something old, something new, something borrowed and something you
As juntas dos dedos de Sophie já não podiam mais ser estraladas, nem mesmo seu pescoço - em uma tentativa, falha, de acalmar-se a morena conseguiu estralar até mesmo suas costas. Respirava fundo e ao ouvir uma batidinha na porta sentiu o estômago revirar. Não podia ainda caminhar pelo altar, seria possível que já estava na hora? Viu todo o próximo minuto em câmera lenta, a maçaneta girando e os pés de Dakota, calçados em um peep toe azul marinho, o vestido da mesma cor que os sapatos e um sorriso tão típico da irmã da noiva. Aquele sorriso fizera com que Sophie perdesse boa parte de seu nervosismo, e caminhou até uma das suas madrinhas, que lhe estendeu a mão. “Só mais vinte minutos e volto pra te chamar, ok?” Vinte minutos. Vinte minutos e então ela deixaria de ser White e viraria ‘White hífen Sparrow’. Sophie assentiu e ainda hesitante pediu para que chamasse Jacques.
A porta se fechou e a morena caminhou por seu quarto, tentava controlar a respiração, alisava o vestido, respirava fundo, caminhava, alisava, olhava para cima contendo as possíveis lágrimas, caminhava, ouvira a maçaneta mais uma vez. - Eu não consigo. Jac e se eu estiver cometendo um erro? E se eu tiver escolhido errado? - Mal deu tempo para que o rapaz entrasse em seu quarto e fora bombardeado com tais frases. “Você não está cometendo erro nenhum, até porque quem escolheu fui eu. Casca de ovo ao invés de gelo, como você queria, completamente longo ao invés de mullet, sapatos de cetim e não de camurça, vestido tomara-que-caia e não colo fechado… Não tem erro nisso.” Sophie revirou os olhos com a frase vinda do amigo. - Eu estou falando sério Jacques… E se o Jack não mudar? As pessoas não mudam assim! E se eu não mudar? E se esse casamento todo for um erro? - Claramente o controle da respiração da morena não funcionava direito. “Vocês não poderiam ter feito escolha melhor. Agora para de chilique e se essa maquiagem borrar vai ter blush natural, já que eu vou descer a mão na sua cara.”
Jacques e seu terno unicamente estilizado deixaram o quarto, e poucos minutos depois, Sophie fizera o mesmo. Segurando a longa saia e deixando os sapatos escolhidos pelo melhor amigo a mostra, a morena correu pelo local do casamento e acabou por tropeçar em um convidado. “Não traz boa sorte o noivo ver a noiva antes do casamento.” Uma risada baixa cortou a garganta da morena. - Seja bem vindo, Jeremy. - Ela depositou um beijo no rosto do rapaz, deixando uma marca rosa claro na bochecha dele. - Achei que não ia vir. - As mãos do loiro alcançaram as dela, o que a fez sorrir levemente. “Não ia perder seu grande momento… Jack é um cara de sorte.” O coração da morena disparou. - Ele não precisa ser. Eu não preciso casar com o Jack. A gente some hoje e nunca mais daremos as caras em Seattle. - A reação do loiro foi um pouco diferente do que ela esperava. Com uma risada baixa, Jeremy depositou um beijo na testa de White, que mesmo usando um salto de 11 cm insistia em ser mais baixa do que ele. “Você não quer realmente fugir, é só nervosismo. Queria que tivéssemos dado certo, mas não dessa forma. Vocês dois pertencem um ao outro, e para de tentar correr disso.“
Os saltos de Dakota voltaram a fazer barulho, e Sophie percebeu que estava sendo procurada. Deu um abraço curto, mas bem apertado em Jeremy, e lançou-lhe um sorriso, que por mais que não viesse acompanhado de nenhuma frase, era repleto de agradecimentos. “Eu estava te procurando! Jack já está no altar.” - Estava deixando algo velho para trás. Vamos? - Alguns passos foram dados até o salão principal, onde uma grande porta se abria. Rachel, Dakota, Jacques e Tad caminharam em duplas até o altar e atrás deles Beth carregava as alianças. Quando todos tomaram suas posições, Sophie foi capaz de ver seu noivo no altar e percebeu que todas as suas preocupações não tinham fundamento. Ele era, de fato, o amor de sua vida. Com um sorriso tão bonito quanto o pôr do sol e o olhar tão profundo quanto o sentimento que possuíam um pelo outro. Sophie respirou fundo e agora o único medo que tinha era de cair antes do altar - mas sabia que mesmo se assim acontecesse, Jack estaria ali para segura-la.
Jack afastou a manga da camisa de seu punho esquerdo para poder ver os ponteiros dourados de seu relógio. Vinte minutos. Malditos vinte minutos e sua vida mudaria para sempre. Mudaria mesmo? Assim, de repente? Ele passou a mãos nos cabelos enquanto andava em círculos no quarto, esperando que alguém entrasse e o distraísse de todo o nervosismo. Pensando bem, as coisas tinham começado a mudar há três anos, no dia da formatura, quando ele tomou mais rum do que devia e decidiu que não havia mais motivo nenhum pra esconder que amava Sophie.
