I know it's gotta stop, love, but I don't know how || Hyan
A primeira coisa que ouviu foram as risadas, risadas que remetiam a Bryan lembranças de momentos não vividos e que traziam consigo emoções complexas para o cérebro do estudante de medicina. Qual nome dar quando tudo que queremos é deitar na terra e entrelaçar seus dedos na grama, ou talvez em uma cabeleira ruiva? Mordeu seu delicioso bolo de laranja e se inclinou na cadeira para que conseguisse visualizar os possíveis novos clientes por de trás da enorme mesa rosa cheia de doces, suas pernas instintivamente se preparavam para levantar e ir chamar Aly, mas logo notou que não precisaria. Sua atenção foi sugada pela garota de cabelos vermelhos e voz rouca que passou por ele correndo.
Sem conseguir cumprimentar a dona da loja - Bryan deduziu isso quando a garota entrou na cozinha atrás de Aly - e elogiá-la pelos bolos e principalmente pelos brownies mágicos, o garoto ficou encarando… David. Sim, esse era o nome dele. Ele o conhecia da faculdade desde o dia que Dave esbarrou em Bryan com batata fritas no nariz. "Eu já volto." Falou antes de entrar correndo pela mesma porta que Hannah entrou, deixando Bryan sozinho mais uma vez. Ótimo, pensou o garoto. Levantou e começou a andar de um lado para o outro. O incomodo que costumava ter em sua cabeça tinha voltado, era como se houvesse alguém gritando em seu ouvido mas ele não conseguia ouvir. Mordeu o lábio e voltou a se sentar na mesinha um pouco antes de conseguir ver um vulto ruivo passar de baixo do balcão. Por algum motivo aparente Bryan se levantou no instante e foi atrás dela no balcão, alguma coisa puxava sempre puxava o garoto para aquela padaria, talvez fosse a própria dona, ou quem sabe Alyssa, era uma chance única de descobrir. Ou não.
Se encostou no balcão e sua boca já estava aberta para falar alguma coisa idiota e retardada do tipo: se eu fosse uma cauda, com certeza iria atrás do seu bolo. Mas por sorte dos dois, ele não teve tempo de falar. A ruiva se virou e os dois ficaram um de cara pro outro. Os olhos de Bryan foram atraídos primeiramente pelos lábios rosados da garota em milésimos de segundos depois já conseguia sentir seus pulmões sendo contraído pelos batimentos fortes e acelerados do coração tornando sua respiração cada vez mais acelerada. Seu olhar subiu calmamente até encontrar o olhar da cozinheira. É ela, conseguiu pensar. Bryan se prendeu a essa frase e a repetiu diversas vezes na cabeça. É ela. É ela. É ela. ELA! A dona do par de olhos azuis que ele tanto queria descobrir estava ali na sua frente. É ela. Engoliu em seco e quando foi soltar o ar foi traído pelos próprios lábios que sussurraram só uma palavra num tom confidente alto o bastante para que só a garota ouvisse. "Nana…"
A primeira coisa que entrou no campo de visão de Hannah foram os olhos. Aqueles olhos castanho esverdeados que ela conhecia, de alguma forma, tão bem quanto os próprios. Por um segundo, ela ficou confusa, e então sua cabeça explodiu.
Não literalmente, claro.
A descarga forte de lembranças a atingiu como um trem em movimento. De certa forma, foi quase como um alívio, pois era como se um grande peso estivesse saindo da parte de trás de seus olhos. Aos poucos, as lembranças foram chegando, e ela lembrou de todos os momentos que ela tivera com o animalzinho à sua frente. Abriu um sorriso que ela nem sabia que era capaz de abrir, de tão grande que era. Com certeza, aquele dude ali estaria na lista de Pessoas Importantes. Sim, Nana agora lembrava, de todas as lutinhas na sala de sua antiga casa, todas as noites dormidas contando as estrelas pelo teto aberto de seu quarto, todas as vezes que usou sua super-força pra tacar aquele rapaz no lago. Lembrou-se da vez que foram para a praia, e a vez que resolvera ensiná-lo a cozinhar. (O que fora um fiasco, claro.) Se lembrou de seu primeiro toque, seu primeiro beijo, sua primeira vez. Das brigas bobas que tiveram, do fazer as pazes depois delas, do som da risada dele que ela ainda não ouvira ali, mas sabia exatamente como era.
E então, como se alguem tivesse apertado um botão de pausa, as imagens pararam de rodar. Ela tentou forçar a própria memoria, mas por algum motivo estava tendo dificuldade para lembrar o resto. Sabia que tinha algo faltando, e tinha a leve impressão de que era importante. Mas o sorriso que Bryan deu a fez esquecer-se desse detalhe por um momento, e ela sabia que ele havia passado pelo mesmo flashback que acabara de passar.
“De boas, marica?” Hannah disse, desligando a caixa registradora. Erguendo uma sobrancelha, ela saiu de trás do balcão. “Acho que esse é o momento que eu digo ‘nossa, quanto tempo’,” ela riu, não prestando tanta atenção na resposta já que olhava para os lados e avistava Dave saindo do corredor que dava nas escadas do vestiário. Com um sorriso maroto, ela piscou para o moreno que tomava seu lugar no caixa, e puxou seu homem para o corredor, onde teriam mais privacidade.
A saudade daquela criaturinha estava começando a querer aparecer, e ela sabia que ficaria emocional em alguns instantes. Então, ali mesmo, sem aviso prévio, ela simplesmente o beijou.















