— Desculpe. Esqueci que estava falando com algum tipo de deus do sexo. — Diante daquela colocação do amigo, Ilgook não tinha o que fazer se não gargalhar, o corpo todo tremendo ao som de sua óbvia diversão. — Bom, eu diria que ainda falta algumas coisas para chegar no nível de um deus, mas também não quero estragar a sua fantasia de me ver dessa forma. — Respondeu, convencido, enquanto recebia sua aproximação ajeitando a própria posição na cama para facilitar que eles se encaixassem, embora isso não tenha acontecido até depois. Não era a primeira vez que deitava-se ao lado de seu amigo - e tampouco também aquela era a primeira vez que o tinha daquela forma junto de si -, mas fazia muito tempo desde a última ocorrência, então era sido uma surpresa bastante agradável saber que os tantos meses separados fisicamente não os tinha os tornado tímidos no contato. Mesmo com o passar dos anos que os fazia deles cada vez menos jovens - com Ilgook deixando de ser um aluno para tornar-se professor, quem diria [!] -, Ryu Jihan ainda era o epítome da palavra “afável”, e para isso o mais novo não guardava qualquer reclamação. — Não vou… Prometo proteger seus sonhos. — Diria, inclusive, que ser daquela forma era um de seus maiores charmes.
— E como você vai proteger os meus sonhos se vai estando ocupado fazendo parte deles? — Retrucou rapidamente, sendo acometido por mais uma onda de risos. Agora que o mais velho finalmente havia cedido ao chamego, o Bae não precisava mais hesitar em apertar-lhe de leve naquele abraço, recebendo o beijo na clavícula com um baixo ruído de aprovação, ainda que sua mente permanecesse na conversa. — Tudo bem, essa foi péssima, mas não deu pra evitar. — Continuava, pegando a mão do Ryu que estava em seu quadril para levá-la até os lábios, depositando um beijo em seus dedos, por um lado porque queria retribuir-lhe a afeição, e por outro porque precisava diminuir as chances de ter uma ereção ateado ao seu melhor amigo e aquela mão precisava ir para outro lugar [infelizmente não para onde ele gostaria que ela fosse, mas pelo menos então para um ponto mais seguro de tê-lo]. — Eu senti a sua falta, sabia? — A voz era meio sufocada por conta do contato da mão Jihan contra sua boca, que no momento fazia uma trilha de beijos, partindo desde a ponta de seus dedos e seguindo para baixo, contra a palma, o pulso, e virando-se um pouco e baixando-se quando a posição desnivelada se mostrou um impedimento, continuava, beijando-lhe também o antebraço enquanto, sem nem mesmo dar-se conta de que o fazia, afundava-se na sensação e no cheiro da pele alheia, guiando o caminho pelo qual já havia passado para trás, na direção da curva de seu próprio pescoço, quase como se exigisse em toda sua sutileza que ele o envolvesse. A respiração parecia ter tornado-se mais quente e acelerada, apagando qualquer rastro do sono que ele mencionara antes, mas o que o despertou daquele momento não foi aquilo, e sim a nova sensação quando o beijo alcançou uma textura diferente, sendo nada mais, nada menos que o tecido da manga da camisa que cobria o resto do braço do professor de transfiguração lembrando-lhe que talvez ele já tivesse ido um pouco longe demais chegando até ali. — Hm…
✧ —— balançou a cabeça em um sinal negativo, ainda que acompanhasse Ilgook na risada, a sua sendo mais contida. —— Bom, eu nunca testei, então me resta acreditar na sua palavra. —— rebateu, evitando encará-lo nos olhos. Não precisava entregar-se tanto. Suspirou ao sentir o corpo dele, o abraçando mais forte por alguns segundos, registrando o quanto sentira falta daquele contato. Acabou por rir soprado ao escutar uma de suas cantadas. Como forma de repreendê-lo, deixou uma mordida fraca em sua clavícula. —— Foi realmente péssima, mas eu te perdoo. —— brincou, enquanto seus dedos ameaçavam adentrar a camiseta dele, para que pudesse acariciar a pele de seu quadril, surpreendendo-se quando sua mão foi levada até os lábios do mais novo. Era impossível não ser preenchido por quentura ao observar os toques delicados de Ilgook e, ainda que se sentisse levemente envergonhado, Jihan não conseguia parar de encará-lo. —— Eu também senti muitas saudades. —— revelou, voz baixa, perdida. Estava focado demais nas feições do outro para fazer qualquer outra coisa. Entretanto, o amor cálido que sentia pelo Bae logo foi dando espaço para outros sentimentos, muito menos apropriados. —— Ilgook-ah... —— foi quase um gemido, e Jihan queria desaparecer. A intimidade entre ambos não era nova para si, mas, em momentos como aquele, era difícil para o mais velho conter seus desejos. Era Ilgook ali, e Jihan sempre seria vulnerável quando se tratava dele. O calor entre seus corpos era demais para que o moreno pudesse aguentar e, não importava quantas vezes respirasse fundo, seu rosto continuava avermelhado. Queria pensar em qualquer coisa que não fosse os lábios de Ilgook contra os seus, mas era impossível de fazê-lo quando recebia beijos tão ternos sobre sua pele. Sentia os pelos de sua nuca se arrepiando e seus quadris, por reflexo, eram empurrados contra os do mais novo.
✧ —— nunca se sentira tão amado antes e, embora aquilo trouxesse um sorriso aos seus lábios, Jihan também sentia-se sujo. Sabia que não era correspondido, e tais afetos não estavam presentes no coração de Bae como estavam no seu. Mas nem seu corpo, nem sua mente queriam escutar a razão. Sentia-se seduzido pelos toques, inebriado pelo aroma da colônia alheia, e apenas era capaz de esconder seu rosto contra o peitoral dele, envergonhado, enquanto sentia-se endurecendo. Merda. Embora a respiração acelerada de Ilgook entregasse que ele não estava em um estado muito melhor, Jihan não se deixaria iludir. Aquilo era apenas uma demonstração de saudade entre amigos. Ainda assim, o Ryu conseguia escutar seu próprio coração, batendo acelerado contra suas costelas, quando Ilgook encontrou o tecido de sua camisa, após uma longa trilha de beijos. —— E-eu sinto muito, ah... —— pediu, voz quebrando, enquanto seus quadris se arrastavam mais uma vez contra os dele. O que diabos estava fazendo? Com certeza, estava incapaz de manter-se sob controle, e a ereção recém-formada o entregava. Sem saber ao certo o que fazer, afundou seu rosto contra o pescoço do amigo, apertando a mão dele, seu embaraço claro. —— Desculpe, é que... Faz tanto tempo. —— tentava explicar-se, ainda que fosse inútil. Não estava excitado porque não tinha relações sexuais há anos, mas porque era Ilgook.