namixspace:
Estava no papo, Nicholas Yohan Lee era incrivelmente bonito e tinha um charme latente, dava até para ignorar o Ford Galaxie que ele dirigia e tinha bons dez anos de uso. Só almofadinhas tinham carros do ano e Nick podia ter dinheiro, mas não era um garoto que andava com casacos do time de futebol ou que se orgulhava do Mustang que havia ganhado de Natal. Nick Lee fazia questão de não parecer que a mãe tinha se dado bem na vida, abandonado o babaca do seu pai e arrumado um marido endinheirado, mais velho e que adorava o enteado wannabe astro do rock. Havia se formado na escola fazia dois anos e passava seus dias vagabundeando pela região, escrevendo suas músicas e torcendo para algum lugar não olhar para sua identidade quando fosse comprar cervejas. Ele dizia que estava no papo toda vez que ia comprar cerveja e tinha uma menina bonita atrás da registradora. Piscou para a loirinha assim que entrou no mercadinho. Nick Lee enfiou umas latas de cerveja na cestinha do mercado, junto com latas de refrigerante parecidas e outras porcarias processadas. Chegou no caixa com um sorriso torto e passou as mãos pelos cabelos pretos. — Boa tarde, madame. O que um pitel assim faz aqui? Você deveria é estar na capa de alguma revista.
Karina só queria sair de casa o quanto antes, estava cansada de toda aquela ladainha dos pais de que ela nunca teria futuro e muito menos de que se não entrasse numa faculdade nunca seria ninguém, mas ela não queria pensar no futuro agora e por isso ela acabou conseguindo um emprego numa lanchonete para poder juntar seu rico dinheiro para sair de casa e um dia talvez encontrar um jeito de pensar no futuro. Até lá ficaria com seus rabiscos num caderno surrado porque não tinha coragem de mostrar a ninguém. Como não estava muito afim de servir os clientes naquele dia, pediu a Jackson para ficar no caixa, assim poderia se preocupar apenas com pagamentos e nada além disso, pelo menos até o momento em que foi abordada pelo rapaz asiático sem noção. A risada que escapou dos lábios dela foi inevitável. — Solta essa cantada para qualquer menina que vê ou poucas que lhe inspiram a isso?











