanto aliviado ao ouvir a voz do amigo, só largando a latinha de Dr. Pepper sobre a mesinha de centro de sua sala assim que o ouviu, um tanto preocupado com a pausa que ele dera ao iniciar sua fala, entretanto, acabou rindo assim que ele completou a frase. - …Espero que você tenha um extintor em casa, ou ao menos o número dos bombeiros em mente pra caso algo aconteça.
Riu um pouco mais alto, meneando em negativo com a cabeça, pausando sua fala um pouco enquanto suspirava mais uma vez. Raphael transparecia certa calma. Será que ele havia visto tudo aquilo que capturou há poucos minutos? Será que ele sabia de tudo aquilo? Não sabia muito bem o que fazer, talvez devesse perguntar, mas também talvez não devesse. Quer dizer… Ele estava cozinhando a uma hora daquelas exatamente como se nada tivesse acontecido. O fato era que o amigo certamente sabia lidar com certos tipos de situações, se ele bem o conhecia. Há tantos anos convivendo com ele, sabia bem o quanto ele era uma pessoa… Calma. Sério, não sabia como ele fazia aquilo.
Bem, acreditava que ele já soubesse. Não era como se o amigo vivesse numa caverna. Era tão ligado em redes sociais quanto a si mesmo, no entanto, talvez fosse um assunto para ser tratado outra hora. Havia ficado um tanto preocupado, por isso acabara ligando ao outro naquele horário. Sem contar que sabia também que ele costumava dormir tarde. – Cara… Eu não sei se acho mais preocupante você cozinhando uma hora dessas ou minha overdose de açúcar. Mas com certeza, acho que é você cozinhando, até porque minha overdose de açúcar já é corriqueira.
Comentou divertido e rindo baixo, mas não era como se Luciel pudesse falar muito sobre aquilo. Se soubesse fazer um kimchi sem queimá-lo ou colocar fogo na cozinha, já era muito. Afinal, vivia de congelados e comida semi pronta. A verdade é que nunca tivera dom para a cozinha. Nem para cuidar dos afazeres de casa, e muito menos, para todas as coisas que incluíam ser um adulto. Mas ao menos ele tentava sobreviver, era o preço da independência. Todos passavam por isso um dia, porém, alguns sofriam mais do que outros para se adaptar. Alguns tutoriais do youtube já salvaram sua vida. – Mas… Falando sério, se você está bem, eu fico feliz. É só que… Umas coisas estranhas aconteceram…
Àquela altura, Raphael encontrava-se tão concentrado na forma que suas mãos precisavam se mexer para dividir sua atenção entre o macarrão e o molho no fogo que era difícil entender o que Luciel falava. Vivera sua vida quase inteira com duas mulheres e tudo o que adquirira dessa convivência fora ódio à TPM, sendo que poderia ter conquistado um sexto sentido ou a habilidade de fazer mil e uma coisas ao mesmo tempo. No entanto, quando ouvira a palavra “bombeiro”, fora automática a forma na qual Levi começara a rir: nunca pensou na necessidade de chamar um, e por que essa situação parecia tão engraçada?
- Ai, cara. Se liga: “Ator Levi Zasimowicz se envolve em incêndio inusitado ao cozinhar macarrão de madrugada”. Soa bem? Vai ser a manchete de amanhã cedinho, quando eu matar todo mundo desse prédio em um incêndio por conta da minha falta de dotes culinários.
A situação poderia até parecer engraçada se não fosse triste. Se tinha algo que Levi realmente desejava em todo o mundo era aprender a cozinhar qualquer coisa sem queimá-la, mas por que parecia tão impossível? E se fugisse para a casa de Luciel àquela hora para os dois morrerem de comer comida congela requentada no micro-ondas? Não era uma má ideia. Na verdade, qualquer coisa ao lado de Lucy não parecia uma má ideia, exatamente por estar ao lado daquele coreano.
- Sei que não é interessante, mas eu conheci um cara que teve overdose de doces. – tal frase fizera com que o rapaz se distanciasse do fogão, guiando a destra até o celular que mantinha preso entre seu ombro e o rosto. E era verdade: há alguns anos, Levi tivera contato com um rapaz que era tão viciado em doces que, após exagerar na dosagem em um dia, o cara havia sido levado para o hospital por passar muito mal. Tais pensamentos rodeavam sua cabeça de tal forma que só despertara ao voltar a ouvir a voz de Luciel do outro lado da linha, fazendo careta ao tentar entender sobre o que o outro se referia. – Coisas estranhas? Se você tá falando daquele ataque de haters nas redes sociais, tá tudo bem. Sério. Dessa vez eu reuni tudo e dei para o meu assessor, ele vai entrar com um processo contra todo mundo. Sabe, isso de cyberbullying é muito feio, é sempre preciso tomar alguma providência.
Sentia-se orgulhoso de si mesmo por conta dessa atitude, mas o cheiro de queimado que passou a tomar conta da cozinha assustou-o de tal forma que o fizera se virar para o fogão novamente, encarando a panela com o molho branco que, agora, parecia uma espécie de cola assustadora com as laterais escuras por conta do contato com o aço do recipiente. Tava tudo queimado, tudo estragado. Colocou a ligação de Luciel no viva-voz para que jogasse o celular sobre a mesa, praguejando mil e uma maldições enquanto desligava o fogo e jogava a panela contra a pia para, após, ligar a torneira. A água fria em contato com o quente do material inoxidável fez com que subisse uma fina camada de fumaça, emitindo um chiado chato que tomou conta da cozinha.
- Cê nem acredita. Eu acho que descobri como fazer cola com leite e amido de milho.












