leekibumz:
Como Kibum preveu, tudo estava estranho entre ele e Nari. A garota se lembrava de tudo e acabou se afastando, mas seria hipocrisia se o homem reclamasse pois acabou fazendo a mesma coisa. Por parte não era proposital, os ensaios com a banda ficavam mais rigorosos junto com a ajuda que ele dava para os pais na padaria. Porém, ele não gostava do clima toxico e pesado quando chegava em casa, um lugar que era destinado para seu descanso, agora o dava dor de cabeça, e as vezes nem ao menos dormia no local, preferia passar a noite na garagem de um dos membros da banda, do que aguentar o drama silencioso da casa. Tudo ficou pior com a notícia que recebeu que Nari tinha começado um relacionamento com Donghyun, uma notícia dada pelo próprio amigo. Tentou se mostrar feliz, pois Donghyun estava feliz, mas por dentro queria socar o garoto toda vez que tocava no nome de Nari, falando dela como um idiota apaixonado, e Kibum pensava como o amigo iria reagir se soubesse que ele já provou o gosto de Nari e quase a fodeu no chão da sala. Apesar de saber o quando prazeroso iria ser falar aquelas palavras, tentava se reprimir daquele sentimento, deixando aquele acontecimento somente entre a amiga e ele. Não sabia explicar muito bem como se sentia com Nari. Não estava apaixonado, – ou pelo menos achava que não – mas havia um sentimento de ciúmes batendo contra seu peito tão forte que seu coração chegava a doer e sua barriga se revirar, e nada melhorava ao pensar que Donghyun provavelmente terminou o que Kibum tinha começado com a amiga.
Seu humor nunca foi o dos melhores, nunca foi a pessoa mais paciente e amável do mundo, mas por esses motivos tudo parecia piorar. Já tinha perdido a conta quantas vezes tinha gritado com os colegas de banda e até com a própria família. As brigas em bares tinham aumentado também, junto com os ferimentos, e o caminho até o hospital ficava mais frequente a cada dia que se passava. O humor somente melhorou quando ficou sabendo que a data de lançamento do CD da banda tinha sido lançada, e que dentro de algumas semanas estaria entrando em tour com os amigos por algumas cidades da Coreia do Sul. Todo mundo estava agitado e o trabalho parecia mais rigoroso, noites acordados para terminar músicas e começar as gravações, fizeram Kibum se esquecer de tudo que passava em sua vida. De tudo que acontecia com Nari. Mas os pensamentos voltaram por causa da festa que o produtor organizou para comemorar, apesar de não ser nada muito extravagante – uma pequena festa na casa do próprio produtor – Nari estaria lá, com Donghyun, e isso acabaria com toda a felicidade de Kibum, e o homem não era muito bom em esconder como se sentia. Nem ao menos se vestiu bem, para se mostrar mais atraente, não dava a mínima para esses detalhes, então acabou aparecendo com suas calças rasgadas e uma de suas camisas pretas de botões. Já tinha bastante pessoas quando chegou, familiares de amigos, e algumas pessoas conhecidas o cumprimentavam e logo começavam uma rápida conversa até alguém pedir licença e se retirar. Não tinha convidado seus pais, por saber como eles não gostavam de festas do tipo, e provavelmente já estariam dormindo. Sua irmã provavelmente daria uma passada no local, mas iria embora cedo por causa do trabalho.
