Afetos digitais
Eu me perguntava sobre esse nosso vínculo frívolo, repentino e quente. Me perguntava se todas as nossas falas virariam mesmo realidade e se eu um dia verei o sol nascer nem que fosse sem o roteiro da imaginação, ao seu lado. Eu me fiz muitas perguntas enquanto digitava pela nem sei quantas vezes, mais um bom dia com desenhinho de sol pra você.
Eu me perguntei por que haviam aquelas perguntas em mim, e o que eu queria com essa análise toda. Não descobri nada além do que eu já sabia. Sabia dos vazios que todos temos, dos anseios que todos carregamos e das vontades que penamos.
Juntando tudo eu queria somente uma resposta, e muito mais forte dessa vez, qual a data, hora e em qual rua minha vida vai encostar na tua pra gente fazer juntos planos reais. Lidas reais.
Enquanto a piada cósmica brinca de encontros e despedidas digitais, a gente vai cuidando coletivamente, em rede, um do outro, se descobrindo na roleta russa de tantos algoritmos afetivos e tantas matemáticas computacionais, que nos aproximam bem naquela hora no meio da noite em que somente o trabalho nos faz pensar. E nessa aproximação de tão mágica e fácil, de tão redondamente sortuda nos faz penar em quilômetros de lonjuras, distâncias táteis e telas que nos intrometem entre olhos que nunca se veem. Enquanto isso eu também seguro o “eu te gosto”. Por que eu te amo eu não sei como é.