Beijá-la na frente da escola toda quase custou seu emprego, mas não houve um só dia que se arrependesse. E o resultado era que estavam juntos há tanto tempo que o casamento parecia ser a coisa mias óbvia a se fazer. Então por que ele tremia tanto? Por que parecia que o relógio andava tão rápido? Poderia ser algo estranho a se pensar minutos antes de subir ao altar, mas fazia meses que ele não dormia com alguém além de Sophie. Será que sentiria falta disso? Ela também não tinha sido totalmente fiel ao longo dos anos, mas os dois estavam trabalhando duro para mudar… Daria certo? Não seria melhor cancelarem tudo e concordar com um relacionamento aberto? Mas ciumentos como eram, isso nunca daria certo…
A resposta para todas as suas dúvidas veio na forma de uma garotinha loira que abriu a porta do quarto e correu até ele. “Tio Jack, a mamãe mandou avisar que faltam dez minutos.” Beth anunciou alegremente enquanto ele a pegava no colo.
Jack se lembrou de quando Rachel descobriu que estava grávida, do quanto ficara assustada na época, e de repente tudo fez sentido: qualquer coisa que possa mudar sua vida inteira seria aterrorizador, mas isso não significa que os resultados serão ruins.
- Só dez minutos? Já pegou as alianças? - Perguntou. Beth fez que sim com a cabeça e apontou para a porta, onde Rachel os observava com um sorriso no rosto e uma cestinha com as alianças nas mãos. Jack colocou Beth no chão e cobriu as orelhas dela com as mãos. - Eu tô fazendo a coisa certa? - Disse baixinho, fazendo Rachel revirar os olhos. “Claro que está! Por que isso logo agora?” - Eu nunca mais vou… cê sabe… - E fez um gesto meio obsceno, mas sutil o bastante para que Beth não fizesse ideia do que aquilo queria dizer. - … com mais ninguém. Será que eu vou aguentar? Será que ela vai aguentar? - “Vira homem, Jack…” Rachel riu e começou a guiar um Jack muito atônito pelos corredores que ligavam o quarto ao salão onde aconteceria a cerimônia.
De repente ele se viu roendo as próprias unhas em cima do altar, na frente de literalmente todas as pessoas que ele conhecia. Rai bateu em sua mão, fazendo com que o mau hábito fosse por hora interrompido, então Jack passou a estralar os dedos. “Cê tá me deixando nervoso!” Rai murmurou, ao que Jack respondeu com um olhar incrédulo. - Você não faz sentido algum.
Noivo e padrinho continuaram se alfinetando discretamente até que uma música suave começou a tocar. As madrinhas e padrinhos de Sophie começaram a entrar, e logo veio Beth com as alianças. O coração de Jack pareceu parar, e só voltou a bater quando viu Sophie surgir entre as largas folhas de madeira da porta do salão. Nunca a tinha visto tão bonita, e provavelmente nem tão nervosa. Conhecia-a tão bem que sabia por aquele sorriso tímido que ela estava com o coração saindo pela boca. Ótimo. Seria mais uma coisa em comum entre eles.
Cada passo que Sophie dava em direção ao altar parecia eliminar parte de seu nervosismo. Toda aquela vontade de sumir e indecisão já haviam se esvaído uma vez que a morena pisou no palco. Um beijo leve no rosto de Jack e então entregou seu buquê nas mãos de Jacques. Segurou as mãos do noivo e pôde ouvir muito do que o padre dizia, mas naquele momento pouco se importava. Seus olhos estavam concentrados nos de Sparrow e seus lábios deixaram escapar uma frase sem som algum. - Eu te amo. - Sophie sorriu após dizer, e queria que toda aquela baboseira chegasse ao fim pra poder beijar o seu marido. Marido. Era tão estranho pensar que já estaria casada em uma hora. E que no dia seguinte seria Sophie White-Sparrow, em lua de mel no Caribe.
Algum blá blá blá vindo do padre, e finalmente os votos. As mãos da morena se entrelaçaram às de Jack, seu sorriso se abriu e então encheu os pulmões de ar. - Eu tinha uma página escrita por mim, revisada pelo Jacques e melhorada pela Dakota... Mas depois do que eu vivi hoje, só tenho a dizer pra você, Jack White-Sparrow, que você é o amor da minha vida. E que eu não poderia ter escolhido ninguém melhor. Mesmo nos momentos mais difíceis pra mim, sei que você vai estar me esperando, com o mesmo sorriso lindo. E por mais que briguemos muitas vezes, é com você que eu quero fugir no fim do dia. Pode até ser que a fuga seja da dieta. - Uma risada coletiva percorreu o salão. - Ou pra Paris. Só sei que a única companhia que eu quero hoje, e para sempre, é a sua. - Seus lábios tocaram levemente os do mais velho.
Não precisava dar um beijo de cinema, bastava tocar levemente na boca de Jack e sentia que seu corpo estava tocando o corpo certo. Nenhum desentendimento ou diferença fazia-se importante quando Jack e Sophie se tornavam um só. E diante daquelas quase duzentas pessoas, Sparrow e White se tornavam um só para sempre - ou ao menos era assim que a morena esperava e desejava. Por cima de todas suas dúvidas passava o amor que sentia pelo ex professor. Não tinha mais receio, não tinha mais nervosismo, apenas a vontade de ouvir as palavras que ele tinha a dizer e finalmente embarcar em uma comemoração sem hora para terminar.