Kibum acabou parando na cozinha, se servindo com um copo cheio de vodka pura, em uma tentativa de ficar o mais bêbado possível, para começar a aproveitar aquela festa da maneira que deveria ser. Mas parecia que Deus o odiava, pois assim que a bebida desceu por sua garganta, ouviu a voz que não escutava a algum tempo. Nari. Odiou fortemente como seu coração bateu forte contra o peito, segurava o copo com tanta pressão que não se surpreenderia se quebrasse em sua mão, o causando mais ferimentos. Se virou para a menor, percebendo o quão malvado aquele sorriso parecia em seus lábios, junto com aquela estupida pergunta. ❝—— É claro que estou feliz, por que não estaria? Minha banda ganhou algo bom, por que acha que eu estaria triste com isso? – Ergueu as sobrancelhas enquanto se encostava no balcão. O olhar sobre Nari era crítico e carregava um certo nojo, pois algo dentro de sua mente dizia que a garota só estava com o amigo para causar certos ciúmes. Até mesmo Donghyun se surpreendeu com o repentino envolvimento dos dois, e isso criou um grande ponto de interrogação na cabeça de Kibum. Mas o garoto odiava joguinhos, não tinha paciência para eles, e se Nari quisesse jogar, jogaria sozinha.
Nari sabia que Kibum não estaria nada triste com tudo aquilo, na verdade, em outros momentos e=iria estar em êxtase. Tanto quanto no último dia em que tiveram motivo para comemorar e o mais velho fez questão de deixá-la seminua em sua cama, rejeitada. Como não bastasse isso, ela o ouviu atrás da porta enquanto chorava, afinal, ela não servia nem mesmo para ser usada em uma noite. Nari cogitou uma paixão que nem mesmo ele aceitaria dentro de si, mas, depois viu-se um tanto quanto idiota por pensar naquilo. Kibum nunca se apaixonaria e a morena não tinha vez na fila. Por isso, fez o possível para poder se reerguer socialmente. Começou a trabalhar ainda mais para além de comprar uma câmera nova, poder se mudar. Nari tinha um plano e depois de perceber que iria ficar tudo muito pior, iria para um apartamento menor mas, a mesmo tempo, iria ficar confortável. O silêncio era ensurdecedor. Ela passou a cumprimentá-lo apenas com o corpo, sem falar nada, por sua vez, Kibum não fazia questão de falar com ela, o que deixou tudo mais fácil -- em tese.
Seus olhos identificaram as marcas de luta, tinha um corte no supercílio, um hematoma grande no pescoço e outros menores, apesar de também poder ver áreas vermelhas indicando terem sido feitas há alguns dias. -- Nee, não perguntei se estaria triste com alguma coisa boa que a sua banda conseguiu, oppa. Não é culpa minha seu humor estar um lixo. -- Mas, na verdade, era sim. Nari sabia que o mais velho não conseguia olhá-la com bons olhos depois de ter descoberto o seu mais novo relacionamento. Por causa disso, seu semblante mostrou seu sentimento real por quase cinco segundos, mas, depois disso, Nari apenas saiu de perto do oppa. Respirou fundo e andou com a cabeça erguida até Donghyun, o seu atual namorado. O sorriso não era falso, até poderia ser considerado sincero, mas, não era tão largo quanto antes, até mesmo porque seu humor também estava ácido. A morena beijou-o na bochecha e o puxou para um beijo casto e apesar de estarem no campo de visão de Kibum, Nari temeu por um instante. Caso o oppa tivesse mesmo vendo aquilo, iria dar confusão, pois, todos ali sabiam que não havia sangue de barata dentro dele.
Mas, diante de tal intimidade, Donghyun balançou a cabeça, puxando-a para uma parte mais vazia, sem ter muitos espectadores. Começaram a se beijar enquanto Nari estava grudada na parede, o corredor estava sem ninguém, por isso, os dois elevaram o contato para um outro nível. A morena estava nas nuvens, curtia o momento apesar de todos os motivos que a levaram a isso. No entanto, seus pensamentos a levaram a tentar parar Donghyun porque começou a pensar em Kibum. O mais velho poderia ser o que fosse, mas, vê-lo e saber que ainda estavam dividindo o mesmo espaço depois de tanto tempo foi quase um ultimato. Porém, Donghyun estava bastante envolvido, demais até para parar. -- Oppa... -- Ela pediu, empurrando-o de leve para o beijo parar. Assim que parou, a morena respirou fundo e não pode deixar de arregalar os olhos, foi tudo muito rápido, não conseguia mais processar o que via.











